{"id":156886,"date":"2019-12-13T07:00:43","date_gmt":"2019-12-13T07:00:43","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=156886"},"modified":"2019-12-12T16:57:50","modified_gmt":"2019-12-12T16:57:50","slug":"legalizacao-da-eutanasia-nao-faz-sentido-coordenador-nacional-dos-capelaes-hospitalares-e-assistentes-espirituais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/legalizacao-da-eutanasia-nao-faz-sentido-coordenador-nacional-dos-capelaes-hospitalares-e-assistentes-espirituais\/","title":{"rendered":"Legaliza\u00e7\u00e3o da eutan\u00e1sia \u00abn\u00e3o faz sentido\u00bb &#8211; Coordenador Nacional dos Capel\u00e3es Hospitalares e Assistentes Espirituais"},"content":{"rendered":"<p><!--more-->O Padre Fernando Sampaio, Coordenador Nacional dos Capel\u00e3es Hospitalares e Assistentes Espirituais e capel\u00e3o no Centro Hospitalar Lisboa Norte, \u00e9 o convidado da entrevista semanal conjunta Ecclesia-Renascen\u00e7a para falar sobre um direito dos doentes que nem sempre \u00e9 defendido, nos servi\u00e7os de sa\u00fade, e sobre a import\u00e2ncia da espiritualidade para superar momentos de doen\u00e7a. O respons\u00e1vel diz que a prioridade do Estado deve ser a aposta nos cuidados continuados e paliativos, nunca a legaliza\u00e7\u00e3o da eutan\u00e1sia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (ECCLESIA)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Fotos: Manuel Costa (ECCLESIA)<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_156834\" aria-describedby=\"caption-attachment-156834\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5099.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-156834\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5099-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5099-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5099-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5099-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5099-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5099-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5099-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5099-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5099-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5099.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-156834\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>A lei que regulamenta assist\u00eancia espiritual e religiosa nos hospitais j\u00e1 tem 10 anos. Na pr\u00e1tica o que \u00e9 que mudou? Haver uma lei basta para garantir que este direito dos doentes \u00e9 assegurado?<\/em><\/p>\n<p>Haver uma lei n\u00e3o basta, \u00e9 necess\u00e1rio aplic\u00e1-la e que haja instrumentos a seguir que a tornem efetiva. \u00c9 necess\u00e1rio que todos os agentes que est\u00e3o ligados \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o da lei a tornem efetiva nas suas pr\u00e1ticas quotidianas.<\/p>\n<p>Esta lei trouxe novidades em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 lei anterior, e a grande novidade foi fundamentar a assist\u00eancia espiritual e religiosa hospitalar no direito dos doentes \u00e0 mesma. N\u00e3o \u00e9 o direito das igrejas a estarem presentes nos hospitais para assistir os seus crentes, \u00e9 o direito dos doentes a serem assistidos espiritualmente. Porque um crente s\u00f3 pelo facto de estar no hospital n\u00e3o pode ser impedido de praticar a sua f\u00e9 em liberdade de consci\u00eancia e culto. A cren\u00e7a porque \u00e9 que h\u00e1 de ser interrompida quando se est\u00e1 internado? O internamento n\u00e3o pode ser impedimento \u00e0 pr\u00e1tica da f\u00e9.<\/p>\n<p>Em segundo lugar a assist\u00eancia espiritual e religiosa \u00e9 importante na promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade do pr\u00f3prio doente, do seu bem-estar. Inclusivamente &#8211; diz o decreto-lei &#8211; d\u00e1 qualidade aos cuidados prestados, torna-os mais humanos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>J\u00e1 h\u00e1 consci\u00eancia entre os profissionais de sa\u00fade, entre os administradores, e tamb\u00e9m entre os doentes, da import\u00e2ncia da assist\u00eancia espiritual para o processo de cuidado e recupera\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o h\u00e1 plena consci\u00eancia disso, se houvesse a lei estaria aplicada na raiz. Mas existe uma consciencializa\u00e7\u00e3o cada vez maior. A Igreja Cat\u00f3lica esteve sempre presente nos hospitais e garantiu a assist\u00eancia espiritual e religiosa at\u00e9 ao presente, mas o fen\u00f3meno antirreligi\u00e3o, todo o fen\u00f3meno social e cultural relacionado com isso, tornou esse aspeto negativo. Culturalmente \u00e0s vezes ainda existe desconfian\u00e7a face \u00e0 presen\u00e7a religiosa nos hospitais, e essa desconfian\u00e7a relaciona-se muito mais com a Igreja cat\u00f3lica do que com o resto&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Desconfian\u00e7a e preconceito?<\/em><\/p>\n<p>E preconceito, sim. Agora, ao n\u00edvel dos hospitais torna-se cada vez mais frequente esta consciencializa\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia da espiritualidade e da religi\u00e3o. Muita desta consciencializa\u00e7\u00e3o vem pela via dos cuidados paliativos, fundamentalmente, mas tamb\u00e9m pela via cient\u00edfica. Porque h\u00e1 muita investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica atualmente que torna vis\u00edvel a sua import\u00e2ncia na promo\u00e7\u00e3o do bem-estar dos doentes, na promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Os m\u00e9dicos j\u00e1 encaram os assistentes espirituais como fazendo parte da equipa?<\/em><\/p>\n<p>Bem, a\u00ed j\u00e1 \u00e9 outra quest\u00e3o, ainda n\u00e3o cheg\u00e1mos l\u00e1. Eu antes de estar em Santa Maria estive no IPO, e \u00e9 curioso que nesse tempo houve uma equipa m\u00e9dica num determinado servi\u00e7o que, vendo o trabalho que eu fazia na rela\u00e7\u00e3o com os doentes, uma vez convidou-me para fazer a visita m\u00e9dica com eles, consideraram que era importante que eu fosse integrado na pr\u00f3pria equipa. Isso foi muito interessante para mim, valorizou-me imenso, e sobretudo abriu-me o olhar sobre as quest\u00f5es. Na realidade ainda n\u00e3o somos considerados da equipa. Ao n\u00edvel de cuidados paliativos sim, somos considerados como tal, ao n\u00edvel geral n\u00e3o. E dentro do r\u00e1cio que n\u00f3s temos, de um capel\u00e3o por 400 camas, tamb\u00e9m seria muito dif\u00edcil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Na pr\u00e1tica como \u00e9 que funciona a assist\u00eancia religiosa nos hospitais? \u00c9 o doente que tem de pedir? Esse direito \u00e9 respeitado?<\/em><\/p>\n<p>A assist\u00eancia espiritual e religiosa est\u00e1 prevista no decreto-lei que seja um servi\u00e7o organizado e presente no hospital, de forma a satisfazer as necessidades que existem no pr\u00f3prio hospital, porque os cuidados devem ser cuidados globais ao doente, e nesse sentido se a assist\u00eancia n\u00e3o \u00e9 organizada n\u00e3o ser torna presente quando o doente tem necessidade e a solicita. Como \u00e9 que se organiza a seguir? H\u00e1 duas formas &#8211; uma delas \u00e9 n\u00f3s visitarmos os servi\u00e7os e dizermos &#8216;quando precisarem estamos aqui&#8217;. \u00c0s vezes os doentes pedem informa\u00e7\u00f5es, damos informa\u00e7\u00f5es, visitamos os servi\u00e7os, mas evidentemente que n\u00e3o conseguimos passar por muitos. Outra forma &#8211; e \u00e9 talvez a mais importante e cada vez mais frequente \u2013 \u00e9 serem os pr\u00f3prios doentes a solicitar a assist\u00eancia espiritual e religiosa atrav\u00e9s dos familiares, atrav\u00e9s das par\u00f3quias, atrav\u00e9s dos profissionais de sa\u00fade, \u00e0s vezes s\u00e3o eles que pedem. S\u00e3o essas as formas.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Mas j\u00e1 t\u00eam de ter conhecimento pr\u00e9vio de que esse servi\u00e7o existe?<\/em><\/p>\n<p>Sim, t\u00eam de ter informa\u00e7\u00e3o pr\u00e9via. N\u00f3s j\u00e1 informamos a n\u00edvel geral &#8211; por exemplo, esta entrevista proporciona isso \u2013 para que os crist\u00e3os estejam cada vez mais conscientes dos seus direitos de cidad\u00e3os crentes, e neste caso de crentes que usam a sa\u00fade. Mas &#8211; est\u00e1 previsto na pr\u00f3pria lei &#8211; os doentes devem ser informados quando entram nos hospitais, e \u00e9 aqui que se calhar est\u00e1 o &#8216;calcanhar de Aquiles&#8217;, porque na realidade n\u00e3o se est\u00e1 a fazer isso, n\u00e3o se diz aos doentes que existe um servi\u00e7o e que eles podem usar esse servi\u00e7o, nem as formas de acesso a esse mesmo servi\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Falamos dos crist\u00e3os, mas \u00e9 suposto esta assist\u00eancia religiosa ser prestada por v\u00e1rias religi\u00f5es. Isso est\u00e1 a ser garantido?<\/em><\/p>\n<p>A assist\u00eancia religiosa se \u00e9 um direito do doente \u00e9 um direito de todos, n\u00e3o apenas dos cat\u00f3licos. Inclusivamente os ateus, que dizem que n\u00e3o tem cren\u00e7a, t\u00eam espiritualidade, e tamb\u00e9m a eles devia ser dada uma oportunidade para terem um acompanhamento espiritual. \u00c0s vezes fazemo-lo, eu j\u00e1 o fiz. Por exemplo, na Holanda existe um fil\u00f3sofo que acompanha as pessoas que n\u00e3o t\u00eam cren\u00e7a. Temos de encontrar modelos para a presen\u00e7a de outras religi\u00f5es nos hospitais. Existem j\u00e1 algumas experi\u00eancias-piloto, como em Coimbra e em Faro. E existem outras experi\u00eancias noutros s\u00edtios, que t\u00eam a ver com a presen\u00e7a efetiva dos assistentes espirituais de outras religi\u00f5es que se ajudam mutuamente e fazem a equipa com a equipa cat\u00f3lica, que \u00e9 uma ideia muito bonita. Deixam os seus n\u00fameros de telefone e s\u00e3o contactados quando existem doentes que os chamam.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois modos dos assistentes se tornarem presentes no hospital, um \u00e9 atrav\u00e9s da vincula\u00e7\u00e3o, por um contrato de trabalho, que assumimos \u2013 e normalmente a forma cat\u00f3lica de estar no hospital \u00e9 esta, dos contratos de trabalho, talvez por ser a Igreja maiorit\u00e1ria e ter muitos crentes. Outra forma \u00e9 atrav\u00e9s da acredita\u00e7\u00e3o de poss\u00edveis assistentes espirituais pelas diversas religi\u00f5es. E \u00e9 aqui que as quest\u00f5es est\u00e3o a falhar. Eu ainda n\u00e3o percebi porque \u00e9 que falham na acredita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Resumidamente, o que \u00e9 que 10 anos depois ainda n\u00e3o foi cumprido?<\/em><\/p>\n<p>A meu ver ainda n\u00e3o foi cumprida a presen\u00e7a, ou a solidifica\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia espiritual n\u00e3o cat\u00f3lica, e isso necessita de ser feito. Existe regulamenta\u00e7\u00e3o a fazer, porque h\u00e1 muita arbitrariedade ao n\u00edvel das diferentes administra\u00e7\u00f5es hospitalares, e devia haver uma uniformiza\u00e7\u00e3o dos crit\u00e9rios e dos modos de agir. Esse, de facto, \u00e9 o problema que ainda n\u00e3o est\u00e1 resolvido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_156833\" aria-describedby=\"caption-attachment-156833\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5083.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-156833 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5083.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5083.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5083-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5083-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5083-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5083-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5083-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5083-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5083-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5083-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-156833\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Tem uma longa experi\u00eancia como capel\u00e3o hospitalar, de mais de 30 anos, primeiro no IPO, depois no Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN), que inclui o Santa Maria e o Pulido Valente. Quantos assistentes espirituais \u00e9 que h\u00e1 neste servi\u00e7o?<\/em><\/p>\n<p>Neste momento ao n\u00edvel do CHLN somos tr\u00eas, eu e outro padre, que \u00e9 o frei Fernando, dominicano, e um di\u00e1cono permanente.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E a n\u00edvel nacional?<\/em><\/p>\n<p>Sem olharmos a quest\u00e3o da agrega\u00e7\u00e3o de hospitais e centros hospitalares, olhando apenas os hospitais, estamos em 83 hospitais, a n\u00edvel nacional, no Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade. Habitualmente, e sobretudo na assist\u00eancia religiosa da Igreja Cat\u00f3lica, estamos habituados a falar em padres capel\u00e3es.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Tamb\u00e9m h\u00e1 leigos assistentes religiosos?<\/em><\/p>\n<p>Alguns, mas poucos, muito poucos.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Devia haver mais leigos a ajudar neste servi\u00e7o?<\/em><\/p>\n<p>Sim. Eu creio que \u00e9 oportuno que os leigos estejam nos Hospitais, e na minha perspetiva fazem falta particularmente as mulheres, pela sua maternidade, pela sua capacidade de rela\u00e7\u00e3o humana, pelo modo como elas lidam com o cuidar, s\u00e3o as grandes agentes do cuidar. Faz-nos imensa falta a presen\u00e7a de mulheres ao n\u00edvel da Pastoral da Sa\u00fade, neste caso ao n\u00edvel da assist\u00eancia espiritual e religiosa. Temos poucas. Creio que temos duas ou tr\u00eas ao n\u00edvel do SNS, uma no Porto, uma irm\u00e3, outra em Coimbra. A n\u00edvel de leigos n\u00e3o temos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A Igreja devia apostar mais na forma\u00e7\u00e3o de leigos?<\/em><\/p>\n<p>Esse ter\u00e1 de ser necessariamente o futuro. Isto exige muita forma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 voluntariado. Tem de haver uma profissionaliza\u00e7\u00e3o, um enquadramento curricular e naturalmente forma\u00e7\u00e3o para prestar estes cuidados. Forma\u00e7\u00e3o geral, que pode ser a teologia &#8211; e a teologia seria \u00f3timo -, mas tamb\u00e9m forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>No seu caso a forma\u00e7\u00e3o em psicologia tem-no ajudado na assist\u00eancia espiritual que presta? Como assistente \u00e9 mais padre ou \u00e9 mais psic\u00f3logo, ou as duas coisas juntam-se?<\/em><\/p>\n<p>Bem, eu sou um psic\u00f3logo n\u00e3o praticante (risos). Estudei psicologia j\u00e1 depois de ser padre e sendo capel\u00e3o no IPO. E a psicologia veio-me ajudar muito na rela\u00e7\u00e3o com os doentes, e tamb\u00e9m me ajudou a ser melhor padre. Sobretudo a saber escutar mais os outros, a compreend\u00ea-los melhor, e a compreend\u00ea-los nos seus conflitos interiores, a saber separar aquilo que pertence \u00e0 psicologia daquilo que n\u00e3o pertence \u00e0 psicologia. Portanto, ajudou-me muito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Nos hospitais tamb\u00e9m assistem os profissionais de sa\u00fade, ou s\u00f3 os doentes?<\/em><\/p>\n<p>A nossa presen\u00e7a no hospital, ao n\u00edvel da assist\u00eancia espiritual e religiosa, \u00e9 para os doentes, mas tamb\u00e9m para a comunidade hospitalar, porque no contacto com o sofrimento \u00e0s vezes tamb\u00e9m precisamos de curar as nossas feridas e de alimentar a nossa esperan\u00e7a.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E essa ajuda \u00e9 pedida pelos profissionais de sa\u00fade?<\/em><\/p>\n<p>\u00c0s vezes \u00e9. Quando t\u00eam necessidade aproximam-se e pedem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Fala-se muito do desinvestimento no Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade. Nota que as condi\u00e7\u00f5es adversas de trabalho est\u00e3o a levar os profissionais ao limite e a conduzir a mais pedidos de ajuda?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o sei se haver\u00e1 mais pedidos de ajuda. Mas, que tem criado crispa\u00e7\u00e3o tem, e tamb\u00e9m tem criado desalento e esgotamento da parte dos profissionais de sa\u00fade.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Qual \u00e9 a maior ajuda que a f\u00e9 e a espiritualidade d\u00e3o a quem est\u00e1 doente?<\/em><\/p>\n<p>A espiritualidade \u00e9 quase como o ar que respiramos, ocupa todo o espa\u00e7o, nem damos por ele, assim tamb\u00e9m a espiritualidade ocupa o nosso interior, o nosso cora\u00e7\u00e3o, f\u00e1-lo respirar. Tamb\u00e9m \u00e9 como a \u00e1gua que bebemos, que refresca, d\u00e1 vida, faz renascer a vida. E tamb\u00e9m pod\u00edamos compar\u00e1-la \u00e0 luz que ilumina e que nos faz dissipar todas as trevas, e ao pr\u00f3prio fogo, que aquece e que d\u00e1 calor. Assim tamb\u00e9m \u00e9 o amor de Deus, a luz de Deus, que nos ajuda a dar sentido \u00e0 vida, a descobrir porque \u00e9 que andamos aqui neste mundo, e sobretudo a aliviar-nos e a dar-nos a perce\u00e7\u00e3o de que a nossa vida tem um caminho, tem um rumo, e faz-nos sentir que somos pretensa de uma comunidade mais vasta.<\/p>\n<p>Nem imaginam o bem que faz saber que h\u00e1 uma comunidade que reza por n\u00f3s. \u00c0s vezes os pr\u00f3prios doentes dizem &#8216;eu n\u00e3o estou sozinho, porque a comunidade est\u00e1 a rezar por mim&#8217;. A for\u00e7a da ora\u00e7\u00e3o, a for\u00e7a da f\u00e9 ajuda a enfrentar o sofrimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Temos a ideia de que quem pede mais este tipo de ajuda \u00e9 quem est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o limite. \u00c9 verdade?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, s\u00e3o todos os doentes. Evidentemente que \u00e0s vezes a doen\u00e7a, o sofrimento, faz mossa, e n\u00e3o \u00e9 apenas quando se est\u00e1 no limite. \u00c0s vezes o sofrimento e a doen\u00e7a provocam a pessoa no sentido de pensar &#8216;o que \u00e9 que eu ando a fazer c\u00e1 neste mundo? O que \u00e9 que eu tenho feito?&#8217;, leva a pessoa a refletir sobre si mesma, a p\u00f4r as coisas em ordem. Muitas vezes as pessoas aproveitam esse tempo como uma oportunidade para rever a pr\u00f3pria vida, e n\u00e3o \u00e9 apenas quando est\u00e3o na fase final, a morrer, de maneira nenhuma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_156832\" aria-describedby=\"caption-attachment-156832\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5071.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-156832\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5071-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5071-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5071-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5071-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5071-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5071-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5071-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5071-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5071-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5071.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-156832\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>J\u00e1 algum doente lhe pediu para morrer? Como \u00e9 que se lida com isso?<\/em><\/p>\n<p>\u00c0s vezes acontece os doentes dizerem &#8216;eu desejo morrer, desejo partir, o sofrimento \u00e9 muito&#8217;, ou perguntam &#8216;porque \u00e9 que isto me aconteceu, como \u00e9 que eu consigo suportar isto?\u2019. Mas, a meu ver, pela minha experi\u00eancia, os doentes muitas vezes expressam isso n\u00e3o no sentido de desejarem a morte, mas no sentido de vencerem o sofrimento. S\u00e3o desabafos, o que eles desejam \u00e9 que olhem para eles e os ajudem a debelar o sofrimento, que lhes proporcionem mais conforto. E quando esse conforto aparece, quando percebem que n\u00e3o est\u00e3o s\u00f3s e que no momento final v\u00e3o estar acompanhados, normalmente acalmam e sentem-se seguros at\u00e9 ao fim.<\/p>\n<p>O grande problema muitas vezes nos doentes \u00e9 o ficar s\u00f3, \u00e9 a solid\u00e3o. Esse temor de ficar s\u00f3 acrescenta sofrimento ao pr\u00f3prio doente. Assim como n\u00e3o estar em paz interiormente. \u00c0s vezes \u00e9 necess\u00e1rio reconciliar-se com a fam\u00edlia para o doente ficar em paz.<\/p>\n<p>J\u00e1 me aconteceu uma vez um doente dizer-me &#8216;fale com o meu m\u00e9dico para realizar em mim a eutan\u00e1sia&#8217;. Eu ia \u00e0 enfermaria (onde ele estava), falava com outros doentes e ele virava-se ao contr\u00e1rio, cobria a cabe\u00e7a, fingia que estava a dormir. Eu passava sempre pela cama dele para lhe dizer, no fundo, &#8216;quando quiseres eu estou aqui&#8217;. A dada altura disse-me &#8216;reverendo, quero falar consigo&#8217;. Ele era ateu, tinha um assunto grave de sa\u00fade, e parecia-lhe que estava a ser abandonado e esquecido, ali no contexto hospitalar. Depois de conversarmos porque \u00e9 que ele queria a eutan\u00e1sia, sobre os problemas que o afetavam, as dificuldades, houve uma interven\u00e7\u00e3o a n\u00edvel dos m\u00e9dicos, da psiquiatria, e minha tamb\u00e9m, ao n\u00edvel da espiritualidade, e esse doente, que geralmente n\u00e3o sa\u00eda da cama nem falava com ningu\u00e9m, come\u00e7ou a falar e at\u00e9 a visitar outros doentes, e nunca mais pediu a eutan\u00e1sia. Acabou por morrer na sequ\u00eancia de uma interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica, o problema que tinha era muito grave. Mas tocou-me muito ter conseguido sair desse desejo (da eutan\u00e1sia) e de ser capaz at\u00e9 de visitar outros doentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A legaliza\u00e7\u00e3o da eutan\u00e1sia est\u00e1 de novo na ordem do dia. Faz sentido para si insistir-se nesta quest\u00e3o, quando foi chumbada na legislatura anterior?<\/em><\/p>\n<p>Creio que n\u00e3o faz sentido. E se fosse ao contr\u00e1rio? Este \u00e9 um assunto muito s\u00e9rio que devia ser levado mais a s\u00e9rio tamb\u00e9m. Preocupa-me, porque mexe com uma coisa que \u00e9 paradigm\u00e1tica da pr\u00f3pria civiliza\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 assente no princ\u00edpio &#8216;n\u00e3o matar\u00e1s&#8217;, que \u00e9 fundamento da confian\u00e7a m\u00fatua entre o cidad\u00e3o e os m\u00e9dicos, entre o cidad\u00e3o e a institui\u00e7\u00e3o hospitalar, no fundo at\u00e9 da pr\u00f3pria civiliza\u00e7\u00e3o em si &#8211; \u00e9 a confian\u00e7a m\u00fatua que est\u00e1 na base da nossa civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um princ\u00edpio \u00e9tico que \u00e9 geral, torn\u00e1-lo privatizado, acho que \u00e9 complicado. Creio que era muito mais urgente, por exemplo, criar cuidados continuados e cuidados paliativos para que as pessoas tivessem assist\u00eancia, onde o sofrimento pudesse ser debelado e as pessoas pudessem ser acompanhadas at\u00e9 \u00e0 morte. Era mais urgente dar essas garantias do que estarmos a meter o carro \u00e0 frente dos bois.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>A resposta tamb\u00e9m passa por haver mais assistentes religiosos que acompanhem os doentes?<\/em><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m passa por a\u00ed, e a Igreja aqui tem de se empenhar muito. Um dos aspetos fundamentais dos cuidados paliativos \u00e9 a assist\u00eancia espiritual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Disse recentemente recear que &#8216;o direito pedir a morte se torne uma obriga\u00e7\u00e3o&#8217;, numa sociedade onde se fala pouco sobre o fim de vida. Podem estar em causa os mais fr\u00e1geis, como os idosos, as pessoas com doen\u00e7a mental? H\u00e1 esse risco?<\/em><\/p>\n<p>Isso j\u00e1 acontece na Holanda, j\u00e1 acontece na B\u00e9lgica.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E temos de olhar para esses casos quando legislamos dentro de portas?<\/em><\/p>\n<p>Creio que sim, que \u00e9 importante olhar para aquilo que est\u00e1 a acontecer noutros pa\u00edses. Eu acho que n\u00f3s \u00e0s vezes metemos a cabe\u00e7a debaixo da areia, e \u00e9 uma pena. Esteve em Portugal um senhor que ajudou na elabora\u00e7\u00e3o da lei da eutan\u00e1sia na B\u00e9lgica, e veio dizer que \u2018a melhor lei \u00e9 n\u00e3o haver lei\u2019. Os problemas que est\u00e3o a existir na B\u00e9lgica v\u00e3o aparecer aqui tamb\u00e9m. O problema n\u00e3o \u00e9 haver lei, o problema \u00e9 o que n\u00f3s fazemos depois \u00e0 lei.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>A sua aplica\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o da lei, como ultrapassamos a lei. H\u00e1 leis que n\u00e3o aplicamos, mas h\u00e1 outras que se aplicam ao exagero.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em Portugal existe um Grupo de Trabalho Inter-Religioso para a sa\u00fade (GTIR), que o ano passado assinou uma declara\u00e7\u00e3o conjunta contra a eutan\u00e1sia, unindo v\u00e1rias religi\u00f5es presentes no pa\u00eds. No atual contexto poder\u00e3o intervir de novo?<\/em><\/p>\n<p>Sim. Este grupo j\u00e1 tomou posi\u00e7\u00e3o, mas vai naturalmente reafirmar a posi\u00e7\u00e3o que tomou, porque todos os que pertencemos ao GTIR temos essa preocupa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o da vida e ao respeito pela pessoa. \u00c9 uma preocupa\u00e7\u00e3o das v\u00e1rias religi\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Estamos a emitir esta entrevista a menos de duas semanas do Natal. \u00c9 uma \u00e9poca mais dif\u00edcil para quem est\u00e1 no hospital?<\/em><\/p>\n<p>O hospital \u00e9 sens\u00edvel \u00e0s diferentes \u00e9pocas do ano. H\u00e1 \u00e9pocas, ou momentos, que marcam mais. Por exemplo a P\u00e1scoa n\u00e3o marca, mas o Natal sim, pelo seu contexto humano, de paz, de proximidade das pessoas. Marca muito, at\u00e9 porque ao n\u00edvel do hospital, nos diferentes servi\u00e7os e diferentes lugares aparece o pres\u00e9pio, ou elementos ligados ao pres\u00e9pio, que recordam o Natal. Ali\u00e1s, os pres\u00e9pios come\u00e7am a ser montados nos m\u00faltiplos servi\u00e7os no in\u00edcio do Advento e s\u00f3 s\u00e3o desmontados depois do Natal.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_156829\" aria-describedby=\"caption-attachment-156829\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5046.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-156829\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5046-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5046-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5046-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5046-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5046-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5046-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5046-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5046-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5046-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_5046.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-156829\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>E t\u00eam uma influ\u00eancia positiva nos doentes esses sinais de esperan\u00e7a que o Natal tamb\u00e9m traz?<\/em><\/p>\n<p>Creio que sim. Pelo menos ajuda-os a sentir esse calor, a sentir que h\u00e1 um elemento importante, este elemento da pr\u00f3pria f\u00e9 e da pr\u00f3pria espiritualidade. E ajuda os pr\u00f3prios profissionais na rela\u00e7\u00e3o com doentes. Existem as festas, que normalmente os servi\u00e7os celebram, e que traduzem este ambiente de familiaridade, proximidade. Mesmo para os profissionais, ajuda-os a sair fora do seu contexto, a refrescar, para estarem com os doentes de uma maneira mais fresca tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como \u00e9 que vai passar o seu Natal este ano? Costuma pass\u00e1-lo com doentes?<\/em><\/p>\n<p>Geralmente vou pass\u00e1-lo com a minha fam\u00edlia, mas \u00e0s vezes tamb\u00e9m o passo com os doentes, naturalmente. Somos dois padres no hospital, por isso revezamo-nos, fica um numa \u00e9poca, outro noutra, um est\u00e1 no Ano Novo, o outro est\u00e1 no Natal, para dar oportunidade a tamb\u00e9m estarmos com as nossas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas estar nestes dias no hospital \u00e9 uma experi\u00eancia muito diferente?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 bastante diferente, porque se sente o calor, a festividade, a alegria da proximidade. Quando fui para o IPO era novembro e passei o Natal com os doentes. Ali\u00e1s, foi uma festa de Natal, num dos servi\u00e7os, que me deu a oportunidade de me fazer conhecer e que, no fundo, me abriu as portas do hospital.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":156835,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[277],"class_list":["post-156886","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-pastoral-da-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/156886","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=156886"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/156886\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/156835"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=156886"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=156886"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=156886"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}