{"id":15654,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/familia-e-projecto-prioritario-diante-de-todos-os-outros\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"familia-e-projecto-prioritario-diante-de-todos-os-outros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/familia-e-projecto-prioritario-diante-de-todos-os-outros\/","title":{"rendered":"Fam\u00edlia \u00e9 projecto priorit\u00e1rio diante de todos os outros"},"content":{"rendered":"<p>Entrevista ao director do Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar em Leiria-F\u00e1tima <!--more--> A fam\u00edlia tem sido, ao longo dos tempos, um dos temas preponderantes na an\u00e1lise da sociedade, sobretudo no que diz respeito \u00e0 quest\u00e3o dos principais factores que garantem ambientes sociais saud\u00e1veis. Neste \u00e2mbito, ela \u00e9 comummente chamada a \u201cc\u00e9lula base\u201d da sociedade. E todos os estudos referem que \u00e9 sobre a \u201csa\u00fade\u201d das fam\u00edlias que se constr\u00f3i a harmonia social, sendo tamb\u00e9m quando a institui\u00e7\u00e3o familiar entra em \u201ccrise\u201d que surgem os mais graves problemas sociais e os maiores atropelos aos direitos humanos e \u00e0 justi\u00e7a social.  Se esta quest\u00e3o \u00e9 sempre pertinente, \u00e9-o com muito mais \u00eanfase nos nossos dias, em que o conceito familiar tem sido alvo de constantes mudan\u00e7as, alargamentos e altera\u00e7\u00f5es. \u00c9 absolutamente necess\u00e1rio falarmos hoje em \u201cfam\u00edlia tradicional\u201d quando queremos referir-nos a um grupo de pessoas constitu\u00eddo por um pai, uma m\u00e3e e os seus filhos. Porque s\u00e3o tamb\u00e9m consideradas fam\u00edlias as \u201cmonoparentais\u201d, as \u201cseparadas\u201d, as \u201cdesfeitas\u201d, as \u201crecompostas\u201d e at\u00e9 as \u201chomossexuais\u201d.  Neste contexto, o jornal \u201cO Mensageiro\u201d entrevistou o padre Lu\u00eds In\u00e1cio Jo\u00e3o, director do Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar (SDPF) e assistente dos Centros de Prepara\u00e7\u00e3o para o Matrim\u00f3nio (CPM) e das Equipas de Nossa Senhora (ENS).   <i>Ainda faz sentido falar, nos nossos dias, em \u201cfam\u00edlia\u201d?<\/i> Faz sempre sentido falar da fam\u00edlia. Se alguma vez deix\u00e1ssemos de falar dela, ela continuaria a falar em n\u00f3s.   <i>Mas continuamos a falar dela como \u201cc\u00e9lula fundamental\u201d ou a sociedade encontrou j\u00e1 outras for-mas de se organizar que a possam substituir? <\/i> A fam\u00edlia n\u00e3o \u00e9 \u201cuma\u201d c\u00e9lula fundamental mas \u201ca\u201d c\u00e9lula fundamental da sociedade. Seria relativiza\u00e7\u00e3o perigosa confundi-la entre outras quando se destaca como primordial. Logo que a natureza ou o erro humano lhe infligem rude golpe, soa o alarme e torna-se urgente remediar, na medida do poss\u00edvel. Premeditar a sua substitui\u00e7\u00e3o \u00e9 atentar gravemente contra a pessoa e, por conseguinte, minar a pr\u00f3pria sociedade. Historicamente, vimos grandes abusos contra a fam\u00edlia enquadrados em estrat\u00e9gicas de dom\u00ednio, sobretudo ideol\u00f3gico. Os pr\u00f3prios opressores tiveram que emendar a m\u00e3o, mal, passando ao proteccionismo, para que ainda lhes restasse sociedade e\u2026 poder.   <i>O que acha das novas formas de uni\u00e3o das pessoas, como sejam uni\u00f5es de facto, fam\u00edlias monoparentais, fam\u00edlias separadas e refeitas, casais homossexuais? \u00c9 poss\u00edvel integr\u00e1-las num tecido social saud\u00e1vel ou considera que sejam \u201cdesvios\u201d da sociedade \u201cperfeita\u201d? <\/i> Quem n\u00e3o distingue confunde. Nem p\u00f4r tudo no mesmo saco, nem tudo dizer de uma s\u00f3 penada. Reconhecer a diversidade e a complexidade dos assuntos e dos casos e lidar com os limites de um vocabul\u00e1rio equ\u00edvoco e conotado \u00e9 j\u00e1 remar contra a mar\u00e9. Quando um assunto est\u00e1 na moda, \u00e9 f\u00e1cil impor-se sem ser encarado a fundo. As situa\u00e7\u00f5es referidas s\u00e3o demasiado s\u00e9rias para passarem na opini\u00e3o p\u00fablica como coisa simples e normal. Por de tr\u00e1s h\u00e1 dramas que, por mais que se pretenda, n\u00e3o iludem a quest\u00e3o fundamental e basilar que \u00e9, salvo rara excep\u00e7\u00e3o, a busca de uma verdadeira express\u00e3o familiar. Sendo assim, essas situa\u00e7\u00f5es nunca deveriam ser encaradas como suced\u00e2neas ou alternativas mas como apelos a mais e melhor fam\u00edlia. Em todo o caso, na sociedade, sem o classificativo de perfeita ou imperfeita, deve haver lugar para todos.   <i>Mas, tendo em conta a prolifera\u00e7\u00e3o dessas outras \u201cexpress\u00f5es familiares\u201d, a leitura social que faz da realidade familiar dita tradicional \u00e9 preocupante ou n\u00e3o h\u00e1 ainda lugar para alarmismos? <\/i> Deveras preocupante \u00e9 que se fale da fam\u00edlia como coisa do passado e do futuro, como t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o como realidade presente e permanente. O adjectivo \u201ctradicional\u201d \u00e9 demasiado equ\u00edvoco e tem sido explorado pejorativamente. Mesmo assim, a fam\u00edlia, n\u00e3o obstante a diversidade e at\u00e9 ambiguidade das suas formas, emerge sempre como realidade conatural \u00e0 pessoa humana. E o amor ser\u00e1 sempre o seu cimento mais forte.   <i>Falando, ent\u00e3o, do presente, quais s\u00e3o em seu entender os principais problemas que as fam\u00edlias modernas enfrentam? <\/i> H\u00e1 hoje grande dificuldade, n\u00e3o s\u00f3 em estabelecer prioridades, mas tamb\u00e9m em ser fiel ao que se reconhece ser priorit\u00e1rio. O princ\u00edpio da frui\u00e7\u00e3o instintiva do imediato e ef\u00e9mero constitui um risco. Os instintos condicionam o homem muito menos do que os outros seres inferiores, mas n\u00e3o o protegem suficientemente. A sua intelig\u00eancia e vontade s\u00e3o decisivas. S\u00f3 pensando e decidindo coerentemente, a pessoa humana consegue sobreviver e, significativa coincid\u00eancia, dignificar-se. Para o homem, nada \u00e9 um dado acabado, tudo \u00e9 um projecto. A fam\u00edlia, muito mais que desfecho inevit\u00e1vel de uma atrac\u00e7\u00e3o natural, \u00e9 dada \u00e0 considera\u00e7\u00e3o e \u00e0 decis\u00e3o livre de cada um para a avaliar e nela investir o seu pr\u00f3prio ser. Mas o espec\u00edfico da fam\u00edlia \u00e9 o amor-comunh\u00e3o que pressup\u00f5e a decis\u00e3o a dois de empreender a vida em doa\u00e7\u00e3o de ambos e de fazer disso um projecto priorit\u00e1rio. Entre os principais problemas, teremos que destacar essa descoberta da fam\u00edlia como projecto e o reconhecimento da sua prioridade.  Num tempo em que esta institui\u00e7\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o questionada e tudo parece ser relativizado, talvez seja muito oportuno olhar para a traz apontando caminhos para o futuro. A nossa proposta \u00e9 esta: dar maior aten\u00e7\u00e3o e preocupa\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia   <i>E por que raz\u00e3o se tornou t\u00e3o dif\u00edcil encontrar esse \u201cprojecto priorit\u00e1rio\u201d? <\/i> A cultura actual arrasta os pr\u00f3prios contenciosos enrolando as grandes quest\u00f5es, em vez de as enfrentar. Entre estas, encontra-se a fam\u00edlia que, sendo central, \u00e9 atirada para a periferia e, sendo incontorn\u00e1vel, \u00e9 adiada muitas vezes atrav\u00e9s de simulacros e fugas para a frente. Falei de cultura, incluindo pessoas, institui\u00e7\u00f5es e sociedade, todas dependentes da fam\u00edlia e nela influentes. Esta omnipresen\u00e7a e transversalidade constituem a for\u00e7a e a fraqueza da fam\u00edlia, na qual tudo se repercute. N\u00e3o admira que o seu pr\u00f3prio ser esteja posto em causa numa civiliza\u00e7\u00e3o que deslocou o seu centro da pessoa humana, ser em rela\u00e7\u00e3o cuja realiza\u00e7\u00e3o implica sempre o outro, para o indiv\u00edduo que se ilude com uma auto-realiza\u00e7\u00e3o mais em competi\u00e7\u00e3o do que em coopera\u00e7\u00e3o. Este individualismo contradiz a capacidade de entrega, a gratuidade, a descoberta e valoriza\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as, a compreens\u00e3o dos limites, o perd\u00e3o e a coopera\u00e7\u00e3o num projecto comum, e embala numa concep\u00e7\u00e3o redutora da fam\u00edlia como bem de consumo irresist\u00edvel e imprescind\u00edvel \u00e0 auto-realiza\u00e7\u00e3o.   <i>Acha que h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o para esse individualismo? <\/i> Claro que h\u00e1 e, felizmente, h\u00e1 quem a encontre. De qualquer modo, numa sociedade plural e de grande comunica\u00e7\u00e3o, nunca pensemos que a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 simples, que \u00e9 um exclusivo de algu\u00e9m, ou que serve apenas a fam\u00edlia.   <i>Mas ser\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o de regresso aos valores do passado, ou h\u00e1 perspectivas de uma evolu\u00e7\u00e3o positiva da actual \u201cdesordem\u201d na institui\u00e7\u00e3o familiar? <\/i> Porque a fam\u00edlia \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o perene, os valores por ela pressupostos tamb\u00e9m o s\u00e3o. N\u00e3o faz sentido falar de regresso ao passado. Capacidade de entrega, gratuidade, compreens\u00e3o e comunh\u00e3o s\u00e3o valores de sempre, sem os quais se instala a desordem na fam\u00edlia, hoje, tanto como ontem, ou no futuro. O desafio coloca-se em viv\u00ea-los em circunst\u00e2ncias diferentes. Nisso se comprova a necess\u00e1ria adaptabilidade da fam\u00edlia. Hoje, numa grande diversidade de express\u00f5es, tudo se oferece, o melhor e o pior. Caducou um sistema social que enquadrava os indiv\u00edduos num sistema de refer\u00eancias pouco menos que inalter\u00e1vel, e parece abrir-se a cada um uma escolha ilimitada de op\u00e7\u00f5es. Digo \u201cparece\u201d porque, na realidade, n\u00e3o \u00e9 assim, dada a for\u00e7a com que se apresentam a oferta do vazio e a desmobiliza\u00e7\u00e3o da op\u00e7\u00e3o pessoal. De qualquer modo, para uma boa escolha, exige-se uma capacidade de discernimento muito grande, em todo o caso bem superior \u00e0quela que uma educa\u00e7\u00e3o comum hoje proporciona.  <i>Sendo certo que h\u00e1 muitas fam\u00edlias constru\u00eddas sobre esses \u201cvalores perenes\u201d, para alimentar algum optimismo, podemos encontrar ainda outros sinais positivos neste contexto da evolu\u00e7\u00e3o social actual? <\/i> Essas fam\u00edlias existem e s\u00e3o as primeiras a advertir que a sociedade lhes colo-ca s\u00e9rios obst\u00e1culos e nem sempre presta a coopera\u00e7\u00e3o e a complementaridade es-peradas para conseguirem ser fam\u00edlia como entendem e desempenhar bem o papel educativo em rela\u00e7\u00e3o aos filhos. Esta advert\u00eancia \u00e9 muito positiva e parece crescer. Vai at\u00e9 surgindo alguma mobiliza\u00e7\u00e3o para uma entreajuda e uma ac\u00e7\u00e3o concertada no sentido de inverter a tend\u00eancia para o alheamento e o des\u00e2nimo. Na pr\u00e1tica, vai encontrando eco o apelo insistente de Jo\u00e3o Paulo II para que as fam\u00edlias sejam as primeiras protagonistas de um movimento de resposta \u00e0s grandes quest\u00f5es da fam\u00edlia e vai crescendo a consci\u00eancia de que a fam\u00edlia, como j\u00e1 referi, ser\u00e1 sempre um projecto em constru\u00e7\u00e3o.   <b>Igreja e fam\u00edlia<\/b> <i>A Igreja dedica uma aten\u00e7\u00e3o muito especial \u00e0 fam\u00edlia. Ser\u00e1 apenas uma quest\u00e3o de estrat\u00e9gia, como fazem outras institui\u00e7\u00f5es que n\u00e3o se permitem menosprezar essa \u00e1rea fulcral, ou h\u00e1 uma raz\u00e3o mais profunda? <\/i> S\u00e3o Paulo, ao reparar como homem e mulher deixam pai e m\u00e3e para unirem as suas vidas e destinos, viu a\u00ed o melhor sinal da alian\u00e7a que Deus estabeleceu com o seu povo, selada na entrega de Cristo at\u00e9 \u00e0 morte para vida de todos. E contemplando a entrega perfeita de Cristo, n\u00e3o se continha que n\u00e3o dissesse aos c\u00f4njuges para procederem do mesmo modo um com o outro. A Igreja ilumina a fam\u00edlia com uma nova luz, ao mesmo tempo que se enriquece e esclarece com a luz que erradia da fam\u00edlia. Esta \u00e9 a primeira atitude da Igreja, da qual deve partir toda a ac\u00e7\u00e3o pastoral. Enviada ao homem, n\u00e3o pode esquecer que ele \u00e9 chamado por Deus a viver em fam\u00edlia, que a fam\u00edlia \u00e9 o primeiro n\u00edvel de viv\u00eancia eclesial \u2013 Igreja dom\u00e9stica \u2013 e que a Igreja universal \u00e9 chamada a realizar a comunh\u00e3o como que numa fam\u00edlia de fam\u00edlias.   <i>Centrando-nos, concretamente, na pastoral diocesana e, mais concretamente ainda, nos tr\u00eas servi\u00e7os em que trabalha, SDPF, CPM e ENS, como est\u00e3o organizados estes servi\u00e7os e quais s\u00e3o as suas principais linhas de ac\u00e7\u00e3o? <\/i> O Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar tem uma fun\u00e7\u00e3o, antes de mais, de coordena\u00e7\u00e3o de todas as iniciativas nesta \u00e1rea. Por isso, procura uma liga\u00e7\u00e3o estreita com os movimentos especializados e as par\u00f3quias, que s\u00e3o as unidades fundamentais da organiza\u00e7\u00e3o diocesana. Os Centros de Prepara\u00e7\u00e3o para o Matrim\u00f3nio e as Equipas de Nossa Senhora s\u00e3o movimentos de casais, aut\u00f3nomos, cada um com o seu carisma pr\u00f3prio. Enquanto os CPM re\u00fanem casais que aceitam fazer uma caminhada de revis\u00e3o de vida conjugal e familiar que partilham primeiro entre si e depois colocam, sob a forma de testemunho, ao servi\u00e7o dos noivos que se preparam proximamente para o Matrim\u00f3nio, as Equipas de Nossa Senhora t\u00eam em vista a viv\u00eancia espiritual dos pr\u00f3prios casais que se re\u00fanem mensalmente para partilharem a sua caminhada e porem em comum as suas reflex\u00f5es, alegrias e dificuldades.   <i>E dentro desses dinamismos, para o corrente ano, h\u00e1 alguma novidade na ac\u00e7\u00e3o pastoral, algum projecto ou iniciativa que queira destacar? <\/i> Consideramos mais importante, este ano, aquilo que j\u00e1 \u00e9, ao mesmo tempo, resultado de esfor\u00e7os efectuados nos anos anteriores. Vinha-se a insistir na constitui\u00e7\u00e3o de Equipas Paroquiais de Pastoral Familiar, que permitam uma melhor organiza\u00e7\u00e3o local das ac\u00e7\u00f5es das fam\u00edlias para a fam\u00edlia, uma liga\u00e7\u00e3o efectiva com o Secretariado Diocesano e uma representatividade de toda a Diocese num futuro Conselho Diocesano da Fam\u00edlia. Com representantes das Equipas Paroquiais j\u00e1 existentes e com os delegados dos movimentos familiares, o Secretariado Diocesano deu in\u00edcio a uma colabora\u00e7\u00e3o estreita, que se concretizou na organiza\u00e7\u00e3o das jornadas e outras iniciativas, desde a escolha dos temas ao modo de organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o. \u00c9 um esfor\u00e7o a prosseguir.   <i>Um dos temas mais referidos quando se fala desta \u00e1rea pastoral \u00e9 a inser\u00e7\u00e3o de pessoas que se separaram e voltam depois a constituir novas fam\u00edlias. \u00c9 feito algum trabalho em concreto neste campo? <\/i> Ainda h\u00e1 quem continue a imaginar uma solu\u00e7\u00e3o que passe pela aceita\u00e7\u00e3o do div\u00f3rcio ou, pelo menos, por uma igualiza\u00e7\u00e3o, como se nada tivesse acontecido, o que vem dar ao mesmo. N\u00e3o \u00e9 assim. Uma atitude pastoral passa, antes de mais, pelo acolhimento e compreens\u00e3o do que aconteceu, que n\u00e3o \u00e9 for\u00e7osamente igual em todos os casos. Pode concluir-se que vale a pena colocar ao Tribunal Eclesi\u00e1stico a quest\u00e3o da validade do primeiro matrim\u00f3nio. Se n\u00e3o, nunca dispensando o discernimento de cada caso, o di\u00e1logo deve alimentar a f\u00e9 no Senhor Jesus Cristo, que nunca deixa de amar a todos com um amor \u00fanico, e o acolhimento na caridade por parte da Igreja deve levar \u00e0 descoberta da atitude fundamental do mesmo Senhor que, n\u00e3o deixando qualquer ambiguidade sobre a recusa do div\u00f3rcio, manifestou claramente que continuava a acolher os que erram. O que \u00e9 importante \u00e9 que, se n\u00e3o h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es para uma Comunh\u00e3o Eucar\u00edstica, que \u00e9 a Nova Alian\u00e7a de que o Matrim\u00f3nio indissol\u00favel \u00e9 sinal, h\u00e1 outras formas extraordinariamente expressivas de uni\u00e3o a Jesus Cristo e de participa\u00e7\u00e3o na vida da comunidade. Esta ac\u00e7\u00e3o pastoral desenvolve-se essencialmente nas comunidades locais. Um outro aspecto a n\u00e3o descurar e que sobressai \u00e9 a necessidade de uma pastoral familiar e matrimonial que prepare e solidifique as uni\u00f5es.   <i>Tendo em conta essa an\u00e1lise, sente que estamos no caminho certo ou haver\u00e1 que mudar estrat\u00e9gias pastorais, nomeadamente, no caso da nossa diocese?<\/i> A principal mudan\u00e7a deve ser no sentido de toda a pastoral ser familiar, sob pena de n\u00e3o ser pastoral, pura e simplesmente. Foi ainda Jo\u00e3o Paulo II que chamou a aten\u00e7\u00e3o para isso. Dada a import\u00e2ncia da fam\u00edlia na condi\u00e7\u00e3o da pessoa humana, na Igreja e na sociedade, nada pode prescindir dela. Mas, mesmo perante esta liga\u00e7\u00e3o estreita de tudo \u00e0 fam\u00edlia, n\u00e3o pode descurar-se uma pastoral familiar espec\u00edfica e especializada. E ent\u00e3o, abrem-se campos particularmente urgentes, tais como: a prepara\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio, remota, pr\u00f3xima e imediata; o acolhimento e acompanhamento dos casais novos; a pedagogia do di\u00e1logo conjugal e familiar; a espiritualidade conjugal e familiar; o apoio aos pais na educa\u00e7\u00e3o dos filhos; a forma\u00e7\u00e3o com vista a uma paternidade consciente e respons\u00e1vel; e, para retomarmos a prioridade escolhida pelo Secretariado Diocesano, a constitui\u00e7\u00e3o em cada comunidade paroquial de uma equipa de casais especialmente atenta \u00e0 fam\u00edlia, que anime e coordene toda a ac\u00e7\u00e3o em prol da fam\u00edlia.   <i>Uma mensagem final para as fam\u00edlias diocesanas\u2026<\/i> Gostaria de n\u00e3o esquecer nenhuma fam\u00edlia, mesmo independentemente do seu credo religioso. A todas gostaria de deixar uma mensagem de esperan\u00e7a, dentro do esp\u00edrito de Natal que ainda vivemos. Se n\u00e3o for percept\u00edvel a todos a extraordin\u00e1ria surpresa, que os crist\u00e3os acolhem, de um Deus que nasceu homem no seio de uma fam\u00edlia humana, todos nos unimos pelo menos na dimens\u00e3o familiar que o mesmo Natal tomou na nossa civiliza\u00e7\u00e3o. \u00c9 a melhor altura para desejar que as fam\u00edlias se percebam como um projecto com prioridade diante de todos os outros e para propor uma uni\u00e3o dos esfor\u00e7os de todas as fam\u00edlias pela fam\u00edlia.   <i>Entrevista de Lu\u00eds Miguel Ferraz<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista ao director do Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar em Leiria-F\u00e1tima<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[177,189,193,199,206,207,237,267],"class_list":["post-15654","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-diocese-de-leiria-fatima","tag-direitos-humanos","tag-educacao","tag-espiritualidade","tag-familia","tag-fatima","tag-joao-paulo-ii","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15654","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15654"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15654\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15654"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15654"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15654"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}