{"id":157459,"date":"2019-12-20T07:02:16","date_gmt":"2019-12-20T07:02:16","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=157459"},"modified":"2019-12-19T17:05:00","modified_gmt":"2019-12-19T17:05:00","slug":"ninguem-deve-estar-em-sofrimento-destrutivo-ou-intoleravel-isabel-galrica-neto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ninguem-deve-estar-em-sofrimento-destrutivo-ou-intoleravel-isabel-galrica-neto\/","title":{"rendered":"\u00abNingu\u00e9m deve estar em sofrimento destrutivo ou intoler\u00e1vel\u00bb \u2013 Isabel Galri\u00e7a Neto"},"content":{"rendered":"<p><!--more-->Isabel Galri\u00e7a Neto, m\u00e9dica, ex-deputada, fala da sua experi\u00eancia como profissional de sa\u00fade, na \u00e1rea dos cuidados paliativos. Na entrevista semanal conjunta Ecclesia\/Renascen\u00e7a, fala da rela\u00e7\u00e3o com o sofrimento, das prioridades que devem anteceder qualquer debate sobre a eutan\u00e1sia e dos perigos de uma discuss\u00e3o \u201cemocional\u201d que ignore as alternativas \u00e0 morte medicamente provocada, gerando press\u00e3o social sobre as pessoas em situa\u00e7\u00e3o de maior fragilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Fotos: Renascen\u00e7a<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_157423\" aria-describedby=\"caption-attachment-157423\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/03.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-157423 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/03.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1152\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/03.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/03-400x240.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/03-1024x614.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/03-768x461.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/03-1536x922.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/03-1080x648.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/03-1280x768.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/03-980x588.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/03-480x288.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-157423\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Como m\u00e9dica o que \u00e9 que a levou a dedicar-se a esta \u00e1rea dos cuidados paliativos?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma resposta que ainda tenho em aberto. Tenho alguns dados, ou orienta\u00e7\u00f5es, que me d\u00e3o uma chave para essa resposta, e que basicamente t\u00eam de ver com uma situa\u00e7\u00e3o familiar, de um av\u00f4 meu, em 1993,\u00a0e com o ter-me deparado com a resposta &#8216;n\u00e3o tenho nada para oferecer ao teu av\u00f4&#8217;. Dois: a experi\u00eancia que tive em Inglaterra nessa altura, onde conheci uma unidade de cuidados paliativos, e de para mim ter feito todo sentido ver que havia doentes que a medicina n\u00e3o curava, mas que precisavam de outro tipo de respostas, e que a medicina e a sa\u00fade n\u00e3o podiam deixar para tr\u00e1s. Tr\u00eas: basicamente tem a ver com os meus valores e a minha orienta\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 medicina, como \u00e1rea de servi\u00e7o, e de servi\u00e7o ao outro.<\/p>\n<p>A medicina congrega e combina muito bem a quest\u00e3o da ci\u00eancia e do rigor com o humanismo, e com valores como a compaix\u00e3o. Temos, de uma vez por todas, de acabar com esta ideia de que ser compassivo n\u00e3o \u00e9 ser bom m\u00e9dico, ou da menoriza\u00e7\u00e3o que se faz de valores como a compaix\u00e3o e o servi\u00e7o, que est\u00e3o na g\u00e9nese da medicina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Dirige atualmente a unidade cuidados paliativos num dos grandes\u00a0hospitais privados de Lisboa. Que diferen\u00e7a \u00e9 que faz para um doente terminal ser assistido numa unidade destas? N\u00e3o estamos a falar de prolongar o que \u00e9 inevit\u00e1vel?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o quero fugir \u00e0s vossas perguntas, mas infelizmente continua a ser preciso clarificar de que \u00e9 que falamos quando falamos de cuidados paliativos. Estamos a falar, em primeiro lugar, de cuidados de sa\u00fade. N\u00e3o s\u00e3o caridade, com todo o m\u00e9rito que isso possa ter, n\u00e3o s\u00e3o cuidados de apoio social, s\u00e3o cuidados de sa\u00fade, e s\u00e3o uma \u00e1rea de especializa\u00e7\u00e3o, como \u00e9 a dermatologia ou a gastro, prestados por uma equipa que se dedica a ajudar a viver &#8211; e n\u00e3o a ajudar a morrer, como tantas vezes se diz &#8211; pessoas em situa\u00e7\u00e3o de doen\u00e7a grave ou incur\u00e1vel. E isso pode acontecer ao longo de meses ou anos, n\u00e3o necessariamente \u00e0 beira da morte. Os doentes s\u00e3o pessoas de todas as idades, com cancro e sem cancro, com dem\u00eancias, com AVC, com o que n\u00f3s chamamos \u2018insufici\u00eancias de \u00f3rg\u00e3o\u2019.<\/p>\n<p>O nosso alvo \u00e9 a interven\u00e7\u00e3o no sofrimento. A fundadora desta \u00e1rea de especializa\u00e7\u00e3o, a Cicely Saunders, dizia, no s\u00e9culo XX, que \u2018intervimos no sofrimento\u2019, e \u00e9 isso que posso corroborar com milhares de doentes apoiados, para tornar esse sofrimento toler\u00e1vel.<\/p>\n<p>Todos temos experi\u00eancias de sofrimento na nossa vida, n\u00e3o necessariamente ligadas \u00e0 doen\u00e7a, portanto, ser\u00e1 ut\u00f3pico dizer que o sofrimento n\u00e3o faz parte da vida. O que ningu\u00e9m quer \u00e9 que o sofrimento se torne disruptivo e destrutivo, que se torne qualquer coisa que \u00e9 um fardo pesad\u00edssimo. Nos cuidados paliativos isso n\u00e3o existe. N\u00e3o quero cair na demagogia de dizer \u2018os paliativos acabam com o sofrimento&#8217;, o que digo, \u00e0 luz daquilo que \u00e9 evid\u00eancia, \u00e9 que os paliativos interv\u00eam ativamente no sofrimento, em muitos casos fazendo com que ele desapare\u00e7a, noutros trazendo-o para n\u00edveis toler\u00e1veis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 aqui uma quest\u00e3o que talvez interfira muito no subconsciente, \u00e9 que quem n\u00e3o \u00e9 m\u00e9dico, mas \u00e9 paciente, olha muito para a medicina do ponto de vista do curar. Os paliativos centram-se muito na quest\u00e3o do cuidar\u2026<\/strong><\/p>\n<p>Do cuidar, que \u00e9 tamb\u00e9m um tratamento. O objetivo da medicina, ao contr\u00e1rio do que as pessoas tantas vezes dizem, n\u00e3o \u00e9 curar todas as pessoas, e o s\u00e9culo XXI vai-nos trazer isso.<\/p>\n<p>Curiosamente ainda ontem li um artigo de um especialista espanhol sobre a cronicidade das m\u00faltiplas doen\u00e7as, o que chamamos a multipatologia, que dizia que s\u00f3 ir\u00edamos reagir (\u00e0 cronicidade) como em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 crise clim\u00e1tica, quando as coisas nos ca\u00edrem em\u00a0cima, sendo que muitas pessoas \u2013 e eu sou uma delas &#8211; t\u00eam escrito h\u00e1 d\u00e9cadas que \u00e9 preciso olhar para este problema da \u2018n\u00e3o cura\u2019. \u00c9 isto que \u00e9 a cronicidade, as pessoas vivem mais tempo e com mais doen\u00e7as cr\u00f3nicas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00c9 um problema que j\u00e1 chega a muita gente.<\/strong><\/p>\n<p>Neste momento \u00e9 a realidade, n\u00e3o gostaria de lhe chamar problema. A vida \u00e9 assim, e temos de discutir solu\u00e7\u00f5es para esta situa\u00e7\u00e3o das doen\u00e7as que n\u00e3o se curam.<\/p>\n<p>\u00c9 bom lembrar que o fim da medicina \u00e9 acompanhar todos, quer se curem, quer n\u00e3o se curem. Infelizmente no s\u00e9culo XX isso foi desvirtuado, porque se introduziram os antibi\u00f3ticos e achou-se que o fim da medicina era curar todas as doen\u00e7as, porque isso aconteceu em rela\u00e7\u00e3o a muitas doen\u00e7as infecto-contagiosas. Ora, isso n\u00e3o\u00a0\u00e9 verdade,\u00a0o fim da medicina \u00e9 acompanhar todas as pessoas para que o seu sofrimento seja mitigado. Se pudermos curar, tanto melhor.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XXI estamos a ver que muitas doen\u00e7as n\u00e3o se curam, as pessoas convivem com elas durante um per\u00edodo muito prolongado, e acontece\u00a0sofrimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A maior parte das pessoas tem dificuldade em lidar com a dor. H\u00e1 quem diga que os cuidados paliativos p\u00f5em as pessoas adormecidas, tira-se a dor porque adormecem. \u00c9 assim?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 assim. A dor f\u00edsica, org\u00e2nica, \u00e9 apenas um dos m\u00faltiplos sintomas que as pessoas podem ter, e nem sequer \u00e9 o mais frequente, mas \u00e9 de facto um daqueles que tem mais impacto em todos. Mas existe o cansa\u00e7o, a falta de ar, a ins\u00f3nia, as n\u00e1useas, portanto, quando se iguala \u2018cuidados paliativos\u2019 a \u2018tratar a dor\u2019 isso revela algum tipo de omiss\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade. As pessoas n\u00e3o sofrem s\u00f3 por problemas f\u00edsicos, sofrem por v\u00e1rias perdas em v\u00e1rias dimens\u00f5es, sociais, espirituais \u2013 e h\u00e1 uma grande confus\u00e3o entre espiritual e religioso. N\u00f3s intervimos no sofrimento, n\u00e3o apenas na dor f\u00edsica. Para tratar a dor f\u00edsica, de facto utilizamos muitos medicamentos, mas que n\u00e3o t\u00eam como objetivo p\u00f4r a pessoa a dormir.<\/p>\n<p>Se as pessoas efetivamente conhecessem a realidade saberiam que h\u00e1 doentes tratados em cuidados paliativos a dar entrevistas, e n\u00e3o os entrevistam drogados. H\u00e1 pessoas que s\u00e3o filmadas e entrevistadas cinco a seis dias antes de falecer, portanto \u00e9 falso que as pessoas estejam adormecidas por causa do tratamento da dor. O que n\u00e3o \u00e9 falso, e tem de ser dito, \u00e9 que a maioria de n\u00f3s quando morre, morre no decurso de um processo de debilidade crescente, e esta debilidade n\u00e3o \u00e9 sofrimento, consumo compar\u00e1-la a um pavio de uma vela que vai diminuindo. Esta debilidade acompanha-se de perda de capacidade de fun\u00e7\u00f5es, n\u00e3o porque isso seja induzido, \u00e9 fisiologicamente um organismo que est\u00e1 a desligar, faz-nos perder a capacidade de interagir com o outro, de engolir, de levantar e sair da cama, chama-se debilidade extrema.<\/p>\n<p>\u00c9 lament\u00e1vel que, \u00e0s vezes por desconhecimento, se diga que aquilo que os paliativos fazem \u00e9 p\u00f4r as pessoas a dormir. Isso \u00e9 falso e desafio quem o diz, porque de facto n\u00e3o se pode confundir qualquer efeito secund\u00e1rio de um regime terap\u00eautico com esta debilidade de que estou a falar, de as\u00a0pessoas no fim da sua vida n\u00e3o terem a mesma vitalidade e a mesma capacidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_157421\" aria-describedby=\"caption-attachment-157421\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/01.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-157421\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/01-400x240.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/01-400x240.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/01-1024x614.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/01-768x461.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/01-1536x922.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/01-1080x648.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/01-1280x768.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/01-980x588.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/01-480x288.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/01.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-157421\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Um dos motivos que pode ajudar a explicar esse desconhecimento sobre os cuidados paliativos, \u00e9 que efetivamente h\u00e1 uma grande falta de camas e de cuidados paliativos em Portugal neste momento.<\/strong><\/p>\n<p>Lamentavelmente &#8211; e penso que isso \u00e9 que fratura \u2013 \u00e9 que aquilo que devia constituir prioridade, n\u00e3o \u00e9, e h\u00e1 70% de portugueses que n\u00e3o t\u00eam acesso a cuidados paliativos. Falou de camas, mas n\u00e3o s\u00e3o necessariamente camas. Era desej\u00e1vel que fossem equipas domicili\u00e1rias, equipas na comunidade, e tamb\u00e9m camas.<\/p>\n<p>Pergunto se n\u00e3o \u00e9 priorit\u00e1rio investir mais, com empenho pol\u00edtico maior, porque a escassez \u00e9 grande, para que as pessoas efetivamente tenham acesso a estes cuidados, e n\u00e3o trocar as prioridades? Porque o que estamos a ver \u00e9 que existe uma tamanha pressa, que se p\u00f5e como prioridade pol\u00edtica o debate naquilo que supostamente at\u00e9 os seus defensores apresentam como medida de exce\u00e7\u00e3o. Quando \u00e9 que se p\u00f5e primeiro a medida de exce\u00e7\u00e3o \u00e0 frente daquilo que \u00e9 um direito humano? Os cuidados paliativos s\u00e3o hoje considerados um direito humano. Mais: s\u00e3o um cuidado b\u00e1sico de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Todos nos preocupamos, e bem, com a falta de m\u00e9dicos de fam\u00edlia, mas n\u00e3o h\u00e1 cobertura de sa\u00fade quando n\u00e3o h\u00e1 acesso a bons cuidados paliativos. Ora, 70% dos portugueses n\u00e3o t\u00eam acesso. Isto n\u00e3o incomoda as pessoas?<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria sociedade tem de reclamar e tem de se incomodar, e ser mais informada, porque h\u00e1 preconceito. \u00c9 muito interessante ver: as pessoas n\u00e3o querem estar em sofrimento, a gente diz e explica que h\u00e1 cuidados paliativos, mas depois dizem &#8216;n\u00e3o, n\u00e3o, ainda \u00e9 muito cedo para ir para os cuidados paliativos&#8217;. H\u00e1 este amor\/\u00f3dio e esta ambival\u00eancia que prejudica as pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 vamos falar da legaliza\u00e7\u00e3o da eutan\u00e1sia, que est\u00e1 de novo na ordem do dia, mas ainda sobre os cuidados paliativos: come\u00e7ou a trabalhar no servi\u00e7o p\u00fablico, hoje est\u00e1 num hospital privado. O acesso aos cuidados paliativos ainda \u00e9 muito uma quest\u00e3o financeira? S\u00f3 \u00e9 acess\u00edvel para quem tem dinheiro?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. \u00c9 lamentavelmente uma quest\u00e3o geogr\u00e1fica, quase que de sorte. Tenho dito, e vou repetir, que n\u00e3o se trata de dizer que o que \u00e9 privado \u00e9 bom, e que o que \u00e9 p\u00fablico \u00e9 mau, n\u00e3o ouvir\u00e3o isso da minha boca. Temos bons servi\u00e7os p\u00fablicos e bons servi\u00e7os privados. A quest\u00e3o infelizmente &#8211; como ainda recentemente se viu &#8211; \u00e9 de assimetria. Num pa\u00eds t\u00e3o pequeno com o nosso h\u00e1 distritos em que h\u00e1 uma escassez grande de resposta. E n\u00e3o se trata essencialmente de quest\u00f5es financeiras, mas de quest\u00f5es geogr\u00e1ficas e de se ter a sorte de viver em determinados locais onde h\u00e1 acesso mais r\u00e1pido.<\/p>\n<p>\u00c9 muito importante ter a no\u00e7\u00e3o de que aquilo que pode acontecer em alguns s\u00edtios privados \u2013 e eu, conhecendo, n\u00e3o quero falar pelos outros, falo s\u00f3 da minha realidade &#8211; tem que ver com o r\u00e1cio de profissionais. \u00c9 uma preocupa\u00e7\u00e3o garantir o n\u00famero de profissionais que possa responder com qualidade, profissionais devidamente qualificados. Ao contr\u00e1rio do que se possa pensar n\u00e3o \u00e9 apenas criar camas, \u00e9 sobretudo trazer profissionais que sejam devidamente credibilizados e preparados. N\u00e3o faz cuidados paliativos quem quer, s\u00f3 quem pode e est\u00e1 capacitado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E h\u00e1 mais m\u00e9dicos a formarem-se como especialistas em cuidados paliativos? Esta \u00e9 uma \u00e1rea deficit\u00e1ria porque n\u00e3o h\u00e1 recursos, de todo, ou porque n\u00e3o h\u00e1 investimento nos meios que j\u00e1 existem?<\/strong><\/p>\n<p>As duas coisas. Para sermos claros &#8211; e eu n\u00e3o sou nada demagoga \u2013 tem havido algum esfor\u00e7o por parte de algumas administra\u00e7\u00f5es (hospitalares) para formar pessoas, depois falha a quest\u00e3o de lhes dar condi\u00e7\u00f5es para elas trabalharem, porque genericamente na sa\u00fade h\u00e1 falta, e nunca se atribui, do meu ponto de vista, a devida prioridade aos cuidados paliativos. Por exemplo, as pessoas t\u00eam sempre que fazer servi\u00e7os de urg\u00eancia mais os cuidados paliativos, o que limita a sua disponibilidade. As pessoas t\u00eam capacidades finitas, do ponto da resist\u00eancia\u2026<\/p>\n<p><strong>A legaliza\u00e7\u00e3o da Eutan\u00e1sia n\u00e3o foi aprovada na \u00faltima legislatura. Compreende que se volte a insistir de novo no tema t\u00e3o r\u00e1pido, j\u00e1 nesta sess\u00e3o legislativa?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o compreendo, por v\u00e1rias raz\u00f5es. Em primeiro lugar porque a casa come\u00e7a-se a construir por baixo, n\u00e3o pelo telhado, e a medida de primeira linha, que \u00e9 o acesso a cuidados de sa\u00fade, n\u00e3o est\u00e1 garantido. Porqu\u00ea esta pressa? Segundo, n\u00e3o compreendo porque em campanha eleitoral muitos partidos ficaram calados (sobre esta mat\u00e9ria) e disseram que era a consci\u00eancia dos deputados que iria ditar. Estou a falar do caso do partido socialista e do partido social democrata. Ora, as pessoas n\u00e3o votam na consci\u00eancia, com arbitrariedade relativamente a assuntos com a gravidade que este tem.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 tr\u00eas projetos neste momento, um do PS, outro do PAN, e outro do Bloco de Esquerda.<\/strong><\/p>\n<p>Exatamente, e s\u00e3o basicamente iguais \u00e0quilo que foi apresentado anteriormente. O que eu compreendo, sim, \u00e9 que h\u00e1 uma press\u00e3o pol\u00edtica, porque isto n\u00e3o corresponde a nenhum repto ou necessidade social, isto corresponde a um repto pol\u00edtico de um grupo de partidos que est\u00e3o na Assembleia da Rep\u00fablica, e que t\u00eam neste momento uma determinada representa\u00e7\u00e3o. E interpelo-os e pergunto: &#8216;onde est\u00e1 esta mesma pressa em rela\u00e7\u00e3o aos cuidados paliativos, aos cuidados de sa\u00fade de que precisam as pessoas que est\u00e3o em sofrimento?\u2019.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma agenda pol\u00edtica que \u00e9 o motor desta pressa, e acho que isto n\u00e3o vai ao encontro das necessidades das pessoas, porque se \u00e9 uma medida de excecionalidade, se n\u00e3o \u00e9 para ser uma medida de primeira linha, n\u00e3o se comprometem recursos humanos que podem estar afetos a outras \u00e1reas com este tipo de atividades. \u00c9 por isso que falamos de legaliza\u00e7\u00e3o, porque os meios do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade v\u00e3o ser afetados. E n\u00e3o \u00e9 uma \u2018despenaliza\u00e7\u00e3o\u2019, como tamb\u00e9m suavemente se quer fazer passar.<\/p>\n<p><strong>A legaliza\u00e7\u00e3o da eutan\u00e1sia pode mesmo vir a ser aprovada, dada a configura\u00e7\u00e3o deste parlamento. Como \u00e9 que reage essa possibilidade?<\/strong><\/p>\n<p>Com grande tristeza, em primeiro lugar, e com grande revolta, por aquilo que j\u00e1 disse. N\u00e3o \u00e9 disto que precisam as pessoas doentes do meu pa\u00eds, nem as suas fam\u00edlias, e porque quando n\u00e3o garantimos o b\u00e1sico e estamos a dar uma medida destas, de alguma forma estamos a condicionar a liberdade das pessoas.<\/p>\n<p><strong>E a criar press\u00e3o social, no caso das pessoas que n\u00e3o querem ser um peso?<\/strong><\/p>\n<p>Estamos a criar a press\u00e3o social, porque as pessoas n\u00e3o t\u00eam outra alternativa, e isto tem que ser dito. Lamentavelmente &#8211; e \u00e9 muito importante ter esta no\u00e7\u00e3o &#8211; este debate \u00e9 muito emotivo. N\u00f3s come\u00e7\u00e1mos por referir a quest\u00e3o do &#8216;ningu\u00e9m quer estar em sofrimento&#8217;. Eu sou a primeira a dizer que ningu\u00e9m deve estar em sofrimento destrutivo ou intoler\u00e1vel, mas \u00e9 isso que fazem os cuidados paliativos, portanto vamos l\u00e1 torn\u00e1-los acess\u00edveis aos tais 70 % de portugueses que n\u00e3o os t\u00eam.<\/p>\n<p>Agora, o debate torna-se complexo porque temos de ultrapassar o n\u00edvel emotivo e dirimir argumentos a um n\u00edvel racional, com racionalidade, porque o assunto \u00e9 de tal maneira delicado que, se n\u00e3o for com alguma racionalidade, corremos o risco de tomar m\u00e1s decis\u00f5es.<\/p>\n<p>Volto a dizer: n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m interessado em ver doentes em sofrimento in\u00fatil e desnecess\u00e1rio. Na minha pr\u00e1tica, com milhares e milhares de doentes, posso dizer que n\u00e3o tenho doentes em sofrimento disruptivo, portanto n\u00e3o consigo compreender que se v\u00e1 precipitar uma aprova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A sociedade civil tem de se fazer ouvir, h\u00e1 movimentos da sociedade civil que s\u00e3o representativos e que podem e devem fazer ouvir a sua voz no sentido de estarem contra. A Igreja foi um dos movimentos, e eu at\u00e9 estou bastante \u00e0 vontade, enquanto crente, para dizer que este assunto come\u00e7a por n\u00e3o ser religioso. Coisa distinta \u00e9 dizer que a Igreja n\u00e3o se pode manifestar.<\/p>\n<figure id=\"attachment_157426\" aria-describedby=\"caption-attachment-157426\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/06.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-157426\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/06-400x240.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/06-400x240.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/06-1024x614.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/06-768x461.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/06-1536x922.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/06-1080x648.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/06-1280x768.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/06-980x588.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/06-480x288.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/06.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-157426\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>A legaliza\u00e7\u00e3o da eutan\u00e1sia pode p\u00f4r em causa a rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a m\u00e9dico-doente?<\/strong><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m, mas n\u00e3o s\u00f3, altera profundamente o jogo social e a cultura, o \u2018banho\u2019 em que as coisas se inserem.<\/p>\n<p>\u00c9 bom lembrar a posi\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Mundial &#8211; e teremos o seu \u00a0presidente em Portugal em mar\u00e7o do pr\u00f3ximo ano, nas jornadas que iremos organizar com a Pont\u00edficia Academia da Vida, para falar precisamente da rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico\/doente em cuidados paliativos.<\/p>\n<p>De facto esta quest\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-doente \u00e9 muito importante, e quando n\u00f3s pomos &#8211; desculpem a express\u00e3o popular &#8211; o &#8216;carro \u00e0 frente dos bois&#8217;, aquilo que estamos a fazer \u00e9 a pressionar e a empurrar pessoas que muitas vezes n\u00e3o t\u00eam outra escolha. Se eu estivesse num sofrimento atroz e n\u00e3o tivesse escolha, poderia dizer &#8216;podem-me eutanasiar, podem-me matar?&#8217;. Porque \u00e9 disso que estamos a falar, n\u00e3o \u00e9 de morte assistida, \u00e9 de morte provocada, que \u00e9 muito diferente. Morte assistida \u00e9 o que n\u00f3s temos com os cuidados paliativos, portanto, estes branqueamentos, estes eufemismos n\u00e3o s\u00e3o clarificadores. Isto para dizer que a \u00a0legaliza\u00e7\u00e3o feita desta forma pode, de facto, criar uma press\u00e3o social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E concorda com a possibilidade de haver um referendo sobre esta mat\u00e9ria?<\/strong><\/p>\n<p>Considero que o referendo n\u00e3o \u00e9 uma prioridade. Temos outras prioridades. Com certeza que essa \u00e9 uma mat\u00e9ria em aberto, mas acho que a prioridade \u00e9 debater com as for\u00e7as vivas da sociedade, e para isso n\u00e3o precisamos necessariamente de um referendo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Aproveitar o processo legislativo na Assembleia da Rep\u00fablica para tamb\u00e9m a sociedade civil debater?<\/strong><\/p>\n<p>E a sociedade, com os seus v\u00e1rios movimentos, tomar posi\u00e7\u00e3o. Acho que isso que \u00e9 bastante importante. \u00c9 uma quest\u00e3o de timing e de prioridades.<\/p>\n<p><strong>A confer\u00eancia que vai ter lugar em mar\u00e7o, em Portugal, organizada em colabora\u00e7\u00e3o com a Pontif\u00edcia Academia para a Vida, do Vaticano, pode ser uma ajuda para o debate interno em Portugal?<\/strong><\/p>\n<p>As jornadas s\u00e3o de cuidados paliativos. A Igreja apoia a ci\u00eancia, o progresso e o humanismo, e os cuidados paliativos s\u00e3o cuidados de sa\u00fade, baseados em ci\u00eancia, boa ci\u00eancia. Portanto, a Igreja e os movimentos da Igreja o que est\u00e3o a fazer ao promoverem estas jornadas &#8211; que s\u00e3o cient\u00edficas e para profissionais de sa\u00fade, e tamb\u00e9m para agentes pastorais \u2013 \u00e9 dizer &#8216;n\u00f3s estamos ao lado da boa ci\u00eancia, daquilo que consideramos que s\u00e3o os bons cuidados de sa\u00fade, para estas pessoas&#8217;. O que a Igreja est\u00e1 a dizer \u00e9 que quer que as pessoas n\u00e3o estejam em sofrimento e recebam os cuidados que devem receber.<\/p>\n<p><strong>Estes \u2018bons cuidados\u2019 tamb\u00e9m integram a dimens\u00e3o espiritual?<\/strong><\/p>\n<p>Estes bons cuidados, que s\u00e3o interven\u00e7\u00e3o no sofrimento, integram, obviamente, uma interven\u00e7\u00e3o na dimens\u00e3o espiritual.<\/p>\n<p>A dimens\u00e3o espiritual \u00e9 algo que cada homem, crente ou n\u00e3o, tem. Isto \u00e9 muito importante, porque h\u00e1 uma confus\u00e3o entre dimens\u00e3o espiritual e dimens\u00e3o religiosa. Um n\u00e3o crente, um ateu, tem uma dimens\u00e3o espiritual. O que \u00e9 que \u00e9 esta dimens\u00e3o espiritual? \u00c9 aquilo que nos projeta para o que est\u00e1 para al\u00e9m de n\u00f3s, o que nos ultrapassa: a natureza, o belo, as rela\u00e7\u00f5es, e eventualmente uma dimens\u00e3o religiosa que ocupa parte desta dimens\u00e3o espiritual. Mas, espiritual e religioso n\u00e3o s\u00e3o necessariamente coincidentes.<\/p>\n<p>Quem trabalha em paliativos tem obriga\u00e7\u00e3o de perceber como aborda a espiritualidade, e somos treinados para ajudar as pessoas com as quest\u00f5es do sentido, da esperan\u00e7a, da promo\u00e7\u00e3o da dignidade. Tudo isto &#8211; e, l\u00e1 est\u00e1, n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1rmacos, s\u00e3o modos de abordagem e de interven\u00e7\u00e3o &#8211; faz parte da interven\u00e7\u00e3o dos cuidados paliativos. Porque os cuidados paliativos veem a pessoa como um todo, e estamos a falar de cuidados centrados na pessoa. A pessoa sofre, vamos ver em que dimens\u00f5es \u00e9 que ela est\u00e1 a sofrer, e temos de lhe proporcionar uma ajuda. Com certeza que a f\u00edsica \u00e9 naturalmente uma delas, mas \u00e9 muito importante que n\u00e3o se entenda o homem como apenas um ser f\u00edsico, sem outras dimens\u00f5es, a psicol\u00f3gica, a espiritual, a social e a cultural.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 cat\u00f3lica, e n\u00e3o o esconde. Ter f\u00e9 tem-na ajudado como m\u00e9dica, ainda mais nesta \u00e1rea?<\/strong><\/p>\n<p>Tem-me ajudado muito na vida. \u00c0s vezes as pessoas pensam que \u00e9 mais f\u00e1cil, que os que t\u00eam f\u00e9 t\u00eam uma bengalinha, uma muleta. Eu acho que a f\u00e9 s\u00f3 nos traz mais exig\u00eancia, muita exig\u00eancia, e que em determinadas alturas de grande dificuldade &#8211; e quero aqui prestar uma homenagem aos grandes, grandes doentes, que s\u00e3o os meus exemplos e os meus inspiradores!<\/p>\n<p>De facto, perante situa\u00e7\u00f5es de grande sofrimento, esta f\u00e9 e esta certeza de que a m\u00e3o de Deus nos ampara sempre, \u00e9 extremamente&#8230; eu n\u00e3o gosto da palavra \u2018consoladora\u2019, mas \u00e9 uma certeza de esperan\u00e7a, e uma certeza de luz em travessias do deserto. Muitos dos nossos doentes fazem travessias onde parece que nada faz sentido, e n\u00f3s, enquanto pessoas que os apoiamos, queremos estar \u00e0 altura, e sofremos muitas vezes as mesmas d\u00favidas, as mesmas quest\u00f5es &#8211; onde est\u00e1 Deus quando existe esta travessia? Deus est\u00e1 l\u00e1, \u00e0s vezes n\u00e3o estamos a vislumbrar.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as a Deus tenho tido a oportunidade de sentir a m\u00e3o de Deus, neste sentido de saber que n\u00e3o estou sozinha, que h\u00e1 um sentido maior e que obviamente a f\u00e9 \u00e9 um motor exigente, mas que nos ajuda a encontrar sentido num percurso dif\u00edcil. \u00c9 um privil\u00e9gio poder servir estas pessoas, poder ajud\u00e1-las numa fase complicada e pensar que elas v\u00eam a terminar os seus dias tranquilamente, umas com f\u00e9, outras sem f\u00e9.<\/p>\n<p>Faz parte, e \u00e9 um corol\u00e1rio da nossa f\u00e9, conseguir ver no paciente outro Cristo, e isso \u00e0s vezes \u00e9 muito desafiante. Se eu estivesse a tratar Cristo, o que \u00e9 que eu lhe fazia? \u00c9 uma pergunta muito desafiante, ver no outro, outro Cristo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":157423,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[204],"class_list":["post-157459","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-eutanasia-bioetica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/157459","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=157459"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/157459\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/157423"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=157459"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=157459"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=157459"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}