{"id":15745,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/terras-que-empobrecem\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"terras-que-empobrecem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/terras-que-empobrecem\/","title":{"rendered":"Terras que empobrecem"},"content":{"rendered":"<p>2006 &#8211; Ano Internacional dos Desertos e da Desertifica\u00e7\u00e3o <!--more--> As Na\u00e7\u00f5es Unidas declararam 2006 como o Ano Internacional dos Desertos e da Desertifica\u00e7\u00e3o. O fen\u00f3meno, que afecta anualmente mais de mil milh\u00f5es de seres humanos, \u00e9 \u00abuma das formas mais alarmantes de degrada\u00e7\u00e3o do ambiente\u00bb. E, tamb\u00e9m, um factor de pobreza.  O termo \u00abdesertifica\u00e7\u00e3o\u00bb come\u00e7ou a ser utilizado no final da d\u00e9cada de 40 para caracterizar as \u00e1reas que estavam a ficar semelhantes aos desertos. Durante muito tempo discutiu-se se tal se devia apenas a processos naturais ou tamb\u00e9m \u00e0 ac\u00e7\u00e3o do homem, discuss\u00e3o esta que est\u00e1 longe de ser meramente acad\u00e9mica, pois pode influenciar a defini\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas que afectam a vida de todos os habitantes da Terra.  Finalmente, o conceito foi negociado durante a Confer\u00eancia do Rio, em 1992, e, hoje, a defini\u00e7\u00e3o dada pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas engloba as duas causas essenciais do fen\u00f3meno: desertifica\u00e7\u00e3o \u00e9 \u00aba degrada\u00e7\u00e3o da terra das zonas \u00e1ridas, semi\u00e1ridas e sub-h\u00famidas secas, resultante de factores diversos, como as varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e as actividades humanas\u00bb. Hoje em dia, calcula-se que 1000 milh\u00f5es de pessoas \u2013 um sexto da popula\u00e7\u00e3o mundial \u2013 estejam amea\u00e7adas pela desertifica\u00e7\u00e3o em todo o planeta. E a Terra corre o risco de ver 41 por cento da sua superf\u00edcie transformada em deserto. A desertifica\u00e7\u00e3o ocorre especialmente nas terras secas, onde o solo \u00e9 particularmente fr\u00e1gil, a precipita\u00e7\u00e3o \u00e9 nula ou escassa e o clima severo. Calcula-se que 3600 milh\u00f5es dos 5200 milh\u00f5es de hectares de terra \u00e1rida utiliz\u00e1vel para agricultura t\u00eam vindo a sofrer a eros\u00e3o e degrada\u00e7\u00e3o dos solos, obrigando as popula\u00e7\u00f5es a migrar para as cidades em busca da sua subsist\u00eancia, com o impacto econ\u00f3mico e humano que isso inevitavelmente representa. As altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas podem desencadear processos de desertifica\u00e7\u00e3o, mas muitas vezes a causa pr\u00f3xima \u00e9 a actividade humana: cultivos excessivos esgotam os solos, a desfloresta\u00e7\u00e3o elimina \u00e1rvores que ajudariam a fixar os solos, o pastoreio em excesso priva a terras do coberto vegetal. Ao mesmo tempo, a desertifica\u00e7\u00e3o cria condi\u00e7\u00f5es que facilitam os inc\u00eandios e os ventos fortes: as poeiras transportadas pelos ventos a partir do deserto atingem a Europa e mesmo os Estados Unidos; ultimamente, os Cabo-Verdianos j\u00e1 se habituaram a ver o seu arquip\u00e9lago atingido pelas areias do Sara.  <b>Mais fome e mais pobreza<\/b> Os efeitos da desertifica\u00e7\u00e3o s\u00e3o bem conhecidos: perda de vegeta\u00e7\u00e3o, a eros\u00e3o provocada pelos ventos ou pelos rios, o empobrecimento dos solos, a descida da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e alimentar, a perda da biodiversidade, as cat\u00e1strofes relacionadas com o clima, incluindo os riscos para a sa\u00fade provocados pelas movimenta\u00e7\u00f5es de poeiras, o problema dos refugiados ecol\u00f3gicos, a perda de fontes de receita e at\u00e9 mesmo a ruptura das estruturas sociais. O empobrecimento dos solos provoca perdas de fertilidade que, em alguns casos, chegam aos 50 por cento. Isso contribui para agravar a inseguran\u00e7a alimentar, a fome e a pobreza \u2013 o que, por sua vez, gera tens\u00f5es sociais, econ\u00f3micas e pol\u00edticas. De acordo com estimativas recentes, dos 1000 milh\u00f5es de seres humanos afectados pela desertifica\u00e7\u00e3o, 135 milh\u00f5es poder\u00e3o ver-se obrigados a abandonar as suas terras para encontrar novos meios de subsist\u00eancia. Ao contr\u00e1rio do que se possa pensar, a desertifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas um problema dos pa\u00edses do Sul. E, ainda que o fosse, os seus efeitos transcendem largamente as suas fronteiras. Calcula-se que 100 milh\u00f5es de toneladas de poeiras oriundas dos desertos de \u00c1frica s\u00e3o transportadas anualmente pelos ventos, atrav\u00e9s do Atl\u00e2ntico, em direc\u00e7\u00e3o a ocidente, com todos os efeitos que isso poder\u00e1 ter na sa\u00fade daqueles que as inalam. Ainda recentemente, o director do Departamento de Economia de uma universidade madrilena, Carlos San Juan, afirmava que o Sara \u00abatravessou\u00bb o estreito de Gibraltar e estava a provocar uma crescente desertifica\u00e7\u00e3o em zonas de Espanha, de Portugal e de It\u00e1lia, fen\u00f3meno que no futuro poder\u00e1 vir a alastrar \u00e0 Gr\u00e9cia e outras \u00e1reas do Mediterr\u00e2neo.  <b>Desfloresta\u00e7\u00e3o compensada<\/b> Num relat\u00f3rio recente, a Organiza\u00e7\u00e3o para a Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO) alertava que a desfloresta\u00e7\u00e3o continua a um ritmo alarmante \u2013 perdem-se anualmente 13 milh\u00f5es de hectares de floresta \u2013 mas que, ainda assim, a perda l\u00edquida de floresta est\u00e1 a abrandar devido a novas planta\u00e7\u00f5es e \u00e0 expans\u00e3o das florestas existentes. Entre 2000 e 2005, a perda l\u00edquida de floresta foi de 7,3 milh\u00f5es de hectares por ano, menos do que os 8,9 milh\u00f5es de hectares perdidos entre 1990 e 2000. Ou seja, anualmente desaparecem 0,18 por cento das florestas mundiais. Num estudo intitulado \u00abAvalia\u00e7\u00e3o dos Recursos Florestais Globais 2005\u00bb, que abrangeu 229 pa\u00edses e territ\u00f3rios e foi realizado entre 1990 e 2005, a FAO p\u00f4de concluir que as florestas cobrem actualmente 4000 milh\u00f5es de hectares (ou 30 por cento por cento) da superf\u00edcie da Terra, mas que somente dez pa\u00edses possuem dois ter\u00e7os daquele total: Austr\u00e1lia, Brasil, Canad\u00e1, China, Estados Unidos, Federa\u00e7\u00e3o Russa, \u00cdndia, Indon\u00e9sia, Peru e Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. A Am\u00e9rica do Sul foi a regi\u00e3o que sofreu a maior perda de florestas nos \u00faltimos cinco anos: cerca de 4,3 milh\u00f5es de hectares por ano. Em segundo lugar est\u00e1 o continente africano, que perdeu 4,0 milh\u00f5es de hectares anualmente. J\u00e1 na Europa, as \u00e1reas florestais continuaram a expandir-se, embora a um ritmo mais lento do que na d\u00e9cada de 90, enquanto a \u00c1sia passou de uma perda de 800 mil hectares anuais na d\u00e9cada de 90 para um ganho de um milh\u00e3o de hectares por ano entre 2000 e 2005, principalmente resultante do esfor\u00e7o de floresta\u00e7\u00e3o feito pela China, onde as zonas des\u00e9rticas representavam h\u00e1 poucos anos quase 30 por cento da superf\u00edcie do pa\u00eds. Segundo o mesmo documento, novas florestas e \u00e1rvores est\u00e3o a ser plantadas a um ritmo cada vez maior, mais ainda assim as planta\u00e7\u00f5es n\u00e3o representam mais de cinco por cento de toda a \u00e1rea florestal do planeta. As conclus\u00f5es deste relat\u00f3rio foram enviadas pela FAO aos governos nacionais e especialistas em avalia\u00e7\u00e3o de recursos naturais, pois elas permitem \u00abfundamentar a tomada de decis\u00f5es em mat\u00e9ria de pol\u00edtica, programas e estudos sobre floresta\u00e7\u00e3o e desenvolvimento sustent\u00e1vel, tanto a n\u00edvel local, como nacional e internacional\u00bb, segundo frisou Mette L\u00f8yche Wilkie, a coordenadora do estudo. Na Confer\u00eancia da ONU sobre Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas, que decorreu em Montreal, a FAO salientou que a desfloresta\u00e7\u00e3o representa o envio para a atmosfera de 2000 milh\u00f5es de toneladas de di\u00f3xido de carbono, ou seja, um quarto do total das emiss\u00f5es deste g\u00e1s, um dos que produzem o efeito de estufa, e disponibilizou-se para fornecer aos pa\u00edses dados e op\u00e7\u00f5es de incentivos econ\u00f3micos para reduzir as perdas de florestas nos pa\u00edses em desenvolvimento. A FAO tem desempenhado um papel importante na implementa\u00e7\u00e3o da \u00abConven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Combater a Desertifica\u00e7\u00e3o nos Pa\u00edses que Sofrem Seca Grave e\/ou Desertifica\u00e7\u00e3o, Especialmente em \u00c1frica\u00bb, aprovada em 1994 e que entrou em vigor em Dezembro de 1996. Os projectos da FAO no terreno abrangem, designadamente, o controlo da eros\u00e3o, a melhoria do fornecimento de \u00e1gua, a gest\u00e3o de florestas e pastagens, a seguran\u00e7a alimentar e o desenvolvimento rural.  <b>Perdas astron\u00f3micas<\/b> Na mensagem que dirigiu por ocasi\u00e3o do Dia Mundial do Combate \u00e0 Desertifica\u00e7\u00e3o, em Junho passado, o secret\u00e1rio-geral da ONU, Kofi Annan, classificou a desertifica\u00e7\u00e3o como \u00abuma das formas mais alarmantes de degrada\u00e7\u00e3o do ambiente\u00bb. Al\u00e9m de amea\u00e7ar a sa\u00fade e os meios de subsist\u00eancia de uma parte consider\u00e1vel da Humanidade, causa, juntamente com a seca, \u00abuma perda da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola da ordem dos 42 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares\u00bb. Foi neste contexto que as Na\u00e7\u00f5es Unidas decidiram proclamar 2006 como o Ano Internacional dos Desertos e da Desertifica\u00e7\u00e3o, como uma oportunidade para dar maior visibilidade a esta quest\u00e3o no \u00e2mbito da agenda ambiental. Todos os pa\u00edses e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil foram incentivados a desenvolver iniciativas com vista a assinalar o ano. Do que j\u00e1 est\u00e1 programado, pode-se destacar, por exemplo, confer\u00eancias sobre \u00abJuventude e Desertifica\u00e7\u00e3o\u00bb, agendada para Bamako (Mali), sobre \u00abMulheres e Desertifica\u00e7\u00e3o\u00bb (em Pequim), \u00abDesertifica\u00e7\u00e3o e Emigra\u00e7\u00e3o\u00bb (Almeria, Espanha) ou \u00abPobreza, Fome e Desertifica\u00e7\u00e3o\u00bb (em Genebra). A culminar o Ano Internacional, a Arg\u00e9lia ser\u00e1 o pa\u00eds anfitri\u00e3o de uma cimeira de Chefes de Estado sobre \u00abDesertifica\u00e7\u00e3o, Migra\u00e7\u00e3o e Seguran\u00e7a\u00bb.   <I>Ana Gl\u00f3ria Lucas, Jornalista \u2013 in \u201cAl\u00e9m-Mar\u201d, Janeiro 2006<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>2006 &#8211; Ano Internacional dos Desertos e da Desertifica\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[101,104,122,191,203,232,261,266,291,316],"class_list":["post-15745","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano","tag-africa","tag-america","tag-brasil","tag-economia","tag-europa","tag-incendios","tag-missoes","tag-nacoes-unidas","tag-refugiados","tag-terco"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15745","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15745"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15745\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15745"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15745"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15745"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}