{"id":15612,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/anunciar-a-paz-e-anunciar-a-salvacao\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"anunciar-a-paz-e-anunciar-a-salvacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/anunciar-a-paz-e-anunciar-a-salvacao\/","title":{"rendered":"Anunciar a paz \u00e9 anunciar a salva\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Armindo Lopes Coelho na Missa de Natal <!--more--> \u201cComo s\u00e3o belos sobre os montes os p\u00e9s do mensageiro que anuncia a paz\u201d (Is. 52,7).  Paz \u00e9 um dos m\u00faltiplos termos, uma das vers\u00f5es actuais para substituir e evitar a palavra, a ideia, o acontecimento e o facto do Natal. Pensar-se-\u00e1 que \u00e9 mais universal, mais pac\u00edfico, mais consensual ou menos agressivo ideologicamente substituir o Natal pela paz. E em verdade, relativamente \u00e0 paz, a nostalgia \u00e9 colectiva, embora de consci\u00eancia ou gravidade desigual, o sentimento de culpa \u00e9 mais alheio ou superficial, mas o apre\u00e7o \u00e9 sincero (mesmo que n\u00e3o reflectido) e a necessidade \u00e9 grande e partilhada com facilidade: todos desejamos a paz e por isso todos nos desejamos a paz, aliada at\u00e9 com boas festas. E at\u00e9 vamos aceitando, embora com alguma surpresa, os votos de reconcilia\u00e7\u00e3o, tidos como \u00fateis&#8230; para os outros. Ora, no mesmo contexto b\u00edblico, o profeta que bendiz a paz e os seus mensageiros anuncia, tamb\u00e9m profeticamente: \u201ctodos os confins da terra ver\u00e3o a salva\u00e7\u00e3o do nosso Deus\u201d (Is. 52,10). Anunciar a paz \u00e9 anunciar a salva\u00e7\u00e3o (de Deus). E a nostalgia da paz que se anuncia e falta \u00e9 a nostalgia da salva\u00e7\u00e3o que se deseja e se ignora ou recusa. Entretanto, \u201cnestes dias, que s\u00e3o os \u00faltimos, Deus falou-nos por seu Filho&#8230; que tudo sustenta com a sua palavra poderosa\u201d (Hebr. 1,3). Menos auto-responsabilizados pela palavra de Deus proferida \u201cmuitas vezes e de muitos modos\u201d (Hebr. 1,1), n\u00e3o podemos deixar de nos sentir devidamente avisados por Deus nos ter falado \u201cnestes dias, que s\u00e3o os \u00faltimos\u201d, ou nos \u00faltimos dias que s\u00e3o os nossos, porque Deus falou para n\u00f3s nestes dias da nossa vida. Indiferentes porventura \u00e0 Palavra de Deus, pelo Filho e no Filho, teremos que nos proteger com as desculpas de cepticismo, incredulidade, ou agnosticismo auto-suficiente quando se nos afirma que o Filho de Deus tudo sustenta com a sua palavra poderosa. S. Jo\u00e3o, o disc\u00edpulo, ap\u00f3stolo e evangelista de maiores cr\u00e9ditos para falar nesta mat\u00e9ria, diz que a Palavra ou Verbo estava com Deus, era Deus, \u00e9 Deus, criador, vida e luz, a luz verdadeira, que veio ao mundo. \u201ce o Verbo (ou Palavra) fez-se carne e habitou entre n\u00f3s\u201d (Jo. 1,14). Quando falamos do Natal falamos do nascimento de Cristo em Bel\u00e9m: falamos daquela noite, dos anjos, dos pastores, dos c\u00e2nticos, da estrela, do pres\u00e9pio, da gruta, dos animais, dos magos, de Her\u00f3des, de Jesus e Maria, e de Jesus (o Salvador), o Filho de Deus que se fez carne (Homem) para habitar entre n\u00f3s, connosco, e dar a vida por n\u00f3s, deixando que o sacrificassem pregado numa cruz. O pres\u00e9pio e a cruz constituem os dois momentos referentes, simb\u00f3lica e realmente, ao in\u00edcio e ao termo da vida de Cristo vis\u00edvel entre n\u00f3s \u2013 Na cruz est\u00e1 o drama do sacrif\u00edcio, da entrega, da reden\u00e7\u00e3o e do amor. No pres\u00e9pio est\u00e1, n\u00e3o a fantasia da imagina\u00e7\u00e3o, mas a poesia da inoc\u00eancia, da harmonia, da simplicidade, da ternura, do Menino Deus, do acolhimento por Maria e Jos\u00e9, da festa colectiva, do mist\u00e9rio de Deus que vem para aqui ser \u201cEmmanuel\u201d, Deus connosco. Celebrar o Natal \u00e9 celebrar o nascimento de Jesus Cristo (o Salvador e Messias), Filho de Deus e filho da Humanidade por Maria, \u201ccheio de gra\u00e7a e de verdade\u201d, de cuja plenitude todos beneficiamos porque todos recebemos. Todos exultamos, porque sabemos (os que temos f\u00e9) que \u201cda sua plenitude todos n\u00f3s recebemos gra\u00e7a sobre gra\u00e7a\u201d (Jo. 1, 16). O Evangelista que nos relatou o Natal e nos interpretou o seu sentido e alcance teol\u00f3gico tamb\u00e9m profetizou como acontecimento tr\u00e1gico: \u201cO mundo, que foi feito por Ele, n\u00e3o O conheceu. Veio para o que era seu e os seus n\u00e3o O receberam\u201d (Jo. 1, 10-11). Era a imagem do mundo e da sociedade de ent\u00e3o, pren\u00fancio do mundo e da sociedade de hoje. Mas n\u00f3s acreditamos, recebemo-Lo e queremos estar com Ele, ainda mais e de modo mais comprometido, para Lhe pedir que seja para todos Salvador e Messias, Jesus Cristo, e que nas\u00e7a tamb\u00e9m para aqueles que O ignoram, O desprezam e buscam sem Ele e contra Ele, outros salvadores, outros messias, outra salva\u00e7\u00e3o. Que o Menino Deus, seja vida e luz, esperan\u00e7a e Salva\u00e7\u00e3o para todos v\u00f3s e vossas fam\u00edlias, para a nossa sociedade, para o nosso pa\u00eds.  S\u00e9 Catedral do Porto, 25 Dezembro 2005,  <I>D. Armindo Lopes Coelho, Bispo do Porto<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. Armindo Lopes Coelho na Missa de Natal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[160,187,206,267],"class_list":["post-15612","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-d-armindo-lopes-coelho","tag-diocese-do-porto","tag-familia","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15612","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15612"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15612\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15612"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15612"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15612"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}