{"id":15814,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/mil-numeros-de-historia\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"mil-numeros-de-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mil-numeros-de-historia\/","title":{"rendered":"Mil n\u00fameros de hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" border=\"1\" src=\"\/pub\/1\/img\/V_F_1.jpg\" align=\"right\"> No dia 13 de Janeiro de 2006 o jornal oficial do Santu\u00e1rio de F\u00e1tima e do Movimento da Mensagem de F\u00e1tima &#8220;Voz da F\u00e1tima&#8221; publica a edi\u00e7\u00e3o n.\u00ba 1000. A partir desta edi\u00e7\u00e3o, o jornal passa a ser todo impresso em quadricomia e muda o seu aspecto gr\u00e1fico. Apesar da altera\u00e7\u00e3o visual, n\u00e3o mudam as inten\u00e7\u00f5es e os objectivos que levam mensalmente, j\u00e1 h\u00e1 83 anos, \u00e0 publica\u00e7\u00e3o da Voz da F\u00e1tima. O novo cabe\u00e7alho sublinha a cor verde, s\u00edmbolo da esperan\u00e7a, que se quer renovada, em favor da resposta que deve ser dada ao pedido de Nossa Senhora em F\u00e1tima, o da convers\u00e3o pela paz no mundo.  Como \u00e9 referido n.\u00ba n\u00famero 1000, por um dos testemunhos a publicar nesta edi\u00e7\u00e3o especial, j\u00e1 em fase de impress\u00e3o, \u201c(A Voz da F\u00e1tima) N\u00e3o \u00e9 o caminho \u00fanico para chegar a F\u00e1tima. Mas \u00e9 um dos caminhos que, dentro dos tempos que nunca deixam de mudar, tentar\u00e1 adivinhar os grandes anseios do mais humilde peregrino\u201d (Pe. Ant\u00f3nio Rego).  <b>Nascimento<\/b> No dia 13 de Outubro de 1922, cinco anos apenas depois da \u00faltima apari\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora, na Cova da Iria, eram distribu\u00eddos pelos cerca de 40.000 peregrinos, presentes nesse local, muitos dos seis mil exemplares do primeiro n\u00famero da \u201cVoz da F\u00e1tima\u201d. Mas o in\u00edcio da hist\u00f3ria, ou, se queremos ser mais exactos, da \u201cpr\u00e9-hist\u00f3ria\u201d desta publica\u00e7\u00e3o, foi cinco meses antes.  A 4 de Maio desse ano, os membros da Comiss\u00e3o Can\u00f3nica nomeada, na v\u00e9spera, pelo Sr. Bispo de Leiria, para a investiga\u00e7\u00e3o dos acontecimentos de F\u00e1tima, reuniram-se, pela primeira vez, no Pa\u00e7o Episcopal de Leiria. Entre outras decis\u00f5es, \u201cacordou-se na publica\u00e7\u00e3o de um boletim mensal a que se daria o nome de Voz da F\u00e1tima e que seria destinado a registar todas as not\u00edcias e informa\u00e7\u00f5es relativas aos acontecimentos da F\u00e1tima\u201d. <I>\u201cA Voz de F\u00e1tima\u201d<\/i> Um m\u00eas depois dessa reuni\u00e3o, o Dr. Alberto Diniz da Fonseca, not\u00e1rio, jornalista e militante cat\u00f3lico em Portugal, nascido e falecido na Guarda (1884-1962) e um dos maiores promotores do movimento de F\u00e1tima, encontrou-se com o Sr. Bispo de Leiria, na visita pastoral que este fez \u00e0 par\u00f3quia de Minde, no dia 4 de Junho de 1922, e a\u00ed conversou sobre \u201ca projectada publica\u00e7\u00e3o, relativa aos acontecimentos de F\u00e1tima\u201d. Comunicado este assunto, pelo pr\u00f3prio Dr. Alberto, ao Dr. Formig\u00e3o, que foi indicado como devendo ser o director da publica\u00e7\u00e3o, este respondeu-lhe de imediato, explicando o que tinha ficado decidido em Leiria: que esse jornal s\u00f3 sairia no m\u00eas de Outubro, naquela cidade, e apenas com a sua colabora\u00e7\u00e3o e n\u00e3o direc\u00e7\u00e3o, \u201cpor estar fora da diocese e muito longe do bispado\u201d. Julgava o Dr. Formig\u00e3o ter ficado tudo esclarecido, atribuindo a precipitada antecipa\u00e7\u00e3o do Dr. Alberto ao facto de ele ter compreendido mal o Sr. Bispo e de desconhecer os antecedentes. Quando o Dr. Formig\u00e3o chegou a Torres Novas, no dia 12 de Junho \u00e0 tarde, recebeu recado para ir \u00e0 Tipografia da Casa S. Miguel, para autorizar que o seu nome fosse inserido como director, num jornalzinho, intitulado \u201cA Voz de F\u00e1tima\u201d, cujo primeiro n\u00famero j\u00e1 estava composto e deveria sair com a data do dia seguinte. Era uma folha de 4 p\u00e1ginas, de pequeno formato (22&#215;16,5cm), de muito fraco papel, com o subt\u00edtulo de \u201cArchivo mensal de piedade\u201d; Ano I, N\u00famero 1, Leiria, 13 de Junho de 1922; propriedade da Empreza da Voz de F\u00e1tima; director: Dr. Manuel Nunes Formig\u00e3o; composi\u00e7\u00e3o e impress\u00e3o: Casa S. Miguel \u2013 Torres Novas; n\u00famero avulso 5 centavos. Na primeira p\u00e1gina, uma gravura com a legenda: \u201cImagem de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio da F\u00e1tima &#8211; Alusiva aos acontecimentos que ali se deram desde 13 de Maio de 1917 a 13 d\u2019Outubro do mesmo ano\u201d. Na segunda p\u00e1gina, 1\u00aa coluna, um pequeno artigo de fundo, de 23 linhas, intitulado Ao principiar: \u201cSai hoje o primeiro n\u00famero deste modesto mens\u00e1rio, destinado a recolher e a arquivar algumas informa\u00e7\u00f5es sobre factos que dizem respeito \u00e0 vida piedosa do pa\u00eds. Os chamados acontecimentos de F\u00e1tima tiveram o cond\u00e3o de prender e emocionar o pa\u00eds inteiro. At\u00e9 que ponto esses factos ser\u00e3o dignos de considera\u00e7\u00e3o? Ter\u00e3o eles tido realmente um caracter sobrenatural? Eis o que incumbe averiguar a comiss\u00e3o especialmente nomeada para esse fim pelo digno Prelado desta Diocese. Entretanto e seja qual for o resultado do inqu\u00e9rito a que a mesma comiss\u00e3o vai proceder, iremos aqui arquivando quaisquer not\u00edcias ou comunicados que possam interessar n\u00e3o somente \u00e0 vida da nossa Diocese, mas at\u00e9 ao pa\u00eds em geral. Assim Deus nos ajude\u201d. Ainda na segunda p\u00e1gina, 1\u00aa coluna, um artigo, de 17 linhas, sobre Santo Ant\u00f3nio de Lisboa; 2\u00aa coluna, Uma carta do Sr. Bispo de Leiria ao p\u00e1roco de F\u00e1tima, datada de 18 de Novembro de 1921, a proibir o lan\u00e7amento de foguetes e a venda de vinho ou bebidas alco\u00f3licas na Cova da Iria e a encarregar o mesmo p\u00e1roco \u201cde zelar pelo cumprimento exacto destas determina\u00e7\u00f5es e, no caso de n\u00e3o ser obedecido, o que n\u00e3o espero, n\u00e3o pode ser celebrada a Santa Missa naquele lugar sob pena de suspens\u00e3o ao presb\u00edtero que ousar faz\u00ea-la\u201d. Na terceira p\u00e1gina, 1\u00aa coluna, uma cr\u00f3nica breve: A romaria de Maio, sobre o dia 13 de Maio de 1922, no \u201clocal onde se diz que Nossa Senhora apareceu aos pastorinhos de F\u00e1tima\u201d (\u201ctrinta a quarenta mil pessoas, segundo os melhores c\u00e1lculos\u201d); 1\u00aa e 2\u00aa colunas: Porque \u00e9 que devemos comungar? (S. Francisco de Sales); 2\u00aa coluna e continua\u00e7\u00e3o para a 4\u00aa p\u00e1gina, 1\u00aa coluna: Actos para antes da comunh\u00e3o. Na quarta p\u00e1gina, 1\u00aa coluna: continua\u00e7\u00e3o do artigo anterior; 1\u00aa e 2\u00aa colunas: Actos para depois da Sagrada Comunh\u00e3o; finalmente, uma Advert\u00eancia: \u201cEst\u00e1 j\u00e1 instalada a comiss\u00e3o can\u00f3nica, nomeada pelo Excelent\u00edssimo Prelado desta diocese, para averiguar dos chamados acontecimentos da F\u00e1tima. Quaisquer informa\u00e7\u00f5es sobre testemunhos, curas e alvitres que possam guiar e orientar os trabalhos dessa comiss\u00e3o, devem ser remetidas ou directamente ao Senhor Bispo de Leiria ou a qualquer dos membros dessa comiss\u00e3o, e em especial ao Dr. Manuel Nunes Formig\u00e3o \u2013 Travessa da Lameira 13, Santar\u00e9m, que provisoria e obsequiosamente figura tamb\u00e9m como director da Voz de F\u00e1tima, at\u00e9 que outra cousa seja definitivamente resolvida. O produto l\u00edquido da venda deste jornal, ser\u00e1 entregue ao Senhor Bispo de Leiria\u201d. A encerrar, dois breves pensamentos de S. Francisco de Sales e de S. Bruno. O Dr. Formig\u00e3o recusou-se a dar a solicitada autoriza\u00e7\u00e3o, por v\u00e1rias raz\u00f5es, das quais uma era a mesquinhez da folha e outra o facto de ele ser professor do liceu e n\u00e3o querer, por isso, ser acusado de \u201cfautor de obras e movimentos, perturbador da paz e ordem social\u201d. Acrescia ainda que n\u00e3o havia licen\u00e7a do Senhor Cardeal Patriarca, de quem ele era s\u00fabdito. Perante esta reac\u00e7\u00e3o, o Dr. Alberto perdeu a paci\u00eancia e afirmou que, \u201cda\u00ed para o futuro, se desinteressava de tudo o que dissesse respeito a F\u00e1tima\u201d. Temendo prejudicar com isso a obra de F\u00e1tima, o Dr. Formig\u00e3o acabou por consentir, desde que o Dr. Alberto assumisse a responsabilidade do que poderia acontecer. Resolveu-se mandar imprimir os 2.000 exemplares previstos, os quais seriam vendidos, no dia seguinte, na Cova da Iria. Por\u00e9m, tudo falhou, porque os exemplares n\u00e3o foram levados nem distribu\u00eddos no dia 13, nem depois. Afinal, dias depois, o Sr. Patriarca de Lisboa dava autoriza\u00e7\u00e3o. Restava ouvir o Sr. Bispo de Leiria, que s\u00f3 foi prevenido pelo Dr. Formig\u00e3o, em carta do dia 8 de Julho, mas j\u00e1 n\u00e3o houve tempo para se imprimir o segundo n\u00famero, nem de se distribu\u00edrem os exemplares do primeiro; ou, mais provavelmente, o Sr. Bispo de Leiria manteve a decis\u00e3o de esperar por Outubro, para a sa\u00edda da projectada \u201cVoz da F\u00e1tima\u201d. Resultado: os 2.000 exemplares, j\u00e1 impressos, foram mandados destruir, salvando-se raros exemplares. H\u00e1 not\u00edcia de ter sido entregue, pelo Dr. Formig\u00e3o, um ao Sr. Cardeal Patriarca de Lisboa, outro ao Sr. Bispo de Leiria, e outro ter\u00e1 ficado na posse do pr\u00f3prio Dr. Formig\u00e3o. O Santu\u00e1rio de F\u00e1tima possui dois exemplares, e consta-nos que h\u00e1 um na Biblioteca Municipal da Guarda e outro na Biblioteca Nacional de Lisboa.  <B>\u201cVoz da F\u00e1tima\u201d<\/b> Gorada a primeira tentativa de publica\u00e7\u00e3o, foi-se preparando a definitiva, que surgiu tr\u00eas meses depois, no dia 13 de Outubro de 1922, com o t\u00edtulo de \u201cVoz da F\u00e1tima\u201d. No cabe\u00e7alho, \u00e0 esquerda, uma gravura com a imagem de Nossa Senhora de F\u00e1tima; do lado esquerdo do t\u00edtulo, o desenho da bandeira do Santo Condest\u00e1vel e, do lado direito, a silhueta do mosteiro da Batalha. Director, propriet\u00e1rio e editor: Doutor Manuel Marques dos Santos; administrador: Padre Manuel Pereira da Silva; redac\u00e7\u00e3o e administra\u00e7\u00e3o: Rua D. Nuno \u00c1lvares Pereira; composi\u00e7\u00e3o e impress\u00e3o: Imprensa Comercial, \u00e0 S\u00e9, Leiria.  O Dr. Formig\u00e3o, que assina com o pseud\u00f3nimo de Visconde de Montelo, que o tornou conhecido, apresentava o jornal, com o artigo A que vimos, que ocupa duas colunas da primeira p\u00e1gina e tr\u00eas da segunda. Relata os acontecimentos de cinco anos antes e a decis\u00e3o do Sr. Bispo de Leiria, \u201cautorizando o culto p\u00fablico de Nossa Senhora na Cova da Iria, mas reservando-se o ju\u00edzo definitivo sobre o car\u00e1cter das apari\u00e7\u00f5es e a origem e natureza dos fen\u00f3menos astron\u00f3micos e meteorol\u00f3gicos, ali sucedidos, desde treze de Maio at\u00e9 treze de Outubro de 1917, assim como das curas extraordin\u00e1rias atribu\u00eddas a Nossa Senhora do Ros\u00e1rio da F\u00e1tima\u201d, e nomeando uma comiss\u00e3o para \u201cproceder a um longo e rigoroso inqu\u00e9rito e de elaborar um relat\u00f3rio fundamentado, depois de ouvir o depoimento de testemunhas fidedignas e a opini\u00e3o de peritos id\u00f3neos e not\u00e1veis pelo seu crit\u00e9rio, intelig\u00eancia e saber\u201d. Conclui o seu artigo, dizendo que \u201co \u00fanico desejo, o anelo ardente, a suprema aspira\u00e7\u00e3o de todos os redactores desta revista \u00e9 descobrir a verdade, onde quer que se encontre e seja ela qual for\u201d.  \u00c9 importante a nota inserida no fim do artigo: \u201cCumpre-me advertir os meus ben\u00e9volos e prezados leitores, e fa\u00e7o-o hoje de uma vez por todas, de que submeto inteiramente ao ju\u00edzo da Santa Igreja, como \u00e9 indeclin\u00e1vel dever de um cat\u00f3lico, todos os artigos que publicar nesta revista, e de um modo especial tudo quanto se referir \u00e0s apari\u00e7\u00f5es e curas da F\u00e1tima, cujo car\u00e1cter sobrenatural, se porventura o t\u00eam, s\u00f3 ao magist\u00e9rio eclesi\u00e1stico assiste autoridade e compet\u00eancia para apreciar e reconhecer\u201d.  A \u00fanica gravura inserida no primeiro n\u00famero \u00e9 a do Beato Nuno de Santa Maria (B. Nuno \u00c1lvares Pereira), com uma grande legenda em que se chama a aten\u00e7\u00e3o para o facto de ele ter sido conde de Our\u00e9m e de os fen\u00f3menos de 1917 na Cova da Iria, que tiveram lugar onde, \u201csegundo a tradi\u00e7\u00e3o, esteve a orar, nas v\u00e9speras da batalha de Aljubarrota\u201d, se terem verificado \u201cna ocasi\u00e3o em que Roma tratava de elevar o Santo Condest\u00e1vel \u00e0s honras dos altares\u201d.  Na p\u00e1gina 3, publica-se a primeira parte da provis\u00e3o episcopal, em que o Senhor Bispo de Leiria nomeia a Comiss\u00e3o Can\u00f3nica para averiguar dos acontecimentos de F\u00e1tima em 1917, datada de 3 de Maio de 1922. Na terceira coluna, h\u00e1 uma not\u00edcia sobre Lourdes: presen\u00e7a de 6.983 m\u00e9dicos desde 1890 a 1914, \u201ctendo-se verificado nesse tempo 4.445 milagres\u201d. Referem-se alguns casos e termina-se: \u201cE&#8230; assim vai Nossa Senhora continuando a espalhar as suas gra\u00e7as e miseric\u00f3rdias!\u201d.  Ainda nesta p\u00e1gina, um \u201cPedido\u201d: \u201cO Exmo propriet\u00e1rio dos terrenos da Cova da Iria, desejando mandar arborizar os mesmos terrenos e julgando que as \u00e1rvores melhores e mais \u00fateis para ali ser\u00e3o as oliveiras, aceita reconhecidamente qualquer oferta daquelas \u00e1rvores para planta\u00e7\u00e3o\u201d.  Na p\u00e1gina 4, um artigo de meia coluna, sobre O Ros\u00e1rio; um apelo a todas as pessoas que informem a comiss\u00e3o nomeada \u201cde tudo quanto souberem, quer a favor, quer contra eles, dirigindo-se em carta ou pessoalmente, ao Rev\u00ba Promotor da F\u00e9, Dr. Manuel Marques dos Santos, Semin\u00e1rio de Leiria\u201d. Algumas linhas sobre o Movimento religioso da Cova da Iria (F\u00e1tima), no dia 13 de Setembro de 1922, com missa campal e serm\u00e3o pregado pelo rev. Carlos A. Pereira Gens, p\u00e1roco de Our\u00e9m e trinta comunh\u00f5es.  \u00c9 muito interessante que este primeiro n\u00famero da \u201cVoz da F\u00e1tima\u201d publica um artigo sobre Frei Pio, capuchinho de um convento da aldeia de S. Jo\u00e3o, da cidade de Foligno, antigo reino de N\u00e1poles, na It\u00e1lia. Este artigo \u00e9 copiado do seman\u00e1rio \u201cCorreio de Coimbra\u201d, que o transcreve do \u201cDi\u00e1rio do Minho\u201d, de 25 de Julho de 1922. \u00c9 conhecida a \u00edntima rela\u00e7\u00e3o do agora canonizado Padre Pio de Pietrelcina com Nossa Senhora de F\u00e1tima, a quem se atribui a cura, quando a sua Imagem Peregrina passou por San Giovanni Rotondo, em 1959.  A finalizar esta p\u00e1gina 4, a subscri\u00e7\u00e3o aberta para custear as despesas do papel e impress\u00e3o e para permitir a distribui\u00e7\u00e3o gratuita no dia 13 de cada m\u00eas. Ficavam com direito a receber a \u201cVoz da F\u00e1tima\u201d pelo correio os que enviassem \u201cdez mil r\u00e9is (dez escudos)\u201d. Neste primeiro n\u00famero, h\u00e1 um an\u00f3nimo (seria o Sr. Bispo de Leiria?) que oferece 500$000 r\u00e9is; e cinco sacerdotes da cidade de Leiria que oferecem 10$000, cada um: Dr. M. Marques dos Santos, M. Pereira da Silva, Augusto Maia, Manuel do Carmo G\u00f3es e Joaquim Jos\u00e9 Carvalho.   <b>Algumas Curiosidades<\/b> <I>A data de publica\u00e7\u00e3o<\/i> A data de publica\u00e7\u00e3o foi, desde o in\u00edcio, e continua a ser o dia 13 de cada m\u00eas. Cremos que a \u00fanica excep\u00e7\u00e3o a esta regra foi no ano de 1985, em que o n\u00famero de Setembro saiu com a data de 8 desse m\u00eas, uma vez que, por tradi\u00e7\u00e3o, ocorria nesse dia o bimilen\u00e1rio do nascimento de Nossa Senhora. <i>Propriedade e edi\u00e7\u00e3o<\/i>  A \u201cVoz da F\u00e1tima\u201d foi propriedade do Doutor Manuel Marques dos Santos, que tamb\u00e9m foi seu director e editor, at\u00e9 13 de Dezembro de 1929, em que deixou de ser editor (nessa data, a empresa editora passou a ser a Uni\u00e3o Gr\u00e1fica), voltando a s\u00ea-lo a 13 de Junho de 1937, mantendo-se a refer\u00eancia da Uni\u00e3o Gr\u00e1fica como empresa editora at\u00e9 13 de Mar\u00e7o de 1940. Desde 13 de Julho de 1954, o jornal passou a ser propriedade e edi\u00e7\u00e3o da Gr\u00e1fica de Leiria. Em 13 de Mar\u00e7o de 1974, a \u201cVoz da F\u00e1tima\u201d noticiava que deixava de ser propriedade da \u201cGr\u00e1fica de Leiria\u201d e passava para propriedade do Santu\u00e1rio de F\u00e1tima, onde ficariam a funcionar, da\u00ed por diante, os servi\u00e7os de redac\u00e7\u00e3o e administra\u00e7\u00e3o. No entanto, a refer\u00eancia da propriedade na Gr\u00e1fica ainda se manteve at\u00e9 13 de Dezembro de 1975. Desde ent\u00e3o, a propriedade n\u00e3o mais deixou de ser do Santu\u00e1rio de F\u00e1tima. A \u201cVoz da F\u00e1tima\u201d, dirigida por Mons. Luciano Guerra, \u00e9 preparada por um grupo de redac\u00e7\u00e3o, constitu\u00eddo por ele, pelo Pe. Luciano Cristino, director do Servi\u00e7o de Estudos e Difus\u00e3o (SESDI), Pe. Manuel de Sousa Antunes, assistente nacional do Movimento da Mensagem de F\u00e1tima, que assegura a redac\u00e7\u00e3o da p\u00e1gina 4 de cada n\u00famero, Pe. Jos\u00e9 Lopes Baptista, director do SEPE e SEAL, Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Valinho, secret\u00e1rio da Reitoria, Loepoldina Reis, respons\u00e1vel do Centro de Comunica\u00e7\u00e3o Social e Lu\u00eds de Oliveira, respons\u00e1vel dos arquivos fotogr\u00e1fico e audiovisual. O respons\u00e1vel da administra\u00e7\u00e3o \u00e9 Maria Isabel Faria. O suplemento infantil \u201cF\u00e1tima dos Pequeninos\u201d, iniciado a 13 de Janeiro de 1979, depois do ano internacional da crian\u00e7a, foi da responsabilidade da Irm\u00e3 Gina Magagnotti, das Filhas de Maria Auxiliadora (Salesianas) e, depois do seu falecimento, em 18 de Abril de 1989, da Irm\u00e3 Maria Isolinda, das Mission\u00e1rias Reparadoras do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, desde 13 de Novembro de 1989 at\u00e9 hoje. <i>Composi\u00e7\u00e3o e impress\u00e3o<\/i> A \u201cVoz da F\u00e1tima\u201d come\u00e7ou a ser impressa na Imprensa Comercial, do Sr. Carlos Silva, junto da S\u00e9 de Leiria.  A partir do n\u00famero 52, de 13 de Janeiro de 1927, passou a ser composta e impressa na Uni\u00e3o Gr\u00e1fica, Rua de Santa Marta, 150-152, de Lisboa, e na Travessa do Despacho, 16, voltando de novo \u00e0 Rua de Santa Marta, 158.  A \u201cVoz da F\u00e1tima\u201d passou a ser composta e impressa, a partir do ano 23, n\u00ba 382, de 13 de Julho de 1954, nas oficinas da \u201cGr\u00e1fica de Leiria\u201d. A partir do n\u00ba 1.000 ser\u00e1 na Empresa Di\u00e1rio do Minho, Braga. <I>Formatos e cores<\/i>  A \u201cVoz da F\u00e1tima\u201d come\u00e7ou a ser publicada no formato de 26 por 35,5cm, mantendo esse formato at\u00e9 ao n\u00ba de 13 de Dezembro de 1926. Desde Janeiro de 1927, teve o formato de 27 por 40cm. De 13 de Maio de 1931, teve o formato de 35 a 44cm.  No n\u00famero 148, de 13 de Janeiro de 1935, aparece com novo aspecto e grande formato, o maior que teve at\u00e9 ao presente: 40,5 por 61cm. Declarava-se, nesse n\u00famero: \u201cNasceu pobrezinha, pobre tem vivido e apesar de tudo, \u00e9 a publica\u00e7\u00e3o de maior tiragem em Portugal\u201d. No n\u00famero 179, de 13 de Agosto de 1937 voltava a um formato mais reduzido (30,5 por 40,5cm), justificando-se a nova mudan\u00e7a pela carestia do papel e consequente aumento do seu pre\u00e7o. Perante as duas alternativas, \u201caumentar o pre\u00e7o do jornalzinho\u201d ou \u201creduzir o seu formato\u201d, optou-se pela segunda.  Quando a \u201cVoz da F\u00e1tima\u201d come\u00e7ou a ser impressa e expedida na \u201cGr\u00e1fica de Leiria\u201d, voltou a reduzir-se o formato (25 por 37cm) e come\u00e7ou a ser impressa a duas cores, preto e outra, processo que se utilizou at\u00e9 ao n\u00famero de hoje, em que se publicam ilustra\u00e7\u00f5es em policromia. O formato mudou novamente, em 13 de Junho de 1977: 30,5 por 43,5cm, que ainda hoje se mant\u00e9m. <i>Tiragens<\/i> Se quis\u00e9ssemos apresentar brevemente a dimens\u00e3o deste jornalzinho, no contexto da imprensa portuguesa, ao longo destes 80 anos, que hoje se completam, em termos de tiragens, poder\u00edamos fazer uma estat\u00edstica, expressa no gr\u00e1fico que juntamos nesta p\u00e1gina. Numa an\u00e1lise feita aos 960 n\u00fameros publicados, encontraram-se as tiragens m\u00e9dias mensais, por dec\u00e9nios, e o total dessas tiragens deu-nos um resultado de 164.325.144 (cento e sessenta e quatro milh\u00f5es trezentos e vinte e cinco mil cento e quarenta e quatro) exemplares impressos! N\u00e3o se pense que este c\u00e1lculo \u00e9 exagerado. Se \u00e9 certo que o primeiro n\u00famero teve uma tiragem de 6.000 exemplares, o que j\u00e1 foi muito para a \u00e9poca, e o n\u00ba 2, de 2.000, nos anos seguintes foi subindo continuamente: no princ\u00edpio do segundo ano, 15.000; no princ\u00edpio do 3\u00ba ano (Outubro de 1924): 32.000; 4\u00ba ano (1925): 50.000; 5\u00ba ano (1926): 40.000; 6\u00ba ano (1927): 70.000. Ao fim de 6 anos, tinham-se publicado: 2 milh\u00f5es de exemplares. No in\u00edcio do 11\u00ba primeiro ano (13 de Outubro de 1932), a tiragem foi de 85 mil. Em Agosto de 1934, ultrapassou a centena de milhar de exemplares e em Dezembro do mesmo ano, 214.000; a 13 de Julho de 1935, 304.474; a 13 de Maio de 1938, atingiu o m\u00e1ximo da tiragem: 392.700 exemplares! Manteve-se muito acima dos 300.000 exemplares at\u00e9 Fevereiro de 1945. Vai havendo, depois um decr\u00e9scimo at\u00e9 descer para 204.317, mas s\u00f3 em Janeiro de 1967. Actualmente a tiragem m\u00e9dia mensal \u00e9 de 118.000. Se pensarmos que cada um dos 164.325.144 exemplares nunca teve menos de 4 p\u00e1ginas cada um (h\u00e1 alguns anos que os n\u00fameros de Junho e de Novembro t\u00eam 8 p\u00e1ginas), teremos, ao todo, a espantosa cifra de 657 milh\u00f5es e 300 mil p\u00e1ginas! [&#8230;] N\u00e3o desconhecemos que muitos milhares (milh\u00f5es?) de exemplares n\u00e3o chegaram aos leitores, pelas mais diversas raz\u00f5es. Mas temos de reconhecer que poucas publica\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas portuguesas atingiram esta dimens\u00e3o, exceptuando os di\u00e1rios de difus\u00e3o nacional. Pensamos que o jornal \u201cVoz da F\u00e1tima\u201d serviu de livro de aprendizagem de ler e de leitura popular e foi ve\u00edculo de cultura e de forma\u00e7\u00e3o humana e crist\u00e3 e de divulga\u00e7\u00e3o da mensagem de Nossa Senhora na Cova da Iria. Em Julho de 1954, o jornal informava: \u201cEstando j\u00e1 no n\u00famero de perto de 250 mil exemplares a tiragem da \u201cVoz da F\u00e1tima\u201d e devido ao aumento de devotos de Nossa Senhora de F\u00e1tima em Espanha, Fran\u00e7a e Inglaterra e noutros pa\u00edses, foi necess\u00e1rio fazer edi\u00e7\u00f5es nessas l\u00ednguas, com a tiragem j\u00e1 de 20 mil para a Espanha, 3 mil para Fran\u00e7a e 11 mil para a Inglaterra e Estados Unidos, o que aumenta muito o trabalho de todas estas edi\u00e7\u00f5es, notando-se que o jornal da It\u00e1lia, \u201cLuce di Fatima\u201d tem uma tiragem de 100 mil, o da Alemanha, \u201cBote von Fatima\u201d passa de 20 mil, havendo ainda o da Sui\u00e7a, \u201cFatima-Bote\u201d, e o da Austr\u00e1lia, \u201cThe Australian Voice of Fatima\u201d, cuja tiragem ignoramos. Bem se v\u00ea que Nossa Senhora tinha raz\u00e3o para mandar na F\u00e1tima as crian\u00e7as que aprendessem a ler.  <I>Pe. Luciano Cristino, director do Servi\u00e7o de Estudos e Difus\u00e3o (SESDI) do Santu\u00e1rio de F\u00e1tima<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 13 de Janeiro de 2006 o jornal oficial do Santu\u00e1rio de F\u00e1tima e do Movimento da Mensagem de F\u00e1tima &#8220;Voz da F\u00e1tima&#8221; publica a edi\u00e7\u00e3o n.\u00ba 1000. A partir desta edi\u00e7\u00e3o, o jornal passa a ser todo impresso em quadricomia e muda o seu aspecto gr\u00e1fico. 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