{"id":15721,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/as-intuicoes-de-taize-e-o-futuro-da-igreja\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"as-intuicoes-de-taize-e-o-futuro-da-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/as-intuicoes-de-taize-e-o-futuro-da-igreja\/","title":{"rendered":"As intui\u00e7\u00f5es de Taiz\u00e9 e o futuro da Igreja"},"content":{"rendered":"<p>Depois do encontro europeu de jovens de Mil\u00e3o, o primeiro realizado ap\u00f3s a morte do irm\u00e3o Roger, \u00e9 poss\u00edvel perscrutar algo sobre o futuro da comunidade de Taiz\u00e9? Sem querer entrar em adivinha\u00e7\u00f5es, pode dizer-se que ali se vivem algumas intui\u00e7\u00f5es importantes do que deve ser o cristianismo do futuro. Pelo menos, se este quiser ser uma experi\u00eancia significativa para as pessoas.  Desde logo, a experi\u00eancia da ora\u00e7\u00e3o, uma das marcas exteriores mais importantes. Taiz\u00e9 \u00e9 mais do que um bonito modo de rezar (e s\u00f3 isto j\u00e1 \u00e9 muito importante, num tempo em que s\u00e3o necess\u00e1rias experi\u00eancias est\u00e9ticas da f\u00e9). O irm\u00e3o Roger escrevia que \u201ca ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o afasta das preocupa\u00e7\u00f5es do mundo\u201d e que \u201cnada h\u00e1 de mais respons\u00e1vel que a ora\u00e7\u00e3o\u201d. Quanto mais esta for \u201csimples e humilde, mais somos levados a amar e a expressar o amor atrav\u00e9s da nossa vida\u201d.  A ora\u00e7\u00e3o \u00e9, em Taiz\u00e9, um meio de levar cada um a mergulhar na experi\u00eancia humana mais profunda. Seja ela a pobreza, a mis\u00e9ria, a fome, o conflito, ou a proposta de um modelo de desenvolvimento mais humano e pac\u00edfico. Essa profunda rela\u00e7\u00e3o entre a ora\u00e7\u00e3o e o empenhamento traduz-se na f\u00f3rmula que a comunidade sintetiza com a bela express\u00e3o \u201cvida interior e solidariedade humana\u201d.  Esse modo de rezar tem tamb\u00e9m a ver com o modo simples com que a comunidade vive. E \u00e9 ele que permite atitudes como a confian\u00e7a, a esperan\u00e7a, a reconcilia\u00e7\u00e3o. Pela sua morte, em Agosto, \u00e0s m\u00e3os de uma mulher desequilibrada, \u201co irm\u00e3o Roger como que sublinhou a mensagem da sua vida que se tornou cada vez mais simples: confian\u00e7a, paz, reconcilia\u00e7\u00e3o\u201d, dizia o irm\u00e3o Alo\u00efs em entrevista ao \u201cP\u00fablico\u201d (26\/12\/05). \u201cA sua morte foi como uma confirma\u00e7\u00e3o da sua vida. Podemos dizer agora que a palavra \u2018confian\u00e7a\u2019 n\u00e3o era vazia ou f\u00e1cil. Atrav\u00e9s dessa palavra, o irm\u00e3o Roger queria dirigir a todos um convite a abrir-se. Ele disse muitas vezes que a f\u00e9 n\u00e3o estava reservada s\u00f3 a alguns: todos podem acolher o amor de Deus e assumir os riscos de o viver.\u201d Acolher, outro verbo essencial: em Taiz\u00e9, todos s\u00e3o recebidos sem que ningu\u00e9m pergunte se acredita, tem d\u00favidas ou n\u00e3o cr\u00ea. Mesmo assumindo intrinsecamente a sua identidade crist\u00e3 (ou melhor: por causa disso), Taiz\u00e9 sublinha, com esta atitude, a import\u00e2ncia da rela\u00e7\u00e3o humana fundamental e do mesmo acolhimento que Jesus fazia a todos.  O compromisso pela reconcilia\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os, paix\u00e3o fundamental \u201cinscrita na funda\u00e7\u00e3o\u201d de Taiz\u00e9, como tamb\u00e9m dizia o irm\u00e3o Alo\u00efs na citada entrevista, \u00e9 uma consequ\u00eancia natural desses modos de rezar e viver a ess\u00eancia da Igreja: uma comunidade para servir as pessoas e o mundo.  Universalidade, esperan\u00e7a solid\u00e1ria no olhar da realidade, acolhimento da diferen\u00e7a, confian\u00e7a e vida simples, op\u00e7\u00e3o pela reconcilia\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os assumindo o melhor de cada tradi\u00e7\u00e3o, para l\u00e1 de questi\u00fanculas hist\u00f3ricas e teol\u00f3gicas. S\u00e3o estes os elementos que fazem de Taiz\u00e9 um novo Assis, como um dia o Papa Jo\u00e3o XXIII ter\u00e1 caracterizado a comunidade.  O futuro do cristianismo, mesmo que a comunidade de Taiz\u00e9 um dia desapare\u00e7a, passar\u00e1 muito pelas intui\u00e7\u00f5es que o irm\u00e3o Roger ali foi criando e vivendo \u2013 primeiro sozinho, desde 1940, e logo a seguir com os irm\u00e3os que come\u00e7aram a aparecer. O grande m\u00edstico contempor\u00e2neo que o irm\u00e3o Roger foi (\u00e9) soube dar-nos o testemunho de quem perscrutou o sentido profundo da busca essencial de sentido. <i>Ant\u00f3nio Marujo, Jornalista do \u201cP\u00fablico\u201d<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois do encontro europeu de jovens de Mil\u00e3o, o primeiro realizado ap\u00f3s a morte do irm\u00e3o Roger, \u00e9 poss\u00edvel perscrutar algo sobre o futuro da comunidade de Taiz\u00e9? Sem querer entrar em adivinha\u00e7\u00f5es, pode dizer-se que ali se vivem algumas intui\u00e7\u00f5es importantes do que deve ser o cristianismo do futuro. 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