{"id":15587,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/sem-familia-nao-ha-natal\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"sem-familia-nao-ha-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sem-familia-nao-ha-natal\/","title":{"rendered":"Sem Fam\u00edlia n\u00e3o h\u00e1 Natal"},"content":{"rendered":"<p>Mensagem de Natal do Bispo de Beja <!--more--> 1.Natal e cultura Estamos a viver uma quadra ou fase do ano, que a n\u00edvel comercial, social e cultural se exprime muito \u00e0 volta de uma festa crist\u00e3, o Natal com mai\u00fascula, que nos lembra, e muitos o celebram, o nascimento, h\u00e1 dois mil anos, de uma crian\u00e7a especial chamada Jesus. Milh\u00f5es de pessoas atrav\u00e9s dos tempos aceitaram este Menino como manifesta\u00e7\u00e3o de Deus \u00e0 humanidade e seu Salvador. H\u00e1 mais de mil e setecentos anos que este acontecimento se reveste de grande significado para o sentido da vida dos povos que habitaram este canto da Europa, tornando-o relevante na sua hist\u00f3ria. Disso nos falam os nossos costumes, tradi\u00e7\u00f5es, h\u00e1bitos de conviv\u00eancia, express\u00f5es liter\u00e1rias, arquitect\u00f3nicas e art\u00edsticas. Para compreendermos a nossa rica hist\u00f3ria e a de muitos povos pelo mundo, temos de fazer refer\u00eancia a Jesus de Nazar\u00e9, ao seu Natal, \u00e0 sua vida e mensagem, \u00e0 sua influ\u00eancia na consci\u00eancia e no estilo de vida dos seus disc\u00edpulos atrav\u00e9s dos tempos. Querer explicar a transforma\u00e7\u00e3o operada pela f\u00e9 em Jesus Cristo, entre elas as maravilhas do testemunho fiel e generoso de tantos santos, a beleza de imensas obras de arte, a dedica\u00e7\u00e3o de tantas vidas ao servi\u00e7o dos mais carenciados, etc., sem a for\u00e7a significativa da pessoa cujo nascimento celebramos no Natal, ser\u00e1 um empreendimento condenado ao fracasso.  2. Sinais de Natal na cultura europeia Na tentativa de construirmos uma nova Europa, nos tornarmos esp\u00edritos universais, abertos e acolhedores de todos os homens, sem distin\u00e7\u00e3o de ra\u00e7as, l\u00ednguas, culturas e religi\u00f5es, o que \u00e9 altamente louv\u00e1vel, corremos o risco de ocultarmos aquilo que somos e fomos, pensando com isso fomentar o acolhimento e integra\u00e7\u00e3o de pessoas de outras culturas e religi\u00f5es. Em nome da lei da liberdade religiosa banimos do nosso meio os sinais da nossa cultura, da nossa hist\u00f3ria e da identidade da maioria dos portugueses. Aceitar os outros implica respeit\u00e1-los  em tudo o que perfaz a sua identidade, de que a dimens\u00e3o religiosa, com a riqueza das suas express\u00f5es, \u00e9 algo importante. A f\u00e9 crist\u00e3 implica um esp\u00edrito universalista, respeitador das diferen\u00e7as, pois a afirma\u00e7\u00e3o da pessoa humana, sem acep\u00e7\u00e3o, \u00e9 fundamental \u00e0 viv\u00eancia da nossa f\u00e9, \u00e9 factor de socializa\u00e7\u00e3o, de conviv\u00eancia e de paz social. Por isso n\u00e3o compreendemos aqueles que propugnam a erradica\u00e7\u00e3o de todos os s\u00edmbolos e sinais da nossa cultura. E n\u00e3o se trata apenas da cruz. Os nomes de muitas terras, as chagas de Cristo no nosso escudo, os nossos santu\u00e1rios e monumentos, as express\u00f5es da nossa l\u00edngua e literatura, o substrato da nossa conviv\u00eancia e entendimento\u2026 No \u00e2mbito de homenagens prestadas nestes dias a um membro ilustre da Igreja cat\u00f3lica, que portugueses de todos os quadrantes culturais, pol\u00edticos e religiosos apelidam de maior personalidade da nossa cultura no s\u00e9culo XX, o Padre Manuel Antunes SJ (1918-1985), li uns trechos significativos sobre o assunto desta mensagem, que passo a citar: Uma educa\u00e7\u00e3o ou tem em conta todas as aspira\u00e7\u00f5es do homem ou n\u00e3o passa de um logro\u2026Que se pretende fazer do homem? \u2026 O homem tem necessidade de valores em que possa acreditar, de modelos que possa seguir. Quando esses valores ou esses modelos faltam ou diminuem na sua incentividade, \u00e9 o caos moral, a anarquia, a desorienta\u00e7\u00e3o ( in Educa\u00e7\u00e3o e Sociedade).  3.Natal e Fam\u00edlia Um dos grandes modelos e valores que o Natal nos recorda \u00e9, sem d\u00favida, a import\u00e2ncia da fam\u00edlia. Quem foi  ou \u00e9 migrante, vive por um tempo separado da fam\u00edlia e convive com outras pessoas nas mesmas condi\u00e7\u00f5es, experimenta bem a for\u00e7a da fam\u00edlia na viv\u00eancia desta quadra. Quantos telefonemas, cartas, l\u00e1grimas, conversas, viagens e celebra\u00e7\u00f5es durante o tempo natal\u00edcio! Na abordagem das motiva\u00e7\u00f5es da emigra\u00e7\u00e3o a quase totalidade das respostas contem a vontade de melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida da fam\u00edlia, de conseguir um melhor futuro para os filhos. Mas sabemos bem que a dimens\u00e3o econ\u00f3mica n\u00e3o resolve todos os problemas da fam\u00edlia. Na dispers\u00e3o do Alentejo encontro muitos pais idosos, alguns esquecidos em lares durante todo o ano, mas que aguardam a visita dos seus filhos, netos e familiares, sobretudo pelo Natal. Nas festas de Natal, promovidas por muitas institui\u00e7\u00f5es durante estes dias, pude constatar essa mesma realidade. Pena \u00e9 que nem sempre se promova a coes\u00e3o social da fam\u00edlia. Nem seria preciso fazer muita coisa. Bastaria que se evitasse alguns exageros na legisla\u00e7\u00e3o, se promovesse mais os investimentos criadores de emprego perto da resid\u00eancia das pessoas, nas decis\u00f5es referentes aos direitos e hor\u00e1rios laborais n\u00e3o se atendesse apenas aos interesses dos grandes grupos econ\u00f3micos, n\u00e3o fosse permitido o incentivo enganador ao consumismo desenfreado, etc. Ou protegemos e salvamos a fam\u00edlia ou ent\u00e3o destru\u00edmos a consist\u00eancia da nossa sociedade!  4.Miss\u00e3o da Igreja, Natal e Fam\u00edlia A Igreja tem de orientar a sua vida e miss\u00e3o para ajudar a fam\u00edlia a ser c\u00e9lula da sociedade, geradora das energias que a regeneram e a lan\u00e7am na constru\u00e7\u00e3o de um futuro melhor para todos. A nossa diocese est\u00e1 empenhada neste ano pastoral a contribuir para o envolvimento de todos os membros da fam\u00edlia na promo\u00e7\u00e3o do seu pr\u00f3prio bem estar, que reverte em benef\u00edcio do bem comum de toda a nossa sociedade. Sem a fam\u00edlia, sem a transmiss\u00e3o de todos os valores ligados \u00e0 fam\u00edlia, cuja raiz e fonte de todos est\u00e1 no amor de doa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o construiremos uma sociedade equilibrada e coesa, geradora do ambiente prop\u00edcio \u00e0 paz, desenvolvimento e solidariedade. Todos estes valores est\u00e3o implicados no Natal de Jesus, que para n\u00f3s \u00e9 caminho, verdade e vida. Deus visitou o seu povo, enviando-nos o seu Filho, que se fez um de n\u00f3s no seio de Maria, nascendo em Bel\u00e9m, h\u00e1 dois mil anos, pobre para ser mais semelhante aos mais desfavorecidos do mundo, mas com a dignidade de todo o ser humano, que n\u2019Ele \u00e9 tamb\u00e9m Filho de Deus e que a todos quer fazer participantes da sua vida humana e divina. Consciente da simplicidade e grandeza do Natal de Jesus, cuja comemora\u00e7\u00e3o celebramos todos os anos, o Bispo de Beja deseja a todos os seus colaboradores, a todos os crist\u00e3os, mesmo \u00e0queles que andam esquecidos da sua dignidade de filhos de Deus e membros da Igreja, a todos os homens e mulheres de boa vontade que habitam na \u00e1rea do Baixo Alentejo, a todos os que aqui trabalham provenientes de outros pa\u00edses e a todos os que nesta quadra ou durante o ano nos visitam alegres festas de Natal e um 2006 repleto de esperan\u00e7a. Que no Natal tudo isto comece a ser realidade no carinho e aten\u00e7\u00e3o que damos \u00e0 nossa fam\u00edlia e ao nosso pr\u00f3ximo, porque um Menino nos foi dado, Jesus Cristo, Senhor e Salvador. Animado com esta realiza\u00e7\u00e3o da nossa esperan\u00e7a, apelo a todos os homens e mulheres de boa vontade, para que nos unamos na constru\u00e7\u00e3o da grande fam\u00edlia humana, onde n\u00e3o h\u00e1 senhores e escravos, mas irm\u00e3os que se amam e se entreajudam na luta por um mundo melhor. Assim, o Natal de h\u00e1 dois mil anos come\u00e7ou a ser o natal do mundo e da humanidade querida por Deus e que a Igreja, na sua vida e miss\u00e3o, celebra e para cuja realiza\u00e7\u00e3o quer contribuir.  \u2020 Ant\u00f3nio Vitalino, Bispo de Beja<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem de Natal do Bispo de Beja<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[154,168,171,193,203,206,267,303,314],"class_list":["post-15587","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-crianca","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-beja","tag-educacao","tag-europa","tag-familia","tag-natal","tag-santuarios","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15587","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15587"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15587\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15587"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15587"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15587"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}