{"id":15600,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/mensagem-de-natal-do-patriarca-de-lisboa\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"mensagem-de-natal-do-patriarca-de-lisboa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-de-natal-do-patriarca-de-lisboa\/","title":{"rendered":"Mensagem de Natal do Patriarca de Lisboa"},"content":{"rendered":"<p>MENSAGEM DE NATAL 2005  DE SUA EMIN\u00caNCIA REVEREND\u00cdSSIMA  D. JOS\u00c9 DA CRUZ POLICARPO  CARDEAL-PATRIARCA DE LISBOA Senhores telespectadores e r\u00e1dio-ouvintes  1. Mais uma vez, \u00e9-me oferecida a possibilidade de dirigir a todos os portugueses, espalhados pelo mundo, uma mensagem de fraternidade e de paz. Fa\u00e7o-o pessoalmente e em nome da Igreja. Dirijo-me a todos, crentes e descrentes, porque acredito que aquele Menino, que nasceu em Bel\u00e9m, continua a ser um abra\u00e7o do amor de Deus por todos os homens. O esp\u00edrito do Natal \u00e9 de paz e de alegria. \u00c9 assim desde aquela noite em Bel\u00e9m, quando um mensageiro celeste anunciou aos pastores: \u201cN\u00e3o temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que \u00e9 Cristo Senhor\u201d. Porque vos falo em nome da Igreja, tenho de vos dizer com simplicidade, que o motivo da nossa alegria \u00e9 Jesus Cristo, continua a ser Jesus Cristo, Vivo na Sua Igreja, express\u00e3o sempre actual do amor de Deus por n\u00f3s, \u00fanica fonte verdadeira da paz entre os homens. H\u00e1 apenas algumas semanas, a Igreja de Lisboa exprimiu a toda a cidade a alegria de termos permanentemente connosco Cristo Vivo, o Deus amoroso no meio do Seu Povo. Fizemo-lo com simplicidade e beleza, com a autenticidade de quem deseja conviver com todos, partilhando a verdade mais profunda do nosso cora\u00e7\u00e3o; fizemo-lo em festa recolhida e serena, e convid\u00e1mos todos a juntar-se a n\u00f3s. E vieram muitos, centenas de milhares, e como naquela noite em Bel\u00e9m, Maria, a M\u00e3e de Jesus, foi a Rainha da nossa festa. Ao contemplar a sua imagem entre a multid\u00e3o, na beleza do seu rosto imaculado, express\u00e3o mesma da ternura de Deus, senti a actualidade da mensagem do Anjo aos Pastores de Bel\u00e9m: \u201cN\u00e3o temais; anuncio a todo o Povo uma grande alegria; nasceu-vos, na casa de David, um Salvador\u201d.   2. N\u00e3o temais! A mensagem desta noite convida-nos a vencer os medos que tolhem a nossa vida. Hoje, h\u00e1 muita gente com medo, o que impede as pessoas de serem felizes. Para enfrentar com liberdade as realidades que nos atemorizam, \u00e9 preciso vencer o medo, porque este \u00e9 um sentimento que tolhe a liberdade e enfraquece a coragem de lutar. O an\u00fancio libertador de Jesus Cristo come\u00e7a frequentemente assim: n\u00e3o temais, Eu venci o mundo. A vit\u00f3ria sobre os medos \u00e9 uma vit\u00f3ria espiritual, porque o \u00e9 da liberdade. Paradoxalmente, as chamadas sociedades evolu\u00eddas, que optaram por modelos de desenvolvimento destinados a resolver, pela ci\u00eancia e pela t\u00e9cnica, as principais amea\u00e7as que pesavam sobre o ser humano, n\u00e3o anularam o medo. O medo da viol\u00eancia, que gera inseguran\u00e7a; o medo de perder o trabalho ou de nem sequer conseguir o primeiro emprego; o receio de que falhe a rela\u00e7\u00e3o de amor em que se depositou toda a confian\u00e7a; a afli\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as perante a desaven\u00e7a dos pais; o medo da morte. \u00c9 preciso enfrentar as realidades que nos atemorizam, mas isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel, se vencermos o medo. Nossa Senhora prometeu aos Pastorinhos: \u201cN\u00e3o tenhais medo! O meu Imaculado Cora\u00e7\u00e3o triunfar\u00e1\u201d. Essa \u00e9 a verdadeira vit\u00f3ria sobre o medo, a for\u00e7a de um cora\u00e7\u00e3o renovado. Esse foi o segredo dos her\u00f3is, dos m\u00e1rtires e dos santos, em todos os tempos. Jesus, preparando os disc\u00edpulos para as dificuldades que v\u00e3o encontrar, diz-lhes: \u201cN\u00e3o tenhais medo daqueles que vos podem matar o corpo, mas nunca poder\u00e3o matar-vos a alma. Temei esses que podem levar \u00e0 perdi\u00e7\u00e3o o vosso corpo e a vossa alma\u201d (cf. Mt. 10,28). Este \u201cn\u00e3o temais\u201d, dito pelo Anjo, \u00e9 o grito, tantas vezes repetido pelos profetas, aos crentes de Israel. Quem confia no Senhor n\u00e3o ter\u00e1 medo, como canta o salmista: \u201cO Senhor \u00e9 a minha luz e salva\u00e7\u00e3o, de quem haveria de ter medo? O Senhor \u00e9 a muralha da minha vida, perante quem tremerei?\u201d (Ps. 27,1).  3. O Anjo acrescenta a seguir: \u201canuncio a todo o povo uma grande alegria: nasceu-vos um Salvador\u201d. A Igreja n\u00e3o pode esquecer isto: a alegria da Salva\u00e7\u00e3o \u00e9 para ser anunciada a todo o povo. E esta exig\u00eancia de anunciar a Salva\u00e7\u00e3o, s\u00f3 se torna inevit\u00e1vel para os crentes, que n\u00e3o podem deixar de evangelizar. Aqueles a quem anunciamos s\u00e3o livres de escolher, ou n\u00e3o, este an\u00fancio libertador. Aceitar o Evangelho \u00e9 sempre um acto de liberdade, e s\u00f3 os homens livres podem acolher a mensagem de Jesus, porque n\u00e3o est\u00e3o estagnados no seu presente, mas dispostos a abrir-se a uma luz nova e a uma nova etapa da liberdade. Cada homem guarda no \u00edntimo do cora\u00e7\u00e3o a simplicidade de se deixar atrair e encantar pela beleza de Jesus Cristo, porque Ele penetra em portas que ningu\u00e9m abriu. A luz do Natal aparece sempre como uma estrela que \u00e9 preciso seguir, ultrapassando, corajosamente, a fronteira das nossas certezas. Nesta noite, toda a cidade, cada fam\u00edlia, a vida de cada um de n\u00f3s, est\u00e3o envoltas em sinais que nos falam da alegria do Natal, porque na abordagem do mist\u00e9rio, os sinais significam mais do que os discursos. Convido cada um de v\u00f3s, nesta noite, a referir ao nascimento de Jesus e \u00e0 alegria que ele significou para a humanidade, os sinais que vos envolvem, porque constituem a linguagem simb\u00f3lica desta festa. As estrelas luminosas sugerem-nos a estrela de Bel\u00e9m, cuja luz levou os Magos ao pres\u00e9pio. A luz \u00e9 o elemento principal nesta festa: as ruas est\u00e3o iluminadas, as \u00e1rvores resplandecem, os edif\u00edcios e as lojas atraem pela intensidade da luz. Toda essa luz lembra-nos que Cristo \u00e9 a luz do mundo, e que a Liturgia h\u00e1-de celebrar gloriosamente essa luz, na P\u00e1scoa da Sua ressurrei\u00e7\u00e3o. N\u00e3o ser\u00e1 de uma outra luz que andamos \u00e0 procura, nos caminhos, tantas vezes sombrios, da nossa vida? No Natal trocam-se presentes. Pratica-se uma generosidade, como em nenhum outro dia do ano, para manifestarmos a amizade, fraternidade, alegria. Mas essa \u00e9 a mensagem de Jesus: dai de gra\u00e7a, porque tudo recebeste de gra\u00e7a. Purifiquemos a nossa inten\u00e7\u00e3o em cada presente, fa\u00e7amo-lo por amor, e recordemos que o mais importante \u00e9 que sejamos dons uns para os outros. Na intimidade dos vossos lares encenastes, talvez, o pres\u00e9pio de Bel\u00e9m. Bel\u00edssima tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de figurar os Mist\u00e9rios, ele recorda-nos o momento mais intenso de uma fam\u00edlia, a fam\u00edlia de Jesus, a quem nem a pobreza e a dificuldade das circunst\u00e2ncias impediram a alegria sublime da f\u00e9 e do amor, expressos naquele \u201cMenino\u201d, prometido e esperado, dom de Deus que nos \u00e9 renovado pelos bra\u00e7os estendidos de Sua M\u00e3e. Sa\u00fado, neste momento, aquelas fam\u00edlias para quem \u00e9 Natal, porque celebram o sentido do seu amor numa crian\u00e7a que nasceu. Se, nesta noite, pensarmos no sentido de tudo o que nos rodeia, abriremos o nosso cora\u00e7\u00e3o \u00e0 beleza e poderemos celebrar, em festa, a Missa do Natal, onde a Liturgia nos convida a exultar, porque Jesus nasceu para n\u00f3s e continua vivo, no meio de n\u00f3s.   4. Mas o Anjo acrescenta: \u201cnasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador\u201d e esse facto \u00e9 mais um motivo da alegria anunciada: aquele Menino \u00e9 um pr\u00edncipe real. Que o Messias seria um descendente de David, era a mais s\u00f3lida das promessas de Israel. Foi por isso que Maria e Jos\u00e9 desceram de Nazar\u00e9, na Galileia, at\u00e9 Bel\u00e9m, a cidade de David, porque Jos\u00e9 era da casa de David (cf. Lc. 2,4). No relato da Anuncia\u00e7\u00e3o diz-se que o Anjo apareceu a uma Virgem, de nome Maria, noiva de Jos\u00e9, que era da casa de David (cf. Lc. 1,27). E na Sua \u00faltima vinda a Jerusal\u00e9m, onde ser\u00e1 condenado \u00e0 morte, Jesus entra na cidade aclamado como Messias Rei e a multid\u00e3o exclamava: \u201cHossana ao Filho de David! Bendito o que vem em nome do Senhor\u201d (Mt. 21,10). \u00c9 por isso que o Rei Herodes quer matar o Menino, pois teme que Ele ocupe o trono de Israel (cf. Mt. 2,1ss). O Messias que nasceu em Bel\u00e9m, na simplicidade de uma gruta, \u00e9 um Pr\u00edncipe Real. Jesus nunca rejeitou esta Sua condi\u00e7\u00e3o real. Mesmo durante o seu processo, em que essa \u00e9 uma das acusa\u00e7\u00f5es que Lhe fazem, Pilatos pergunta-lhe directamente: \u201cTu \u00e9s Rei\u201d e Jesus responde: \u201cTu o dizes. Sou Rei, para isso vim ao mundo. Mas o meu reinado n\u00e3o \u00e9 deste mundo\u201d. (Jo. 18,34ss). O verdadeiro triunfo da realeza de Cristo, \u00e9 a Sua vit\u00f3ria sobre a morte. Isso nenhum Senhor deste mundo jamais conseguiu. \u00c9 uma realeza que se afirma pelo servi\u00e7o e pelo dom, se exprime na proclama\u00e7\u00e3o da verdade, e triunfa na instaura\u00e7\u00e3o do amor. O Esp\u00edrito Santo, amor de Deus derramado nos nossos cora\u00e7\u00f5es, \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o definitiva da realeza de Jesus Cristo. A afirma\u00e7\u00e3o clara de que o Seu reinado n\u00e3o \u00e9 deste mundo, pode tranquilizar todos quantos ainda hoje temem que a Igreja queira dominar a sociedade. Se ela tentasse faz\u00ea-lo, ou quando o fez, foi infiel ao Seu Senhor e Rei. Ela quer seguir Jesus Cristo no servi\u00e7o gratuito e generoso, na proclama\u00e7\u00e3o da verdade, na generosidade do amor. A Igreja n\u00e3o quer dominar a Cidade, quer humaniz\u00e1-la. Que ningu\u00e9m queira expulsar a Igreja da cidade, porque ela \u00e9, na sua pobreza e simplicidade, portadora de um an\u00fancio de liberta\u00e7\u00e3o: \u00e9 poss\u00edvel viver em paz, amarmo-nos uns aos outros como irm\u00e3os, defender quem \u00e9 atacado ou esquecido, consolar quem est\u00e1 triste, porque um Salvador nasceu para n\u00f3s, e continua Vivo, no triunfo da Sua realeza. Neste Natal deixai que a alegria e a bondade inundem os vossos cora\u00e7\u00f5es.   \u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MENSAGEM DE NATAL 2005 DE SUA EMIN\u00caNCIA REVEREND\u00cdSSIMA D. JOS\u00c9 DA CRUZ POLICARPO CARDEAL-PATRIARCA DE LISBOA Senhores telespectadores e r\u00e1dio-ouvintes 1. Mais uma vez, \u00e9-me oferecida a possibilidade de dirigir a todos os portugueses, espalhados pelo mundo, uma mensagem de fraternidade e de paz. Fa\u00e7o-o pessoalmente e em nome da Igreja. 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