{"id":158511,"date":"2020-01-03T11:49:59","date_gmt":"2020-01-03T11:49:59","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=158511"},"modified":"2020-01-03T11:49:59","modified_gmt":"2020-01-03T11:49:59","slug":"ele-e-a-nossa-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ele-e-a-nossa-paz\/","title":{"rendered":"Ele \u00e9 a nossa Paz"},"content":{"rendered":"<p><em>Homilia de D. Ant\u00f3nio Couto na Solenidade de Santa Maria, M\u00e3e de Deus, e 53.\u00ba Dia Mundial da Paz<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_158519\" aria-describedby=\"caption-attachment-158519\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/antonio_couto_2018.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-158519\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/antonio_couto_2018.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/antonio_couto_2018.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/antonio_couto_2018-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/antonio_couto_2018-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/antonio_couto_2018-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/antonio_couto_2018-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/antonio_couto_2018-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/antonio_couto_2018-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-158519\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Diocese de Lamego<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1. Amados irm\u00e3os e irm\u00e3s. Aqui estamos, oito dias depois do Natal do Senhor e ainda alumiados por aquela Luz intensa e aquecidos por aquele Lume novo, a celebrar a Solenidade de Santa Maria, M\u00e3e de Deus, a quem dedicamos o Primeiro Dia do Novo Ano Civil de 2020. Este luminoso Dia, primeiro de janeiro e do ano inteiro, que dedicamos a Santa Maria, M\u00e3e de Deus, \u00e9 tamb\u00e9m o tradicional Dia de \u00abAno Bom\u00bb, a que anda associado, desde 1968, o Dia Mundial da Paz.<\/p>\n<p>2. Portanto, contas acertadas, este \u00e9 j\u00e1 o 53.\u00ba Dia Mundial da Paz, e a figura que enche este Dia, e que \u00e9 a causa da nossa Alegria, \u00e9 a figura de Maria, na sua fisionomia mais alta, a de M\u00e3e de Deus, como foi solenemente proclamada no Conc\u00edlio de \u00c9feso, no ano 431, mas j\u00e1 assim luminosamente desenhada nas p\u00e1ginas do Novo Testamento.<\/p>\n<p>3. \u00c9 assim que a encontramos no Lecion\u00e1rio de hoje. Desde logo naquela men\u00e7\u00e3o s\u00f3bria com que Paulo se refere \u00e0 M\u00e3e de Jesus, escrevendo aos G\u00e1latas: \u00abDeus enviou o seu Filho, nascido de mulher, nascido sujeito \u00e0 Lei\u00bb (4,4). Nesta linha breve e densa aparece compendiado o mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo que se sente j\u00e1 pulsar o cora\u00e7\u00e3o da Mariologia: Maria n\u00e3o \u00e9 grande em si mesma; \u00e9, na verdade, uma \u00abmulher\u00bb, verdadeiramente nossa irm\u00e3 na sua condi\u00e7\u00e3o de humana criatura. N\u00e3o \u00e9 grande em si mesma, mas \u00e9 grande por ser a M\u00e3e do Filho de Deus, e \u00e9 aqui que ela nos ultrapassa, imaculada por gra\u00e7a, bem-aventurada e bem-aventuran\u00e7a, nossa m\u00e3e na f\u00e9 e na esperan\u00e7a. Maria n\u00e3o \u00e9 grande em si mesma; vem-lhe de Deus essa grandeza.<\/p>\n<p>4. Sim, amados irm\u00e3os e irm\u00e3s, \u00e9 de Deus que <em>nos<\/em> vem o Verbo feito carne, e tudo o que a Ele diz respeito, pois foi d\u2019Ele que falaram os Profetas, \u00e9 d\u2019Ele que falam os pastores, \u00e9 d\u2019Ele que falam Sime\u00e3o e Ana e todos os Ap\u00f3stolos, e <em>tem de ser d\u2019Ele que falamos n\u00f3s tamb\u00e9m<\/em>, a exemplo de Maria, a Senhora deste Dia, que <em>guardava<\/em> e <em>compunha<\/em> no seu cora\u00e7\u00e3o filial e maternal, com extremosa aten\u00e7\u00e3o e desvelo, como quem guarda um tesouro ou uma coisa preciosa, como quem comp\u00f5e um Poema, uma Sinfonia, e se entret\u00e9m a vida toda a trautear essa melodia, e a conjugar novos acordes de alegria (cf. Lucas 2,16-21).<\/p>\n<p>5. Esta solicitude maternal de Maria, habitada por esta imensa melodia que nos vem de Deus e nos reconcilia e enche de alegria, levou o Santo Papa Paulo VI, a associar, desde 1968, \u00e0 Solenidade de Santa Maria, M\u00e3e de Deus, a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz. Hoje \u00e9 j\u00e1 o 53.\u00ba Dia Mundial da Paz que se celebra, e o Papa Francisco ap\u00f4s-lhe o tema \u00ab<em>A paz como caminho de esperan\u00e7a: di\u00e1logo, reconcilia\u00e7\u00e3o e convers\u00e3o ecol\u00f3gica<\/em>\u00bb. Que \u00e9 como quem diz: h\u00e1 sete bili\u00f5es de rostos belos para amar, mas tamb\u00e9m h\u00e1 sete bili\u00f5es de solid\u00f5es para abra\u00e7ar, e sete bili\u00f5es de ego\u00edsmos al\u00e9rgicos para curar! E que fazemos n\u00f3s? Assobiamos para o ar, dizemos mal uns dos outros, andamos por a\u00ed sem saber o que fazer, e sem nos importarmos nada com isso. E o nosso planeta azul, a Terra, que \u00e9 a casa que Deus nos deu para habitar, com as suas \u00e1rvores, plantas, peixes, p\u00e1ssaros, como a tratamos? Continuamos a explor\u00e1-la e a maltrat\u00e1-la, e \u00e9 por isso que a vemos cada vez mais triste, doente, cansada e, por vezes, zangada! Neste Dia Mundial da Paz, \u00e9 bom que nos sentemos a considerar quanto <em>di\u00e1logo<\/em> \u00e9 preciso, quanta <em>reconcilia\u00e7\u00e3o<\/em>, quanta <em>convers\u00e3o<\/em>! Claro que se imp\u00f5e uma <em>convers\u00e3o<\/em> radical do nosso cora\u00e7\u00e3o. Claro que \u00e9 necess\u00e1ria uma sociedade nova, em que cada um de n\u00f3s saiba acariciar e embalar com desvelo e carinho os seus irm\u00e3os. Claro que \u00e9 preciso um novo C\u00e9u e uma nova Terra, que nem precisamos de construir. Precisamos apenas de os receber da m\u00e3o de Deus. Precisamos, portanto, de Deus, h\u00e1 tanto tempo exilado desta sociedade!<\/p>\n<p>6. Em vez de recebermos da m\u00e3o de Deus a Paz que corre como um rio (Isa\u00edas 48,18), vamo-nos entretendo nas nossas pequenas ou grandes guerras. Na verdade, nem reparamos que \u00e9 um contrassenso combater pela Paz, e quando nos sentamos a fazer acordos de Paz, \u00e9 porque j\u00e1 antes perdemos a raz\u00e3o. A paz \u00e9 primeira. \u00c9 um Dom de Deus para todo o ser humano que vem a este mundo. A Paz \u00e9 Jesus: \u00e9 Ele a nossa Paz (Ef\u00e9sios 2,14). Portanto, a Paz n\u00e3o se conquista com as nossas armas e artimanhas. A Paz reza-se; a Paz pede-se e recebe-se; recebe-se e partilha-se. \u00c9 assim que se multiplica.<\/p>\n<p>7. De Deus vem sempre um mundo novo, belo, maravilhoso. T\u00e3o novo, belo e maravilhoso, que nos cega, a n\u00f3s que vamos arrastando os olhos cansados pela lama. Que o nosso Deus fa\u00e7a chegar at\u00e9 n\u00f3s tempo e modo para ouvir outra vez a extraordin\u00e1ria b\u00ean\u00e7\u00e3o sacerdotal, que o Livro dos N\u00fameros guarda na sua forma tripartida: \u00abO Senhor te aben\u00e7oe e te guarde.\/ O Senhor fa\u00e7a brilhar sobre ti a sua face e te seja favor\u00e1vel.\/ O Senhor dirija para ti o seu olhar e te conceda a paz\u00bb (N\u00fameros 6,24-26).<\/p>\n<p>8. M\u00e3e de Deus, Senhora da Alegria, M\u00e3e igual ao Dia, Maria. A primeira p\u00e1gina do ano \u00e9 toda tua, Mulher do sol, das estrelas e da lua, Rainha da Paz, Aurora de Luz, Estrela matutina, M\u00e3e de Jesus e tamb\u00e9m minha, Senhora de janeiro, do Dia primeiro e do Ano inteiro. Acaricia-nos, M\u00e3e. Senta-nos em casa ao redor do amor, do cora\u00e7\u00e3o. Somos t\u00e3o modernos e t\u00e3o cheios de coisas estes teus filhos de hoje! T\u00e3o cheios de coisas e t\u00e3o vazios de n\u00f3s mesmos e de humanidade e divindade! Temos tudo. Mas falta-nos, se calhar, o essencial: a tua simplicidade e alegria. Faz-nos sentir, M\u00e3e, o calor da tua m\u00e3o no nosso rosto frio, insens\u00edvel, enrugado, e faz-nos correr, com alegria, ao encontro dos pobres e necessitados, dos migrantes e refugiados, dos descartados.<\/p>\n<p>9. Que seja, e pode ser, Deus o quer, e n\u00f3s tamb\u00e9m podemos querer, um Ano Bom, cheio de Paz, de P\u00e3o e de Amor, para todos os irm\u00e3os que Deus nos deu! E que Santa Maria, M\u00e3e de Deus e nossa M\u00e3e, nos aben\u00e7oe tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Que Deus nos aben\u00e7oe e nos guarde,<br \/>\nQue nos acompanhe, nos acorde e nos incomode,<br \/>\nQue os nossos p\u00e9s calcorreiem as montanhas,<br \/>\nCheios de amor, de paz e de alegria,<br \/>\nQue a tua Palavra nos arda nas entranhas,<br \/>\nE nos ponha no caminho de Maria.<\/p>\n<p>O amor verdadeiro est\u00e1 l\u00e1 sempre primeiro.<br \/>\nO <em>fiat<\/em> que disseste, Maria, \u00e9 de quem se fia<br \/>\nNum amor maior do que um letreiro.<br \/>\nVela por n\u00f3s, Maria, em cada dia<br \/>\nDeste ano inteiro,<br \/>\nPara que levemos a cada enfermaria,<br \/>\nA cada periferia,<br \/>\nUm amor como o teu, primeiro e verdadeiro.<\/p>\n<p>Igreja Catedral de Lamego, 01 de Janeiro de 2020, Solenidade de Santa Maria, M\u00e3e de Deus, e 53.\u00ba Dia Mundial da Paz.<\/p>\n<p><em>+ Ant\u00f3nio, vosso bispo e irm\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. 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