{"id":15595,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/natal-de-tradicoes-seculares-no-atlantico\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"natal-de-tradicoes-seculares-no-atlantico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/natal-de-tradicoes-seculares-no-atlantico\/","title":{"rendered":"Natal de tradi\u00e7\u00f5es seculares no Atl\u00e2ntico"},"content":{"rendered":"<p>Chega a \u00e9poca de Natal e a az\u00e1fama para decorar a casa \u00e9 grande. Entre outros elementos habituais, n\u00e3o faltam as velas de estearina torcidas e enfeitadas, jarras com flores, bonecos de barro de fabrico popular ou importados do Continente e outras galantarias. Por vezes, at\u00e9 bilhetes postais ilustrados com vistas da Am\u00e9rica servem para ornamentar, se o dono da casa a\u00ed esteve ou tem algum parente que o tivesse enviado.  Mas lugar sempre marcado e inesquec\u00edvel tem o prato de trigo, conhecido por \u00abtriguinho do Menino Jesus\u00bb, deitado de molho de \u00e1gua no dia de Santa Luzia, a 13 de Dezembro, e depois em pratinhos a germinar, para no dia 25 j\u00e1 estar nado e as folhas terem atingido alguns cent\u00edmetros O dia que assinala o nascimento de Jesus \u00e9 celebrado um pouco por toda a parte mas, como se pode verificar, h\u00e1 tradi\u00e7\u00f5es natal\u00edcias com caracter\u00edsticas espec\u00edficas, de determinadas regi\u00f5es do nosso Portugal. Em pleno Oceano Atl\u00e2ntico, no arquip\u00e9lago dos A\u00e7ores, as gentes da Ilha Terceira festejam o Natal conservando, deste modo, ainda o seu caracter popular.  Tradi\u00e7\u00f5es que o historiador  Lu\u00eds da Silva Ribeiro, relata na obra \u00abEtnografia A\u00e7oriana\u00bb, editada pelo Instituto Hist\u00f3rico da Ilha Terceira em 1982.  \u201cNo meio da casa \u2013 escreve o historiador \u2013 p\u00f5em ramos de faia do Norte contra as paredes ou, dependurados dos tirantes, ramos de laranjeira com frutos, que j\u00e1 nessa \u00e9poca est\u00e3o amarelos e, se o ch\u00e3o \u00e9 t\u00e9rreo, atapetam-no com feno (fran\u00e7a de pinheiro) como no Esp\u00edrito Santo\u201d. Numa c\u00f3moda ou numa mesa encostada \u00e0 parede do fundo era \u201carmado\u201d o Menino Jesus. Vestido com uma saia rodada e um corpete de seda branca, bordada a lantejoulas e canutilhos de ouro, era colocado sobre uma caixa de madeira ou de cart\u00e3o forrado de papel ou de pano de cor vistosa, em jeito de trono para ficar mais alto. J\u00e1 na noite do dia 24 de Dezembro as fam\u00edlias percorriam as casas uns dos outros para ver o Menino dirigindo-se, depois, juntas, \u00e0 Missa do Galo. Conta o historiador Lu\u00eds Ribeiro que ap\u00f3s a missa sucedia-se o beijar do Menino.  Aqueles que n\u00e3o esperavam visitas deitavam-se e dormiam at\u00e9 o despertar com o sino da Igreja. A grande festa acontecia, ent\u00e3o, no dia 25, dia de Natal. Com mais ou menos posses, todos os terceirenses procuravam ter um jantar mais abundante, com uma ementa constitu\u00edda, normalmente pela canja de galinha com arroz ou feij\u00e3o, galinha cozida, p\u00e3o de trigo, figo e nozes, regado com vinho de cheiro (doce). Segundo Lu\u00eds Ribeiro, os pres\u00e9pios tinham uma presen\u00e7a mais ass\u00eddua nas freguesias do Ramo Grande, concelho da Praia da Vit\u00f3ria. Eram constitu\u00eddos pelas cl\u00e1ssicas figuras do Menino Jesus, deitado numas palhinhas, S\u00e3o Jos\u00e9, Nossa Senhora, o burrinho e a vaquinha. Frente \u00e0 gruta apareciam os pastores, os Reis Magos com o seu s\u00e9quito, no alto uma suposta cidade de Bel\u00e9m. Tudo sob um c\u00e9u de papel azul, recamado de estrelas de papel dourado, de onde pendiam coros de anjos e a estrela dos Magos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chega a \u00e9poca de Natal e a az\u00e1fama para decorar a casa \u00e9 grande. Entre outros elementos habituais, n\u00e3o faltam as velas de estearina torcidas e enfeitadas, jarras com flores, bonecos de barro de fabrico popular ou importados do Continente e outras galantarias. 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