{"id":158490,"date":"2020-01-03T13:00:47","date_gmt":"2020-01-03T13:00:47","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=158490"},"modified":"2020-01-03T12:17:20","modified_gmt":"2020-01-03T12:17:20","slug":"a-missao-comeca-sempre-a-partir-do-outro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-missao-comeca-sempre-a-partir-do-outro\/","title":{"rendered":"A Miss\u00e3o come\u00e7a sempre a partir do outro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><em>No in\u00edcio de 2020, conversamos com o padre Joaquim Gon\u00e7alves, mission\u00e1rio da Consolata, padre h\u00e1 50 anos, sobre um percurso que passou por minas de carv\u00e3o, na Alemanha, \u00e0s favelas de S\u00e3o Paulo, sempre com a preocupa\u00e7\u00e3o de ir ao encontro de quem mais sofre<\/em><!--more--><\/p>\n<p>A celebrar os 50 anos de sacerd\u00f3cio Joaquim Gon\u00e7alves recorda alguns momentos da sua vida mission\u00e1ria. Conta que quis sempre estar perto dos mais pobres, fala dos desafios que se colocam \u00e0 Igreja e de como \u00e9 importante os crist\u00e3os viverem e darem testemunho daquilo em que acreditam.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Fotos: Joana Gon\u00e7alves (Renascen\u00e7a)<\/em><\/p>\n<p><em> <a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ecclesia4.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-158497 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ecclesia4.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ecclesia4.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ecclesia4-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ecclesia4-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ecclesia4-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ecclesia4-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ecclesia4-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ecclesia4-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ecclesia4-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ecclesia4-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Celebrou recentemente 50 anos de sacerd\u00f3cio. \u00c9 certamente uma data marcante e um grande motivo de alegria?<\/strong><\/p>\n<p>Muito! Mas a celebra\u00e7\u00e3o dos 50 anos no aspeto mais social, mais humano, digamos assim, nunca foi uma preocupa\u00e7\u00e3o minha. A preocupa\u00e7\u00e3o era dos meus irm\u00e3os, porque quando fui ordenado os meus pais j\u00e1 tinham falecido; eles queriam fazer uma festa muito grande e, de facto, organizaram-na bem.<\/p>\n<p><strong>Pelos 50 anos, merece. \u00c9 uma vida.<\/strong><\/p>\n<p>Foi tudo bem preparado, interessante. Agora a comiss\u00e3o da capela onde eu celebrei convocou outra celebra\u00e7\u00e3o, com mais um jantar, para o dia 11 de janeiro e eu disse: \u2018est\u00e1 bom, se voc\u00eas querem, eu vou\u2019.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 natural de Outeiro da Ranha, em Pombal, e foi para o semin\u00e1rio dos mission\u00e1rios da Consolata, em F\u00e1tima, com apenas 13 anos. Nunca teve d\u00favidas de que a sua voca\u00e7\u00e3o era esta?<\/strong><\/p>\n<p>Posso revelar um segredo?<\/p>\n<p><strong>Estamos c\u00e1 para isso\u2026<\/strong><\/p>\n<p>A minha voca\u00e7\u00e3o nasceu no confession\u00e1rio, em F\u00e1tima, na Consolata.<\/p>\n<p><strong>Mas logo com a certeza que queria ser mission\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. A minha m\u00e3e pertencia \u00e0 Ordem Terceira de S\u00e3o Francisco, em Leiria, e ela sabia que desde pequeno eu tinha esse imagin\u00e1rio de querer ser padre, frade, porque ela levava-nos a F\u00e1tima, a p\u00e9, em jejum, duas ou tr\u00eas vezes por ano. A partir da Primeira Comunh\u00e3o, ia confessar-me e gostava da Confiss\u00e3o nos \u2018mission\u00e1rios italianos\u2019. Eles deram-me uma pagelinha, aquilo encantou-me, e a minha ideia de ser franciscano desapareceu. Guardei isso dentro de mim, durante anos, em sil\u00eancio. O p\u00e1roco (local) era muito amigo da minha m\u00e3e e queria que eu fosse diocesano, queria pagar toda a despesa, e eu mantive a minha ideia, at\u00e9 aos 14 anos. Decidi ir para o semin\u00e1rio em 1954, j\u00e1 com o ano letivo iniciado, contra a vontade de todos.<\/p>\n<p><strong>Mas depois a fam\u00edlia aceitou, naturalmente? <\/strong><\/p>\n<p>A minha m\u00e3e converteu-se, mas o meu pai demorou uns quatro ou cinco anos para aceitar. Quem mais me ajudou e deu for\u00e7a no come\u00e7o foi a minha irm\u00e3 mais velha, que j\u00e1 morreu, e que era dirigente da A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica Rural e catequista. Ela entendia o meu sentir e o meu desejo.<\/p>\n<p><strong>Nesse sonhar de ser mission\u00e1rio, pensava j\u00e1 ir para algum local espec\u00edfico?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c1frica. O meu sonho sempre foi a \u00c1frica. Os superiores destinaram-me para o Congo em junho de 1979, e era o meu sonho, eles sabiam disso. Depois de alguns meses escreveram-me uma carta para pedir que fosse para o Brasil, formar os jovens religiosos na Filosofia. Aquilo para mim foi uma virada (mudan\u00e7a) terr\u00edvel, mas n\u00e3o podia dizer que n\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Acabou por passar muitos anos no Brasil, j\u00e1 vamos falar disso. Ainda antes, esteve em miss\u00e3o em muitos locais diferentes, por exemplo na Alemanha, onde em 1969 \u2013 era ainda di\u00e1cono \u2013 fundou a primeira comunidade portuguesa de emigrantes da Baixa Ren\u00e2nia, e chegou a trabalhar nas minas de carv\u00e3o de Essen\u2026 <\/strong><\/p>\n<p>Quando era estudante na universidade, todas as minhas f\u00e9rias escolhia uma profiss\u00e3o diferente: num ano, Paris, num restaurante; noutro ano, servente de pedreiro; outro ano, recebi gratuitamente uma bolsa de estudos dos jesu\u00edtas para aprender alem\u00e3o na Alemanha. Tive f\u00e9rias com \u00f3rf\u00e3os, desporto para os jovens\u2026 As \u00faltimas, como di\u00e1cono, foram numa empresa que explorava o carv\u00e3o, na Alemanha, por interm\u00e9dio de um funcion\u00e1rio do Governo que me conhecia desde Roma.<\/p>\n<p>Depois de 15 dias na mina, debaixo da terra, o chefe convidou-me para trabalhar na secretaria, com os imigrantes. Porque havia muitos clandestinos, na \u00e9poca \u2013 de l\u00edngua portuguesa, espanhola, francesa e italiana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Foi uma experi\u00eancia que o marcou? Essa experi\u00eancia de trabalho, real, com pessoas que tinham muitas dificuldades?<\/strong><\/p>\n<p>Foi a\u00ed que comecei a aprender uma metodologia fundamental para a Miss\u00e3o: come\u00e7ar sempre a partir do outro, n\u00e3o a partir de mim. A preocupa\u00e7\u00e3o em conhecer o outro, o que pensa, o que quer, por que \u00e9 que est\u00e1 a\u00ed\u2026<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 que precisa\u2026<\/strong><\/p>\n<p>E o que \u00e9 que precisa. N\u00f3s t\u00ednhamos l\u00e1 (na mina) quenianos, libaneses, canadianos, franceses, espanh\u00f3is, portugueses, e muitos eram clandestinos. Foi a\u00ed que surgiu a primeira comunidade portuguesa da Baixa Ren\u00e2nia, porque eu comecei a reunir os portugueses ao s\u00e1bado \u00e0 tarde, para confraternizar; depois, evoluiu para a Missa, no s\u00e1bado \u00e0 tarde.<\/p>\n<p><strong>Foi importante para a sua vida futura como sacerdote o contacto que teve com os crist\u00e3os presbiterianos alem\u00e3es? Ajudou-o a ter uma vis\u00e3o mais ecum\u00e9nica?<\/strong><\/p>\n<p>Foi muito interessante. Travei amizade com um dos chefes da empresa, que era membro da Assembleia de Deus, que me chegava a convidar para almo\u00e7ar na casa dele, ao domingo; tive tamb\u00e9m muito bom relacionamento com estudantes presbiterianos de teologia, alem\u00e3es. E a \u00a0minha tese de licenciatura foi ecum\u00e9nica [&#8216;Renascer em Cristo: A nova criatura na teologia de S\u00e3o Paulo\u2019].<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ecclesia3.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-158495\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ecclesia3-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ecclesia3-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ecclesia3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ecclesia3-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ecclesia3-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ecclesia3-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ecclesia3-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ecclesia3-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ecclesia3-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ecclesia3.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>O seu percurso passou tamb\u00e9m por Roma, na altura do Concilio Vaticano II, onde acabou por ser ordenado padre. Viver de perto o Conc\u00edlio, e contactar com quem nele participava, tamb\u00e9m moldou a sua forma de viver a f\u00e9 e de entender a Igreja?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, muito. Acompanhei muitas confer\u00eancias, muitos debates fora da assembleia conciliar, em v\u00e1rios lugares, e o que j\u00e1 nessa \u00e9poca me despertava a aten\u00e7\u00e3o era a quest\u00e3o da evangeliza\u00e7\u00e3o, mas tendo como preocupa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria os pobres, os abandonados, aqueles que n\u00e3o interessam \u00e0 Cultura, os que s\u00e3o desprezados, os que n\u00e3o t\u00eam valor para a sociedade. Era isso que me preocupava. E mantive relacionamento com alguns bispos, como o que era bispo no meio dos \u00edndigenas na Col\u00f4mbia, e o bispo de Nairobi, que era da Consolata, italiano, e que depois do Conc\u00edlio decidiu deixar a diocese e construir uma igreja nova entre os pastores no norte do Qu\u00e9nia, ele e outro padre, sozinhos, sem nada, come\u00e7aram do zero. E isso tocou-me muito o cora\u00e7\u00e3o, para me interessar pelos mais pobres, saber quem s\u00e3o, por que \u00e9 que vivem assim.<\/p>\n<p><strong>Essa Teologia, muito centrada nos pobres, marcou a Am\u00e9rica Latina no s\u00e9culo XX, onde acabou por ir viver e contactar diretamente com essa realidade. Como \u00e9 que se d\u00e1 a mudan\u00e7a para o Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>Antes de ir para o Brasil, fui procurar bibliografia e encontrei o primeiro livro que o [Leonardo] Boff escreveu, sobre Cristo libertador. Deu-me uma vis\u00e3o mais profunda do que aquela que eu j\u00e1 tinha, com algumas novidades. Mas, achei interessante, quando cheguei a S\u00e3o Paulo e fui para o semin\u00e1rio, n\u00e3o encontrei nenhum estudante de Teologia que conhecesse o livro\u2026<\/p>\n<p><strong>Tamb\u00e9m porque havia uma certa tens\u00e3o, no interior da Igreja, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o\u2026<\/strong><\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o era forte, mas havia alguma desconfian\u00e7a. O Papa Paulo VI escolhia bispos de uma linha mias existencial, voltada para os pobres; o Papa Jo\u00e3o Paulo II mudou essa linha.<\/p>\n<p>O medo de que a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o se infiltrasse dentro da Igreja foi muito grande. E desnecess\u00e1rio\u2026 Como mission\u00e1rio, trabalhei com a Comiss\u00e3o Pastoral da Terra, com o Movimento Nacional dos Direitos Humanos, e cheguei \u00e0 conclus\u00e3o de que n\u00e3o posso separar a a\u00e7\u00e3o social, a interven\u00e7\u00e3o no meio da problem\u00e1tica humana, a pol\u00edtica, do meu servi\u00e7o religioso e do meu trabalho de evangeliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>No Brasil teve oportunidade de conhecer v\u00e1rias realidades\u2026 esteve ligado \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de seminaristas, mas tamb\u00e9m trabalhou nas favelas de S\u00e3o Paulo, esteve em miss\u00e3o na Amaz\u00f3nia. Viveu situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis? Alguma vez correu perigo de vida? O que \u00e9 que o marcou mais, nestes 40 anos?<\/strong><\/p>\n<p>O que mais me surpreendeu, digamos assim\u2026 Eu fui o primeiro padre a morar na grande favela de S\u00e3o Paulo, Heli\u00f3polis, em 2002. A Consolata tinha decidido que aquela era a miss\u00e3o \u2018ad Gentes\u2019 no Brasil. Antes, estava numa favela onde tinha come\u00e7ado uma miss\u00e3o sozinho, durante dois anos, em Feira de Santana, na Bahia. Quando cheguei \u00e0queles bairros pobres havia 26 igrejas evang\u00e9licas, n\u00e3o havia nenhuma cat\u00f3lica; o bispo deu-me posse num pequeno sal\u00e3o. Na missa estavam 33 pessoas, de \u00a0quatro bairros, uma coisa impressionante\u2026 Depois desses dois anos, o superior foi-me pedir para eu ir para S\u00e3o Paulo, contra a vontade do bispo, D. Itamar Vian [arcebispo em\u00e9rito de Feira de Santana], que ficou com muita pena de que eu sa\u00edsse de l\u00e1.<\/p>\n<p>Na grande favela de S\u00e3o Paulo comecei a envolver-me com toda a problem\u00e1tica (local), inclusive com encontros, conversas pessoais e em grupo com os grandes chefes da droga, que procurei logo conhecer \u2013 aproximar-me devagar, ir ao bar onde estavam a beber, criar um relacionamento\u2026<\/p>\n<p>Um dia de manh\u00e3 sa\u00ed da favela com um carrinho pequeno que tinha, j\u00e1 antigo, e fui cercado por dois carros da pol\u00edcia. Apontaram-me tr\u00eas metralhadoras, comigo de m\u00e3os levantadas. Alegaram que a matr\u00edcula do carro era falsa, que eu ia ficar com o carro apreendido, mas quando disse que era padre baixaram as armas e mandaram-me embora. Mas, aqui \u00e9 que est\u00e1 o ponto: quando contei isso ao bispo ele disse \u201co padre n\u00e3o pode voltar mais \u00e0 favela, n\u00e3o pode morar l\u00e1 sozinho, porque se o matarem v\u00e3o dizer que a culpa foi minha\u201d. E eu respondi: \u201cTamb\u00e9m mataram Cristo e ele n\u00e3o teve medo. Por que \u00e9 que eu vou ter medo?\u201d.<\/p>\n<p>E um dos chefes da droga quando foi preso mandou recado \u00e0 m\u00e3e: \u201cdiga ao padre que me venha visitar\u201d\u2026 Est\u00e1 a ver como \u00e9 que as coisas mudam? Fazendo-as com transpar\u00eancia, com simplicidades e sem medo.<\/p>\n<p><strong>Tem muitas hist\u00f3rias &#8211; e algumas j\u00e1 as contou &#8211; de quando come\u00e7ou a fazer visitas \u00e0s casas, n\u00e3o havia local para celebrar a missa e teve de improvisar muitas situa\u00e7\u00f5es. Faz falta \u00e0 Igreja cat\u00f3lica essa capacidade de improviso, de presen\u00e7a que muitas igrejas evang\u00e9licas j\u00e1 t\u00eam? E, n\u00e3o querendo comparar, h\u00e1 s\u00edtios em que a presen\u00e7a cat\u00f3lica \u00e9 minorit\u00e1ria face ao trabalho que j\u00e1 \u00e9 feito por outras comunidades\u2026<\/strong><\/p>\n<p>O foco da minha m\u00edstica mission\u00e1ria foi sempre o de fazer-me igual ao outro, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 \u2018estar com o outro\u2019, fingir que se est\u00e1 com o outro, mas \u00e9 ser e viver: n\u00e3o ter nada em casa para ser roubado; deixar a chave na porta de prop\u00f3sito na favela, para simbolizar isso para o povo; aproximar-me o mais que puder das pessoas; come\u00e7ar o trabalho a partir das aspira\u00e7\u00f5es do outro.<\/p>\n<p>E aquela gente, sabendo que eu era padre, e apesar de estar assim mal vestido, de n\u00e3o ter empregada nem cozinheira, estavam preocupados comigo: \u201cComo se alimenta? O que come?\u201d. Perguntavam: \u201cPadre, onde \u00e9 que celebra missa?\u201d, e eu dizia \u201cPosso celebrar aqui na tua casa, voc\u00ea quer? Ent\u00e3o vamos convidar todos os vizinhos e eu vou celebrar aqui a missa\u201d. E aquilo \u00e9 como uma onda, come\u00e7a numa casa, continua a visitar-se as fam\u00edlias noutras casas. E nem \u00e9 preciso mesa, at\u00e9 se celebra a missa em cima do fog\u00e3o! Sim, porque n\u00e3o? Durante a missa abre-se o di\u00e1logo, podem fazer perguntas, responde-se\u2026<\/p>\n<p>No primeiro ano tivemos na Via Sacra 83 pessoas, no segundo ano j\u00e1 eram mais de 600! A evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 isto: Jesus fez assim, veio, fez-se em tudo igual a n\u00f3s, exceto no pecado; porque \u00e9 que eu n\u00e3o posso fazer a mesma coisa? Os padres de agora, mais jovens, j\u00e1 n\u00e3o querem isso, querem aparecer bem vestidos e paramentados, j\u00e1 \u00e9 diferente.<\/p>\n<p><strong>Acompanha com aten\u00e7\u00e3o a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no Brasil, com o pol\u00e9mico presidente Bolsonaro?<\/strong><\/p>\n<p>Muito, sempre. N\u00e3o se faz pastoral paralela \u00e0s quest\u00f5es pol\u00edticas e sociais.<\/p>\n<p>Quando estive no Sert\u00e3o da Bahia, no tempo da fome e da seca, que durou quase dois anos, dedic\u00e1mo-nos a acolher crian\u00e7as na casa paroquial, para n\u00e3o as deixar morrer, porque o hospital n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es e mandava-as embora. A UNICEF foi-nos visitar, porque ouviu a not\u00edcia, e o governo federal mandou o secret\u00e1rio da a\u00e7\u00e3o social ver o que estava a ser feito, e decidiu abrir uma conta em nome com 900 mil cruzados, na \u00e9poca, para sustentar o povo melhor do que o presidente da c\u00e2mara, que desviava o dinheiro.<\/p>\n<p>A elei\u00e7\u00e3o de Bolsonaro foi uma organiza\u00e7\u00e3o bem pensada a partir dos Estados Unidos. \u00c9 uma elei\u00e7\u00e3o, vamos dizer, anti PT (Partido dos Trabalhadores), anti Lula da Silva e anti social. Alguns programas que Bolsonaro est\u00e1 a adotar agora s\u00e3o do Lula, porque ele est\u00e1 vendo que est\u00e1 a ser desprezado pela classe mais baixa, que \u00e9 a maioria. A grande maioria (do povo brasileiro) n\u00e3o quer, n\u00e3o acredita no Bolsonaro nem nas suas pol\u00edticas. Ele foi eleito por duas alas fundamentais, a dos fazendeiros e a dos evang\u00e9licos.<\/p>\n<p><strong>Houve aproveitamento pol\u00edtico por parte de algumas igrejas crist\u00e3s evang\u00e9licas?<\/strong><\/p>\n<p>Pelas igrejas evang\u00e9licas e pelo setor agropecu\u00e1rio, a mesma coisa. Fizeram tudo para eleger aquele homem, e ele come\u00e7ou a tomar decis\u00f5es para favorecer toda esta gente.<\/p>\n<p><strong>Durante o S\u00ednodo da Amaz\u00f3nia vimos algumas tens\u00f5es entre o governo brasileiro e quem est\u00e1 no terreno a defender os mais desfavorecidos. A situa\u00e7\u00e3o piorou, ou sempre foi m\u00e1? Sempre houve persegui\u00e7\u00e3o a quem coloca a vida ao servi\u00e7o dos mais pobres?<\/strong><\/p>\n<p>Sempre houve e sempre haver\u00e1, porque os 28 por cento de pobres que durante o governo do PT subiram o n\u00edvel de vida, j\u00e1 desceram outra vez. Praticamente num ano voltaram \u00e0quilo que eram. Falamos dos ind\u00edgenas, dos pobres, das favelas\u2026<\/p>\n<p>No Brasil as escolas p\u00fablicas agora est\u00e3o com cada vez menos alunos, vamos ter outra vez uma gera\u00e7\u00e3o com muitos analfabetos, infelizmente!<\/p>\n<p><strong>Preocupa-o a situa\u00e7\u00e3o atual no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>Preocupa-me no sentido de que esse n\u00famero de pessoas que ficam na margem, ficam menos capacitadas de poder reagir. E se a Igreja&#8230; vamos dizer assim: a cegueira que os pobres adquirem quando ficam muito tempo na pobreza n\u00e3o os deixa ver o que vem pela frente, nem entender o sistema. Se n\u00e3o tiver gente que lhes abra os olhos &#8211; e o PT e toda a esquerda est\u00e1 silenciosa demais -, a situa\u00e7\u00e3o vai-se agravar. E depois n\u00e3o sabemos o que vem pela frente, pode haver rea\u00e7\u00e3o problem\u00e1tica, de conflitos.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o dos evang\u00e9licos&#8230; Eu trabalhei muito com eles, consegui levar para a missa os pastores e as pastoras, sem os convidar&#8230;<\/p>\n<p><strong>\u00c9 um universo muito grande no Brasil. E apesar de haver um projeto de poder de uma fa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se pode p\u00f4r todos no mesmo saco, nesse sentido.<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ecclesia2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-158496 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ecclesia2-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ecclesia2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ecclesia2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ecclesia2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ecclesia2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ecclesia2-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ecclesia2-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ecclesia2-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ecclesia2-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/ecclesia2.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Teve oportunidade acompanhar o S\u00ednodo sobre a Amaz\u00f3nia? O que \u00e9 que pensa sobre os resultados?<\/strong><\/p>\n<p>S\u00ednodos, documentos, na Igreja temos muitos e maravilhosos. A Igreja cat\u00f3lica \u00e9 riqu\u00edssima em documentos, em decis\u00f5es, em propostas. Concretizar depois as decis\u00f5es em a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas, consequentes, \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil.<\/p>\n<p><strong>Vimos isso com o Conc\u00edlio Vaticano II&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Com o Conc\u00edlio aconteceu isso.<\/p>\n<p><strong>Mas, relativamente ao S\u00ednodo sobre a Amaz\u00f3nia, e embora se aguarde ainda o documento p\u00f3s-sinodal do Papa, tendo em conta as conclus\u00f5es, o que \u00e9 que espera que possa mudar, de facto, na Igreja?<\/strong><\/p>\n<p>Do S\u00ednodo a palavra-chave que me pareceu desafiadora \u00e9 a palavra \u201cConvers\u00e3o\u201d: a convers\u00e3o dentro da Igreja e a convers\u00e3o dos destinat\u00e1rios da evangeliza\u00e7\u00e3o, s\u00e3o duas convers\u00f5es. No fundo, n\u00e3o \u00e9 uma coisa totalmente nova, porque foi essa a vis\u00e3o do Papa Jo\u00e3o XXIII depois da primeira sess\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II: abramos a janela para o mundo, vamos respirar oxig\u00e9nio do mundo. Dizer \u201ceu sou Igreja, mas n\u00e3o sou do mundo\u201d, ou \u201cestou no mundo, mas n\u00e3o sou do mundo&#8217;\u2026. Eu tenho de estar no mundo, respirar o mesmo ar! Ent\u00e3o, este trabalho \u00e9 muito importante.<\/p>\n<p>A Igreja tem de se converter, sair de si pr\u00f3pria &#8211; o Papa Francisco diz \u201ca Igreja em sa\u00edda\u201d -, mas tem de haver convers\u00e3o tamb\u00e9m do outro lado. N\u00e3o se pode simplesmente fazer amizade, conviv\u00eancia, di\u00e1logo ecum\u00e9nico, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. Eu tenho quer ter m\u00e9todo e ter um jeito para anunciar Cristo, e anunciar Cristo de modos diferentes. Aos pobres \u00e9 uma coisa, aos intelectuais \u00e9 de outra maneira.<\/p>\n<p><strong>Com o Papa Francisco acredita que a aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica das conclus\u00f5es deste S\u00ednodo pode acontecer de forma mais r\u00e1pida e mais pragm\u00e1tica?<\/strong><\/p>\n<p>Pode. Sobretudo para as comunidades mais distantes, mais abandonadas. N\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 os ind\u00edgenas, tem muitas comunidades de periferia.<\/p>\n<p>Em julho, antes de vir para Portugal, quis visitar as \u00faltimas ocupa\u00e7\u00f5es que est\u00e3o sendo feitas na periferia de S\u00e3o Paulo. H\u00e1 imigrantes novos que ocuparam terras onde n\u00e3o h\u00e1 ruas, n\u00e3o t\u00eam energia el\u00e9trica instalada, n\u00e3o t\u00eam esgoto, t\u00eam de ir buscar \u00e1gua com uns baldes. Quando isto come\u00e7a a acontecer, a Igreja tem de tomar a decis\u00e3o de se tornar presente imediatamente, porque sen\u00e3o vai chegar atrasada. Esta foi sempre a minha preocupa\u00e7\u00e3o: n\u00e3o podemos chegar atrasados nas situa\u00e7\u00f5es mais desafiadoras que existem. Ent\u00e3o, eu espero que este documento do S\u00ednodo desperte maior interesse, maior preocupa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o da Igreja ou do Papa, mas dos bispos locais, dos padres que trabalham mais perto.<\/p>\n<p><strong>De quem est\u00e1 no terreno?<\/strong><\/p>\n<p>Quem est\u00e1 mais perto, no terreno geogr\u00e1fico e existencial, que tenha os olhos abertos e seja capaz de mobilizar as pessoas, os crist\u00e3os para integrar tudo isto em comunh\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Agora que est\u00e1 de regresso a Portugal, que mensagem deixa aos crist\u00e3os e aos respons\u00e1veis da Igreja em Portugal para 2020?<\/strong><\/p>\n<p>Olha, eu gosto muito de algo que sempre me acompanhou e acompanha: \u201cacredita no l\u00eas, mas vive o que acreditas\u201d. N\u00e3o basta ler a B\u00edblia, estudar e ter t\u00edtulos. \u201cAcredita no que l\u00eas\u201d, na Palavra de Deus. S\u00e3o Jer\u00f3nimo j\u00e1 dizia \u201cquem n\u00e3o comunga a Palavra n\u00e3o merece comungar o Corpo de Cristo\u201d. Ent\u00e3o, \u201cacredita no l\u00eas, mas vive o que acreditas\u201d. N\u00e3o basta acreditar, eu tenho que viver, tornar vivo e ser sinal daquilo em que acredito, ser uma luz que a Palavra de Deus realizou em mim. E depois \u201canuncia, prega aquilo que j\u00e1 vives\u201d, ou seja, dar testemunho. Porque s\u00f3 ir pregar, fazer discursos, confer\u00eancias e debates \u00e9 uma coisa&#8230;<\/p>\n<p><strong>No fundo, o que deixa \u00e9 um desafio \u00e0 coer\u00eancia dos crist\u00e3os?<\/strong><\/p>\n<p>Um desafio ao viver. Por isso \u00e9 que eu ainda fa\u00e7o assim: quando estou em algum lugar, uma das primeiras coisas que fa\u00e7o \u00e9 ir para a rua e ver onde \u00e9 que est\u00e3o os pobres. Ainda agora o fiz em Roma. Fui celebrar o meu Jubileu sacerdotal com a missa do Papa &#8211; porque fomos ordenados na mesma semana, com dias de diferen\u00e7a \u2013 e logo no primeiro dia fui procurar na rua, \u00e0 volta do Vaticano, onde \u00e9 que estavam os pobres dormindo. E h\u00e1 muitos. O que sobrava das refei\u00e7\u00f5es da noite que eu pudesse levar para eles, guardava no meu quarto e de manh\u00e3 levava-lhes. E aqui em Lisboa, na Gare do Oriente, fa\u00e7o a mesma coisa.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 ser mission\u00e1rio onde quer que esteja?<\/strong><\/p>\n<p>Sempre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No in\u00edcio de 2020, conversamos com o padre Joaquim Gon\u00e7alves, mission\u00e1rio da Consolata, padre h\u00e1 50 anos, sobre um percurso que passou por minas de carv\u00e3o, na Alemanha, \u00e0s favelas de S\u00e3o Paulo, sempre com a preocupa\u00e7\u00e3o de ir ao encontro de quem mais sofre<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":158495,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[122,260,261],"class_list":["post-158490","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-brasil","tag-missionarios-da-consolata","tag-missoes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/158490","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=158490"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/158490\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/158495"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=158490"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=158490"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=158490"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}