{"id":157419,"date":"2019-12-27T07:00:14","date_gmt":"2019-12-27T07:00:14","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=157419"},"modified":"2019-12-26T23:17:28","modified_gmt":"2019-12-26T23:17:28","slug":"priscos-um-presepio-ao-vivo-que-devolve-a-reclusos-o-sonho-de-viver","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/priscos-um-presepio-ao-vivo-que-devolve-a-reclusos-o-sonho-de-viver\/","title":{"rendered":"Priscos: Um Pres\u00e9pio ao vivo que devolve a reclusos o \u00absonho de viver\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><em>Projeto \u2018Mais Natal Priscos\u2019 d\u00e1 trabalho a presos h\u00e1 cinco anos no maior Pres\u00e9pio ao vivo da Europa, que nasceu em 2006.<\/em><\/p>\n<p><em><!--more--><\/em><em>Um projeto que que vive o Natal com pessoas e causas e aposta na reinser\u00e7\u00e3o social de quem cometeu um crime e se prepara para regressar \u00e0 liberdade. Dois \u201csonhos\u201d que movem o padre Jo\u00e3o Torres, p\u00e1roco de Priscos e coordenador da assist\u00eancia aos Estabelecimentos Prisionais de Braga e Guimar\u00e3es<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_157375\" aria-describedby=\"caption-attachment-157375\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/joao_torres1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-157375 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/joao_torres1.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/joao_torres1.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/joao_torres1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/joao_torres1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/joao_torres1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/joao_torres1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/joao_torres1-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/joao_torres1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/joao_torres1-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-157375\" class=\"wp-caption-text\">Foto Paulo Teixeira, padre Jo\u00e3o Torres<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Paulo Rocha (Ag\u00eancia ECCLESIA)<\/em><\/p>\n<p><em>800 participantes, num espa\u00e7o com 30 000 m2, 90 cen\u00e1rios com refer\u00eancia \u00e0s culturas eg\u00edpcia, judaica, romana, ass\u00edria, grega e babil\u00f3nica e, desde h\u00e1 cinco anos, com reclusos a trabalhar na constru\u00e7\u00e3o do maior Pres\u00e9pio ao vivo da Europa. Que avalia\u00e7\u00e3o faz desta iniciativa?<\/em><\/p>\n<p>A ambi\u00e7\u00e3o de cada uma das edi\u00e7\u00f5es do Pres\u00e9pio n\u00e3o \u00e9 ter mais figurantes, participantes ou visitantes. Dizer que somos os maior Pres\u00e9pio ao vivo da Europa n\u00e3o \u00e9 o nosso objetivo, antes proporcionar um encontro entre pessoas, que sejam capazes de adotar o estilo de Jesus. Vamos at\u00e9 \u00e0 gruta de Bel\u00e9m e a\u00ed cada um bebe a \u00e1gua que quiser beber, os cheiros, os rostos&#8230;<\/p>\n<p>Hoje em dia um pai tem muita dificuldade em dizer a um filho o que \u00e9 o Natal. E n\u00f3s queremos dar uma resposta a esses pais com pessoas. E quem nos visita pode sentir isso, com as pessoas volunt\u00e1rias, entre 600 a 800 figurantes, muita gente, gente que \u00e9 crente e n\u00e3o \u00e9 crente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E tem dificuldade no recrutamento, sobretudo em meio prisional?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s temos 14 mil e muitos reclusos em Portugal. E qualquer recluso que lhe seja proposto este projeto, n\u00e3o olha para tr\u00e1s. Estamos a falar de liberdade entre as 8h30 e as 17h00, de um ambiente que tentamos que seja o m\u00e1ximo familiar poss\u00edvel (eles n\u00e3o est\u00e3o num \u201cjardim zool\u00f3gico\u201d), fazem todo tipo de trabalhos, aprendem um of\u00edcio e s\u00e3o remunerados. N\u00f3s n\u00e3o temos escravos: temos pessoas que cometeram um crime, est\u00e3o a pagar por um crime que cometeram, mas s\u00e3o pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Um Pres\u00e9pio que ajuda na reinser\u00e7\u00e3o dos reclusos<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>A ideia de incluir os reclusos neste grande projeto partiu da sua experi\u00eancia na Pastoral Penitenci\u00e1ria, em Braga. Como avalia a reinser\u00e7\u00e3o de reclusos em Portugal?<\/em><\/p>\n<p>Para avaliarmos, t\u00ednhamos de ter um trabalho minimamente s\u00e9rio. E n\u00e3o temos um trabalho s\u00e9rio nessa mat\u00e9ria em Portugal. Cometeu-se um erro grave, que ningu\u00e9m o avalia, que foi juntar os servi\u00e7os prisionais \u00e0 reinser\u00e7\u00e3o social. Eles estavam divididos.<\/p>\n<p>Falar mal por falar, n\u00e3o ser\u00e1 o caminho. Mas a reinser\u00e7\u00e3o social em Portugal tem de ter mais meios, mais pessoas, mais financiamento. Acredito que um t\u00e9cnico de reinser\u00e7\u00e3o social que tenha 100, 200 ou 300 reclusos para acompanhar, n\u00e3o vai fazer um trabalho minimamente s\u00e9rio (com isto n\u00e3o quero dizer que aquelas pessoas n\u00e3o d\u00e3o, todos os dias, o melhor de si).<\/p>\n<p>Um exemplo: num estabelecimento prisional do nosso pa\u00eds, h\u00e1 um recluso com uma sa\u00edda prec\u00e1ria no Natal e \u00e9 uma dificuldade enorme saber onde ele vai ficar. Depois de cumprir determinados anos de pena, ele tem o direito de sair numa sa\u00edda jurisdicional, geralmente chamada sa\u00edda prec\u00e1ria, e, n\u00e3o tendo fam\u00edlia, algu\u00e9m, uma institui\u00e7\u00e3o, deveria ajud\u00e1-lo. Neste caso \u00e9 a Pastoral Penitenci\u00e1ria de Braga que lhe vai proporcionar uma estadia num Hotel e vai ter acompanhamento de amigos, dos amigos que estiveram dentro da pris\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sen\u00e3o teria de ir para a rua?<\/em><\/p>\n<p>Sim&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Com maior possibilidade de reincidir&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Claro&#8230; Ou ficaria numa pens\u00e3o com pessoas problem\u00e1ticas e obviamente que a reincid\u00eancia \u00e9 muito maior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 por isso que a taxa de reincid\u00eancia em Portugal \u00e9 das maiores da Europa?<\/em><\/p>\n<p>Sim! Porque n\u00f3s, em Portugal, n\u00e3o temos uma pol\u00edtica de recupera\u00e7\u00e3o de pessoas: Os senhores ju\u00edzes determinam que algu\u00e9m deve ser detido, durante \u2018x\u2019 tempo, a pessoa est\u00e1 detida, mas depois onde est\u00e1 o plano pessoal de reinser\u00e7\u00e3o social de cada recluso?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u201cMuitos reclusos s\u00e3o tratados como se fossem lixo\u201d<\/strong><\/p>\n<p><em>Recentemente, o presidente da Obra Vicentina de Aux\u00edlio aos Reclusos denunciou numa entrevista \u00e0 Renascen\u00e7a o que chamou de \u201cascens\u00e3o no sistema penal da via punitiva\u201d. Estamos a voltar a essa via punitiva?<\/em><\/p>\n<p>Acho que sim! Vou dizer uma coisa que n\u00e3o \u00e9 muito simp\u00e1tica de se ouvir: muitos reclusos, em Portugal, s\u00e3o tratados como se fossem lixo. E em Portugal j\u00e1 temos um tratamento especial para o lixo. N\u00e3o temos \u00e9 um tratamento especial para aquelas pessoas: elas cometeram um crime e est\u00e3o a pagar por ele, mas v\u00e3o voltar \u00e0 rua. E em que condi\u00e7\u00f5es? Se voltarem ao mesmo bairro onde praticavam crimes, \u00e0 mesma rua, quem vai pagar s\u00e3o os cidad\u00e3os!<\/p>\n<p>Com este projeto, n\u00e3o estarmos s\u00f3 a ajudar estas pessoas a ter um caminho de vida diferente, a ter h\u00e1bitos de trabalho, a poder sonhar com a sua pr\u00f3pria dignidade humana, sabendo que s\u00e3o pessoas e tem de lutar pelos seus sonhos e por um contributo diferente \u00e0 sociedade; mas, ao mesmo tempo, estamos a lutar para que estas pessoas n\u00e3o voltem a cometer um crime. E, neste caso, estamos a pensar nas v\u00edtimas! Quando recuperamos reclusos n\u00e3o estamos s\u00f3 a pensar nos reclusos, mas em poss\u00edveis v\u00edtimas futuras. Claro que tamb\u00e9m estou muito preocupado com as pessoas que j\u00e1 foram v\u00edtimas, as que mataram ou roubaram. Mas tenho de fazer de tudo para que esta pessoa n\u00e3o volte a provocar mais v\u00edtimas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Portugal \u00e9 o pa\u00eds da Uni\u00e3o Europeia com maior tempo m\u00e9dio de cumprimento de penas: em Portugal, um recluso cumpre em m\u00e9dia 32 meses de pris\u00e3o; na Uni\u00e3o Europeia s\u00e3o, em m\u00e9dia 8 meses. O que \u00e9 que isto diz do nosso sistema prisional e da aposta, ou n\u00e3o aposta, na reinser\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m era importante juntar a esse dado o dos reclusos que est\u00e3o detidos e t\u00eam meios para ter uma verdadeira defesa nos tribunais&#8230; A maior parte dos reclusos no nosso pa\u00eds \u00e9 gente pobre, que n\u00e3o pode recorrer&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A justi\u00e7a \u00e9 para ricos em Portugal?<\/em><\/p>\n<p>A justi\u00e7a a s\u00e9rio, nosso pa\u00eds, \u00e9 para gente que tem meios financeiros, que tem bons escrit\u00f3rios de advogados.<\/p>\n<p>De resto, estamos a falar de reclusos que v\u00e3o a tribunal e conhecem o seu advogado 30 minutos antes do julgamento. Como \u00e9 que algu\u00e9m pode ter, assim, uma verdadeira defesa? E n\u00e3o estou a falar mal dos advogados. At\u00e9 porque esses advogados n\u00e3o recebem o que lhes \u00e9 devido e, quando recebem, recebem muito tarde e ainda t\u00eam de pagar impostos sobre isso. As pessoas que defendem estes reclusos, nomeadamente os senhores advogados, t\u00eam de viver. Se t\u00eam um cliente que tem mais meios financeiros v\u00e3o defender mais depressa esse cliente de um potencial cliente que n\u00e3o tem onde cair na pr\u00f3pria vida! Por isso \u00e9 que est\u00e1 preso&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sendo Portugal um pa\u00eds seguro, n\u00e3o \u00e9 paradoxal este largo tempo m\u00e9dio de pris\u00e3o efetiva? Porque \u00e9 que \u00e9 necess\u00e1rio manter tanta gente presa durante tanto tempo?<\/em><\/p>\n<p>Se n\u00e3o temos pol\u00edticas de verdadeira reinser\u00e7\u00e3o social, se os senhores ju\u00edzes n\u00e3o t\u00eam outras alternativas para al\u00e9m da pris\u00e3o, s\u00f3 os podem deter numa pris\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 um modo de esquecer algumas pessoas?<\/em><\/p>\n<p>Sim&#8230; At\u00e9 ver! Depois vai ter de sair.<\/p>\n<p>Quando h\u00e1 uma sa\u00edda em liberdade condicional, fazem-se estudos e relat\u00f3rios, que n\u00e3o s\u00e3o verdadeiros, muitas vezes. Porque estamos a falar de um t\u00e9cnico que tem 200, 300 reclusos e como pode fazer um trabalho minimamente s\u00e9rio? N\u00e3o pode! E isto n\u00e3o \u00e9 demagogia!<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o estou aqui s\u00f3 a falar mal. Estas pessoas que trabalham nas pris\u00f5es na reinser\u00e7\u00e3o social certamente d\u00e3o o seu melhor, mas n\u00e3o chega. Nem sequer um carro t\u00eam! Como \u00e9 que posso visitar a fam\u00edlia de um recluso para ver se ele tem condi\u00e7\u00f5es para regressar a casa e se s\u00f3 posso fazer um telefonema, se n\u00e3o posso ir l\u00e1 ao local, se n\u00e3o tenho tempo sequer para l\u00e1 ir?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O subcomit\u00e9 das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a preven\u00e7\u00e3o da tortura recomendou a Portugal, no ano passado, que mude o foco do seu sistema penitenci\u00e1rio, substituindo o encarceramento pela reabilita\u00e7\u00e3o dos reclusos&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Sim!<\/p>\n<p>Os reclusos que temos no Pres\u00e9pio ao Vido de Priscos s\u00e3o uma realidade concreta que tem cinco anos. J\u00e1 podemos avaliar este projeto. J\u00e1 passaram por l\u00e1 cerca de 40 reclusos. E quando alguns deles me v\u00e3o visitar, eu n\u00e3o os reconhe\u00e7o: v\u00eam com fam\u00edlia, j\u00e1 realizei at\u00e9 alguns batizados de filhos deles e v\u00eam completamente mudados, com um sorriso no rosto e outra capacidade de sonhar a vida. Cometeram um crime, pagaram por ele, mas t\u00eam todo o direito de voltar \u00e0 sociedade e voltar a sonhar.<\/p>\n<p>N\u00f3s n\u00e3o podemos ter estabelecimentos prisionais em Portugal sem perspetiva de sonho, nenhum!<\/p>\n<p>Em Braga, quando se pergunta um recluso \u201co que \u00e9 que tu esperas nos pr\u00f3ximos tempos?\u201d, eu fico muito feliz quando ele diz \u201ceu espero chegar a Priscos\u201d. Deveria haver mais estabelecimentos, em Portugal, onde o recluso dissesse \u201ceu quero chegar \u00e0quele patamar\u201d, que significa liberdade, mas tamb\u00e9m responsabilidade (porque as pessoas s\u00f3 v\u00e3o para Priscos depois de passar v\u00e1rias fases).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>A Noite de Natal \u00e9 quando existe mais sil\u00eancio na pris\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Como \u00e9 a viv\u00eancia do Natal no ambiente prisional, nomeadamente em Braga?<\/em><\/p>\n<p>Faz-se o poss\u00edvel&#8230;<\/p>\n<p>Eu nunca desejo a nenhum recluso \u2018Feliz Natal\u2019. Porque n\u00e3o \u00e9 feliz Natal: est\u00e3o longe da fam\u00edlia, num ambiente que \u00e9 frio. O dia em que mais sil\u00eancio existe na pris\u00e3o, na de Braga e certamente nas outras, \u00e9 quando fecham as celas \u00e0s sete da noite, no dia 24 de dezembro, na noite de consoada.<\/p>\n<p>Eu lembro-me de,\u00a0 num ano, ter dito a um recluso \u201cfeliz Natal e para o ano certamente j\u00e1 est\u00e1s l\u00e1 fora e algu\u00e9m h\u00e1 de estar \u00e0 tua espera\u201d. E ele respondeu-me: \u201cn\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m \u00e0 espera de mim\u201d.<\/p>\n<p>Isto deixou-me muito triste e muitas vezes penso nisto. N\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m \u00e0 espera das pessoas que cometeram crimes e ficam sozinhas. E com isto n\u00e3o quero dizer que temos de olhar para eles como coitadinhos! Mas \u00e9 horr\u00edvel n\u00e3o termos ningu\u00e9m que espere por n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O projeto \u201cum postal, uma esperan\u00e7a\u201d, em que os jovens s\u00e3o convidados a escrever aos reclusos, \u00e9 mais um passo nessa busca de reinser\u00e7\u00e3o, de conforto e de humaniza\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Este projeto existe h\u00e1 cerca de 5 anos e fiquei encantado quando os reclusos liam os postais uns dos outros. Depois de fecharem as celas, cada um tem o seu postal ou a sua carta, mas depois liam os postais dos outros. E, pelo menos durante alguns minutos, eles sentem que \u00e9 Natal e esquecem-se que est\u00e3o presos. E \u00e9 algu\u00e9m que escreve e, para escrever, tem de se sentir recluso. Aconselhamos as pessoas que n\u00e3o digam frases banais, mas possam dar uma palavra de conforto, de esperan\u00e7a, porque o Natal \u00e9 isso mesmo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O projeto do Pres\u00e9pio ao vivo de Priscos<\/strong><\/p>\n<p><em>Que transforma\u00e7\u00e3o aconteceu em Priscos, nas pessoas, com este Pres\u00e9pio ao Vivo? Passou a ser o centro destes dias de Natal, n\u00e3o s\u00f3 nas redondezas, mas em Portugal inteiro?<\/em><\/p>\n<p>Sim. Acho que tentamos dar um mote diferente. N\u00e3o estamos a falar do Natal como folclore, coreografias publicit\u00e1rias, aparatos de luzes, presentes ou ritos comerciais. Estamos a falar do Natal para o qual o Papa Francisco alertou, na \u00faltima carta que escreveu: o Natal \u00e9 a figura do Menino Jesus, de um S\u00e3o Jos\u00e9 humilde e de uma m\u00e3e fant\u00e1stica, Maria, cheia de surpresas interiores, porque Deus lhe deu um presente e ela ainda est\u00e1 a descobrir qual \u00e9, aquele Menino pequenino.<\/p>\n<p>Quem nos visita, sente isso, que o Natal \u00e9 uma grande maravilha cheia de pessoas e de causas. E, ao longo de muitos anos, vamos tamb\u00e9m juntando-nos a causas: fizemos um po\u00e7o de \u00e1gua em Mo\u00e7ambique; com o Pres\u00e9pio ao vivo de Priscos organiz\u00e1mos a aldeia das religi\u00f5es, em 2012, com 32 l\u00edderes de confiss\u00f5es religiosas muito diferentes; o ano passado convid\u00e1mos Rui Rosinha, um bombeiro, para alertar para essas pessoas que d\u00e3o todos os dias o seu melhor, n\u00e3o s\u00f3 no ver\u00e3o, nos inc\u00eandios; e este ano temos uma fam\u00edlia de refugiados. Este ano constru\u00edmos uma ponte romana, feita de pedra, que \u00e9 como uma onda: toca quase no senado, que representa o poder pol\u00edtico, para alertar o poder pol\u00edtico, n\u00e3o s\u00f3 da Europa, mas do mundo, para a necessidade de construir pontes e derrubar muros. E parece que, cada vez mais, temos gente muito preocupada em construir muros<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como \u00e9 desenvolver a log\u00edstica que envolve cerca de 800 participantes? Tem uma equipa a trabalhar consigo?<\/em><\/p>\n<p>Sim, uma equipa enorme. Eu sou s\u00f3 um comandante do navio. Quem o constr\u00f3i s\u00e3o os reclusos e o povo de Priscos. Mas quem faz o navio navegar \u00e9 o povo de Priscos: quando pegamos nas pessoas e lhes damos algo que tenha mesmo valor, e Jesus continua a ter valor hoje, quando as pessoas abra\u00e7am esse projeto nascem coisas fant\u00e1sticas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Que liga\u00e7\u00e3o existe entre o Pres\u00e9pio ao vivo de Priscos e o Vaticano?<\/em><\/p>\n<p>J\u00e1 tivemos uma mensagem do Papa Em\u00e9rito Bento XVI, uma visita especial do cardeal Baldisseri, enviado pelo Papa Francisco, com uma mensagem&#8230; Somos t\u00e3o pequeninos, mas o Vaticano e o Papa olha para n\u00f3s e deve sorrir. Acredito que ele tem conhecimento deste Pres\u00e9pio, que faz Natal durante todo o ano. Faz nascer gente! E esse \u00e9 o nosso objetivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Priscos \u00e9 conhecido pelo seu pudim e agora tem mais visibilidade com o Pres\u00e9pio ao vivo. J\u00e1 est\u00e1 a pensar no do pr\u00f3ximo ano?<\/em><\/p>\n<p>J\u00e1. Como o mundo parece que vai estar em guerra, para o pr\u00f3ximo ano vamos construir um acampamento militar para as pessoas verem quanto dinheiro se gasta na guerra e quanto pouco dinheiro se gasta a construir a paz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Projeto \u2018Mais Natal Priscos\u2019 d\u00e1 trabalho a presos h\u00e1 cinco anos no maior Pres\u00e9pio ao vivo da Europa, que nasceu em 2006.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":157376,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[630],"tags":[682,172,267],"class_list":["post-157419","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-natal-2019","tag-diocese-de-braga","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/157419","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=157419"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/157419\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/157376"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=157419"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=157419"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=157419"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}