{"id":15596,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/o-natal-do-algarve-2\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"o-natal-do-algarve-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-natal-do-algarve-2\/","title":{"rendered":"O Natal do Algarve"},"content":{"rendered":"<p>O pres\u00e9pio medieval em escadaria e com o Menino no trono, os cantares natal\u00edcios, as tradi\u00e7\u00f5es, a do\u00e7aria, os grupos de charolas, as joldras e os grupos janeireiros fazem parte da celebra\u00e7\u00e3o do Natal na regi\u00e3o mais a sul de Portugal continental.  O pres\u00e9pio tradicional do Algarve pouco tem a ver com o cen\u00e1rio da gruta de Bel\u00e9m, o pres\u00e9pio &#8220;serrenho&#8221; apresenta-se simples e s\u00f3brio, armado em escadaria, com o menino Jesus em p\u00e9 no alto. O interior algarvio e o Baixo Alentejo, devido \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, mantiveram a devo\u00e7\u00e3o a um Menino Jesus \u201cGlorioso, Rei e Senhor do universo\u201d colocado num trono, com coroa, ceptro e com o mundo na m\u00e3o.<img decoding=\"async\" border=\"1\" src=\"\/pub\/1\/img\/presepio2.jpg\" align=\"right\"> O Pe. Jos\u00e9 da Cunha Duarte dedicou 20 anos a uma pesquisa que se traduziu no livro \u201cNatal no Algarve \u2013 Ra\u00edzes Medievais\u201d. Por ele fic\u00e1mos a saber que o pres\u00e9pio consistia numa imagem de Nossa Senhora e do menino, em cima de um altar, como Senhor e rei do mundo. Nos s\u00e9c. XVI-XVII juntou-se a este orat\u00f3rio as \u201csearinhas\u201d, para que o menino aben\u00e7oasse o trigo, e as laranjas, um fruto sinal de riqueza, para que fossem aben\u00e7oadas as \u00e1rvores de fruto. Nas casas mais abastadas, os degraus s\u00e3o cobertos com toalhas de linho rendadas e bordadas \u00e0 m\u00e3o, mas tamb\u00e9m nas mais humildes se arma um altar modesto &#8211; \u201cArmar o menino\u201d -, sobre uma c\u00f3moda coberta com uma toalha de renda branca, com o menino ao centro rodeado de searinhas, laranjas e flores. <img decoding=\"async\" border=\"1\" src=\"\/pub\/1\/img\/searinha.jpg\" align=\"left\">As searinhas s\u00e3o semeadas a 8 de Dezembro, dia de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o, colocando alguns gr\u00e3os de trigo, milho, centeio ou alpista em pequenos pires de lou\u00e7a ou de barro. Mal germinam, s\u00e3o cuidadosamente mantidas at\u00e9 ao Natal e usadas para decorar o pres\u00e9pio. Al\u00e9m do pres\u00e9pio tradicional, os pres\u00e9pios de origem franciscana est\u00e3o tamb\u00e9m muito difundidos na regi\u00e3o e d\u00e3o lugar a diferentes encena\u00e7\u00f5es. Utilizando os materiais que a natureza oferece, o engenho popular cria pres\u00e9pios de corti\u00e7a, com as searinhas colocadas por cima da gruta. A presen\u00e7a das \u201csearinhas\u201d \u00e9 entendida pelo povo como uma b\u00ean\u00e7\u00e3o, elas s\u00e3o colocadas para que o menino Jesus aben\u00e7oe as colheitas do ano que se aproxima.  <b>Charolas e Balaios<\/b> Na quadra natal\u00edcia, o povo dan\u00e7ava e cantava ao Deus Menino \u2013 isto \u00e9 a charola. Os cantares natal\u00edcios tradicionais da regi\u00e3o algarvia aparecem associados aos grupos de cantadores &#8211; charolas e joldras. Entre o dia de Natal e o dia de Reis, as pessoas v\u00e3o de casa em casa entoando cantares frente a cada pres\u00e9pio e levam consigo um balaio (cesta rasa de verga) com o Menino Jesus, para as pessoas beijarem e contribu\u00edrem com uma esmola. Em S\u00e3o Br\u00e1s de Alportel, Faro, Loul\u00e9 e Olh\u00e3o ainda se encontram as crian\u00e7as a transportarem o menino dentro de um balaio, perfumado, enfeitado com folhas de nespereira. \u201cQueri b\u00eajar o menino?\u201d, perguntam, e cada pessoa d\u00e1 a esmola. Quanto \u00e0s charolas, estas perderam hoje em dia a vertente da dan\u00e7a e, em muitos casos, os grupos j\u00e1 n\u00e3o levam o menino Jesus. Um principiador levanta o canto e todos respondem em coro.  Apresentam um canto obre um mist\u00e9rio da inf\u00e2ncia de Jesus: nascimento, anuncia\u00e7\u00e3o, fuga para o Egipto e a vinda dos magos. Al\u00e9m do \u201ccanto velho\u201d, j\u00e1 vindo de remotos tempos, todos os anos se estreiam outras m\u00fasicas: \u201ccanto novo\u201d, marchas e valsas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pres\u00e9pio medieval em escadaria e com o Menino no trono, os cantares natal\u00edcios, as tradi\u00e7\u00f5es, a do\u00e7aria, os grupos de charolas, as joldras e os grupos janeireiros fazem parte da celebra\u00e7\u00e3o do Natal na regi\u00e3o mais a sul de Portugal continental. 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