{"id":156472,"date":"2019-12-09T10:16:20","date_gmt":"2019-12-09T10:16:20","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=156472"},"modified":"2019-12-17T15:42:42","modified_gmt":"2019-12-17T15:42:42","slug":"chega","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/chega\/","title":{"rendered":"Chega?"},"content":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<blockquote><p>\u201cQuanto \u00e9 suficiente?\u201d (Bill McKibbem, naturalista)<\/p><\/blockquote>\n<p>Vivemos num mundo que preza e despreza o crescimento a muitos n\u00edveis. Enquanto preza pelo crescimento econ\u00f3mico, sobretudo das na\u00e7\u00f5es mais desenvolvidas, despreza o crescimento populacional, sobretudo nas zonas menos desenvolvidas. Enquanto se preza pelo aumento da riqueza e dos lucros das grandes empresas, despreza-se as necessidades das popula\u00e7\u00f5es em zonas onde h\u00e1 maior dificuldade, e depois, atribui-se ao crescimento populacional uma das raz\u00f5es da crise ecol\u00f3gica. Estranho.<\/p>\n<figure id=\"attachment_156475\" aria-describedby=\"caption-attachment-156475\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Child_smiling.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-156475 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Child_smiling.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Child_smiling.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Child_smiling-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Child_smiling-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Child_smiling-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Child_smiling-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Child_smiling-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Child_smiling-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-156475\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Muhammadtaha Ibrahim em Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 uma diferen\u00e7a grande entre crescer e progredir. Uma crian\u00e7a cresce at\u00e9 certa idade, mas depois progride. Se prezamos ainda muito o crescimento, quando passaremos \u00e0 fase de progredir? Enquanto o crescimento \u00e9 sinal de uma maturidade por atingir, o progresso com aquilo que somos, procurando melhorar sempre, \u00e9 um sinal de uma maturidade sustentada. Quando progredimos, o crescimento n\u00e3o \u00e9 o que orienta as nossas ac\u00e7\u00f5es, mas antes o <em>equil\u00edbrio.<\/em> O problema \u00e9 que alguns podem ver no equil\u00edbrio algo de est\u00e1tico e que n\u00e3o desenvolve. Algo que parou no tempo. N\u00e3o seria mau parar no tempo para pensar melhor nos caminhos que trilhamos, mas n\u00e3o \u00e9 bem assim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Equil\u00edbrio<\/h3>\n<p>Numa reac\u00e7\u00e3o qu\u00edmica existe sempre um equil\u00edbrio entre os reagentes e os produtos da reac\u00e7\u00e3o. E quando esse equil\u00edbrio \u00e9 perturbado, o sistema reage no sentido de encontrar, de novo, o equil\u00edbrio. O que aprendi em qu\u00edmica \u00e9 que uma reac\u00e7\u00e3o qu\u00edmica equilibrada n\u00e3o \u00e9 est\u00e1tica, mas <em>din\u00e2mica<\/em>. Algo relacionado com a grande confer\u00eancia das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>No COP25 em Madrid discutem-se, essencialmente, as cotas de cada pa\u00eds no Mercado de Carbono, a busca de ac\u00e7\u00f5es pol\u00edticas concretas para limitar as emiss\u00f5es de gases com efeito de estufa, e todo o empenho dos activistas de apelo \u00e0 consci\u00eancia pol\u00edtica da situa\u00e7\u00e3o em que vivemos \u00e9 muito importante. Mas n\u00e3o podemos esquecer que a <em>Confer\u00eancia das Partes<\/em> (<em>Conference Of Parties<\/em> &#8211; COP) deveria ser, antes de tudo, um <em>Compromisso dos Praticantes<\/em> (<em>Compromise Of Practitioners<\/em> &#8211; COP, tamb\u00e9m) porque se n\u00e3o praticamos o que desejamos ver realizado no mundo, de que serve tanto alarido?<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/COP25.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-156474 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/COP25-400x209.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"209\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/COP25-400x209.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/COP25-768x401.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/COP25-980x512.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/COP25-480x251.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/COP25.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a>O desequil\u00edbrio ambiental come\u00e7a em casa, na vida, na falta de equil\u00edbrio quotidiano em cada pessoa. Em mim, em ti, em cada um de n\u00f3s est\u00e1 a possibilidade de transformar o mundo. E se n\u00e3o acreditas que o pouco que fazes tem valor, est\u00e1 na altura que tomar consci\u00eancia disso. Est\u00e1 na altura n\u00e3o s\u00f3 de dizer &#8211; \u201cchega!\u201d &#8211; aos pol\u00edticos, mas viver concretamente o que isso significa. Isto \u00e9, procurar o equil\u00edbrio com o suficiente, o quanto basta, o que chega para viver e progredir. Pois, enquanto vivermos na imaturidade do crescimento, o \u00faltimo modelo de telem\u00f3vel n\u00e3o ser\u00e1 suficiente e estaremos sempre sedentos do modelo que vem a seguir.<\/p>\n<p>O elogio do suficiente, progredindo, \u00e9 a marca de excel\u00eancia de um mundo novo mais equilibrado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Progredir<\/h3>\n<blockquote><p>\u201cMenos \u00e9 mais.\u201d (Robert Browning, poeta ingl\u00eas)<\/p><\/blockquote>\n<p>De cada vez que assistia a uma apresenta\u00e7\u00e3o do novo iPhone, ficava sempre a pensar em mudar para a nova vers\u00e3o. S\u00f3 a voz s\u00e1bia da minha esposa com uma simples quest\u00e3o conseguia devolver-me a consci\u00eancia plena das implica\u00e7\u00f5es desse desejo &#8211; <em>\u201dPrecisas?\u201d<\/em><\/p>\n<p>Desde que experimentei a nova abordagem aos telem\u00f3veis com o iPhone apercebi-me da possibilidade de nos <em>afei\u00e7oarmos<\/em> \u00e0 tecnologia. Esta deixou de ser uma quest\u00e3o funcional, como era inicialmente, passando a fazer parte dos nossos afectos. Parece que estou exagerar, mas, infelizmente, a partir do momento em que se pondera incluir a <em>nomofobia<\/em>, ou a fobia de ficar sem o telem\u00f3vel (<em>no-mobile phone phobia &#8211; nomophobia<\/em>) como uma doen\u00e7a do foro mental, talvez n\u00e3o seja exagerado pensar nos afectos com a tecnologia.<\/p>\n<p>A ades\u00e3o inter-geracional massiva \u00e0s novas tecnologias expressa como pensamos <em>tornamo-nos mais<\/em> com essas, ou seja, crescemos em certo sentido, mas isso reflecte, na minha opini\u00e3o, o <em>afecto ao crescimento<\/em>. E quando nos afei\u00e7oamos ao crescimento, dev\u00edamo-nos questionar sobre a sua necessidade.<\/p>\n<p>A sustentabilidade ambiental, social, relacional est\u00e1 no desenvolvimento a partir daquilo que temos, n\u00e3o precisando de ter mais, mas de ter menos e, com isso, fazer melhor. Talvez seja necess\u00e1rio <em>desenvolver<\/em> mais o afecto pelo equil\u00edbrio do que pelo crescimento, e a busca pelo suficiente, por ser mais com menos. Quando estamos cientes daquilo que chega, o nosso olhar abre-se ao modo din\u00e2mico de continuarmos a progredir. Apesar de jovem, o exemplo de Greta Thunberg parte da base, n\u00e3o do topo e mostra como cada um, independentemente da idade que tem ou condi\u00e7\u00e3o social, pode ser uma for\u00e7a transformativa do nosso mundo. Basta ter a consci\u00eancia plena daquilo que <em>chega.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":92442,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-156472","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/156472","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=156472"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/156472\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92442"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=156472"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=156472"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=156472"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}