{"id":15633,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/alem-mar-completa-percurso-de-50-anos\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"alem-mar-completa-percurso-de-50-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/alem-mar-completa-percurso-de-50-anos\/","title":{"rendered":"Al\u00e9m-Mar completa percurso de 50 anos"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" border=\"1\" src=\"\/pub\/1\/img\/LOGO_50ANOS.jpg\" align=\"left\">Aos 50 anos de idade, a Al\u00e9m-Mar apresenta-se uma revista adulta, madura: 60 p\u00e1ginas, a cores, uma vasta gama de argumentos e assuntos tratados com profissionalismo e rigor, cobrindo os cinco continentes, o mundo que fica al\u00e9m das nossas fronteiras geogr\u00e1ficas, hist\u00f3ricas, culturais e religiosas. Um ponto de chegada alto no longo caminho de uma revista cujos in\u00edcios foram simples, como o s\u00e3o todos os in\u00edcios tocados pelo fermento do Evangelho.  A gera\u00e7\u00e3o dos primeiros mission\u00e1rios combonianos que veio para Portugal apostou na palavra e, em particular, na palavra escrita. Depois de estabelecidas as primeiras comunidades combonianas, a ideia de uma revista \u00abmission\u00e1ria\u00bb apareceu como a iniciativa que se impunha, na linha do pensamento do fundador, S\u00e3o Daniel Comboni, que escrevia: \u00abTemos l\u00edngua para falar e pena para escrever.\u00bb  Viseu foi a cidade escolhida para o lan\u00e7amento da revista. O ano, 1956. O nome Al\u00e9m-Mar, que foi sugerido por um dos seminaristas estudantes de Teologia do Semin\u00e1rio Diocesano, um pormenor a evidenciar o ambiente jovem em que a revista nasceu e primeiro se divulgou. O objectivo da publica\u00e7\u00e3o era informar e formar numa linha crist\u00e3 e mission\u00e1ria, apoiar a paix\u00e3o mission\u00e1ria que norteava a vida dos mission\u00e1rios combonianos. Assim, em Janeiro de 1956 a Al\u00e9m-Mar sa\u00eda do prelo numa tipografia de Gouveia, com tiragem de dois mil exemplares. Produzir e lan\u00e7ar uma revista no Portugal dos anos 50 n\u00e3o era empresa f\u00e1cil. A difus\u00e3o, por assinatura anual, afigurava-se particularmente dif\u00edcil. Mas pouco a pouco o desafio foi-se vencendo. Com o andar dos anos a revista cresceu em n\u00famero de assinantes (hoje tem 22.221 e imprime 23.500 exemplares), em formato e em import\u00e2ncia. De formato pequeno (13 cent\u00edmetros por 17,6) passou ao formato grande que mant\u00e9m. De bimestral passou ao ritmo mensal e de Viseu transferiu-se para Pa\u00e7o de Arcos, em 1963, e depois para Lisboa, em 1966, para as instala\u00e7\u00f5es que ainda hoje ocupa.  <b>Uma voz aberta<\/b> Gra\u00e7as \u00e0 entrega dos seus directores e ao esp\u00edrito de dedica\u00e7\u00e3o da equipa de redac\u00e7\u00e3o e dos colaboradores, a Al\u00e9m-Mar imp\u00f4s-se na Igreja e na sociedade portuguesa como revista de refer\u00eancia mission\u00e1ria. Cada m\u00eas, a revista traz aos seus leitores uma lufada de esp\u00edrito mission\u00e1rio, constitu\u00edda por testemunhos, informa\u00e7\u00e3o e algumas provoca\u00e7\u00f5es que decorrem de uma vis\u00e3o mission\u00e1ria comprometida e aberta. A revista n\u00e3o traiu quem a fazia e abria-se aos temas da miss\u00e3o universal, \u00e0s quest\u00f5es sociais e aos temas candentes da renova\u00e7\u00e3o eclesial, temas que polarizaram as aten\u00e7\u00f5es e opini\u00f5es durante os anos 60 e 70.  Com os seus leitores, a revista conseguiu criar e manter rela\u00e7\u00f5es de simpatia e cordialidade, criando condi\u00e7\u00f5es para a fidelidade manifestada por muitos deles durante d\u00e9cadas. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja, a revista representava uma voz aberta, apreciada com o passar dos anos, apesar de nem sempre apoiada e algumas vezes criticada. Mas foi em rela\u00e7\u00e3o ao poder pol\u00edtico que a Al\u00e9m-Mar mais dificuldades haveria de experimentar no seu percurso. O seu esp\u00edrito aberto, universal, informativo para al\u00e9m das nossas fronteiras, acabaria por trazer dissabores, num tempo em que a censura do regime de ent\u00e3o controlava \u00e0 tesoura a liberdade de imprensa e se mostrava particularmente sens\u00edvel com os questionamentos relativos \u00e0 quest\u00e3o colonial.   <b>A revista confiscada<\/b> Em Novembro de 1964, por causa de um artigo sobre o Congresso Eucar\u00edstico de Bombaim e por uma posi\u00e7\u00e3o em favor da visita do Papa Paulo VI \u00e0 \u00cdndia, a Al\u00e9m-Mar foi suspensa por ordem do secret\u00e1rio do Gabinete da Presid\u00eancia do Conselho. Havia indica\u00e7\u00f5es dadas pelo director da Censura aos jornais para que se abstivessem de publicar not\u00edcias referentes aos dois acontecimentos. A Al\u00e9m-Mar, que como revista mensal n\u00e3o estava sujeita a censura pr\u00e9via, n\u00e3o recebera nenhum aviso e furou assim o bloqueio noticioso decretado pelo Governo de Salazar, saindo com o artigo \u00abUm Congresso para a \u00cdndia\u00bb.  A proeza ficou cara. No dia 4 de Novembro a revista foi confiscada e o seu director convocado pelo director da Censura que, para al\u00e9m de lhe comunicar a suspens\u00e3o da publica\u00e7\u00e3o lhe notificou tamb\u00e9m a revoga\u00e7\u00e3o do reconhecimento jur\u00eddico ao Instituto dos Mission\u00e1rios Combonianos. O pesadelo, criado por esta suspens\u00e3o a quantos faziam a revista e aos Mission\u00e1rios Combonianos, haveria finalmente de acabar quando, em 8 de Maio de 1965, a Al\u00e9m-Mar p\u00f4de reaparecer e continuar a sua publica\u00e7\u00e3o, desta feita obrigada \u00e0 censura pr\u00e9via e aguentando as desconfian\u00e7as do regime, numa rela\u00e7\u00e3o com o poder pol\u00edtico que n\u00e3o se adivinhava f\u00e1cil.  As autoridades pressentiam que o nacionalismo fechado \u2013 seu e do regime que personificavam \u2013 n\u00e3o tinha aliados entre os mission\u00e1rios que estavam por detr\u00e1s da revista, pessoas de mentalidade aberta, com uma vis\u00e3o mission\u00e1ria que questionava alguns pressupostos da pol\u00edtica colonial do Estado Novo. Esta situa\u00e7\u00e3o de tens\u00e3o e relacionamento dif\u00edcil haveria o tempo de a resolver a favor dos Mission\u00e1rios Combonianos e da revista. Livre de apoios do regime, e defendendo uma actua\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria mais em sintonia com a Igreja universal, a Al\u00e9m-Mar viu a sua linha editorial consagrada nas mudan\u00e7as que o Conc\u00edlio Vaticano II trouxe \u00e0 Igreja e no processo de transforma\u00e7\u00e3o que a revolu\u00e7\u00e3o de Abril acabaria por trazer \u00e0 sociedade portuguesa a meados da d\u00e9cada de 70.  <b>As causas do Sul<\/b> Nas d\u00e9cadas que se seguiram, a Al\u00e9m-Mar p\u00f4de expandir-se, abra\u00e7ando os temas da miss\u00e3o crist\u00e3 no mundo de hoje, em plena liberdade. A revista abriu-se assim naturalmente aos problemas da transforma\u00e7\u00e3o social que caracterizaram as \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX e abra\u00e7ou as causas dos pa\u00edses pobres do Sul do mundo. A informa\u00e7\u00e3o foi-se integrando com a forma\u00e7\u00e3o e a proposta dos valores da mundivid\u00eancia crist\u00e3. As dimens\u00f5es religiosa e mission\u00e1ria enriqueceram-se com o espa\u00e7o dado \u00e0s outras dimens\u00f5es da vida social: a economia, a pol\u00edtica, a cultura. Os desafios a enfrentar naturalmente foram outros: manter a qualidade da revista e acompanhar o progresso da imprensa escrita; aumentar os assinantes para assegurar o futuro da revista como meio de comunica\u00e7\u00e3o independente de grupos e press\u00f5es e inspirado numa vis\u00e3o crist\u00e3 da vida e da sociedade; acompanhar com sentido prof\u00e9tico o caminho da Igreja em geral e as mudan\u00e7as na miss\u00e3o universal em particular.  <i>Manuel Augusto Ferreira, Mission\u00e1rio Comboniano<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos 50 anos de idade, a Al\u00e9m-Mar apresenta-se uma revista adulta, madura: 60 p\u00e1ginas, a cores, uma vasta gama de argumentos e assuntos tratados com profissionalismo e rigor, cobrindo os cinco continentes, o mundo que fica al\u00e9m das nossas fronteiras geogr\u00e1ficas, hist\u00f3ricas, culturais e religiosas. Um ponto de chegada alto no longo caminho de uma [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[136,144,184,191],"class_list":["post-15633","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-combonianos","tag-concilio-vaticano-ii","tag-diocese-de-viseu","tag-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15633","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15633"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15633\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15633"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15633"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15633"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}