{"id":156581,"date":"2019-12-10T15:23:45","date_gmt":"2019-12-10T15:23:45","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=156581"},"modified":"2019-12-10T15:23:45","modified_gmt":"2019-12-10T15:23:45","slug":"a-cruz-escondida-80","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-80\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>Mortos em 1996, beatificados h\u00e1 um ano, a 8 de Dezembro de 2018<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h3><strong><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/martires_argelia.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-156583 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/martires_argelia-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/martires_argelia-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/martires_argelia-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/martires_argelia-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/martires_argelia-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/martires_argelia-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/martires_argelia-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/martires_argelia.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Os m\u00e1rtires da Arg\u00e9lia<\/strong><\/h3>\n<p>Viviam num mosteiro e eram exemplo da conviv\u00eancia pac\u00edfica entre religi\u00f5es. Viveram at\u00e9 ao fim na gratuidade do amor aos outros. Apesar disso, foram assassinados por radicais isl\u00e2micos no auge da guerra civil da Arg\u00e9lia. Beatificados h\u00e1 precisamente um ano, sete monges trapistas de Tibhrine s\u00e3o exemplo da Igreja perseguida nos tempos modernos.<\/p>\n<p>Calcula-se que tenham morrido mais de 150 mil pessoas. Os anos 90 foram terr\u00edveis para a Arg\u00e9lia. Foi uma d\u00e9cada de viol\u00eancia e de morte. Tudo se precipitou ap\u00f3s a vit\u00f3ria eleitoral, em 1991, de fundamentalistas isl\u00e2micos. Os militares promovem um golpe de Estado e instituem um governo, ignorando a vontade expressa nas urnas. Os fundamentalistas, ao viram fechadas as portas do poder, lan\u00e7am-se de armas para as ruas. Foram tempos de terror absoluto. Todos os que n\u00e3o seguissem a \u2018Sharia\u2019, a lei isl\u00e2mica mais estrita, eram perseguidos e violentados. Muitos foram assassinados. Ningu\u00e9m escapou a esses julgamentos sum\u00e1rios feitos com o dedo no gatilho. Nem os mu\u00e7ulmanos mais moderados. Os Crist\u00e3os ficaram tamb\u00e9m na mira dos radicais. No dia 8 de Dezembro de 2018, faz agora um ano, a Igreja beatificou 19 homens e mulheres que conheceram o mart\u00edrio nesses tempos turbulentos na Arg\u00e9lia. Viviam em paz, procuravam servir a comunidade. Foram mortos. Alguns foram assassinados nas igrejas, durante a missa, outros foram degolados na rua, outros foram atacados \u00e0 bomba. S\u00e3o os m\u00e1rtires da Arg\u00e9lia. Entre eles est\u00e3o sete monges trapistas que viviam no Mosteiro de Notre-Dame de l\u2019Atlas, em Tibhrine. Nem a\u00ed, nesse o\u00e1sis de paz erguido no cimo de uma montanha, estiveram a salvo. A hist\u00f3ria dos irm\u00e3os Bruno, C\u00e9lestin, Christian, Christophe, Luc, Michel e Paul deu origem at\u00e9 a um filme. Ainda agora, mais de vinte anos depois, h\u00e1 uma enorme inquieta\u00e7\u00e3o quando se revisitam esses anos em que a Arg\u00e9lia foi consumida pelo terror.<\/p>\n<p>O padre Christian de Cherg\u00e9 era o prior do mosteiro. J\u00e1 se viviam tempos muito conturbados quando resolveu escrever um texto que acabaria por ficar como testemunho poderoso da iniquidade que estava prestes a acontecer. O filme [\u2018Dos homens e dos deuses\u2019, de Xavier Beauvois] que relata esta hist\u00f3ria, n\u00e3o resolve a perplexidade de tanta viol\u00eancia gratuita, de tanta maldade sobre pessoas inocentes que dedicaram as suas vidas aos outros, procurando ajud\u00e1-los, oferecendo o melhor que tinham e sabiam. Um dos sete irm\u00e3os, o frade Luc, era m\u00e9dico. N\u00e3o haveria ningu\u00e9m em toda a regi\u00e3o que n\u00e3o conhecesse a forma generosa e gratuita como tratava todas as pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Ficar ou partir<\/strong><\/h3>\n<p>Estes sete monges trapistas podiam ter abandonado o mosteiro quando a viol\u00eancia se banalizou, quando o \u00f3dio assaltou as ruas. Decidiram ficar, sabendo que arriscavam a pr\u00f3pria vida. Ficaram como sempre viveram. Desarmados. Ficaram, pois, \u00e0 espera. Durante a noite de 26 de Mar\u00e7o de 1996, um comando do Grupo Isl\u00e2mico Armado irrompeu pelo mosteiro sequestrando os sete homens, os sete frades. Os seus corpos, martirizados, s\u00f3 seriam encontrados 56 dias mais tarde. As palavras do prior do mosteiro, o padre Christian de Cherg\u00e9, ganham uma for\u00e7a impressionante quando se sabe que foram escritas dois anos antes do ataque a Tibhrin. \u201cSe me acontecesse um dia (e poderia ser hoje) de ser v\u00edtima do terrorismo que parece querer envolver agora todos os estrangeiros que vivem na Arg\u00e9lia, eu gostaria que a minha comunidade, a minha Igreja, a minha fam\u00edlia se lembrassem de que a minha vida foi dada a Deus e a este pa\u00eds. (\u2026) Que eles soubessem associar esta morte a tantas outras igualmente violentas, deixadas na indiferen\u00e7a e no anonimato. A minha vida n\u00e3o tem mais valor do que outra.\u201d O ano passado, no dia 8 de Dezembro, estes monges trapistas de Tibhrine foram beatificados juntamente com mais 12 Crist\u00e3os. S\u00e3o conhecidos agora como os m\u00e1rtires da Arg\u00e9lia. S\u00e3o, todos eles, exemplo da Igreja perseguida nos tempos modernos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Paulo Aido | <a href=\"www.fundacao-ais.pt\">www.fundacao-ais.pt<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mortos em 1996, beatificados h\u00e1 um ano, a 8 de Dezembro de 2018<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":95189,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-156581","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/156581","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=156581"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/156581\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95189"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=156581"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=156581"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=156581"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}