{"id":15593,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/natal-alentejano\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"natal-alentejano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/natal-alentejano\/","title":{"rendered":"Natal alentejano"},"content":{"rendered":"<p>O Natal tamb\u00e9m se celebra em Portugal sem a Missa do Galo. Apesar desta ser o centro de todo o ciclo comemorativo e comandar as demais manifesta\u00e7\u00f5es, a tradi\u00e7\u00e3o \u2013 muito viva no Alentejo \u2013 de representar os chamados \u201cpres\u00e9pios vivos\u201d pode assumir o seu lugar, como acontece na par\u00f3quia da Trindade, Beja. A iniciativa partiu dos pr\u00f3prios fi\u00e9is e mesmo as gentes que h\u00e1 muito sa\u00edram da aldeia para ganharem a vida acabam por se deslocar propositadamente aos ensaios. O que se faz \u00e9 contar a hist\u00f3ria toda do nascimento em verso. Os autos de Natal inserem-se na tradi\u00e7\u00e3o do teatro popular  e representavam-se primariamente ao ar livre, na noite de Natal, das 21h \u00e0s 06h00. Hoje o auto de Natal continua a demorar horas, mas j\u00e1 \u00e9 feito no sal\u00e3o paroquial. A Missa do Galo continua, ainda assim, a ser a principal protagonista da noite crist\u00e3 no Alentejo. O tributo ao Deus menino &#8220;em palhas deitado\u201d \u00e9 conhecido de todo o pa\u00eds: <i>Eu hei-de dar ao Menino Uma fitinha p&#8217;r\u00f3 chap\u00e9u E Ele tamb\u00e9m me h\u00e1-de dar Um lugarzinho no C\u00e9u&#8230;  Olhei para a c\u00e9u Estava estrelado Vi o Deus Menino Em palhas deitado.  Em palhas deitado Em palhas esquecido Filho de uma rosa Dum cravo nascido  Estas palavras disse a Virgem Ai quando nasceu o Menino Ai vinde c\u00e1 meu anjo loiro Meu sacramento divino<\/i>  Outro contributo incontorn\u00e1vel do Natal Alentejano para a viv\u00eancia da quadra em todo o Portugal \u00e9 o \u201cNatal de \u00c9vora\u201d:  <i>O Menino est\u00e1 dormindo Nas palhinhas despidinho Os anjos lhe est\u00e3o cantando: Por amor, t\u00e3o pobrezinho.  O Menino est\u00e1 dormindo Nos bra\u00e7os de S. Jos\u00e9 Os anjos lhe est\u00e3o cantando: Gloria tibi, Domine.  O Menino est\u00e1 dormindo Nos bra\u00e7os da Virgem pura Os anjos lhe est\u00e3o cantando: Gl\u00f3ria a Deus l\u00e1 nas alturas.  O Menino est\u00e1 dormindo Um sono de amor profundo Os anjos lhe est\u00e3o cantando: Viva o Salvador do mundo<\/i>  <b>O madeiro de Natal<\/b> O madeiro \u00e9 aceso na chamin\u00e9 de todas as casas, onde o Menino Jesus coloca os brinquedos no sapatinho. Nos largos das vilas, aldeias ou cidades, e nos adros das igrejas s\u00e3o queimadas quase \u00e1rvores inteiras na fogueira que aquece a noite de natal.  Diz quem vive este Natal que o lume da chamin\u00e9 \u00e9 para o menino se aquecer quando vier pela noite dentro recompensar as crian\u00e7as por se terem portado bem e terem ajudado a fazer o pres\u00e9pio. Vai-se buscar a lenha onde a houver sem necessidade de qualquer autoriza\u00e7\u00e3o: diz-se que \u00e9 para \u201caquecer o Menino Jesus\u201d e basta. A not\u00e1vel propens\u00e3o do povo alentejano para a m\u00fasica fixou estas tradi\u00e7\u00f5es em quadras: <i>O Menino vai \u00e0 lenha  Espet\u00f4-le um pico no p\u00e9  Chamou Nossa Senhora  Respond\u00ea-le S\u00e3 Jos\u00e9.  \u00d3 m\u00ea Menino Jesus Encostado \u00f3 mad\u00earo \u00ca vos d\u00f4 a minh&#8217;alma Fazei dela o travess\u00earo<\/i>  <B>Pres\u00e9pios e Roncas<\/b> <img decoding=\"async\" border=\"1\" src=\"\/pub\/1\/img\/ronca.jpg\" align=\"left\">Os bonecos de Estremoz, em barro cozido e pol\u00edcromo, d\u00e3o vida a um dos pres\u00e9pios mais conhecidos do pa\u00eds, com v\u00e1rias figurinhas profano-religiosas. Ainda hoje prestigiados artes\u00e3os ceramistas e barristas continuam a conceb\u00ea-los num estilo muito pr\u00f3prio, numa diversidade de modelos, dimens\u00f5es e cores. Os pres\u00e9pios caseiros davam origem a visitas \u00e0s casa na vizinhan\u00e7a. Em Elvas era habitual entoarem-se c\u00e2nticos natal\u00edcios acompanhados pela \u201cRonca\u201d, um instrumento semelhante \u00e0 zabomba espanhola. Este instrumento pode ser feito de uma panela de barro, c\u00e2ntaro de lata ou de um pote.A ronca leva uma pele a tapar a boca do recipiente, no centro da qual h\u00e1 uma cana. A qualidade da pele \u00e9 muito importante por causa do som. Por isso se usam peles de cabra ou borrego, e ainda de bexiga de porco.   <b>A Missadura<\/b> Da prepara\u00e7\u00e3o da mesa para a v\u00e9spera de Natal fala-nos longamente o livro \u201cEtnologia do Natal Alentejano\u201d, (PESTANA, M. In\u00e1cio, Portalegre 1978).  Em algumas terras do distrito de \u00c9vora, tanto quanto \u00e9 poss\u00edvel, faz-se a matan\u00e7a do porco antes do Natal, para se assegurar o abastecimento da \u201cmissadura\u201d. Esta missadura (Consoada) ocorre em cada lar logo a seguir \u00e0 missa do galo e na sua ementa inclui-se toda a variedade de carne de porco.  A Consoada \u00e9 a seguir \u00e0 Missa de Natal porque at\u00e9 l\u00e1 o que se come propriamente ao jantar do dia 24 de Dezembro nas casas alentejanas \u00e9 a sopa de ca\u00e7\u00e3o, pescada frita, bacalhau, ou outro peixe, acompanhado com batatas, couve-flor ou grelos. Esta regra tem a ver com o antigo preceito da abstin\u00eancia, que embora j\u00e1 exista na liturgia ainda \u00e9 respeitada por muitos.  \u201cQuem n\u00e3o jejua dos Santos ao Natal, ou \u00e9 besta ou animal\u201d, dizia um velho ditado popular.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Natal tamb\u00e9m se celebra em Portugal sem a Missa do Galo. Apesar desta ser o centro de todo o ciclo comemorativo e comandar as demais manifesta\u00e7\u00f5es, a tradi\u00e7\u00e3o \u2013 muito viva no Alentejo \u2013 de representar os chamados \u201cpres\u00e9pios vivos\u201d pode assumir o seu lugar, como acontece na par\u00f3quia da Trindade, Beja. 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