{"id":15580,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/o-natal-de-sempre\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"o-natal-de-sempre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-natal-de-sempre\/","title":{"rendered":"O Natal de sempre"},"content":{"rendered":"<p>Entre a cidade e a aldeia  <!--more--> O Natal \u00e9 uma festa comemorada em todo o mundo. N\u00e3o importa o idioma, a ra\u00e7a, a condi\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, a idade ou o clima. Cor, alegria, esperan\u00e7a, amor, presentes, m\u00fasica criam o clima festivo desse evento universal e cada pa\u00eds segue uma tradi\u00e7\u00e3o, respeitando na linha evolutiva do tempo, os costumes elaborados pelos antepassados. Embora a ess\u00eancia da festa de Natal seja a mesma em cada pessoa as manifesta\u00e7\u00f5es de alegria sucedem-se. Entoam-se os C\u00e2nticos do Nascimento do Menino, t\u00e3o lindos como sugestivos, t\u00e3o ing\u00e9nuos como variados! Estes c\u00e2nticos de Natal constituem um completo romanceiro de toda a Vida de Jesus. Neles transparece, profundamente, o sentimento de religiosidade do nosso Povo. A Noite de Natal &#8211; Noite Grande &#8211; passa-se em Fam\u00edlia, em casa, \u00e0 lareira, em volta do madeiro tradicional, que arde acariciadoramente. Durante o ser\u00e3o, que dura at\u00e9 quase de madrugada, canta-se em louvor do Deus Menino, contam-se hist\u00f3rias e romances da vida, come-se e bebe-se\u2026 Perto da meia noite &#8211; a Hora Redentora &#8211; a boa nova do Nascimento de Jesus \u00e9 sentida entre todos.  Neste Natal de 2005, o jornal \u201cO Mensageiro\u201d foi conhecer duas viv\u00eancias natal\u00edcias diferentes. Conhecemos o Natal de dois idosos e de um casal jovem. Duas formas distintas de comemorar a noite da consoada. Mas em ambos os casos, encontr\u00e1mos sentimentos comuns: o Natal \u00e9 a \u00e9poca de reunir a fam\u00edlia e comemorar o nascimento de Jesus. O Natal mexe com pessoas de todas as idades. Nas diversas fases da vida, conferimos aspectos diferentes, outros sentidos, para celebrar esta data de grande import\u00e2ncia no calend\u00e1rio religioso.  <b>Natal sem idades<\/b> Adelaide Rodrigues de 89 anos e o seu filho Jorge Antunes de 52 anos vivem um natal na aldeia. Em Colmeias, junto \u00e0 velha lareira da sua cozinha, descobrimos como comemoram o Natal.  Esta m\u00e3e e filho (deficiente) sempre vivera juntos e j\u00e1 n\u00e3o esperam pelos presentes no pinheiro de Natal. O que mais apreciam nesse dia \u00e9 a vinda da fam\u00edlia (alguma do estrangeiro) para se reunirem e festejar o Natal. Adelaide Rodrigues \u00e9 natural do Minho e lembra \u201cantigamente o Natal era vivido com outra entrega, com outro esp\u00edrito de solidariedade\u201d. O consumismo desenfreado a que nunca se adequou provoca-lhe alguma tristeza, salientando que \u201cneste momento o Natal \u00e9 comercial, sem que o Menino Jesus e o seu verdadeiro significado sejam vividos\u201d. Na sua terra natal, os poucos brinquedos artesanais que eram oferecidos, o bacalhau e as couves, a aletria e as rabanadas, eram ingredientes que significavam felicidade. Bastava isto para as pessoas viverem felizes esta quadra do ano. Adelaide Rodrigues gosta da noite natal\u00edcia porque consegue juntar os filhos, netos e bisnetos e desfruta das alegrias da fam\u00edlia que, juntos, tornam aquele dia como \u201cm\u00e1gico e de grande significado para a minha vida\u201d. Salienta que vive cada Natal com a esperan\u00e7a de que cada pessoa \u201cprocure a paz interior e consiga viver melhor a sua vida\u201d. Embora resida numa casa humilde de aldeia, o conforto e os enfeites de cada Natal nunca estiveram ausentes. Faz quest\u00e3o de continuar com este h\u00e1bito todos os anos. Neste ano de 2005, espera a vinda de toda a fam\u00edlia, aproveitando \u201cpara ver com os meus olhos os netos a correr e brincar, ouvir os relatos dos filhos que moram mais longe\u201d.   <b>Residentes na cidade mas com o cora\u00e7\u00e3o na aldeia<\/b>  Descemos \u00e0 cidade de Leiria e conhecemos um jovem casal que j\u00e1 vive um Natal com outro deslumbramento. Aquiles Pinto de 30 anos \u00e9 natural de Pataias e Ana Azinheiro \u00e9 de Monte Redondo e residem em Leiria h\u00e1 4 anos. Esta fam\u00edlia, embora esteja ligada aos h\u00e1bitos e costumes da aldeia, assume que por for\u00e7a das circunst\u00e2ncias que teve de vir para o mercado de trabalho na cidade, adoptando nas suas vidas muitas realidades, pr\u00f3prias de quem vive no mundo citadino.   Aquiles Pinto recorda o Natal como um dia preenchido com muito trabalho. Os seus pais s\u00e3o propriet\u00e1rios de ourivesarias e por isso, foram muitas as noites que estiveram nas suas lojas at\u00e9 \u00e0s 11 horas da noite porque ainda havia clientes que pretendiam adquirir os seus presentes. Refere que \u201co t\u00edpico portugu\u00eas faz as compras \u00e0 \u00faltima da hora\u201d, tendo Aquiles Pinto de ficar junto dos seus pais nos estabelecimentos comerciais. Mas o Natal em fam\u00edlia, com os pais e irm\u00e3, era sentido com a mesma \u201cmagia\u201d s\u00f3 que mais tarde. Na mesa, para a ceia de Natal, depois do dia exigente de trabalho, esperava-os \u201cas caras de bacalhau, as filh\u00f3s e o arroz doce\u201d. Recorda que n\u00e3o existiam as pendas como hoje, recebendo muito poucos brinquedos. Numa altura onde as crian\u00e7as recebem de tudo, lembra, \u201co meu filho com dois anos j\u00e1 recebeu neste per\u00edodo de vida mais brinquedos que eu durante toda a minha vida\u201d.   Na casa dos pais existem duas lareiras. Uma no primeiro e outra no segundo andar. Ele e a irm\u00e3 andavam sempre para cima ou para baixo para verificar em qual das lareiras estavam as prendas que o Pai Natal deixava. Os presentes eram sempre deixados onde eles n\u00e3o se encontravam. Aquiles Pinto ainda guarda os seus cinco carros em ferro que foi recebendo nos seus Natais. Hoje as crian\u00e7as \u201ct\u00eam tanta coisa que para al\u00e9m de n\u00e3o explorarem os brinquedos n\u00e3o os conseguem valorizar pela excessiva oferta\u201d. No dia 25 de Dezembro costumava ter o h\u00e1bito de ir para Cantanhede, terra dos av\u00f3s. L\u00e1 \u00e9 o Menino Jesus que traz os presentes. O Pai Natal \u201ccostuma deixar os presentes durante a noite e o Menino Jesus tem o h\u00e1bito de depositar as surpresas durante a manh\u00e3\u201d.   Nesta noite de Natal de 2005 vai estar entre a fam\u00edlia da esposa em Monte Redondo e em casa dos seus pais em Pataias. A maior felicidade \u00e9 o facto de ser o segundo Natal que o seu pequeno vai viver e o facto de ele \u201ccome\u00e7ar a sentir esta festa com mais percep\u00e7\u00e3o\u201d.   Ana Azinheiro sempre passou o Natal em fam\u00edlia juntamente com os pais e os sete irm\u00e3os. Fazem a ceia, distribuem os presentes e passam a noite em conv\u00edvio. Para esta jovem \u201ca tradi\u00e7\u00e3o das caras de bacalhau, couves e batatas s\u00e3o a ementa sempre presente\u201d. Ana Azinheiro nunca esperou pelo Pai Natal porque os seus pais nunca fizeram quest\u00e3o que ela acreditasse neste \u201cvelhinho de barbas que traz os presentes \u00e0s crian\u00e7as\u201d.   Vai passar este Natal de 2005 em Monte Redondo (casa dos pais) e em Pataias (casa dos sogros). Felizmente n\u00e3o tem de viver esta festa na cidade. Considera que \u201cquem vive a quadra no meio citadino passa-a de forma mais solit\u00e1ria porque na aldeia existe outra intensidade\u201d.   <i>Joaquim Santos<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre a cidade e a aldeia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[154,168,206,267,314],"class_list":["post-15580","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-crianca","tag-diocese-da-guarda","tag-familia","tag-natal","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15580","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15580"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15580\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15580"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15580"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15580"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}