{"id":158289,"date":"2019-12-30T10:44:00","date_gmt":"2019-12-30T10:44:00","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=158289"},"modified":"2019-12-30T10:44:00","modified_gmt":"2019-12-30T10:44:00","slug":"a-origem-do-que-nos-move-e-transforma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-origem-do-que-nos-move-e-transforma\/","title":{"rendered":"A origem do que nos move e transforma"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Em Agosto de 1963, 250000 pessoas de todos os Estados Unidos da Am\u00e9rica juntaram em Washington para ouvir o Dr. Martin Luther King Jr. dizer <em>\u201dEu tenho um sonho.\u201d<\/em> N\u00e3o havia redes sociais, n\u00e3o foram distribu\u00eddos 250000 convites para um <em>Save-the-Date<\/em>. Como foi poss\u00edvel?<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/gty_march_on_washington_martin_luther_king_ll_130819_16x9_992.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-158291 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/gty_march_on_washington_martin_luther_king_ll_130819_16x9_992-400x225.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/gty_march_on_washington_martin_luther_king_ll_130819_16x9_992-400x225.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/gty_march_on_washington_martin_luther_king_ll_130819_16x9_992-768x432.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/gty_march_on_washington_martin_luther_king_ll_130819_16x9_992-980x551.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/gty_march_on_washington_martin_luther_king_ll_130819_16x9_992-480x270.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/gty_march_on_washington_martin_luther_king_ll_130819_16x9_992.jpg 992w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a>Martin Luther King n\u00e3o era o \u00fanico orador da \u00e9poca na defesa dos Direitos Civis, e apesar de ter muitas ideias sobre o assunto, tamb\u00e9m outros as tinham e, por vezes, bem melhores. O que tinha ele de diferente? A clareza do PORQU\u00ca.<\/p>\n<h3>O que move as pessoas?<\/h3>\n<p>De acordo com autor Simon Sinek, o Dr. King tinha uma no\u00e7\u00e3o clara das raz\u00f5es para a mudan\u00e7a nos EUA. A clareza do seu PORQU\u00ca tornava claro, tamb\u00e9m para os outros, o sentido do seu prop\u00f3sito para a mudan\u00e7a, e desse PORQU\u00ca provinha a for\u00e7a para ir em frente na evolu\u00e7\u00e3o cultural que queria ver realizada nos EUA e no mundo.<\/p>\n<p>N\u00e3o era apenas a convic\u00e7\u00e3o pessoal do Dr. King que persuadia os outros a escut\u00e1-lo e juntar a ele, mas a capacidade de expressar o seu PORQU\u00ca em palavras simples que todos pudessem entender. \u00c9 verdade que ele tinha o dom de falar, e as suas palavras tinham o poder de inspirar outras pessoas, mas quantas vezes n\u00e3o repetia \u201ceu acredito&#8230; eu acredito&#8230; eu acredito&#8230;\u201d Segundo a leitura que Sinek faz das raz\u00f5es para 250000 pessoas terem aparecido n\u00e3o foi para ouvirem o Dr. King, mas por elas pr\u00f3prias. Aqueles que possuem a clareza do seu PORQU\u00ca inspiram os outros por saberem, atrav\u00e9s das palavras, colocar-se na sua pele e fazerem cada pessoa sentir-se parte da mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Quando experimentamos em n\u00f3s a mudan\u00e7a e o que pode fazer na nossa vida, o modo como a partilhamos aos outros pode fazer toda a diferen\u00e7a. Nenhuma ideia \u00e9 boa para os outros, ou, pelo menos, n\u00e3o creio que se a expressarmos desse modo possa inspirar algu\u00e9m a experimentar essa mudan\u00e7a. Mas se fizer o outro sentir que a minha ideia \u00e9, na verdade, sua, faz toda a diferen\u00e7a. Podemos aprender muito quando perdemos as nossas ideias para os outros.<\/p>\n<p>Questiono o facto de dedicarmos muito tempo a partilhar nas redes sociais e grupos WhatsApp, cegamente, not\u00edcias, v\u00eddeos, hist\u00f3rias que nos tocam, tornando impl\u00edcita a ideia de que atrav\u00e9s das novas tecnologias conseguimos chegar a mais pessoas. \u00c9 esse o nosso prop\u00f3sito?<\/p>\n<p>As 250000 pessoas que se reuniram em Washington n\u00e3o receberam qualquer partilha, ou se moveram inspiradas por qualquer partilha, mas pela vida. E quando a vida se sincroniza com as palavras que pronunciamos, levando os outros a sentirem que n\u00e3o s\u00e3o nossas, mas suas, ent\u00e3o, a mudan\u00e7a acontece. Mas penso que existe uma outra raz\u00e3o para al\u00e9m da clareza do PORQU\u00ca na origem daquilo que inspira algu\u00e9m a juntar-se a n\u00f3s numa causa ou ideal.<\/p>\n<p>O Dr. King comunicou-se.<\/p>\n<h3>O que transforma as pessoas?<\/h3>\n<p>Numa manh\u00e3, enquanto esperava num caf\u00e9 pela minha filha que estava numa aula de Ballet, vi uma m\u00e3e e o seu filho, juntos, em sil\u00eancio numa outra mesa, cabisbaixos, cada um com o olhar voltado para o ecr\u00e3 do seu <em>smartphone<\/em>. Uma vez mais fez-me impress\u00e3o. Qual a raz\u00e3o de ir tomar caf\u00e9 com um filho se n\u00e3o dedico a minha aten\u00e7\u00e3o a ele, e ele a mim?<\/p>\n<p>Come\u00e7amos a estar t\u00e3o habituados a esta ideia que deixa de ser estranha, passando a fazer parte do nosso quotidiano. Conversar, dialogar, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, e nem sempre entretido. Nem sempre ouvimos o que queremos ouvir, ou nos interessa o que interessa ao outro. N\u00e3o podemos editar as nossas conversas. E os relacionamentos n\u00e3o s\u00e3o pass\u00edveis de algoritmos codificados para nos fazerem sentir bem connosco pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos comunicar sem nos comunicarmos e talvez seja essa a raz\u00e3o de muitos se refugiarem nos ecr\u00e3s, em vez de enfrentar o olhar e as palavras do outro. Comunicar-se custa. Mas quando o experimentamos, experimentamos a mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Comunicar-se \u00e9 uma escolha ao alcance de cada um e cont\u00e9m em si uma for\u00e7a transformativa \u00fanica. Comunicar-se, ainda que seja nos momentos mais simples, como num caf\u00e9 com o nosso filho, ou com a nossa m\u00e3e ou pai, familiar ou amigo, leva \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o rec\u00edproca. Nada tem a ver com a ilus\u00e3o da conex\u00e3o digital edit\u00e1vel daquilo que parecemos ser. \u00c9 a realidade da conectividade presencial inesperada que transforma o nosso ser.<\/p>\n<p>Comunicar-se \u00e9 aprender a olhar os olhos do outro e lev\u00e1-lo \u00e0 experi\u00eancia da presen\u00e7a aut\u00eantica. N\u00e3o podemos esconder ou editar a transper\u00eancia do interior que se expressa atrav\u00e9s dos nossos olhos. Pois, comunicar-se \u00e9 olhar-se. Com o aproximar do novo ano, talvez seja um bom prop\u00f3sito para 2020: comunicar-se mais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":92442,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-158289","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/158289","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=158289"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/158289\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92442"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=158289"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=158289"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=158289"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}