{"id":155535,"date":"2019-11-29T07:00:11","date_gmt":"2019-11-29T07:00:11","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=155535"},"modified":"2019-11-29T10:28:55","modified_gmt":"2019-11-29T10:28:55","slug":"o-banco-alimentar-ajuda-a-alimentar-ideias-isabel-jonet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-banco-alimentar-ajuda-a-alimentar-ideias-isabel-jonet\/","title":{"rendered":"\u201cO Banco Alimentar ajuda a alimentar ideias\u201d \u2013 Isabel Jonet"},"content":{"rendered":"<p><em>A recolha e distribui\u00e7\u00e3o de alimentos atrav\u00e9s de 2400 institui\u00e7\u00f5es, em todo o pa\u00eds, \u00e9 a raz\u00e3o de ser dos 21 bancos, em Portugal, que s\u00e3o j\u00e1 muito mais do que isso.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><em>Por ocasi\u00e3o da presen\u00e7a dos volunt\u00e1rios nos supermercados para a recolha de Natal, Isabel Jonet, diz que o Banco Alimentar \u00e9 tamb\u00e9m o Banco de Bens Doados, o Banco de Equipamentos, a \u2018ENTRAJUDA\u2019, o projeto \u2018Tempo Extra\u2019 e a Bolsa do Voluntariado.<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_155547\" aria-describedby=\"caption-attachment-155547\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Isabel-Jonet.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-155547 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Isabel-Jonet.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Isabel-Jonet.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Isabel-Jonet-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Isabel-Jonet-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Isabel-Jonet-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Isabel-Jonet-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Isabel-Jonet-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Isabel-Jonet-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Isabel-Jonet-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Isabel-Jonet-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-155547\" class=\"wp-caption-text\">Foto Renascen\u00e7a\/Joana Bourgard, Isabel Jonet<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Paulo Rocha (ag\u00eancia ECCLESIA)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Banco Alimentar Contra a Fome (BA) realiza este fim de semana mais uma campanha nacional de recolha alimentos. \u00c9 importante os portugueses continuarem a colaborar e a contribuir para esta iniciativa?<\/em><\/p>\n<p>O Banco Alimentar s\u00e3o hoje 21 bancos alimentares disseminados pelo territ\u00f3rio nacional, que n\u00e3o fariam sentido se os portugueses n\u00e3o os reconhecessem como a entidade de refer\u00eancia e de confian\u00e7a para canalizar as suas doa\u00e7\u00f5es de alimentos, sempre numa l\u00f3gica de partilha.<\/p>\n<p>Os BA n\u00e3o fazem pedit\u00f3rios, fazem campanhas de recolha de alimentos \u00e0 porta dos supermercados, convidando quem vai \u00e0s compras para sua casa a partilhar algo com quem n\u00e3o tem o mesmo nas suas casas, portanto h\u00e1 aqui um apelo, um convite \u00e0 partilha.<\/p>\n<p>A campanha deste ano tem como mote &#8216;Adira a esta rede social real&#8217;, at\u00e9 em contraponto \u00e0s redes sociais em que partilhamos v\u00eddeos, fotografias de refei\u00e7\u00f5es, por vezes at\u00e9 coisas sem sentido. Este apelo \u00e9 para que as pessoas adiram a uma rede social que partilha coisas que s\u00e3o absolutamente necess\u00e1rias, que t\u00eam sentido.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Banco-Alimentar_2019_Natal.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-155532 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Banco-Alimentar_2019_Natal-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Banco-Alimentar_2019_Natal-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Banco-Alimentar_2019_Natal-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Banco-Alimentar_2019_Natal-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Banco-Alimentar_2019_Natal-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Banco-Alimentar_2019_Natal-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Banco-Alimentar_2019_Natal-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Banco-Alimentar_2019_Natal-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Banco-Alimentar_2019_Natal.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>H\u00e1 a expectativa de que atrav\u00e9s desta abordagem e deste mote consigam chegar a um p\u00fablico mais diferenciado?<\/em><\/p>\n<p>Os bancos alimentares dirigem-se a toda a gente, essa \u00e9 a sua for\u00e7a e o seu aspeto diferenciador. Os bancos alimentares n\u00e3o dependem de nada nem de ningu\u00e9m, n\u00e3o t\u00eam qualquer liga\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, religiosa ou at\u00e9 territorial. Dirigem-se a todos os portugueses, a toda a sociedade civil, sendo um produto da pr\u00f3pria sociedade civil.<\/p>\n<p>Todas as pessoas que quiseram constituir bancos alimentares \u2013 e, como disse, j\u00e1 h\u00e1 21 no pa\u00eds &#8211; dirigiram-se ao BA de Lisboa, que foi o primeiro criado em Portugal, e pediram: \u2018como \u00e9 que eu posso abrir um banco alimentar?&#8217;. E aquilo que fazemos \u00e9 ensinar a fazer um banco alimentar.<\/p>\n<p>Os bancos alimentares t\u00eam de ser oriundos da sociedade civil do local onde se querem constituir e t\u00eam de ser alimentados por essa sociedade local, seja com voluntariado &#8211; e todos os corpos sociais e todos os dirigentes dos BA s\u00e3o obrigatoriamente volunt\u00e1rios -, seja com produtos, servi\u00e7os ou donativos em dinheiro. Aquilo que fazemos \u00e9, em cada local, ajudar a abrir um banco alimentar que serve a regi\u00e3o. Por exemplo, nesta campanha, todos os produtos que forem recolhidos na regi\u00e3o de Coimbra ser\u00e3o distribu\u00eddos na regi\u00e3o de Coimbra, tudo o que for recolhido na regi\u00e3o do Algarve ser\u00e1 distribu\u00eddo na regi\u00e3o do Algarve. H\u00e1 uma grande proximidade entre quem d\u00e1 e quem recebe, e os bancos alimentares t\u00eam um modelo de funcionamento que assenta em parcerias, n\u00e3o doam nada a ningu\u00e9m diretamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Quem distribui os produtos s\u00e3o as institui\u00e7\u00f5es que os v\u00e3o buscar aos bancos alimentares?<\/em><\/p>\n<p>Precisamente. \u00c9 uma grande cadeia log\u00edstica. Seria imposs\u00edvel os bancos alimentares estarem a apoiar diretamente a alimenta\u00e7\u00e3o de quase 400 mil pessoas. Aquilo que fazemos s\u00e3o protocolos de parceria com institui\u00e7\u00f5es &#8211; e s\u00e3o 2400 institui\u00e7\u00f5es que recebem os produtos, algumas diariamente.<\/p>\n<p>Todos os dias h\u00e1 entidades que v\u00e3o a um armaz\u00e9m do BA receber produtos e s\u00e3o parceiras no terreno na distribui\u00e7\u00e3o dos alimentos. Levam-nos sob a forma de alimenta\u00e7\u00e3o confecionada, que \u00e9 servida nos lares, nas creches, nos centros de dia, ou atrav\u00e9s de sacos de alimentos que s\u00e3o entregues \u00e0s fam\u00edlias que, uma vez por semana, de 15 em 15 dias ou at\u00e9 diariamente os v\u00e3o buscar. Porque, para al\u00e9m dos produtos que s\u00e3o recolhidos nestas campanhas, acrescem os excedentes de produ\u00e7\u00e3o e a miss\u00e3o do BA \u00e9 a luta contra o desperd\u00edcio de alimentos. H\u00e1 28 anos que nos dirigimos \u00e0s empresas dizendo &#8216;n\u00e3o deite fora o p\u00e3o que lhe sobra&#8217; ou &#8216;n\u00e3o deite fora a fruta que tem a mais&#8217; ou &#8216;n\u00e3o desperdice a charcutaria fresca que n\u00e3o conseguiu comercializar&#8217;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E tem havido mais sensibilidade ao longo do tempo para essa necessidade de n\u00e3o desperdi\u00e7ar?<\/em><\/p>\n<p>Muita! O Banco Alimentar foi pioneiro nesta ideia da luta contra o desperd\u00edcio alimentar. Essa \u00e9 a miss\u00e3o do BA, est\u00e1 consagrada na carta e a n\u00edvel europeu \u00e9 assim. Mas, h\u00e1 aqui uma componente de rigor na distribui\u00e7\u00e3o e no sentido da distribui\u00e7\u00e3o com amor que \u00e9 feita pelos bancos alimentares atrav\u00e9s das institui\u00e7\u00f5es que levam os alimentos \u00e0 mesa de quem precisa e que, nas solu\u00e7\u00f5es mais tecnol\u00f3gicas, apenas de combate ao desperd\u00edcio, por vezes se perde.<\/p>\n<p>O BA tem em si esta necessidade de recolher alimentos evitando a sua destrui\u00e7\u00e3o e o seu desperd\u00edcio, porque h\u00e1 quem deles precise. H\u00e1 um sentido de justi\u00e7a na distribui\u00e7\u00e3o dos alimentos, porque n\u00e3o \u00e9 justo uma sociedade excessivamente consumista produzir para destruir. Ent\u00e3o, a proposta do BA \u00e0s empresas &#8211; e tem-se feito caminho at\u00e9 em termos de fiscalidade &#8211; \u00e9 \u2018n\u00e3o destrua, d\u00ea, o BA vai levar o seu produto \u00e0 mesa de quem precisa e a sua empresa ainda pode ter benef\u00edcios fiscais\u2019.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Falou h\u00e1 pouco na distribui\u00e7\u00e3o de bens alimentares atrav\u00e9s de 2400 institui\u00e7\u00f5es. Essas institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00eam protocolos com o Estado para garantir a alimenta\u00e7\u00e3o aos seus benefici\u00e1rios e utentes? N\u00e3o h\u00e1 aqui duplica\u00e7\u00e3o de apoios?<\/em><\/p>\n<p>A grande maioria destas institui\u00e7\u00f5es tem efetivamente acordos com o Estado. Mas, por exemplo as Confer\u00eancias de S\u00e3o Vicente de Paulo, n\u00e3o t\u00eam este tipo de acordos, e muitos outros grupos informais tamb\u00e9m n\u00e3o. E mesmo as institui\u00e7\u00f5es que os t\u00eam n\u00e3o recebem as verbas suficientes para fazer face \u00e0s despesas gerais de financiamento.<\/p>\n<p>Em Portugal, o Estado delegou nas Institui\u00e7\u00f5es Particulares de Solidariedade Social a assist\u00eancia e o apoio aos mais necessitados e, em meu entender, delegou bem porque o Estado n\u00e3o pode ter a ambi\u00e7\u00e3o de fazer aquilo que as institui\u00e7\u00f5es, que est\u00e3o no terreno, fazem com muito mais proximidade, com muito mais amor, com muito mais efic\u00e1cia e com muito menor custo, mas sobretudo com muito maior transpar\u00eancia. O Estado faz acordos de parceria com lares, centros de dia, resid\u00eancias de jovens e crian\u00e7as, creches, etc. Por cada utente \u00e9 atribu\u00eddo um valor, mas que n\u00e3o chega nem para 60 % das despesas. Ent\u00e3o, as institui\u00e7\u00f5es, para al\u00e9m das mensalidades dos utentes, t\u00eam que solicitar outro tipo de apoios, nomeadamente este apoio aos bancos alimentares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_155549\" aria-describedby=\"caption-attachment-155549\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/isabel-jonet01.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-155549\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/isabel-jonet01-400x240.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/isabel-jonet01-400x240.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/isabel-jonet01-1024x614.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/isabel-jonet01-768x461.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/isabel-jonet01-1080x648.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/isabel-jonet01-1280x768.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/isabel-jonet01-980x588.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/isabel-jonet01-480x288.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/isabel-jonet01.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-155549\" class=\"wp-caption-text\">Foto Renascen\u00e7a\/Joana Bourgard, Isabel Jonet<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Tem crescido o n\u00famero de institui\u00e7\u00f5es que recorrem ao Banco Alimentar?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 est\u00e1vel, porque j\u00e1 abrangemos praticamente o universo das institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Portanto, aqui n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a, por exemplo em rela\u00e7\u00e3o aos anos da crise?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1. O n\u00famero de institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o tem variado. No n\u00famero de pedidos, ou seja, no n\u00famero de fam\u00edlias que s\u00e3o abrangidas pelas institui\u00e7\u00f5es, \u00e9 que se verificou um decr\u00e9scimo, sobretudo devido ao decr\u00e9scimo do desemprego.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Empregados mais pobres<\/strong><\/p>\n<p><em>H\u00e1 menos desemprego e a pobreza baixou para 17,2%, em 2018. Mas, segundo os dados mais recentes do INE, conhecidos esta semana, ainda h\u00e1 2 milh\u00f5es e 200 mil portugueses em risco de exclus\u00e3o social, que vivem com menos de 501 \u20ac por m\u00eas, ou seja, o risco de pobreza cresceu entre a popula\u00e7\u00e3o que at\u00e9 est\u00e1 empregada. Sendo economista de forma\u00e7\u00e3o, que leitura faz destes n\u00fameros?<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o muito preocupantes. Mais de um quinto da popula\u00e7\u00e3o portuguesa &#8211; dois milh\u00f5es e 200 mil pessoas &#8211; vive com menos de 501 euros por m\u00eas, h\u00e1 um milh\u00e3o de pessoas que n\u00e3o tem 250 \u20ac por m\u00eas para viver e h\u00e1 sobretudo uma situa\u00e7\u00e3o muito preocupante que s\u00e3o as chamadas bolsas de pobreza.<\/p>\n<p>N\u00f3s temos uma popula\u00e7\u00e3o muito envelhecida, muitas mulheres que n\u00e3o descontavam, n\u00e3o faziam parte dos sistemas contributivos e t\u00eam apenas as reformas da Seguran\u00e7a Social, que s\u00e3o muito baixas, e, \u00e0 medida que v\u00e3o ficando mais velhas, a parte que \u00e9 consagrada \u00e0 sa\u00fade e aos medicamentos aumenta. Portanto, temos hoje um elevado n\u00famero de pessoas que dependem da assist\u00eancia, dos subs\u00eddios para viver, mas dependem tamb\u00e9m das ajudas que lhes chegam. Quando essas pessoas s\u00e3o, como estas estat\u00edsticas revelam, trabalhadores pobres, pessoas que j\u00e1 tem um emprego, que trabalham muito mais do que 8 horas por dia e ainda perdem bastante tempo nos transportes, porque moram em zonas perif\u00e9ricas das cidades &#8211; este fen\u00f3meno \u00e9 abrangente a todo o Portugal -, e que chegam ao fim do m\u00eas e n\u00e3o t\u00eam dinheiro suficiente para satisfazer as necessidades do seu agregado familiar, como \u00e9 que estas pessoas poder\u00e3o viver se n\u00e3o tiverem apoio de institui\u00e7\u00f5es, seja por via de mensalidades reduzidas nas creches, seja por via de apoio alimentar?<\/p>\n<p>Portanto, estes dados s\u00e3o muito preocupantes, sobretudo porque mostram que, apesar da melhoria da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, h\u00e1 uma pobreza que \u00e9 estrutural, em Portugal, que n\u00e3o estamos a conseguir combater. E \u00e9 urgente que se encarem medidas que permitam fazer com que pelo menos as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es possam ter a esperan\u00e7a de ver alterada a sua situa\u00e7\u00e3o real de vida. Isto s\u00f3 se faz por via da economia, gerando riqueza, e s\u00f3 se faz tendo mais qualifica\u00e7\u00e3o no trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>At\u00e9 que ponto &#8211; e esta \u00e9 uma cr\u00edtica que vemos muitas vezes ser feita &#8211; este regime de apoios leva ao comodismo de quem fica subs\u00eddio-dependente?<\/em><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o posso estar mais de acordo em rela\u00e7\u00e3o a esse tipo de aprecia\u00e7\u00f5es, at\u00e9 porque, se n\u00f3s s\u00f3 damos, n\u00e3o induzimos qualquer tipo de responsabilidade nem qualquer tipo de mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Todos n\u00f3s gostamos que as coisas nos cheguem \u00e0s m\u00e3os sem esfor\u00e7o e, no caso das pessoas mais carenciadas, h\u00e1 por vezes esta tenta\u00e7\u00e3o. Aquilo que me parece \u2013 e \u00e9 por isso que o Banco Alimentar n\u00e3o entrega diretamente nada \u00e0s pessoas &#8211; \u00e9 que h\u00e1 aqui um canal de excel\u00eancia em Portugal, que \u00e9 o canal das institui\u00e7\u00f5es de solidariedade social, que tem um trabalho a fazer com cada uma das fam\u00edlias para que se autonomize e se responsabilize.<\/p>\n<p>Mas, volto a dizer, em Portugal h\u00e1 um milh\u00e3o de idosos com menos 250 \u20ac por m\u00eas e estes idosos n\u00e3o se v\u00e3o poder nunca autonomizar. Pelo contr\u00e1rio, cada ano que passa v\u00e3o precisar de mais ajuda. Portanto solu\u00e7\u00f5es como o Complemento Solid\u00e1rio para Idosos s\u00e3o muito bem-vindas. Haver\u00e1 outras medidas semelhantes que ser\u00e3o bem-vindas, mas muitas destas fam\u00edlias precisam de ajuda, as institui\u00e7\u00f5es, ou outras f\u00f3rmulas que sejam criadas, far\u00e3o com que estas fam\u00edlias se responsabilizem pela sua vida. Mas n\u00e3o se tenham ilus\u00f5es: isto n\u00e3o se consegue fazer do dia para a noite.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>As institui\u00e7\u00f5es t\u00eam essas situa\u00e7\u00f5es identificadas. Isso garante ao Banco Alimentar que os produtos que recolhe chegam, de facto, a quem mais precisa?<\/em><\/p>\n<p>As institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o os distribuidores dos alimentos que as pessoas doam \u00e0s fam\u00edlias. Aquilo que n\u00f3s fazemos \u00e9 acompanhar as institui\u00e7\u00f5es, por via at\u00e9 de outra institui\u00e7\u00e3o que cri\u00e1mos, que se chama \u2018ENTRAJUDA\u2019, e o que fazemos \u00e9 garantir que estas institui\u00e7\u00f5es levam os produtos, mas tamb\u00e9m prestam outro tipo de aux\u00edlio, que \u00e9 mais estruturante \u00e0s fam\u00edlias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Banco Alimentar confia nas institui\u00e7\u00f5es para essa transforma\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias e das pessoas?<\/em><\/p>\n<p>O Banco Alimentar confia e ajuda as institui\u00e7\u00f5es a criar programas que possam promover estas autonomias em cada uma das fam\u00edlias, equipando-as at\u00e9 com outro tipo de bens, que n\u00e3o sejam s\u00f3 alimentares. Que possam, por exemplo, gerar mudan\u00e7a na habita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A habita\u00e7\u00e3o hoje, nas grandes cidades, \u00e9 um problema. Temos muitos trabalhadores pobres que, de repente, t\u00eam uma fatia muito grande do seu rendimento dispon\u00edvel para a renda de casa que aumentou muito. H\u00e1 uma ajuda que deve ser integrada, se queremos que estas pessoas possam dar a volta \u00e0 sua vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Prev\u00ea que os pedidos de ajuda possam vir a crescer, face a estas necessidades e dificuldades?<\/em><\/p>\n<p>Hoje assiste-se, de novo, a um fen\u00f3meno de sobre-endividamento das fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Na altura da crise houve dois grandes fatores que afetaram muito as fam\u00edlias portuguesas: o desemprego e o sobre-endividamento. O que vejo, hoje, \u00e9 que se temos uma taxa de desemprego muito baixa, volt\u00e1mos a ter n\u00edveis de sobre-endividamento muito consider\u00e1veis. E h\u00e1 esta preocupa\u00e7\u00e3o de que as fam\u00edlias n\u00e3o pensem que a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica \u00e9 melhor &#8211; com certeza, \u00e9 vis\u00edvel &#8211; , mas que est\u00e1 tudo t\u00e3o bem, para sempre, que nada mudar\u00e1. Seria bom que fosse assim, mas o que tendencialmente observamos \u00e9 que continua a haver um grande n\u00famero de pessoas &#8211; e estes dados estat\u00edsticos confirmam-no &#8211;\u00a0 que n\u00e3o s\u00e3o completamente aut\u00f3nomas para satisfazer as suas necessidades di\u00e1rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voluntariamente<\/strong><\/p>\n<p><em>Falemos do voluntariado, em que assenta o funcionamento do Banco Alimentar. Est\u00e1 a\u00ed o segredo para o sucesso deste projeto? Funciona s\u00f3 nestes dias de campanha ou ao longo de todo o ano?<\/em><\/p>\n<p>Os bancos alimentares funcionam ao longo de todo o ano com recurso a trabalho volunt\u00e1rio, mas tamb\u00e9m com parcerias com empresas que cedem voluntariamente os bens que produzem ou os servi\u00e7os que prestam. Temos muitas, muitas pessoas volunt\u00e1rias no dia-a-dia e, nestas campanhas, esse voluntariado \u00e9 muito vis\u00edvel, porque \u00e9 muito jovem e alegre! E \u00e9 esta alegria do voluntariado, esta certeza de que cada um de n\u00f3s pode fazer parte de um pa\u00eds que queremos mais justo, solid\u00e1rio e fraterno, que tem sido apan\u00e1gio dos bancos alimentares.<\/p>\n<p>Todos os dias propomos \u00e0s pessoas e at\u00e9 \u00e0s empresas que est\u00e3o a negociar com os seus colaboradores contratos de reforma ou pr\u00e9-reforma que proponham o voluntariado como interven\u00e7\u00e3o de cidadania ativa. N\u00f3s encaramos o voluntariado, n\u00e3o como forma de passar o tempo ou entret\u00e9m, ou apenas porque \u00e9 giro ou moda. Hoje todos os jovens querem ser volunt\u00e1rios e n\u00e3o tenho d\u00favidas em afirmar que o BA mudou o voluntariado jovem ao ir para as escolas, h\u00e1 27 anos, com este apelo para que as pessoas participem\u00a0 dando algum do seu tempo com alegria. Mas, tamb\u00e9m me parece que o voluntariado tem de ser comprometido e pode ser mais orientado e mais proposto para que se torne quase parte da cultura em Portugal, e sobretudo para que possa ser quantificado.<\/p>\n<p>Em Portugal temos muito voluntariado informal, de vizinhan\u00e7a, de par\u00f3quia, nas fam\u00edlias e esse voluntariado n\u00e3o \u00e9 contado.<\/p>\n<figure id=\"attachment_155548\" aria-describedby=\"caption-attachment-155548\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Isabel-Jonet_JB.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-155548\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Isabel-Jonet_JB-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Isabel-Jonet_JB-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Isabel-Jonet_JB-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Isabel-Jonet_JB-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Isabel-Jonet_JB-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Isabel-Jonet_JB-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Isabel-Jonet_JB-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Isabel-Jonet_JB-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Isabel-Jonet_JB-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Isabel-Jonet_JB.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-155548\" class=\"wp-caption-text\">Foto Renascen\u00e7a\/Joana Bourgard, Isabel Jonet<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>E era importante que fosse porqu\u00ea?<\/em><\/p>\n<p>Temos uma tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 que o que se d\u00e1 n\u00e3o se conta e, sobretudo, n\u00e3o se mede. D\u00e1-se, porque se d\u00e1. Ora, quando se encara o voluntariado como algo mais, como participa\u00e7\u00e3o de cidadania ativa, \u00e9 importante quantific\u00e1-lo e valoriz\u00e1-lo, at\u00e9 para poder dar exemplos a outras pessoas de que este tipo de participa\u00e7\u00e3o gera coes\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>O que temos feito, no \u00e2mbito da \u2018ENTRAJUDA\u2019 \u00e9 criar plataformas de voluntariado, e cri\u00e1mos a Bolsa do Voluntariado (bolsadovoluntariado.pt), que \u00e9 o maior site portugu\u00eas de voluntariado, com 58 mil volunt\u00e1rios inscritos, duas mil institui\u00e7\u00f5es \u00e0 procura de volunt\u00e1rios, onde se oferece a oportunidade de um volunt\u00e1rio ser volunt\u00e1rio numa determinada necessidade espec\u00edfica que uma institui\u00e7\u00e3o tem. Esta institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem de ser ligada ao setor social: pode ser ligada aos animais, \u00e0 cultura, \u00e0s artes.<\/p>\n<p>Hoje, temos canais tecnol\u00f3gicos, todos temos um telem\u00f3vel, com\u00a0 liga\u00e7\u00e3o \u00e0 internet, vemos muitas pessoas nas redes sociais a partilhar ideias, ent\u00e3o porque n\u00e3o partilhar o nosso tempo ou, com os nossos amigos, um momento que gere esta solidariedade? Temos exemplos de coisas extraordin\u00e1rias, como despedidas de solteiro num dia de voluntariado no Banco Alimentar. Ainda esta semana, um jovem que fazia 30 anos, em vez de ir beber copos com os amigos, foram fazer duas horas de voluntariado no Banco de Bens Doados e depois foram festejar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 outra forma de aderir a esta \u2018rede social\u2019 que \u00e9 mote da campanha?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 algo que \u00e9 diferente, \u00e9 encarar o voluntariado como algo que me diz respeito a mim e n\u00e3o \u00e9 apenas dar ao outro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em sua opini\u00e3o ainda h\u00e1 muito para fazer a esse n\u00edvel?<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 muito para fazer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Embora ao n\u00edvel das empresas j\u00e1 haja mais responsabilidade social\u2026<\/em><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o sou muito adepta do voluntariado empresarial, porque o voluntariado \u00e9 algo que n\u00e3o se pede, d\u00e1-se, e portanto tem de haver uma vontade de dar &#8211; cada um tem a motiva\u00e7\u00e3o para dar o que quer e onde quer. Mas, sobretudo as empresas n\u00e3o t\u00eam de saber onde \u00e9 que eu gasto o meu tempo livre. As empresas podem ser entidades que prop\u00f5em programas, iniciativas , mas cada um s\u00f3 tem de dar na medida daquilo que tem vontade.<\/p>\n<p>Temos tamb\u00e9m hoje uma resposta, muito interessante, para pessoas que chegam ao fim da sua vida ativa e t\u00eam 60, 62, 65 anos mas que ainda t\u00eam 20 ou 30 anos de vida \u00e0 sua frente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 o projeto \u2018Tempo Extra\u2019?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 o \u2018Tempo Extra\u2019. N\u00e3o estamos a propor que as pessoas deem aos outros um tempo extra. Estamos a propor que deem a si pr\u00f3prias um tempo extra, \u00e0 sua vida ativa, contribuindo para um envelhecimento ativo e para uma vida que pode continuar a ter sentido de um ponto de vista de rela\u00e7\u00e3o e de contribui\u00e7\u00e3o \u00fatil para uma sociedade. Isto constr\u00f3i, n\u00e3o destr\u00f3i.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E tem tido ades\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Sim, temos muitas empresas que aderiram, muitas empresas que prop\u00f5em aos seus colaboradores esta possibilidade de darem voluntariado qualificado. Temos volunt\u00e1rios que t\u00eam compet\u00eancias especiais que as colocam ao servi\u00e7o desta rede, gerando mudan\u00e7a e criando muito impacto social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Portugal inspirador contra a fome<\/strong><\/p>\n<p><em>O Banco Alimentar Contra a Fome, o projeto em si, \u00e9 um banco de projetos em torno da ajuda a quem precisa e, no caso da Isabel Jonet, para al\u00e9m de dirigir o BA de Lisboa e tamb\u00e9m a Federa\u00e7\u00e3o dos BA em Portugal, entre 2012 e 2017 esteve \u00e0 frente da Federa\u00e7\u00e3o Europeia dos Bancos Alimentares. Portugal esteve e est\u00e1 na linha da frente? Est\u00e1 a exportar a ideia?<\/em><\/p>\n<p>Sim. N\u00f3s at\u00e9 temos uma f\u00f3rmula engra\u00e7ada e dizemos que o Banco Alimentar ajuda a alimentar ideias. Para al\u00e9m da ENTRAJUDA, que \u00e9 uma emana\u00e7\u00e3o do Banco Alimentar, ajud\u00e1mos a abrir Bancos Alimentares em diferentes pa\u00edses, na Gr\u00e9cia, Angola e Cabo Verde, tamb\u00e9m na \u00c1frica do Sul, que foi muito gratificante.<\/p>\n<p>Hoje \u00e9 tudo mais f\u00e1cil com as novas tecnologias, n\u00e3o \u00e9 preciso ir, podemos falar pelo computador, quase podemos estar nos locais e podemos partilhar muita informa\u00e7\u00e3o e documenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, diria que para mim &#8211; at\u00e9 porque sou fundadora, com uma equipa extraordin\u00e1ria de volunt\u00e1rios qualificados, que t\u00eam feito um caminho incr\u00edvel neste sector social &#8211; talvez a \u2018ENTRAJUDA\u2019 seja o projeto mais estruturante que p\u00f4de ser criado. Porque o que prop\u00f5e \u00e9 uma mudan\u00e7a na gest\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Tenho muito contacto com freiras e padres, que s\u00e3o os presidentes dos centros sociais e paroquiais &#8211; em Portugal temos uma rede social muito ligada \u00e0 Igreja cat\u00f3lica &#8211; e penso, para mim: porque \u00e9 que as freiras que s\u00e3o extraordin\u00e1rias h\u00e3o de estar a fazer documentos para a contabilidade ou a prestar contas para a Seguran\u00e7a Social, quando podiam estar a consagrar tempo e amor a pessoas com defici\u00eancia acamadas ou a crian\u00e7as que precisam de colo, e est\u00e3o a gastar as suas pestanas a fazer contabilidade, que n\u00e3o sabem nem t\u00eam de saber, quando h\u00e1 volunt\u00e1rios qualificados que sabem contabilidade e as querem ajudar?<\/p>\n<p>H\u00e1 aqui uma possibilidade de encontro. Eu acredito em redes sociais que s\u00e3o verdadeiras e acredito que n\u00f3s todos fazemos parte uns dos outros e quando nos conhecemos e conseguimos encontrar-nos, geramos mais valor. \u00c0s vezes andamos desencontrados. Cabe a cada um de n\u00f3s promover estes encontros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Fal\u00e1mos do Banco Alimentar, da \u2018ENTRAJUDA\u2019, do projeto \u2018Tempo Extra\u2019, da Bolsa do Voluntariado, tamb\u00e9m gostaria de ter falado do Banco de Bens Doados ou do Banco de Equipamentos. S\u00e3o v\u00e1rios projetos a que tem estado ligada ao longo dos anos. Onde \u00e9 que se inspira e o que \u00e9 que a motiva?<\/em><\/p>\n<p>Eu digo sempre que pessoas desassossegadas n\u00e3o t\u00eam vidas sossegadas e quando caminhamos neste setor com tantas necessidades e car\u00eancias, mas onde vemos que, \u00e0s vezes, basta estender uma m\u00e3o para receber um sorriso, vamos encadeando estas coisas todas umas nas outras, porque fazem sentido. E todos estes projetos fazem sentido de uma forma integrada, mas sempre unidos por uma ideia que \u00e9 a luta contra o desperd\u00edcio.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 na base destes projetos \u00e9 a luta contra o desperd\u00edcio: de alimentos, de bens e de tempo, a luta contra o desperd\u00edcio de amor. O que procuramos \u00e9 que nada se perca, porque n\u00e3o h\u00e1 direito de fazermos perder, sobretudo, este amor que falta hoje muito na sociedade em que vivemos, onde tudo pode ser otimizado fazendo com que as pessoas tenham mais tempo para os outros, mas tamb\u00e9m mais tempo para si pr\u00f3prias.<\/p>\n<p>N\u00f3s vivemos muito mais tempo e podemos viver melhor se aproveitarmos melhor este tempo. Acho que tenho sido aben\u00e7oada com esta certeza de que encontro sempre \u00e0 minha volta pessoas espetaculares, todas motivadas tamb\u00e9m por esta vontade de contribuir e participar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Dia Mundial do Voluntariado assinala-se na pr\u00f3xima semana, dia 5 de dezembro. Continua a trabalhar no Banco Alimentar como volunt\u00e1ria?<\/em><\/p>\n<p>Eu sou volunt\u00e1ria. Nunca ganhei nenhum dinheiro nem qualquer contrapartida pelo tempo e trabalho que dedico, seja no Banco Alimentar, seja na \u2018ENTRAJUDA\u2019. Foi uma op\u00e7\u00e3o de vida que fiz e que fiz conscientemente com a minha fam\u00edlia desde 1994.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A recolha e distribui\u00e7\u00e3o de alimentos atrav\u00e9s de 2400 institui\u00e7\u00f5es, em todo o pa\u00eds, \u00e9 a raz\u00e3o de ser dos 21 bancos, em Portugal, que s\u00e3o j\u00e1 muito mais do que isso.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":155547,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[630],"tags":[314],"class_list":["post-155535","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/155535","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=155535"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/155535\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/155547"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=155535"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=155535"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=155535"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}