{"id":15723,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/entre-o-natal-e-as-raizes-da-lusitania\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"entre-o-natal-e-as-raizes-da-lusitania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/entre-o-natal-e-as-raizes-da-lusitania\/","title":{"rendered":"Entre o Natal e as ra\u00edzes da Lusit\u00e2nia"},"content":{"rendered":"<p>Em 2006, celebra-se o centen\u00e1rio do nascimento de Fernando Lopes Gra\u00e7a e o Coro Voces Caelestes interpreta a \u00abPrimeira Cantata do Natal\u00bb deste compositor portugu\u00eas conhecido al\u00e9m fronteiras. A Ag\u00eancia ECCLESIA entrevistou o maestro do coro, S\u00e9rgio Font\u00e3o <!--more--> Ag\u00eancia ECCLESIA (AE) \u2013 Como surgiu a ideia de o coro Voces Caelestes interpretar a \u00abPrimeira Cantata do Natal\u00bb do maestro Fernando Lopes Gra\u00e7a? S\u00e9rgio Font\u00e3o (SF) \u2013 Fernando Lopes Gra\u00e7a \u00e9 uma figura important\u00edssima da cultura portuguesa do s\u00e9culo XX. E entre as muitas actividades que teve, recolheu \u2013 durante v\u00e1rios anos \u2013 m\u00fasica tradicional portuguesa. Uma boa parte da obra de Fernando Lopes Gra\u00e7a tem uma influ\u00eancia muito grande da m\u00fasica recolhida ao longo dos anos. H\u00e1 pe\u00e7as instrumentais deste compositor que acusam essa influ\u00eancia. No caso da m\u00fasica coral, Fernando Lopes Gra\u00e7a produziu um n\u00famero elevad\u00edssimo de obras com base nessas recolhas que efectuou.  Neste ano \u2013 comemora-se o centen\u00e1rio do nascimento de Fernando Lopes Gra\u00e7a &#8211; \u00e9 fundamental que a obra deste compositor seja ouvida e cantada. \u00c9 uma forma de homenagearmos um grande compositor portugu\u00eas.  AE \u2013 \u00abA Primeira Cantata do Natal\u00bb est\u00e1 inclu\u00edda nesse grupo? SF \u2013 S\u00e3o 19 can\u00e7\u00f5es tradicionais portuguesas alusivas ao Natal, Janeiras e Reis que Lopes Gra\u00e7a recolheu e depois harmonizou para coro \u00e0 capela (sem acompanhamento instrumental).   AE \u2013 Destes 19 cantos existe algum que sobressai ao ouvido? SF \u2013 Cada um deles tem a sua especificidade e import\u00e2ncia. \u00c9 uma m\u00fasica que est\u00e1 muito pr\u00f3xima das pessoas, n\u00e3o direi da gera\u00e7\u00e3o mais recente, mas da gera\u00e7\u00e3o anterior. Este patrim\u00f3nio da can\u00e7\u00e3o tradicional \u2013 com a altera\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida e a crescente urbaniza\u00e7\u00e3o da sociedade \u2013 ficou um pouco perdido no tempo. Para as gera\u00e7\u00f5es mais antigas \u00e9 uma oportunidade de recordar algumas can\u00e7\u00f5es conhecidas.  <b>M\u00e3os de g\u00e9nio na composi\u00e7\u00e3o<\/b> AE \u2013 Can\u00e7\u00f5es tratadas pela m\u00e3o deste g\u00e9nio&#8230; SF \u2013 \u00c9 verdade. Lopes Gra\u00e7a valorizou o patrim\u00f3nio popular \u2013 j\u00e1 de si \u00e9 riqu\u00edssimo \u2013 mas ao trabalhar sobre esse material deu-lhe outro valor.  AE \u2013 Cantos dos quatro cantos do pa\u00eds, incluindo as ilhas? SF \u2013 N\u00e3o inclui cantos tradicionais das ilhas. H\u00e1 can\u00e7\u00f5es populares das Beiras, do Alentejo e Douro. Lopes Gra\u00e7a e as pessoas que o acompanharam, nomeadamente Michel Giacometti, &#8211; etnomusic\u00f3logo que trabalhou muitos anos em Portugal \u2013 fizeram grava\u00e7\u00f5es de pessoas a cantar no meio rural. Com base nessa recolha \u2013 bastante exaustiva \u2013 Lopes Gra\u00e7a construiu parte substancial da sua obra.   AE \u2013 Para al\u00e9m desta vertente tradicional, notamos tamb\u00e9m laivos de m\u00fasica de interven\u00e7\u00e3o. O \u00abRequiem pelas  v\u00edtimas do fascismo em Portugal\u00bb \u00e9 um exemplo? SF \u2013 A obra de Lopes Gra\u00e7a \u00e9 riqu\u00edssima a todos os n\u00edveis e com uma dimens\u00e3o enorme. Nesse conjunto temos obras muito distintas umas das outras. Nalgumas  inspirou-se na m\u00fasica tradicional mas noutras bebeu noutras \u00e1reas. Ele \u00e9 conhecido por ter uma interven\u00e7\u00e3o c\u00edvica bastante activa e participou nos debates que preocuparam os intelectuais portugueses da sua \u00e9poca.  <b>Um \u00abpresencista\u00bb pouco acarinhado<\/b> AE \u2013 Foi um \u00abpresencista\u00bb &#8211; desde a primeira hora? SF \u2013 \u00c9 uma das vertentes da sua vida esta perten\u00e7a ao grupo da Presen\u00e7a. Uma parte substancial da sua obra \u00e9 reveladora dessa necessidade e urg\u00eancia que ele tinha em intervir na sociedade.  Um homem bastante activo que sofreu com isso. A sua carreira poderia ter sido mais acarinhada se as circunst\u00e2ncias fossem outras. Lopes Gra\u00e7a acabou por ser proibido de dar aulas no ensino oficial e no particular, mais tarde. N\u00e3o chegou a usufruir de bolsas para estudar no estrangeiro. Teve dificuldades na vida que uma pessoa com o seu estatuto intelectual normalmente n\u00e3o teria.   AE \u2013 Um intelectual que subiu v\u00e1rias vezes ao p\u00f3dio para receber pr\u00e9mios? SF \u2013 Como grande compositor que foi &#8211; independentemente das dificuldades que encontrou \u2013 foi agraciado e recompensado pelo seu magn\u00edfico trabalho. Recebeu quatro pr\u00e9mios do C\u00edrculo de Cultura Musical e, em 1980, foi condecorado pelo Presidente da Rep\u00fablica. No estrangeiro tamb\u00e9m recebeu algumas condecora\u00e7\u00f5es.  AE \u2013 Um ano depois, em 1981, o governo h\u00fangaro convida-o para as comemora\u00e7\u00f5es do centen\u00e1rio do nascimento de B\u00e9la Bart\u00f3k? SF \u2013 \u00c0 semelhan\u00e7a de Lopes Gra\u00e7a,  B\u00e9la Bart\u00f3k foi um compositor que investigou e trabalhou sobre a m\u00fasica tradicional h\u00fangara. H\u00e1 um paralelismo entre o trabalho dos dois compositores.  O ser convidado pelo governo h\u00fangaro para esta ocasi\u00e3o demonstra o seu valor&#8230;  AE \u2013 Mesmo al\u00e9m \u2013 fronteiras? SF \u2013 Um valor reconhecido internacionalmente.    <b>Divulgador da m\u00fasica tradicional portuguesa<\/b> AE \u2013 Conhecido l\u00e1 fora com o telurismo portugu\u00eas. Fez mesmo uma composi\u00e7\u00e3o musical de um poema de Miguel Torga \u00abHist\u00f3ria Tr\u00e1gico \u2013 Mar\u00edtima\u00bb SF \u2013 Como homem culto teve sempre uma rela\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima com a literatura portuguesa. V\u00e1rias das suas obras foram constru\u00eddas com base em textos de escritores portugueses: Miguel Torga, Cam\u00f5es, Fernando Pessoa e Eug\u00e9nio de Andrade.  AE \u2013 Lopes Gra\u00e7a recorda as ra\u00edzes desta \u00abLusit\u00e2nia\u00bb SF \u2013 Sem d\u00favida. Trata-se de n\u00e3o esquecer a nossa mem\u00f3ria. \u00c9 uma oportunidade dourada de retomar o contacto com essa m\u00fasica valorizada por um compositor genial.  AE \u2013 Michel Giacometti foi o parceiro ideal das caminhadas hist\u00f3ricas? SF \u2013 Eles complementavam-se nessa recolha. Depois voltaram a alguns s\u00edtios e mostraram os arranjos musicais feitos por Lopes Gra\u00e7a.   <b>Manancial inesgot\u00e1vel<\/b> AE \u2013 Uma dupla que deixou saudades? SF \u2013 A m\u00fasica tradicional portuguesa merecia mais aten\u00e7\u00e3o. Temos alguns compositores que fizeram arranjos de m\u00fasicas populares mas n\u00e3o com a dimens\u00e3o da obra de  Lopes Gra\u00e7a. Este tipo de m\u00fasica \u00e9 um manancial inesgot\u00e1vel.  AE \u2013 Lopes Gra\u00e7a nasceu com a m\u00fasica no sangue? SF \u2013 Na sua adolesc\u00eancia, em Tomar, Lopes Gra\u00e7a acompanhava as sess\u00f5es de cinema ao Piano. Nessa \u00e9poca, Lopes Gra\u00e7a tocava arranjos feitos por si de obras de outros compositores, inclusivamente estrangeiros.   <b>Dados biogr\u00e1ficos de Fernando Lopes Gra\u00e7a<\/b> Fernando Lopes Gra\u00e7a foi um dos mais not\u00e1veis compositores e music\u00f3logos contempor\u00e2neos. Nasceu a 17 de Dezembro de 1906, em Tomar. Estudou em Coimbra, no Conservat\u00f3rio Nacional. As &#8220;Varia\u00e7\u00f5es Sobre um Tema Popular Portugu\u00eas&#8221;, para Piano s\u00e3o a sua primeira obra, datada de 1929. Membro da \u00abPresen\u00e7a\u00bb &#8211; Revista liter\u00e1ria fundada, dirigida e editada por Branquinho da Fonseca &#8211; desde a primeira hora colabora na revista at\u00e9 que em 1936 parte para Paris onde frequenta na Sorbonne a cadeira de Musicologia. Regressado a Portugal, em 1939, inicia um trabalho musical assente sobre elementos harm\u00f3nicos, mel\u00f3dicos e r\u00edtmicos do folclore portugu\u00eas. Em 1942 fundou uma organiza\u00e7\u00e3o de concertos de m\u00fasica moderna e em 1951 lan\u00e7ou a revista Gazeta Musical. Comp\u00f4s m\u00fasica dram\u00e1tica, orquestral, concertante, de c\u00e2mara, para piano, can\u00e7\u00f5es e coros, tendo obtido o Pr\u00e9mio de Composi\u00e7\u00e3o do C\u00edrculo de Cultura Musical em 1940, 1942, 1944 e 1952. Inspirou-se largamente na m\u00fasica folcl\u00f3rica portuguesa. A sua obra de maior envergadura \u00e9 o Requiem (para cinco solistas vocais, coro misto e grande orquestra), conclu\u00eddo em 1979 e estreado em Lisboa no ano de 1981. Cr\u00edtico e publicista, publicou diversas obras, entre as quais Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 M\u00fasica Moderna, 1942, Bases Te\u00f3ricas da M\u00fasica, 1944, Viana da Mota, 1949, e A Can\u00e7\u00e3o Popular Portuguesa, 1953.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2006, celebra-se o centen\u00e1rio do nascimento de Fernando Lopes Gra\u00e7a e o Coro Voces Caelestes interpreta a \u00abPrimeira Cantata do Natal\u00bb deste compositor portugu\u00eas conhecido al\u00e9m fronteiras. 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