{"id":15636,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/o-ano-do-pessimismo\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"o-ano-do-pessimismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-ano-do-pessimismo\/","title":{"rendered":"O ano do pessimismo"},"content":{"rendered":"<p>Francisco Sarsfield Cabral <!--more--> Ao longo do ano predominou em Portugal um clima de pessimismo, decorrente sobretudo da m\u00e1 presta\u00e7\u00e3o da economia, ao que se somaram uma terr\u00edvel seca e uma s\u00e9rie de devastadores inc\u00eandios florestais. Depois de nos termos aproximado das m\u00e9dias europeias, desde h\u00e1 anos que volt\u00e1mos a afastar-nos delas. As nossas empresas perderam competitividade e o desemprego naturalmente aumentou.  No ano que agora finda ainda pouco se avan\u00e7ou no sentido das indispens\u00e1veis mudan\u00e7as estruturais. S\u00f3 estas poder\u00e3o levar-nos a escapar \u00e0 tenaz que nos estrangula: j\u00e1 n\u00e3o somos capazes de competir com base nos baixos sal\u00e1rios (porque outros pa\u00edses, a come\u00e7ar pela China, disp\u00f5em de m\u00e3o-de-obra muit\u00edssimo mais barata) e ainda n\u00e3o produzimos em escala significativa bens e servi\u00e7os tecnologicamente evolu\u00eddos.   <b>Maioria absoluta<\/b> Com a nossa at\u00e1vica depend\u00eancia do Estado, esperamos dos pol\u00edticos que nos resolvam este problema. Em 2005 o Partido Socialista teve a primeira maioria absoluta da sua hist\u00f3ria.  Concorde-se ou n\u00e3o com aquilo que os socialistas preconizam para o Pa\u00eds, \u00e9 bom que um partido possa governar sem ter de fazer acordos mais ou menos pontuais com outras for\u00e7as pol\u00edticas, pois s\u00f3 assim poder\u00e1 ser plenamente responsabilizado. E o Governo de S\u00f3crates tomou j\u00e1 algumas medidas corajosas na redu\u00e7\u00e3o de certos benef\u00edcios em mat\u00e9ria de seguran\u00e7a social e de sa\u00fade, em particular dos servidores do Estado.  Mas ainda n\u00e3o se v\u00ea no horizonte a viragem que nos coloque, de novo, na rota de aproxima\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis m\u00e9dios de bem estar na Uni\u00e3o Europeia. Quase no final do ano, Portugal conseguiu um bom resultado na negocia\u00e7\u00e3o dos dinheiros comunit\u00e1rios para o per\u00edodo 2007-2013.  Os fundos que iremos receber apenas ficar\u00e3o 10 por cento abaixo dos que vieram nos sete anos anteriores, n\u00e3o obstante a Uni\u00e3o Europeia ter agora mais dez Estados membros, de modesto n\u00edvel de riqueza. Mas o dinheiro f\u00e1cil n\u00e3o induz geralmente a boas apostas de investimento. N\u00e3o ser\u00e1 da\u00ed que vir\u00e1 a t\u00e3o desejada recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica.   <b>Crise na UE<\/b> A retoma em Portugal \u00e9 prejudicada pelo fraco crescimento econ\u00f3mico da Europa. Ao insuficiente desempenho da economia europeia juntou-se, em 2005, o agravar da crise pol\u00edtica da Uni\u00e3o.  A Fran\u00e7a e a Holanda, dois pa\u00edses fundadores da UE, rejeitaram em referendos o proposto tratado constitucional. E n\u00e3o emergiram, ao longo do ano, dirigentes europeus com suficiente capacidade de lideran\u00e7a para tirarem a UE da crise.  O acordo or\u00e7amental obtido em Dezembro desanuviou um pouco o ambiente, mas a crise vai prolongar-se por 2006. A fraqu\u00edssima taxa de natalidade europeia leva ao inevit\u00e1vel aumento da imigra\u00e7\u00e3o. Ora 2005 evidenciou as dificuldades que os pa\u00edses europeus encontram na integra\u00e7\u00e3o dos imigrantes.  A Fran\u00e7a conheceu semanas de violentos dist\u00farbios na periferia de algumas cidades, desencadeados pela segunda gera\u00e7\u00e3o de gente que veio trabalhar e viver para aquele pa\u00eds. Ficou, assim, em causa o modelo franc\u00eas de assimila\u00e7\u00e3o dos imigrantes. O modelo multicultural brit\u00e2nico n\u00e3o revelou, por\u00e9m, melhor sa\u00fade. Os atentados de Londres \u2013 h\u00e1 muito esperados, \u00e9 certo \u2013 foram obra de filhos de imigrantes, nascidos no Reino Unido e que at\u00e9 n\u00e3o viviam mal. Atentados que, mais uma vez, vieram chamar aten\u00e7\u00e3o para o grande problema actual que \u00e9 o terrorismo.  <b>A for\u00e7a e o direito<\/b> Entretanto, as coisas tamb\u00e9m n\u00e3o correram da melhor maneira \u00e0 \u00fanica superpot\u00eancia. N\u00e3o obstante duas elei\u00e7\u00f5es com larga participa\u00e7\u00e3o de votantes (Outubro de 2004 e Dezembro de 2005), a situa\u00e7\u00e3o no Iraque ainda n\u00e3o d\u00e1 sinais de estabiliza\u00e7\u00e3o.  O prolongamento da viol\u00eancia no Iraque parece ter afectado a disposi\u00e7\u00e3o dos norte-americanos, que se revelam agora maioritariamente favor\u00e1veis \u00e0 retirada das suas tropas. Contra o que se esperava, Bush enfraqueceu politicamente no primeiro ano do seu segundo mandato, n\u00e3o obstante a reelei\u00e7\u00e3o triunfal em Novembro de 2004. A sua taxa de popularidade desceu e os Republicanos, no Congresso, j\u00e1 n\u00e3o se apresentam unidos em torno do Presidente. A contesta\u00e7\u00e3o a Bush tem a ver, em parte, com a forma \u00e9tica e juridicamente discut\u00edvel como os Estados Unidos tratam os suspeitos de terrorismo, dentro e fora do seu territ\u00f3rio. A Casa Branca foi for\u00e7ada a aceitar uma resolu\u00e7\u00e3o do Congresso que pro\u00edbe a tortura de prisioneiros \u00e0 guarda de for\u00e7as americanas. Sobre a necessidade de refor\u00e7ar o direito internacional humanit\u00e1rio, mesmo em situa\u00e7\u00f5es de guerra e terrorismo,  pronunciou-se o Papa Bento XVI na sua mensagem, j\u00e1 divulgada, para o Dia Mundial da Paz (1 de Janeiro). Um texto em que se defendem as organiza\u00e7\u00f5es internacionais, nomeadamente as Na\u00e7\u00f5es Unidas, e se condenam os gastos militares e as armas nucleares. Ali se apontam o niilismo e o fun-damentalismo como fontes inspiradoras do terrorismo.  Na sequ\u00eancia de interven\u00e7\u00f5es anteriores de Bento XVI, esta mensagem \u00e9, porventura, a melhor homenagem \u00e0 mem\u00f3ria de Jo\u00e3o Paulo II, que nos deixou em Abril. E \u00e9 algo que nos lembra que a resigna\u00e7\u00e3o ao que est\u00e1 mal e o pessimismo como atitude s\u00e3o posi\u00e7\u00f5es impr\u00f3prias de um crist\u00e3o.   <i>Francisco Sarsfield Cabral, Director de Informa\u00e7\u00e3o da RR<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco Sarsfield Cabral<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[120,165,168,191,203,232,237,266,267],"class_list":["post-15636","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-bento-xvi","tag-dia-mundial-da-paz","tag-diocese-da-guarda","tag-economia","tag-europa","tag-incendios","tag-joao-paulo-ii","tag-nacoes-unidas","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15636","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15636"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15636\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15636"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15636"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15636"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}