{"id":156060,"date":"2019-12-04T11:15:03","date_gmt":"2019-12-04T11:15:03","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=156060"},"modified":"2019-12-09T11:31:10","modified_gmt":"2019-12-09T11:31:10","slug":"o-melhor-presente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-melhor-presente\/","title":{"rendered":"O melhor presente"},"content":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A Bertrand Livreiros teve uma ideia genial e comovente que exprime bem o grande desafio da cultura actual e como nos podemos preparar melhor para viver intensamente este per\u00edodo de advento que antecede o Natal.<\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_46172\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zzgW86z80eA?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<p>A coragem das fam\u00edlias que partilharam algo de \u00edntimo \u00e9 not\u00e1vel e faz-nos pensar na qualidade do nosso tempo, sobretudo, a qualidade da nossa <em>presen\u00e7a em fam\u00edlia.<\/em><\/p>\n<p>Queixamo-nos muito de estar sempre ocupados e com muito trabalho para fazer. Os prazos apertam, o trabalho acumula, mas depois dizemos que temos de relaxar e os nossos ecr\u00e3s tornaram-se um <em>escape.<\/em> O pre\u00e7o a pagar por este escape, como o trabalho feito pela Bertrand bem ilustra, \u00e9 a <em>presen\u00e7a.<\/em><\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3>Tempo de estar presente<\/h3>\n<p>Estar presente n\u00e3o envolve apenas o nosso corpo ou disponibilidade, mas tamb\u00e9m a nossa mente, esp\u00edrito e a aten\u00e7\u00e3o. Quando experimentamos a falta de tempo, na pr\u00e1tica, referimo-nos ao cronol\u00f3gico que acontece, independentemente das nossas escolhas, mas existe outro tempo, o <a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-segredo-da-falta-de-tempo\/\">kairol\u00f3gico<\/a>;. Esse \u00e9 o tempo onde a presen\u00e7a faz diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Quando o <em>chronos<\/em> domina sobre o <em>kairos<\/em>, a busca por motivos de escape \u00e9 grande e exerce uma forte influ\u00eancia sobre a nossa vida. Precisamos de um est\u00edmulo e, sem nos darmos conta, voltamo-nos para n\u00f3s mesmos e para os nossos ecr\u00e3s. Esses ecr\u00e3s contemplam mais tempo o nosso rosto do que os nossos filhos, familiares e amigos. Pensamos estar a eles conectados pela partilha de mensagens, fotos, mas nada substitui a for\u00e7a transformativa da <em>presen\u00e7a.<\/em> Mas h\u00e1 quem comente que \u00e9 <em>\u201dsol de pouca dura.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Realmente, em muitos casos, estes v\u00eddeos tocam-nos, partilhamos, reagimos, e talvez funcione por uma semana, duas, mas depois voltamos ao mesmo. De facto, o grande desafio da aus\u00eancia da nossa aten\u00e7\u00e3o, apesar da presen\u00e7a f\u00edsica, est\u00e1 nos h\u00e1bitos que criamos. Na pr\u00e1tica, o excesso de tempo que passamos diante de um ecr\u00e3 \u00e9 um mau h\u00e1bito. E do mesmo modo que um h\u00e1bito se cria, tamb\u00e9m se remove.<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3>Quebrar um mau h\u00e1bito<\/h3>\n<p>Em primeiro lugar, para quebrar um mau h\u00e1bito \u00e9 preciso entender a sua causa. E as duas mais frequentes s\u00e3o o <em>stress<\/em> e o t\u00e9dio. Ainda que o t\u00e9dio possa servir a criatividade, precisa de treino at\u00e9 dele se extrair algum <a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-beneficio-oculto-do-tedio\/\">benef\u00edcio<\/a>;. Para j\u00e1, importa perceber qual o momento, sentimento, acto, ou seja, qual o <em>\u201dgatilho\u201d<\/em> que nos impulsiona na direc\u00e7\u00e3o do h\u00e1bito de estar sempre diante de um ecr\u00e3.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 por uma necessidade biol\u00f3gica de dopamina por estarmos desentusiasmados com alguma coisa? Ser\u00e1 por uma necessidade emocional de reconhecimento, quando isso n\u00e3o acontece no trabalho ou at\u00e9 na pr\u00f3pria fam\u00edlia? Ser\u00e1 a necessidade de estar conectado porque n\u00e3o queremos estar desactualizados da vida dos outros, usando um \u201cGosto\u201d ou reagindo com um coment\u00e1rio?<\/p>\n<p>\u00c9 importante reconhecer que os maus h\u00e1bitos n\u00e3o se eliminam. Esse \u00e9 um ponto presente nos coment\u00e1rios ao v\u00eddeo da Bertrand, havendo pessoas que criticassem como ap\u00f3s uns dias tudo volta ao que era antes. Os maus h\u00e1bitos <em>substituem-se<\/em> com bons h\u00e1bitos.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o extra\u00edssemos qualquer benef\u00edcio de um mau h\u00e1bito, n\u00e3o o ter\u00edamos. Por isso, um modo de substituir por um bom h\u00e1bito significa optar por um h\u00e1bito com um benef\u00edcio semelhante. Esses benef\u00edcios afectam o nosso comportamento, pelo que a substitui\u00e7\u00e3o deve, tamb\u00e9m, afectar o nosso comportamento.<\/p>\n<p>Baseando-me no livro <em>\u201dH\u00e1bitos At\u00f3micos\u201d<\/em> do autor James Clear, penso existirem quatro fases na quebra de um mau h\u00e1bito:<\/p>\n<ol>\n<li><strong>Escolher um substituto para o mau h\u00e1bito.<\/strong> \u00c9 importante ter planear, antecipadamente, o que podemos fazer quando sentimos o impulso a pegar no <em>smartphone<\/em>, em vez de dedicar algum tempo aos nossos filhos, familiares ou amigos. Por exemplo, deix\u00e1-lo \u00e0 entrada de casa, em vez de o ter sempre connosco. Assim, de cada vez que queremos fazer alguma coisa nele, ou outros sabem onde estamos e qual o seu lugar.<\/li>\n<li><strong>Cortar com os \u201cgatilhos\u201d.<\/strong> Se a primeira coisa que fazemos quando nos sentamos no sof\u00e1 \u00e9 pegar no comando e come\u00e7ar a ver o epis\u00f3dio de uma s\u00e9rie, pe\u00e7am a algu\u00e9m para esconder o comando (se bem que no caso das crian\u00e7as, talvez sejamos n\u00f3s a esconder). A ideia desta fase \u00e9 tornar dif\u00edcil o \u201cgatilho\u201d que nos leva a retomar um mau h\u00e1bito.<\/li>\n<li><strong>Juntar for\u00e7as com algu\u00e9m.<\/strong> Quando procuramos fazer algo sozinhos podemos desmotivar, mas se partilharmos a decis\u00e3o de quebrar um mau h\u00e1bito com outros, ajudamo-nos mutuamente. Por exemplo, no caso de deixar o telem\u00f3vel \u00e0 entrada, convide o c\u00f4njuge a fazer o mesmo.<\/li>\n<li><strong>Pensar no efeito positivo do sucesso.<\/strong> Reduzindo e controlando melhor a gest\u00e3o que fazemos do nosso tempo de ecr\u00e3 permite dar mais espa\u00e7o aos relacionamentos que realmente importam na nossa vida. Quando pensamos no efeito positivo de quebrar um mau h\u00e1bito, vemos como a nossa identidade se constr\u00f3i na direc\u00e7\u00e3o da pessoa que podemos ser. Por isso, podemos sempre recome\u00e7ar quando falhamos, pois, um mau h\u00e1bito, n\u00e3o faz de n\u00f3s m\u00e1s pessoas, mas humanos.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Errar \u00e9 humano, mas recome\u00e7ar faz-nos ainda mais humanos e damos um testemunho vital aos filhos, familiares e amigos. No final, independentemente de tudo, o melhor presente ser\u00e1 sempre estar presente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":92442,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-156060","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/156060","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=156060"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/156060\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92442"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=156060"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=156060"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=156060"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}