{"id":15887,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/migracoes-sinal-dos-tempos-a-interpretar-a-luz-do-evangelho\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"migracoes-sinal-dos-tempos-a-interpretar-a-luz-do-evangelho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/migracoes-sinal-dos-tempos-a-interpretar-a-luz-do-evangelho\/","title":{"rendered":"Migra\u00e7\u00f5es: sinal dos tempos a interpretar \u00e0 luz do Evangelho"},"content":{"rendered":"<p>Mensagem \u00e0s Comunidades Crist\u00e3s para o 92\u00ba Dia Mundial do Migrante e Refugiado \u2013 15 de Janeiro de 2006 <!--more--> 1. A Comiss\u00e3o Episcopal da Mobilidade Humana acolhe o desejo do saudoso Papa Jo\u00e3o Paulo II, j\u00e1 manifestado na Instru\u00e7\u00e3o Pastoral \u201cA caridade de Cristo para com os migrantes\u201d (EMCC, 21), e une-se assim, pela primeira vez, \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o em toda a Igreja, numa mesma data, do Dia Mundial do Migrante e Refugiado: domingo, 15 de Janeiro de 2006. Esta celebra\u00e7\u00e3o alarga as perspectivas de comunh\u00e3o e solidariedade em todas as Comunidades crist\u00e3s ao pretender ser um tempo de ora\u00e7\u00e3o memorial, de reflex\u00e3o comunit\u00e1ria, compromisso mission\u00e1rio a n\u00edvel ecum\u00e9nico e inter-religioso, e, por fim, de defesa dos direitos humanos.  Gostar\u00edamos que todas as Comunidades crist\u00e3s, a exemplo do que t\u00e3o bem sabem fazer por ocasi\u00e3o da Semana Nacional de Migra\u00e7\u00f5es, em Agosto, assinalassem com a \u201cfantasia da caridade\u201d, nesta altura de sabor ainda natal\u00edcio, esta dimens\u00e3o familiar da nossa hist\u00f3ria. Tal como n\u00e3o haver\u00e1 um portugu\u00eas que n\u00e3o tenha um familiar emigrado, do mesmo modo n\u00e3o h\u00e1 par\u00f3quia &#8211; rural ou urbana, do litoral ou do interior &#8211; estranha \u00e0 presen\u00e7a de fam\u00edlias e comunidades migrantes de \u00c1frica, da Europa de Leste, do Brasil ou China, entre outras.  2. Na mensagem que o Santo Padre escreveu para este 92\u00ba Dia Mundial, a 40 anos do Vaticano II, recorda as Comunidades crist\u00e3s para a sua miss\u00e3o de \u201cint\u00e9rpretes\u201d, \u00e0 luz do Evangelho, dos \u201csinais dos tempos\u201d. Entre outros encontra-se o positivo, evangelizador, provocante e prof\u00e9tico fen\u00f3meno estrutural das migra\u00e7\u00f5es internacionais. Este \u00e9 uma d\u00e1diva de Deus a discernir, a acolher e n\u00e3o a rejeitar. Com efeito, o mundo n\u00e3o se entende, desde o ontem long\u00ednquo ao amanh\u00e3 mais pr\u00f3ximo, sem a refer\u00eancia b\u00edblica \u00e0 mobilidade e diferen\u00e7a humanas com que Deus, no seu des\u00edgnio de fraternidade reconciliada, decidiu marcar, desde as origens, o viver de pessoas e povos. A hist\u00f3ria do homem \u00e9 um entrela\u00e7ar-se gen\u00e9tico de rela\u00e7\u00f5es, geografias, caminhos, culturas, religi\u00f5es, l\u00ednguas, rostos, sotaques e utopias de dignidade. A Igreja \u00e9 servente desta rela\u00e7\u00e3o dignificante, pois \u00e9 decididamente na hist\u00f3ria \u201csinal do encontro do homem com Deus e da uni\u00e3o do g\u00e9nero humano\u201d (GS, 1). As migra\u00e7\u00f5es lembram-lhe, onde quer que ela se encontre, a sua voca\u00e7\u00e3o original e raz\u00e3o de existir para a unidade, o di\u00e1logo inter-cultural e universalidade. Como refere a mensagem papal, tamb\u00e9m em Portugal h\u00e1 uma imigra\u00e7\u00e3o que \u00e9 preciso desmascarar nos agentes que a promovem, como \u00e9 a explora\u00e7\u00e3o das mulheres na ind\u00fastria do sexo pago. A dignidade da pessoa do imigrante, neste caso da mulher, deve ser respeitada. As pessoas em situa\u00e7\u00e3o fragilizada carecem de um maior apoio e devem ser inutilizados aqueles que se aproveitam disso para as explorar.  3. Renovamos, pois, o nosso compromisso mission\u00e1rio, seja com a emigra\u00e7\u00e3o dos portugueses em di\u00e1spora permanente pelo mundo, porque a crise assim os vai for\u00e7ando, seja com a imigra\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os de outros pa\u00edses que escolhem a nossa terra par trabalhar e residir, pois connosco aqui sonham realizar os seus projectos pessoais e familiares, ou ent\u00e3o refugiar-se da persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, \u00e9tnica ou religiosa.  Diante da grande press\u00e3o migrat\u00f3ria que o pa\u00eds enfrenta, de que os crescentes fluxos de sa\u00edda e de entrada s\u00e3o sinal a interpretar, a Igreja, a partir da sua experi\u00eancia junto das Comunidades Portuguesas, apresenta como urgentes e novos os seguintes desafios: ir al\u00e9m das respostas de emerg\u00eancia social para assumir o di\u00e1logo entre culturas e religi\u00f5es, garantia de gradual integra\u00e7\u00e3o de todos; deixar de estar \u00e0 espera de ser procurada pelos seus servi\u00e7os para, em ousado esp\u00edrito de nova evangeliza\u00e7\u00e3o, partir ao encontro da f\u00e9, dos valores e patrim\u00f3nio cultural dos imigrantes e suas associa\u00e7\u00f5es; n\u00e3o se contentar com encontros e celebra\u00e7\u00f5es avulsas e espor\u00e1dicas, como tem vindo a acontecer no Natal e P\u00e1scoa, mas constituir em certos lugares comunidades de f\u00e9, animadas sobretudo por leigos, que se encontrem com regularidade &#8211; mesmo se de rito ou confiss\u00e3o crist\u00e3 diferente \u2013 para estudar a Palavra, celebrar os Sacramentos, aprofundar a F\u00e9, refor\u00e7ar os valores da fam\u00edlia e da solidariedade, sempre em comunh\u00e3o com os agentes e estruturas da par\u00f3quia local.  S\u00f3 crescendo numa forte consci\u00eancia de comunidade lingu\u00edstica e na mesma identidade cultural poder\u00e1 haver di\u00e1logo rec\u00edproco em igualdade e verdade na \u00fanica comunidade local. Sonhamos a \u201csociedade integrada\u201d!  4. Termino convidando todos os crist\u00e3os e as organiza\u00e7\u00f5es que se dedicam \u00e0 pastoral especifica das migra\u00e7\u00f5es a continuar vigilantes, com as legitimas parcerias alargadas na sociedade civil, para que os direitos humanos, culturais e religiosos dos migrantes &#8211; sem ignorar aqueles em vias de regulariza\u00e7\u00e3o &#8211; sejam respeitados na anunciada altera\u00e7\u00e3o legislativa, sobretudo, no que concerne o direito a viver em fam\u00edlia, a gest\u00e3o inteligente dos fluxos, a dignifica\u00e7\u00e3o do trabalho, a coopera\u00e7\u00e3o com os pa\u00edses de origem, a nacionalidade e os pr\u00f3prios conceitos de \u201cresid\u00eancia\u201d e \u201cintegra\u00e7\u00e3o\u201d que, porque amb\u00edguos e fragmentados, necessitam ainda de ser clarificados a n\u00edvel pol\u00edtico.     Agrade\u00e7o a todos os crist\u00e3os que, em Portugal e nos pa\u00edses da di\u00e1spora lusa, se t\u00eam empenhado em nome do Evangelho para que ningu\u00e9m se sinta estrangeiro onde reside, viva \u00e0 margem da sociedade que o recebeu e seja ofendido na sua dignidade por motivos de discrimina\u00e7\u00e3o e pecado de outros que os exploram, enganam e ignoram. Que Deus vos aben\u00e7oe e vos recompense pelo vosso testemunho, sinal de f\u00e9 viva em tempos de transi\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria Igreja!  Beja, 13 de Janeiro de 2006  <i>+ Ant\u00f3nio Vitalino, bispo de Beja e presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Mobilidade Humana<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem \u00e0s Comunidades Crist\u00e3s para o 92\u00ba Dia Mundial do Migrante e Refugiado \u2013 15 de Janeiro de 2006<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[101,122,171,189,203,206,237,258,267,268,275,285,294,307,314],"class_list":["post-15887","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-africa","tag-brasil","tag-diocese-de-beja","tag-direitos-humanos","tag-europa","tag-familia","tag-joao-paulo-ii","tag-migracoes","tag-natal","tag-nova-evangelizacao","tag-pascoa","tag-patrimonio","tag-sacramentos","tag-semana-nacional-de-migracoes","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15887","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15887"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15887\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15887"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15887"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15887"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}