{"id":15598,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/presepio-ha-seculos-na-nossa-casa\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"presepio-ha-seculos-na-nossa-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/presepio-ha-seculos-na-nossa-casa\/","title":{"rendered":"Pres\u00e9pio: h\u00e1 s\u00e9culos na nossa casa"},"content":{"rendered":"<p>Falar do Natal implica falar de algumas tradi\u00e7\u00f5es que nos procuram envolver neste esp\u00edrito de festividade, pelo nascimento do Menino numa gruta de Bel\u00e9m. Quantos de n\u00f3s, crist\u00e3os, n\u00e3o passa um Natal sem que, num cantinho da casa, se arranje lugar para colocar, pelo menos, as tr\u00eas imagens principais do Pres\u00e9pio. O Menino Jesus, S\u00e3o Jos\u00e9 e a Virgem Maria s\u00e3o o elenco principal deste \u00abpalco\u00bb onde h\u00e1 2000 anos atr\u00e1s nasceu Aquele que viria a ser chamado de \u00abO Salvador\u00bb. O pres\u00e9pio faz, assim, parte da vida de muitos portugueses, numa tradi\u00e7\u00e3o que chegou at\u00e9 n\u00f3s pela m\u00e3o dos frades Franciscanos, embora sem uma data precisa. Em 1925 Lu\u00eds Chaves lan\u00e7ou para o dom\u00ednio p\u00fablico um manuscrito da Biblioteca Nacional de Lisboa (cod; 14-A. 21-4, fl.3) no qual se podia ler que o primeiro pres\u00e9pio de Lisboa se encontrava no Convento do Salvador. Outro estudioso, Diogo Macedo, afirma tamb\u00e9m que no Convento Dominicano de S\u00e3o Salvador, no s\u00e9culo XVI, existia j\u00e1 um pres\u00e9pio, e outro especialista brasileiro, Lu\u00eds da C\u00e2mara Cascudo, afirma que nesse convento as freiras faziam pres\u00e9pios pelo menos desde 1391.  As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o contradit\u00f3rias, mas o que \u00e9 certo \u00e9 que h\u00e1 um pres\u00e9pio quinhentista feito pelo escultor Bast\u00e3o D. Artiaga para a irmandade dos livreiros em 1558. Durante o s\u00e9culo XVI os pres\u00e9pios floresceram nas ordens mon\u00e1sticas e no s\u00e9culo seguinte apareceram nas igrejas, para na segunda metade dessa mesma cent\u00faria, as casas particulares da, capital armarem os seus pr\u00f3prios pres\u00e9pios. Durante o s\u00e9culo XVI a pintura portuguesa legou-nos uma s\u00e9rie de trabalhos onde se imortalizou o nascimento do Menino. O s\u00e9culo XVIII \u00e9 considerado o s\u00e9culo de ouro dos pres\u00e9pios portugueses, modelados pelos Franciscanos, Dominicanos e portugueses vindos recentemente de It\u00e1lia onde tinham estudado por conta de fidalgos. Os frades de Alcoba\u00e7a e de Mafra, as escolas de Lisboa e do Alentejo, e artistas como Joaquim Machado de Castro e Alexandre Guisti tomaram- se famosos nesta \u00e9poca.  Os barristas desta \u00e9poca constru\u00edram personagens curiosas colocando-as em cen\u00e1rios um pouco exuberantes onde muitas vezes o est\u00e1bulo de Bel\u00e9m aparece apenas como uma pequena parte do mundo enorme que ali \u00e9 representado.  Machado de Castro, artista de Coimbra nascido em 1731, \u00e9 um dos mais conhecidos escultores de pres\u00e9pios, tendo modelado in\u00fameros trabalhos deste g\u00e9nero, cheios de fantasia, humanismo e imagina\u00e7\u00e3o, que hoje podemos encontrar na S\u00e9 Catedral de Lisboa, em Campolide ou mesmo na Bas\u00edlica da Estrela, local onde podemos observar um dos mais famosos pres\u00e9pios, constitu\u00eddo por 500 figurinhas muito humanas e cheias de sentimentos. Ant\u00f3nio Ferreira foi outro barrista da mesma \u00e9poca que modelou figurinhas cheias de fantasia, que hoje se encontram no convento da Cartuxa de Laveiras e no da Madre de Deus em Lisboa. No s\u00e9culo XIX as guerras que se fizeram sentir em Portugal fizeram com que n\u00e3o houvesse ambiente para se fazerem pres\u00e9pios. A extin\u00e7\u00e3o de conventos levou a que muitos pres\u00e9pios desaparecessem. Em algumas casas particulares nobres, os seus pres\u00e9pios tamb\u00e9m se perderam, no entanto ficaram frequentemente as figuras principais: o Menino, a Virgem, S. Jos\u00e9, o burro e a vaca.  No s\u00e9culo XX e at\u00e9 hoje as tradi\u00e7\u00f5es dos pres\u00e9pios n\u00e3o desapareceram. Um pouco por todo lado esta tradi\u00e7\u00e3o mant\u00e9m-se com recurso a uma genu\u00edna criatividade e, por vezes at\u00e9, alguma aventura.  Na \u00e1rea geogr\u00e1fica da diocese de Lisboa, a Vila de Alenquer, conhecida por muitos como a \u00abvila pres\u00e9pio\u00bb pela sua peculiar colina, v\u00ea-se povoada, no meio de luzes festivas, de um colorido pres\u00e9pio, com as figuras em madeira pintada da Virgem Maria, de S\u00e3o Jos\u00e9, do Menino, dos anjos, dos pastores, dos Reis Magos e dos animais. Imagens concebidas ao gosto dos pres\u00e9pios tradicionais portugueses. Esta \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o que se mant\u00e9m naquela vila desde o ano 1968, e este ano n\u00e3o foge \u00e0 regra suscitando, \u00e0 passagem, o olhar daquele que por ali circula.  <B>Entroniza\u00e7\u00e3o do Menino nos pres\u00e9pios portugueses<\/b> As representa\u00e7\u00f5es do nascimento de Jesus em pinturas, relevos ou frescos come\u00e7aram a surgir desde o s\u00e9culo IV. No ano de 1223, S. Francisco de Assis decidiu celebrar a missa da v\u00e9spera de Natal com os cidad\u00e3os de Assis de forma diferente: assim, esta missa, em vez de ser celebrada no interior de uma igreja, foi celebrada numa gruta, que se situava na floresta de Greccio (ou Gr\u00e9cio), que se situava perto da cidade. S. Francisco transportou para essa gruta um boi e um burro reais e feno, para al\u00e9m disto tamb\u00e9m colocou na gruta as imagens do Menino Jesus, da Virgem Maria e de S. Jos\u00e9. Os pres\u00e9pios passaram a ser assim entendidos como uma pequena narrativa, inspirada nos relatos dos Evangelhos, mas a verdade \u00e9 que em Portugal alguns deles representam uma outra interpreta\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica, mais ligada \u00e0 entroniza\u00e7\u00e3o do Menino. No n\u00famero 987 do seman\u00e1rio da Ag\u00eancia ECCLESIA, o Pe. Jos\u00e9 da Cunha Duarte explicava como a regi\u00e3o da Proven\u00e7a (sul de Fran\u00e7a) foi o grande centro de irradia\u00e7\u00e3o do pres\u00e9pio com ra\u00edzes medievais. No Natal, surge o Menino Jesus glorioso, triunfante, o Salvador o senhor e Rei do mundo. Este pres\u00e9pio foi levado pelos portugueses para a Ilha da Madeira, para os A\u00e7ores e para o Brasil. Em Portugal, ainda podemos ver este pres\u00e9pio no Baixo Alentejo e no Algarve.  O Pres\u00e9pio tradicional algarvio conserva as ra\u00edzes medievais. \u00c9 um trono ou altar armado em escadaria. O Menino Jesus est\u00e1 de p\u00e9, no cimo do trono. \u00c0 volta coloca-se verdura, Ramos de laranjeira. Na escadaria colocam-se laranjas e searinhas germinadas. No in\u00edcio da d\u00e9cada de oitenta o p\u00e1roco de S\u00e3o Br\u00e1s de Alportel iniciou a recolha das imagens feitas pelos pinta-santos algarvios. Na Igreja Matriz arma-se o pres\u00e9pio tradicional, em escadaria, com laranjas e searinhas e o Menino em cima do trono. A igreja tamb\u00e9m se reveste de panos como foi tradi\u00e7\u00e3o nos s\u00e9culos XVII e XIX. Na Madeira, este pres\u00e9pio \u00e9 conhecido como \u201clapinha\u201d. O Menino Jesus est\u00e1 de p\u00e9, no cimo do trono. \u00c0 volta coloca-se verdura e na escadaria coloca-se fruta com as \u201csearinhas\u201d. Uma lamparina acesa est\u00e1 sempre presente. A imagem do Menino Jesus fica em cima do altar. Estas imagens apresentam o Menino com coroa, ceptro real, manto, mundo na m\u00e3o, para assinalar a realeza e a senhoria de Cristo, de acordo com o esp\u00edrito medieval.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falar do Natal implica falar de algumas tradi\u00e7\u00f5es que nos procuram envolver neste esp\u00edrito de festividade, pelo nascimento do Menino numa gruta de Bel\u00e9m. Quantos de n\u00f3s, crist\u00e3os, n\u00e3o passa um Natal sem que, num cantinho da casa, se arranje lugar para colocar, pelo menos, as tr\u00eas imagens principais do Pres\u00e9pio. 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