{"id":15687,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-paz-assenta-na-verdade-e-exige-verdade\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-paz-assenta-na-verdade-e-exige-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-paz-assenta-na-verdade-e-exige-verdade\/","title":{"rendered":"\u00abA paz assenta na verdade e exige verdade\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Bispo do Porto no Dia Mundial da Paz <!--more--> A b\u00ean\u00e7\u00e3o, a benevol\u00eancia e a paz, concedidas de modo ritual, eram dons a que aspirava o primeiro povo de Deus. Neste esp\u00edrito se foi caminhando para a \u201cplenitude dos tempos\u201d, o tempo em que o Filho de Deus, \u201cnascido de uma mulher\u201d, por ela se fez dom \u00e0 humanidade toda, e a cada um de n\u00f3s pessoalmente. \u00c9 desta mulher, Maria, que nos fala o Evangelho quando a apresenta no cen\u00e1rio do pres\u00e9pio de Bel\u00e9m, a ouvir e reflectir nas palavras simples mas eloquentes dos pastores. Com surpresa inesperada eles ajudaram a encontrar e identificar Aquele que era esperado para ser Salvador e receber, como realiza\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica, o nome de Jesus. A Salva\u00e7\u00e3o de Deus e a paz entre os homens foram sempre dois aspectos da mesma mensagem natal\u00edcia e duas preocupa\u00e7\u00f5es da mesma aspira\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o da Igreja. Dois aspectos do mesmo dom, concedidos j\u00e1 na plenitude dos tempos ou tempo da Encarna\u00e7\u00e3o do Filho de Deus, mas de algum modo num processo de concretiza\u00e7\u00e3o sujeito \u00e0 liberdade e \u00e0s vicissitudes dos homens na pr\u00f3pria hist\u00f3ria colectiva e individual. No ambiente actual de ansiedade provocada pela falta de paz e pelo medo da guerra, a Igreja escolheu estes temas como dos mais graves da civiliza\u00e7\u00e3o. Na mensagem para este 39\u00ba Dia Mundial da Paz o Papa Bento XVI lembra a iniciativa lan\u00e7ada e mantida pelos seus dois predecessores Paulo VI e Jo\u00e3o Paulo II, \u201cclarividentes obreiros da paz\u201d e \u201cinfatig\u00e1veis mensageiros do Evangelho\u201d (n\u00ba 2), que convidaram sempre o mundo a recome\u00e7ar de Deus para se promover e conseguir uma conviv\u00eancia pac\u00edfica. No seu discurso de paz e despedida Cristo disse aos disc\u00edpulos: \u201cDeixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. N\u00e3o vo-la dou como o mundo a d\u00e1\u201d (Jo. 14, 27). Quando pela voz dos Romanos Pont\u00edfices somos convidados a recome\u00e7ar de Deus e quando confrontamos este conselho com as palavras de Cristo aos seus disc\u00edpulos, podemos concluir que a linguagem e as iniciativas pela paz n\u00e3o estar\u00e3o sempre fecundadas e orientadas pela paz que Cristo nos d\u00e1, pela paz que \u00e9 uma b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus. E ser\u00e1 tamb\u00e9m por isso que para este ano o tema da reflex\u00e3o se enuncia deste modo: \u201cNa verdade, a paz\u201d. \u00c9 nossa convic\u00e7\u00e3o que \u201csempre que o homem se deixa iluminar pelo esplendor da verdade, empreende quase naturalmente o caminho da paz\u201d (n\u00ba 3). Conhecida e divulgada a Mensagem de Bento XVI, s\u00e3o j\u00e1 in\u00fameros os coment\u00e1rios a respeito do conte\u00fado da Mensagem e a prop\u00f3sito de mais este Dia Mundial da Paz, com as respectivas sensibilidades e subjectividades a que n\u00e3o podemos ser alheios. Vamos entretanto sublinhar alguns dos aspectos mais importantes desta Mensagem, com esp\u00edrito de fidelidade e esfor\u00e7o de objectividade, na medida do poss\u00edvel e segundo o nosso crit\u00e9rio. E tamb\u00e9m no suposto de que esta Mensagem do Papa se destina particularmente aos que acreditam em Cristo e na paz que Ele nos anunciou, nos deu e personifica (\u201cEle \u00e9 a paz\u201d &#8211; Mq 5,5), para que estejamos atentos aos sinais de paz ou de guerra e nos tornemos dispon\u00edveis como arautos e construtores da paz. Descrita por Santo Agostinho como \u201ctranquilidade da ordem\u201d (\u201ctranquilitas ordinis\u201d \u2013 De. Civ. Dei, XIX, 13), a paz \u00e9 um dom de Deus, uma gra\u00e7a que consiste em conformar a hist\u00f3ria humana \u00e0 ordem divina, ou sujeitar a vontade do homem \u00e0 Verdade que \u00e9 Deus. Constituindo os homens uma \u00fanica e mesma fam\u00edlia, a paz \u00e9 uma aspira\u00e7\u00e3o e um anseio de cada cora\u00e7\u00e3o, de cada homem, de cada irm\u00e3o, para conviver, para perdoar, para se reconciliar com o outro, para ser transparente no comportamento e fiel \u00e0 palavra dada. \u201cA Verdade da paz chama todos a cultivarem rela\u00e7\u00f5es fecundas e sinceras\u201d (n.\u00ba6) e \u201cdeve fazer valer o seu resplendor ben\u00e9fico de luz, mesmo quando nos encontramos na tr\u00e1gica situa\u00e7\u00e3o duma guerra\u201d (n.\u00ba7). Se a paz assenta na verdade e exige verdade, s\u00e3o obst\u00e1culos \u00e0 paz todas as viola\u00e7\u00f5es da verdade. A Sagrada Escritura fala da mentira e do pecado. Express\u00f5es de mentira e de pecado s\u00e3o os \u201caberrantes sistemas ideol\u00f3gicos e pol\u00edticos\u201d do s\u00e9culo passado (cf. N.\u00ba5), que mistificaram a verdade e provocaram o exterm\u00ednio impressionante de multid\u00f5es \u2013 o que encheu o mundo de repulsa e de um medo n\u00e3o completamente ultrapassado, porque n\u00e3o desapareceram ainda nem as bases nem a atrac\u00e7\u00e3o por esses sistemas. E surgiram entretanto outros sistemas que, temido por alguns como mentiras de parceria com o pecado, amea\u00e7am o mundo por serem \u201cverdades\u201d singulares, a medrar perigosamente no caldo de conceitos pr\u00f3prios e tamb\u00e9m singulares de pecado e de fidelidade ou infidelidade. \u00c9 a nega\u00e7\u00e3o ousada e amea\u00e7adora de que a humanidade seja uma \u00fanica fam\u00edlia&#8230; A verdade da paz est\u00e1 comprometida e \u00e9 negada por culturas e civiliza\u00e7\u00f5es diferentes, confrontadas entre o terrorismo e a inseguran\u00e7a, alimentadas pelo niilismo que nega a exist\u00eancia de qualquer verdade e pelo fundamentalismo que pretende impor a verdade pela for\u00e7a. Consciente ou inconscientemente, vivemos numa \u00e9poca de risco, pelo que somos chamados a \u201cintensificar&#8230; o an\u00fancio e o testemunho do \u201cEvangelho da paz\u201d, proclamando que o reconhecimento da verdade plena de Deus \u00e9 condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via e indispens\u00e1vel para a consolida\u00e7\u00e3o da verdade e da paz\u201d (n.\u00ba11). No actual contexto mundial, h\u00e1 sinais positivos de constru\u00e7\u00e3o da paz. O papa refere-se \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o num\u00e9rica dos conflitos armados, \u00e0 consci\u00eancia assumida pela Comunidade Internacional e aos \u00d3rg\u00e3os de reconhecida autoridade internacional, mas previne contra o eventual optimismo ing\u00e9nuo perante conhecidas regi\u00f5es de alto risco, a tenta\u00e7\u00e3o das armas nucleares, a recusa do desarmamento, e o investimento em gastos militares, que constituem uma ofensa aos pa\u00edses pobres, os que mais clamam por justi\u00e7a, solidariedade e paz. Rezamos hoje pela paz. Tomemos consci\u00eancia desta necessidade e do empenho de aten\u00e7\u00e3o e disponibilidade para rezar e ser permanentemente arautos e construtores de paz, a qualquer n\u00edvel e em todos os n\u00edveis e circunst\u00e2ncias. E sejamos, como membros da Igreja, um povo de esperan\u00e7a. Na sua Mensagem e acima de qualquer subjectividade ou generalidade, o Papa escreveu palavras que nos servem de aviso pertinente e actual, e de premoni\u00e7\u00e3o a registar com preocupa\u00e7\u00e3o e verdade: \u201cDeus \u00e9 fonte inesgot\u00e1vel da esperan\u00e7a que d\u00e1 sentido \u00e0 vida pessoal e colectiva. Deus, e s\u00f3 Ele, torna eficaz qualquer obra de bem e de paz. A hist\u00f3ria demonstrou amplamente que, fazer guerra a Deus para extirp\u00e1-lO do cora\u00e7\u00e3o dos homens, leva a humanidade, assustada e empobrecida, para decis\u00f5es que n\u00e3o t\u00eam futuro. Isto deve impelir os crentes em Cristo a fazerem-se testemunhas convictas de um Deus que \u00e9 inseparavelmente verdade e amor, colocando-se ao servi\u00e7o da paz numa ampla colabora\u00e7\u00e3o ecum\u00e9nica e com as outras religi\u00f5es e ainda com todos os homens de boa vontade\u201d (n.\u00ba11). Nestas palavras da Mensagem do Papa descobrimos as raz\u00f5es da solicitude manifestada e da miss\u00e3o assumida pela Igreja na causa da paz, e encontramos tamb\u00e9m o sentido dos caminhos que a Igreja nos indica para sermos, com fundada esperan\u00e7a, anunciadores do evangelho, da paz e da verdade. Que assim seja.  S\u00e9 do Porto, 1 de Janeiro de 2006 <i>D. Armindo Lopes Coelho, Bispo do Porto<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Bispo do Porto no Dia Mundial da Paz<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,295,160,165,187,206,237,267,314],"class_list":["post-15687","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-biblia","tag-d-armindo-lopes-coelho","tag-dia-mundial-da-paz","tag-diocese-do-porto","tag-familia","tag-joao-paulo-ii","tag-natal","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15687","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15687"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15687\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15687"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15687"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15687"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}