{"id":158699,"date":"2020-01-06T10:46:52","date_gmt":"2020-01-06T10:46:52","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=158699"},"modified":"2020-01-06T10:46:52","modified_gmt":"2020-01-06T10:46:52","slug":"ainda-sabemos-conversar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ainda-sabemos-conversar\/","title":{"rendered":"Ainda sabemos conversar?"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Quanto tempo consegue uma pessoa manter uma conversa sem tirar o olhos do outro para, por exemplo, ver que horas s\u00e3o no telem\u00f3vel apesar de usar rel\u00f3gio no pulso? Tudo depende dos primeiros 7 minutos de conversa.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/conversar.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-158701\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/conversar.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/conversar.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/conversar-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/conversar-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/conversar-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/conversar-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/conversar-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/conversar-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O debate que come\u00e7a a surgir em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 maior ou menor capacidade para entrarmos numa conversa face-a-face tem-se desenvolvido muito nos Estados Unidos, sobretudo entre os jovens, uma vez que estes tiveram acesso aos <em>smartphones<\/em> com maior facilidade mais cedo. De tal modo que inventaram esta regra dos 7 minutos, isto \u00e9, o tempo necess\u00e1rio que temos de esperar para perceber se a conversa ser\u00e1 interessante, ou desiste-se e pega-se no telem\u00f3vel.<\/p>\n<blockquote><p>\u00abSe quiseres ter conversas a s\u00e9rio tens de estar disposto a meter tudo naqueles sete minutos.\u00bb (conclus\u00e3o de Sherry Turkle em \u201cReclaiming Conversation\u201d)<\/p><\/blockquote>\n<p>Se notarmos bem, estamos cada vez mais permissivos ao uso do telem\u00f3vel durante uma conversa com algu\u00e9m. Imaginamos que outro quer ver as horas, ou que sentiu uma vibra\u00e7\u00e3o no bolso quando nada sentiu. Este \u00faltimo caso \u00e9 estudado pela psicologia como o <em>s\u00edndrome da vibra\u00e7\u00e3o fantasma<\/em> cujo efeito \u00e9 proporcional ao grau de reac\u00e7\u00e3o emocional \u00e0 recep\u00e7\u00e3o de mensagens, ou grau de depend\u00eancia das mesmas. Sem nos apercebermos estamos a mudar, mas queremos?<\/p>\n<p>Quando desviamos o nosso olhar da pessoa que temos diante de n\u00f3s e pegamos no telem\u00f3vel, voltamos o nosso olhar para as pessoas conectadas a n\u00f3s pelo telem\u00f3vel. A consequ\u00eancia \u00e9 a de tornar as conversas que temos mais leves, superficiais e acabamos por estar menos conectados uns aos outros atrav\u00e9s do face-a-face. E aqui surge um paradoxo.<\/p>\n<p>Quando estamos longe dos outros ficamos <em>hipervigilantes<\/em> atrav\u00e9s da consulta frequente do telem\u00f3vel. Mas quando estamos perto dos outros, juntos a conversar, ficamos <em>desatentos<\/em>.<\/p>\n<p>O problema n\u00e3o est\u00e1 na tecnologia que temos, mas no uso que lhe damos. Com as novas tecnologias, a ades\u00e3o come\u00e7a com a justifica\u00e7\u00e3o de serem um suplemento a coisas que fazemos na nossa vida, melhorando-as. Mas, com o passar do tempo, verificamos que o suplemento passou a ser o estilo de vida. As mensagens de texto recebidas quando estamos num almo\u00e7o, jantar, reuni\u00e3o, encontro n\u00e3o pretendiam interromper esses momentos, mas a excep\u00e7\u00e3o est\u00e1 a tornar a norma.<\/p>\n<p>O ser humano possui uma capacidade que o distingue no mundo natural como nenhuma outra esp\u00e9cie: a <em>empatia<\/em>. Da\u00ed que as crian\u00e7as olhem atentas para os adultos, para o modo como falam, os gestos que fazem, os detalhes mais impensados do seu comportamento, e o que v\u00eaem hoje? Adultos que vivem para as distrac\u00e7\u00f5es impostas pelo pequeno ecr\u00e3 diante deles. A investiga\u00e7\u00e3o tem demonstrado cada vez mais e melhor como estar-sempre-online tem degradado a nossa capacidade para a empatia. No caso dos estudantes universit\u00e1rios, essa diminui\u00e7\u00e3o foi quantificada em 40%!<\/p>\n<p>Estamos a deixar que a cultura mude os momentos mais \u00edntimos e de maior crescimento para o ser humano como as simples conversas.<\/p>\n<p>As conversas levam-nos a tomar contacto com a nossa vulnerabilidade. N\u00e3o podem ser editadas. Quando pens\u00e1vamos que as tecnologias iriam afectar apenas o que fazemos, damo-nos conta que est\u00e3o a afectar, tamb\u00e9m, quem somos, sobretudo na capacidade para a empatia.<\/p>\n<p>A capacidade para a empatia n\u00e3o come\u00e7a com &#8211; <em>\u201dsei o que sentes\u201d,<\/em> &#8211; mas reconhece no face-a-face que n\u00e3o conseguimos imaginar o que o outro sente e, por isso, dizemos &#8211; <em>\u201ddiz-me como te sentes.\u201d<\/em><\/p>\n<p>O antigo arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, diz que no desenvolvimento da capacidade para a empatia aprendemos <em>\u00abum tipo mais exigente de aten\u00e7\u00e3o. Aprendemos a paci\u00eancia e uma nova capacidade e h\u00e1bito de perspectiva.\u00bb<\/em> O desconhecimento que temos do outro que est\u00e1 na raiz de uma simples conversa, pode tornar-se o despertar da compreens\u00e3o de que talvez n\u00e3o saibamos muito sobre n\u00f3s pr\u00f3prios. Da\u00ed que no relacionamento com o outro, face-a-face, sem interrup\u00e7\u00f5es e por mais de 7 minutos, se possam abrir novas perspectivas.<\/p>\n<p>Um bom prop\u00f3sito para 2020? Melhorar as nossa conversas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":92442,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-158699","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/158699","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=158699"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/158699\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92442"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=158699"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=158699"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=158699"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}