{"id":15564,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/natal-respeitar-os-imigrantes-como-pessoas-que-sao\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"natal-respeitar-os-imigrantes-como-pessoas-que-sao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/natal-respeitar-os-imigrantes-como-pessoas-que-sao\/","title":{"rendered":"Natal: respeitar os imigrantes como pessoas que s\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Na aproxima\u00e7\u00e3o do Natal, s\u00e3o muitos os que n\u00e3o podem celebr\u00e1-lo com a fam\u00edlia, no aconchego da sua casa \u2013 os imigrantes. A revista \u201cIrm\u00e3 Maria\u201d foi ao encontro da Maria Eduarda Viterbo, do Secretariado Diocesano das Migra\u00e7\u00f5es do Porto, para uma troca de ideias sobre este \u201ccelebrar o Natal\u201d.  <i>IM- Nesta caminhada para o Natal, como \u00e9 que \u201csentes\u201d o cora\u00e7\u00e3o de tantos imigrantes que se v\u00e3o cruzando contigo e que est\u00e3o t\u00e3o longe da sua casa e, na maioria dos casos, da sua fam\u00edlia? MEV-<\/i> Bem, para eles (para a maioria) o Natal est\u00e1 um bocadinho mais longe do que o nosso. Seguem o calend\u00e1rio Juliano, portanto o seu Natal ser\u00e1 no dia 7 de Janeiro. Quanto ao \u201csentir\u201d o cora\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m&#8230; Penso que nunca sentimos realmente o que n\u00e3o vivemos \u2013 eu efectivamente nunca estive separada daqueles que amo nem impedida de celebrar segundo os meus h\u00e1bitos, a minha sensibilidade, etc&#8230;.Eles est\u00e3o. No entanto, a viv\u00eancia de v\u00e1rios anos com as chamadas comunidades de leste, ajuda-me j\u00e1 a perceber melhor a forma como sentem a vida e, consequentemente, as enormes dificuldades que v\u00e3o tendo e que, logicamente, doem mais nesta \u00e9poca.  <i>IM- Que dificuldades? A falta de trabalho? A falta de dinheiro? MEV-<\/i>  Essas tamb\u00e9m. Mas, nesta altura, gostaria de falar daquelas que quase \u201cningu\u00e9m v\u00ea\u201d. E que doem!  Por exemplo, sabemos que celebram o Natal em data diferente da nossa, mas, ningu\u00e9m (ou quase ningu\u00e9m) se preocupa a dar folga aos empregados nesse dia ou a oferecer-lhes a possibilidade de telefonar para casa, j\u00e1 que muitos n\u00e3o t\u00eam dinheiro para isso. Anteriormente n\u00f3s (o Secretariado Diocesano das Migra\u00e7\u00f5es) organiz\u00e1vamos uma noite de Natal para os imigrantes no dia 7 de Janeiro. Primeiro t\u00ednhamos a Celebra\u00e7\u00e3o Lit\u00fargica que era seguida de um conv\u00edvio informal \u00e0 volta de algumas coisas t\u00edpicas de Natal (Bolo-Rei, rabanadas, vinho do Porto&#8230;). Ultimamente j\u00e1 entre eles algu\u00e9m cozinhava as coisas tradicionais da sua terra para trazer e juntar ao que consegu\u00edamos preparar. Era interessante. Era um conv\u00edvio salutar, mas que, obviamente, n\u00e3o anulava as saudades de casa. Come\u00e7\u00e1vamos \u00e0s 19H00 ou 19H30, mas t\u00ednhamos que ser n\u00f3s a telefonar aos patr\u00f5es (a muitos) a pedir para os deixarem sair um bocadinho mais cedo&#8230; \u00c9 claro que era imposs\u00edvel conseguir telefonar \u00e0s v\u00e1rias centenas de entidades patronais&#8230; A situa\u00e7\u00e3o das empregadas dom\u00e9sticas era a pior \u2013 as Senhoras, insens\u00edveis, preocupavam-se com o seu pr\u00f3prio jantar que deveria ser servido \u00e0s tantas horas&#8230; Portanto, a empregada n\u00e3o podia sair para celebrar o seu Natal!  <i>IM- Agora j\u00e1 n\u00e3o organizam essa festa? MEV-<\/i>  No \u00faltimo ano j\u00e1 n\u00e3o. Pensamos bem e a pr\u00f3pria capelania da Igreja Ortodoxa (cujo respons\u00e1vel pertence \u00e0 equipa do Secretariado) achou que n\u00e3o seria necess\u00e1rio, uma vez que j\u00e1 todos (ou a grande maioria) conhecem a Igreja, sabem onde fica e podem participar nas Celebra\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias no hor\u00e1rio combinado. Assim, a Capelania est\u00e1 mais viva e n\u00e3o h\u00e1 a necessidade de se deslocar. E eles desenvolvem o sentido de comunidade, que esta \u00e9poca tanto sugere. H\u00e1, gra\u00e7as a Deus, cada vez mais fam\u00edlias reunidas e muitos grupos de amigos e conhecidos, que se juntam para celebrar segundo as suas tradi\u00e7\u00f5es. Mas \u00e9 dif\u00edcil, porque os que trabalham normalmente n\u00e3o s\u00e3o dispensados. Alguns optam por faltar ao trabalho&#8230;  <i>IM- E n\u00e3o h\u00e1 gente isolada?  MEV-<\/i>  H\u00e1! H\u00e1 muita gente isolada. H\u00e1 sobretudo muitos homens sozinhos. E h\u00e1 muita gente na rua. A \u201cAmizade-Associa\u00e7\u00e3o de Imigrantes de Leste\u201d, com quem trabalhamos, organiza tamb\u00e9m o seu Jantar de Natal. A\u00ed todos podem sentir-se um pouco \u201cem casa\u201d e abafar um pouco a saudade com os seus petiscos tradicionais&#8230; Pelo menos sentem-se mais fam\u00edlia e isso \u00e9 muito bom. Tamb\u00e9m organiza a festa do \u201cNatal das crian\u00e7as\u201d, que \u00e9 a festa de S. Nicolau em que participamos tamb\u00e9m activamente. \u00c9 muito bonito.  <i>IM- Falaste de gente na rua? Celebram na rua? Que queres dizer? MEV-<\/i> Quero dizer na rua mesmo! H\u00e1 muitos imigrantes que n\u00e3o t\u00eam onde viver. Dormem na rua &#8211; ou em casas abandonadas, onde lado a lado, convivem ratos e toda a esp\u00e9cie de bicharada, entulho, \u00e1guas estagnadas e&#8230;pessoas. Estes, a quem o patr\u00e3o n\u00e3o pagou, a quem o patr\u00e3o roubou o dinheiro da Seguran\u00e7a Social ou os que trope\u00e7aram numa empresa \u201cfantasma\u201d que simplesmente \u201cdesapareceu\u201d sem deixar rasto, deixando os empregados na rua&#8230; H\u00e1 tantos casos destes! Normalmente estas pessoas integram-se nas Ceias de Natal dos \u201csem-abrigo\u201d organizadas pelas v\u00e1rias Institui\u00e7\u00f5es (por exemplo: Emmaus, Cora\u00e7\u00e3o da Cidade&#8230;). V\u00e3o-se acompanhando uns aos outros&#8230; E s\u00e3o tamb\u00e9m visitados e acompanhados por mim.  <i>IM- Que fazes por estas pessoas? Agora que pensamos no Natal, de que forma te tornas pr\u00f3xima? MEV-<\/i>Eu tento ser pr\u00f3xima todos os dias \u2013 n\u00e3o s\u00f3 no Natal. Ser pr\u00f3xima significa estar verdadeiramente com eles. \u00c9 o que tento fazer. Estou incondicionalmente e eles sabem disso. Procuro com a maior intensidade poss\u00edvel evitar ou pelo menos remediar as situa\u00e7\u00f5es mais dolorosas \u2013 as injusti\u00e7as tremendas de que diariamente s\u00e3o v\u00edtimas. Celebrar o Natal \u00e9, mais do que fazer festas e doces, fazer com que sejam respeitados, fazer com que a sua auto-estima n\u00e3o des\u00e7a mais. \u00c9, na impossibilidade de fazer melhor, sentar-me na pedra com eles e ouvir os desabafos doridos, as lam\u00farias e aspira\u00e7\u00f5es (\u00e0s vezes j\u00e1 embrulhadas num bocado de \u00e1lcool) de quem n\u00e3o se sente respeitado como pessoa&#8230;de algu\u00e9m que sonhou uma vida melhor para si e para os seus e, de repente, viu os seus sonhos barbaramente destru\u00eddos&#8230; \u00c9 rir e chorar com eles, em momentos profundos de partilha, onde nem a diferen\u00e7a da l\u00edngua faz barreira.  \u00c9, enfim, curvar-me diante deste Cristo partido, presente em cada um deles! <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na aproxima\u00e7\u00e3o do Natal, s\u00e3o muitos os que n\u00e3o podem celebr\u00e1-lo com a fam\u00edlia, no aconchego da sua casa \u2013 os imigrantes. 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