{"id":158017,"date":"2019-12-26T11:02:28","date_gmt":"2019-12-26T11:02:28","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=158017"},"modified":"2019-12-26T11:02:28","modified_gmt":"2019-12-26T11:02:28","slug":"beja-homilia-no-dia-de-natal-de-d-joao-marcos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/beja-homilia-no-dia-de-natal-de-d-joao-marcos\/","title":{"rendered":"Beja: Homilia no dia de Natal de D. Jo\u00e3o Marcos"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p>Reverendo senhor padre Novais, amados religiosos e religiosas, caros fi\u00e9is leigos:<\/p>\n<p>1 &#8211; Ouv\u00edamos h\u00e1 momentos, na 1\u00aa leitura, esta express\u00e3o fort\u00edssima do profeta Isa\u00edas:<em> as tuas sentinelas levantam a voz. Todas juntas soltam brados de alegria porque veem com os pr\u00f3prios olhos o Senhor que volta para Si\u00e3o.<\/em> E, mais adiante, <em>o Senhor descobre o Seu santo bra\u00e7o \u00e0 vista de todas as na\u00e7\u00f5es, e todos os confins da terra ver\u00e3o a salva\u00e7\u00e3o do nosso Deus.<\/em> O salmo responsorial confirmou a realiza\u00e7\u00e3o desta promessa grandiosa: <em>todos os confins da terra viram a salva\u00e7\u00e3o do nosso Deus.<\/em> Finalmente o Evangelho, o pr\u00f3logo do Evangelho de S. Jo\u00e3o, d\u00e1 testemunho de que <em>o Verbo Se fez carne e habitou entre n\u00f3s, e n\u00f3s vimos a Sua gl\u00f3ria<\/em>.<\/p>\n<p>Ver Deus neste mundo? <em>A Deus, nunca ningu\u00e9m O viu<\/em>, atesta o Evangelista, algumas linhas a seguir. Mas acrescenta: <em>o Filho Unig\u00e9nito, que est\u00e1 no seio do Pai, O deu a conhecer<\/em>. Na v\u00e9spera da Sua morte, quando celebravam a \u00faltima Ceia, o ap\u00f3stolo Filipe pediu a Jesus:<em> Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta<\/em>! Jesus respondeu-lhe: <em>h\u00e1 tanto tempo que Eu estou convosco e n\u00e3o Me conheces? Filipe, quem Me v\u00ea, v\u00ea o Pai!<\/em><\/p>\n<p>2 \u2013 Ver o Pai?! Ver Deus?!<\/p>\n<p>A f\u00e9 crist\u00e3, afirma S. Paulo na Carta aos Romanos, nasce no cora\u00e7\u00e3o de quem escuta o an\u00fancio da Morte e da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. Mas na pr\u00e9-evangeliza\u00e7\u00e3o, antes desse an\u00fancio expl\u00edcito do Evangelho que suscita a f\u00e9, \u00e9 muito importante o testemunho silencioso da vida crist\u00e3 que serve de prepara\u00e7\u00e3o para escutar, que ajuda quem o contempla, a escutar. E, mais adiante, haver\u00e1, porventura, momentos em que a vis\u00e3o da Sua gl\u00f3ria nos ajudar\u00e1 a escut\u00e1-l\u2019O de uma forma nova, tal como experimentaram Pedro, Tiago e Jo\u00e3o, na transfigura\u00e7\u00e3o do Senhor, quando ouviram a Palavra do Pai: <em>este \u00e9 o Meu Filho muito amado: escutai-O!<\/em> Ali\u00e1s, como escut\u00e1vamos no in\u00edcio da 2\u00aa leitura, <em>muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais pelos profetas. Nestes tempos , que s\u00e3o os \u00faltimos, falou-nos por Seu Filho, <\/em>que \u00e9<em> o esplendor da Sua gl\u00f3ria e imagem da Sua subst\u00e2ncia, cheio de gra\u00e7a e de verdade!<\/em> N\u2019Ele, em Jesus Seu Filho bem-amado, Deus mesmo vem, como tinha prometido, cuidar das Suas ovelhas, procur\u00e1-las e aliment\u00e1-las com a sua pessoa e com os seus ensinamentos. E, para isso, tornou-Se vis\u00edvel, assumindo a nossa natureza humana, encarnando e fazendo-Se homem mortal, precisamente para destruir, na Sua morte, o dem\u00f3nio, o pai da mentira.<\/p>\n<p>A Solenidade do Natal, celebra\u00e7\u00e3o do nascimento de Jesus segundo a carne, permite-nos ver, ou melhor, entrever, a vis\u00e3o da gl\u00f3ria de Cristo. E isso \u00e9 sublinhado pelas leituras desta celebra\u00e7\u00e3o. Que \u00e9 nascer? \u00c9 ser dado \u00e0 luz, \u00e9 vir a este mundo onde o primeiro sentido, assim o diz o povo, consiste em ver. No evangelho de S. Jo\u00e3o a palavra ver significa acreditar. Diz, por exemplo, que no t\u00famulo de Jesus, o disc\u00edpulo amado <em>viu e acreditou.<\/em> A Tom\u00e9, o Senhor, convidando-o a verificar as feridas da Sua paix\u00e3o presentes no Seu corpo ressuscitado, disse-lhe: <em>porque Me viste, acreditaste. Felizes os que acreditam sem terem visto<\/em>.<\/p>\n<p>Acreditai, irm\u00e3os e irm\u00e3s, e vereis Aquele que agora vos fala por meio de mim. Vede, pela f\u00e9, Jesus presente na sua Igreja! Escutai-O como fez Maria, irm\u00e3 de Marta, e servi-O como O serviram, com os seus bens, aquelas mulheres que O seguiam nos caminhos da Galileia e da Judeia.<\/p>\n<p>3 \u2013 Em vossos cora\u00e7\u00f5es surgir\u00e1 esta pergunta: que vem realizar, neste mundo, o Senhor Jesus Cristo? Escut\u00e1vamos h\u00e1 momentos, na proclama\u00e7\u00e3o do Evangelho, que <em>o Verbo veio ao mundo e o mundo n\u00e3o O recebeu. Mas \u00e0queles que O receberam e acreditaram no Seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Estes n\u00e3o nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. <\/em><\/p>\n<p>Que maravilha, queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, nos concede a f\u00e9 em Nosso Senhor Jesus Cristo! Ele, sendo Deus verdadeiro, pois participa como Filho da natureza do Pai, fez-Se homem, para que n\u00f3s homens, Suas criaturas, \u00a0nos tornemos filhos adotivos de Deus! Ele chama-nos a ser santos e a tornarmo-nos deuses por participa\u00e7\u00e3o. Sim! Deus fez-Se homem, para que n\u00f3s, homens, unidos a Cristo Jesus, nos tornemos deuses!<\/p>\n<p>Esta transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 o grande objetivo da Sua vinda, \u00e9 o resumo da miss\u00e3o da Igreja e \u00e9 tamb\u00e9m o programa da nossa vida crist\u00e3. Somos membros vivos do Corpo de Cristo, Nosso Senhor, que \u00e9 a Igreja, e participamos da Sua vida e Miss\u00e3o: anunciar, celebrar e praticar, estes tr\u00eas verbos podem resumir, de certo modo, a vida crist\u00e3. Anunciar o Evangelho suscita e alimenta a f\u00e9. Celebrar na Eucaristia a Sua vit\u00f3ria sobre a morte fortalece a nossa esperan\u00e7a. E praticar o mandamento novo do amor, torna vis\u00edvel no mundo a comunh\u00e3o fraterna. A vida de Cristo, filho de Deus, traduzida na f\u00e9, na esperan\u00e7a e na caridade \u00e9 cultivada e vivida na Igreja pelos filhos de Deus que somos n\u00f3s. Esse dinamismo das tr\u00eas virtudes teologais, da f\u00e9, da esperan\u00e7a e da caridade descentra-nos de n\u00f3s mesmos, impede-nos de estagnar e de apodrecer numa vida sem sentido e faz aparecer em n\u00f3s as mesmas obras de Cristo Nosso Senhor, obras de obedi\u00eancia amorosa ao Pai e de servi\u00e7o humilde aos irm\u00e3os.<\/p>\n<p>Se este \u00e9 o programa da tua vida, se vieste ao mundo para seres crist\u00e3o e filho de Deus, porque vives t\u00e3o esquecido da caminhada que tens de fazer? Que te det\u00e9m? Porque est\u00e1s adormecido, suportando, tantas vezes sem esperan\u00e7a, a rotina do teu dia-a-dia?<\/p>\n<p><em>Desperta, tu que dormes, levanta-te de entre os mortos e Cristo te iluminar\u00e1.<\/em> Desperta, Igreja de Beja, levanta-te de entre os mortos, celebra e anuncia Cristo teu Senhor e Mestre, e com o clar\u00e3o da Sua luz iluminar\u00e1s os habitantes da terra alentejana!<\/p>\n<p>4 \u2013 Mas onde est\u00e1 Aquele que Jo\u00e3o Batista e os profetas anunciaram? Onde podemos ver a Sua majestade, o Seu poder e a Sua gl\u00f3ria? No pres\u00e9pio, em vez do Juiz Omnipotente apenas vemos uma crian\u00e7a d\u00e9bil, dependente em tudo dos cuidados de Maria e de Jos\u00e9 que a limpam e alimentam. E na Igreja, tantas debilidades e pecados, a todos os n\u00edveis, em vez da santidade que seria de esperar dos seus membros\u2026<\/p>\n<p>Alguma vez vos interrogastes, caros irm\u00e3os e irm\u00e3s, porque ser\u00e1 que de tanta gente que enchia a cidade de Bel\u00e9m nos dias do Recenseamento e viu Jesus, t\u00e3o poucos acreditaram n\u2019Ele? E porque ser\u00e1 que a Sua vida p\u00fablica se pode resumir a uma sequ\u00eancia de desilus\u00f5es, e termina no maior de todos os esc\u00e2ndalos que foi morrer crucificado? Porque ser\u00e1 que, j\u00e1 em Bel\u00e9m, n\u00e3o havia lugar para Ele na hospedaria?<\/p>\n<p><em>Feliz de quem n\u00e3o encontra em Mim ocasi\u00e3o de trope\u00e7o<\/em>, dir\u00e1 anos mais tarde, o pr\u00f3prio Senhor Jesus \u00e0queles que se escandalizavam dos Seus ensinamentos e dos seus comportamentos misericordiosos. N\u00f3s acreditamos que Aquele Menino rec\u00e9m-nascido \u00e9 Deus feito homem. E recebemo-l\u2019O como Mestre e Senhor que vem ensinar-nos. Aceitamo-l\u2019O tal como \u00e9, sem O querermos adaptar aos nossos aleij\u00f5es espirituais, pois n\u00f3s \u00e9 que precisamos e devemos converter-nos e adaptar-nos a Ele. Celebrando o Seu nascimento em n\u00f3s neste ano de 2019, aceitamo-l\u2019O como o Pai no-l\u2019O d\u00e1. Ele \u00e9 o verdadeiro tesouro no vaso de barro da nossa carne. Inteiramente dependente de n\u00f3s. Celebrar o Seu Natal compromete-nos a cuidar d\u2019Ele agora, para que cres\u00e7a e possa realizar, em nossas vidas, a Sua obra de Salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E como se cuida deste Menino que \u00e9 Deus feito homem? Rezando diariamente, participando na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia dominical, cultivando a comunh\u00e3o fraterna e anunciando o Seu Evangelho.<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s: celebremos com renovada gratid\u00e3o a Eucaristia, nesta solenidade do Natal. Entreguemos a este Menino cuja imagem vemos deitada nas palhas da manjedoura, mas que agora est\u00e1 realmente vivo e ressuscitado \u00e0 direita do Pai, intercedendo por n\u00f3s, todos aqueles que amamos, todas as nossas preocupa\u00e7\u00f5es e cuidados.<\/p>\n<p>Cuidemos d\u2019Ele, e Ele cuidar\u00e1 de n\u00f3s.<\/p>\n<p><em>+ J. Marcos <\/em><br \/>\n<em>S\u00e9 de Beja, 2019<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":100401,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[171,267],"class_list":["post-158017","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-beja","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/158017","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=158017"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/158017\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/100401"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=158017"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=158017"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=158017"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}