{"id":15824,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-coragem-da-mudanca\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-coragem-da-mudanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-coragem-da-mudanca\/","title":{"rendered":"A coragem da mudan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Onde est\u00e1 afinal o problema? Na igualdade ou na diferen\u00e7a, na diversidade ou no unanimismo, no global ou no parcial? Podemos, com ligeiros jogos de palavras, arranjar justifica\u00e7\u00f5es para uma afirma\u00e7\u00e3o e para o seu quase oposto. E isso n\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a das mentes modernas. \u00c9 o resultado da complexidade objectiva de todas as coisas que se n\u00e3o abarcam, num momento apenas, em todos os seus \u00e2ngulos. Mas o melhor \u00e9 concretizar um pouco, apesar do risco do simplismo na redu\u00e7\u00e3o para generalizar cada situa\u00e7\u00e3o, ou no afunilamento dum todo amplo em fragmento pragm\u00e1tico. Andamos um pouco estonteados pelas rajadas de palavras de mais uma campanha eleitoral. E tanto nos cansamos para descobrir semelhan\u00e7as como diferen\u00e7as. A tenta\u00e7\u00e3o mais imediata seria n\u00e3o haver debates, nem entrevistas, nem com\u00edcios, nem a fastidiosa repeti\u00e7\u00e3o de perguntas e respostas de jornalistas e candidatos, que fogem ao pavor da satura\u00e7\u00e3o e do nada de novo para dizer. E se tiv\u00e9ssemos apenas um s\u00f3, imposto de cima, sem saber quem imp\u00f5e? E se, para sossego dos cidad\u00e3os, se reprimisse o direito \u00e0 diferen\u00e7a, express\u00e3o, \u00e0 escuta, \u00e0 festa, \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o, ao passeio pelo bairro, ao desabafo directo, ainda que prim\u00e1rio? E se se negasse o direito \u00e0 recusa, \u00e0 indiferen\u00e7a, ao voto em branco ou \u00e0 absten\u00e7\u00e3o?  Deixemos por momentos a pol\u00edtica e entremos no terreno religioso, em v\u00e9speras da celebra\u00e7\u00e3o pela unidade dos crist\u00e3os. Que quest\u00f5es nos colocam as profundas e insignificantes diferen\u00e7as religiosas que hoje existem com visibilidade na pra\u00e7a p\u00fablica? Entre n\u00f3s, mesmo com as distin\u00e7\u00f5es de praticantes ou talvez n\u00e3o, cerca de 90 por cento dos portugueses se afirmam cat\u00f3licos quando a estat\u00edstica os aborda a frio e pergunta que religi\u00e3o professam\u2026 Estamos em bom tempo de questionar: que h\u00e1, nas diferen\u00e7as, de divis\u00e3o? Que h\u00e1, no igual, de doutrina, harmonia, patrim\u00f3nio, tradi\u00e7\u00e3o, psicol\u00f3gico, circunstancial, teol\u00f3gico? As divis\u00f5es que hoje existem, entre crist\u00e3os, s\u00e3o fruto, em \u00faltima an\u00e1lise, de qu\u00ea? De op\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas, medidas disciplinares, desvios hist\u00f3ricos, medos de mudan\u00e7a, fidelidade \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es, clubismo irrenunci\u00e1vel? Quando entramos nesta intrincada floresta de raz\u00f5es percebemos melhor que defender a diferen\u00e7a nem sempre \u00e9 defender a f\u00e9. Como nem sempre da f\u00e9 brotam alguns conceitos de unidade. Os novelos doutrinais e emocionais, s\u00e3o mais complexos do que parecem. Por isso, na ora\u00e7\u00e3o pela unidade dos crentes nunca se pode deixar de pedir a Deus a coragem da mudan\u00e7a. Muitas das divis\u00f5es hist\u00f3ricas n\u00e3o passam de fantasmas, edificados em castelos artificiais por decis\u00f5es que depois se fizeram dogm\u00e1ticas. Com muitas igrejas surgidas do nada, o mesmo \u00e9 dizer, de birras religiosamente institucionalizadas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Onde est\u00e1 afinal o problema? 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