{"id":15597,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/nas-origens-do-natal\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"nas-origens-do-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nas-origens-do-natal\/","title":{"rendered":"Nas origens do Natal"},"content":{"rendered":"<p>A Igreja, na sua miss\u00e3o evangelizadora, quis dedicar um tempo para aprofundar, contemplar e assimilar o Mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o do Filho de Deus, tempo este que conhecemos como o Natal.  O dia 25 de Dezembro n\u00e3o \u00e9, necessariamente, a data hist\u00f3rica do nascimento de Jesus em Bel\u00e9m, na Jud\u00e9ia, no ano 748 da funda\u00e7\u00e3o de Roma. O &#8220;Dies Natalis&#8221; ou &#8220;Natalis Domini&#8221; foi marcado no dia 25 de Dezembro pela Igreja, com o Papa Lib\u00e9rio, desde o s\u00e9culo IV, a fim de suplantar a festa pag\u00e3 do deus Sol, &#8220;Dies natalis invicti solis&#8221;, celebrada no solst\u00edcio de inverno.  Para afastar os fi\u00e9is da pr\u00e1tica dessas festas idol\u00e1tricas, a Igreja quis ressaltar que a verdadeira luz que ilumina todo homem \u00e9 Cristo e a celebra\u00e7\u00e3o de seu nascimento na carne humana \u00e9 a solenidade pr\u00f3pria para afirmar a aut\u00eantica f\u00e9 no mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o do &#8220;Verbo&#8221;, contra as grandes heresias cristol\u00f3gicas dos s\u00e9culos IV e V, solenemente afirmada nos quatro conc\u00edlios ecum\u00e9nicos de Niceia, \u00c9feso, Calced\u00f3nia e Constantinopla.  Os primeiros dados hist\u00f3ricos relativos \u00e0 festa do nascimento de Jesus Cristo remontam ao ano 336, em Roma. A eles est\u00e3o ligados dois acontecimentos determinantes: o \u00c9dito de Mil\u00e3o, em 313, pelo qual o imperador romano Constantino deu liberdade de culto aos crist\u00e3os, e a exist\u00eancia de uma festa pag\u00e3, iniciada por Aureliano, no ano de 274, a 25 de Dezembro, em que se divinizava o sol, comemorando-se o seu &#8220;nascimento&#8221;. Na Igreja do Oriente, o Natal, como manifesta\u00e7\u00e3o ou &#8220;Epifania&#8221; de Jesus, celebra-se no dia 6 de Janeiro. A solenidade da Epifania passou para o ocidente nos finais do s\u00e9c. IV, pretendendo-se celebrar a vinda dos magos, a consequente manifesta\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo como senhor de todos os povos, luz do mundo. Os textos b\u00edblicos n\u00e3o especificam o dia ou m\u00eas do nascimento de Jesus. Segundo a tradi\u00e7\u00e3o captada por S\u00e3o Lucas (2,4-7), o nascimento de Jesus aconteceu em Bel\u00e9m de Jud\u00e1, a terra do rei David, de cuja linhagem era Jos\u00e9, o esposo de Maria. O nascimento ter\u00e1 ocorrido no ano 6 ou 7 a.C. O in\u00edcio da era crist\u00e3, fixado por Dion\u00edsio, o Ex\u00edguo (c. s\u00e9cs. V-VI), foi mal calculado, pois o rei Herodes morreu no ano 4 a.C.  Com S\u00e3o Le\u00e3o Magno, o Papa do conc\u00edlio de Calced\u00f3nia, deu-se a essa solenidade o fundamento teol\u00f3gico, definindo-a como &#8220;sacramentum nativitatis Christi&#8221; para indicar seu valor salv\u00edfico. Liturgicamente, a Solenidade \u00e9 caracterizada por tr\u00eas missas: a da Meia-Noite ou do Galo (&#8220;ad noctem&#8221; ou &#8220;ad galli cantum&#8221;), que remonta, parece, ao papa Sisto III, por ocasi\u00e3o da reconstru\u00e7\u00e3o da bas\u00edlica liberiana no Esquilino (Santa Maria Maior), depois do conc\u00edlio de \u00c9feso, em 431; a da Aurora (&#8220;in aurora&#8221;), originariamente em honra de Santa Anast\u00e1cia, que tinha um culto celebrado com solenidade em Roma no s\u00e9culo VI e, na liturgia actual, conserva ainda uma ora\u00e7\u00e3o de comemora\u00e7\u00e3o; a do Dia (&#8220;in die&#8221;), a que primeiro foi institu\u00edda, no s\u00e9c. IV. A reforma lit\u00fargica do Conc\u00edlio Vaticano II confirma a estrutura desse tempo, que vai das primeiras V\u00e9speras do Natal at\u00e9 o Domingo que se segue \u00e0 Epifania. Enriqueceram-se os textos lit\u00fargicos das celebra\u00e7\u00f5es e inseriu-se a missa vespertina da vig\u00edlia; solenizou-se a maternidade divina de Maria, bem como o baptismo de Jesus. O tempo de Natal celebra a vinda de Jesus, o Filho de Deus, e a sua manifesta\u00e7\u00e3o aos homens. Com o seu centro no Natal (25 de Dezembro), compreende as festas da Sagrada Fam\u00edlia (Domingo ap\u00f3s o Natal, ou, se este n\u00e3o ocorrer, a 30 de Dezembro); a de Santa Maria, M\u00e3e de Deus, a 1 de Janeiro; a Solenidade da Epifania do Senhor, a 6 de Janeiro, ou no Domingo que ocorre entre os dias 2 e 8 de Janeiro.  O tempo de Natal termina com a festa do Baptismo do Senhor, no Domingo ap\u00f3s a Epifania, ou, se esta coincide com o dia 7 ou 8 de Janeiro, na segunda-feira seguinte. T\u00eam tamb\u00e9m lugar a celebra\u00e7\u00e3o das festas de S. Est\u00eav\u00e3o, S. Jo\u00e3o evangelista e dos Santos Inocentes respectivamente a 26, 27 e 28 de Dezembro, dentro da oitava do Natal, que vai do dia 26 at\u00e9 1 de Janeiro, Solenidade de Santa Maria, M\u00e3e de Deus, Dia Mundial da Paz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Igreja, na sua miss\u00e3o evangelizadora, quis dedicar um tempo para aprofundar, contemplar e assimilar o Mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o do Filho de Deus, tempo este que conhecemos como o Natal. 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