{"id":15546,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/migracoes-sinais-dos-tempos-a-interpretar-a-luz-do-evangelho\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"migracoes-sinais-dos-tempos-a-interpretar-a-luz-do-evangelho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/migracoes-sinais-dos-tempos-a-interpretar-a-luz-do-evangelho\/","title":{"rendered":"Migra\u00e7\u00f5es: sinais dos tempos a interpretar \u00e0 luz do Evangelho"},"content":{"rendered":"<p>Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial do Migrante e Refugiado 2006  <!--more--> &#8220;Migra\u00e7\u00f5es: sinal dos tempos&#8221;  Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s!  H\u00e1 quarenta anos concluiu-se o Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico Vaticano II, cujo rico ensinamento abra\u00e7a muitos campos da vida eclesial. Em particular, a Constitui\u00e7\u00e3o Pastoral \u201cGaudium et Spes\u201d desenvolveu uma an\u00e1lise atenta sobre a complexa realidade do mundo contempor\u00e2neo, procurando os caminhos oportunos para levar aos homens de hoje a mensagem evang\u00e9lica.  Para esta finalidade, aceitando o convite do beato Jo\u00e3o XXIII, os Padres conciliares comprometeram-se a perscrutar os sinais dos tempos interpretando-os \u00e0 luz do Evangelho, para oferecer \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es a possibilidade de responder de maneira adequada aos interrogativos perenes acerca do sentido da vida presente e futura e da justa orienta\u00e7\u00e3o dos relacionamentos sociais (cf. Gaudium et Spes, 4).  Entre os \u201csinais dos tempos\u201d hoje reconhec\u00edveis devem certamente incluir-se as migra\u00e7\u00f5es, um fen\u00f3meno que assumiu no decurso do s\u00e9culo que h\u00e1 pouco se concluiu uma configura\u00e7\u00e3o, por assim dizer, estrutural, tornando-se uma caracter\u00edstica importante do mercado do trabalho a n\u00edvel mundial, como consequ\u00eancia, entre outras coisas, do poderoso est\u00edmulo exercido pela globaliza\u00e7\u00e3o. Naturalmente, neste &#8220;sinal dos tempos&#8221; confluem diferentes componentes. De facto, ele inclui as migra\u00e7\u00f5es quer internas quer internacionais, as for\u00e7adas e as volunt\u00e1rias, as legais e as irregulares, sujeitas tamb\u00e9m \u00e0 chaga do tr\u00e1fico de seres humanos. Tamb\u00e9m n\u00e3o pode ser esquecida a categoria dos estudantes estrangeiros, cujo n\u00famero aumenta todos os anos no mundo.  Em rela\u00e7\u00e3o aos que emigram por motivos econ\u00f3micos, merece ser real\u00e7ado o recente facto da &#8220;feminiza\u00e7\u00e3o&#8221; do fen\u00f3meno, isto \u00e9, da crescente presen\u00e7a nele do componente feminino. De facto, no passado, eram sobretudo os homens que emigravam, mesmo se as mulheres nunca faltaram; contudo elas movem-se principalmente para acompanhar os respectivos maridos ou pais ou para se reunir onde eles j\u00e1 se encontram.  Hoje, mesmo sendo numerosas as situa\u00e7\u00f5es desse g\u00e9nero, a emigra\u00e7\u00e3o feminina tende para se tornar cada vez mais aut\u00f3noma: a mulher atravessa sozinha as fronteiras da p\u00e1tria, \u00e0 procura de um emprego no Pa\u00eds de destino. Ali\u00e1s, n\u00e3o raramente a mulher migrante tornou-se a fonte principal de rendimento para a pr\u00f3pria fam\u00edlia. A presen\u00e7a feminina regista-se, de facto, prevalentemente nos sectores que oferecem baixos sal\u00e1rios. Portanto, se os trabalhadores migrantes s\u00e3o particularmente vulner\u00e1veis, entre eles as mulheres s\u00e3o-no ainda mais. Os \u00e2mbitos de emprego mais frequentes, para as mulheres, s\u00e3o constitu\u00eddos, al\u00e9m do trabalho dom\u00e9stico, pela assist\u00eancia aos idosos, pelo cuidado das pessoas doentes, pelos servi\u00e7os relacionados com o \u00e2mbito hoteleiro. Eles constituem igual n\u00famero de campos nos quais os crist\u00e3os est\u00e3o chamados a dar provas do seu compromisso para o justo tratamento da mulher migrante, pelo respeito da sua feminilidade, e reconhecimentos dos seus direitos iguais.  \u00c9 imperativo mencionar, neste contexto, o tr\u00e1fico de seres humanos e sobretudo de mulheres que prospera onde as oportunidades de melhorar a pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o de vida, ou simplesmente de sobreviver, s\u00e3o escassas. Torna-se f\u00e1cil para o traficante oferecer os pr\u00f3prios &#8220;servi\u00e7os&#8221; \u00e0s v\u00edtimas, que muitas vezes n\u00e3o suspeitam minimamente o que dever\u00e3o enfrentar. Em alguns casos, h\u00e1 mulheres e jovens que s\u00e3o destinadas \u00e0 explora\u00e7\u00e3o no trabalho, quase como escravas, e n\u00e3o raramente tamb\u00e9m na ind\u00fastria do sexo.  Mesmo n\u00e3o podendo aprofundar aqui a an\u00e1lise das consequ\u00eancias de tal migra\u00e7\u00e3o, fa\u00e7o minha a condena\u00e7\u00e3o j\u00e1 expressa por Jo\u00e3o Paulo II contra &#8220;a difundida cultura hedonista e mercantil que promove a explora\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica da sexualidade&#8221; (Carta \u00e0s mulheres, 29 de Junho de 1995, n. 5). Existe um inteiro programa de reden\u00e7\u00e3o e de liberta\u00e7\u00e3o, ao qual os crist\u00e3os n\u00e3o se podem subtrair.  No que se refere \u00e0 outra categoria de migrantes, a dos que pedem asilo e dos refugiados, gostaria de real\u00e7ar como em geral nos detemos sobre o problema constitu\u00eddo pela sua entrada e n\u00e3o nos interrogamos tamb\u00e9m sobre as raz\u00f5es da sua fuga do Pa\u00eds de origem. A Igreja olha para todo este mundo de sofrimento e de viol\u00eancia com os olhos de Jesus, que se comovia diante do espect\u00e1culo das multid\u00f5es errantes como ovelhas sem pastor (cf. Mt 9, 36). Esperan\u00e7a, coragem, amor e tamb\u00e9m &#8220;fantasia da caridade&#8221; (Carta Apost. Novo Millennio Ineunte, 50) devem inspirar o compromisso necess\u00e1rio, humano e crist\u00e3o, em socorro destes irm\u00e3os e irm\u00e3s nos seus sofrimentos.  As suas Igrejas de origem n\u00e3o deixar\u00e3o de mostrar a sua solicitude com o envio de assistentes da mesma l\u00edngua e cultura, em di\u00e1logo de caridade com as Igrejas particulares de acolhimento. \u00c0 luz dos &#8220;sinais dos tempos&#8221; de hoje, merece por fim uma aten\u00e7\u00e3o particular o fen\u00f3meno dos estudantes estrangeiros. O seu n\u00famero, gra\u00e7as tamb\u00e9m aos &#8220;interc\u00e2mbios&#8221; entre as v\u00e1rias universidades, especialmente na Europa, regista um crescimento constante, com consequentes problemas tamb\u00e9m pastorais que a Igreja n\u00e3o pode deixar de atender. Isto \u00e9 v\u00e1lido de modo especial para os estudantes provenientes dos Pa\u00edses em vias de desenvolvimento, para os quais a experi\u00eancia universit\u00e1ria pode constituir uma ocasi\u00e3o extraordin\u00e1ria de enriquecimento espiritual.  Ao invocar a assist\u00eancia divina sobre quantos, movidos pelo desejo de contribuir para a promo\u00e7\u00e3o de um futuro de justi\u00e7a e de paz no mundo, empregam as suas energias no campo da pastoral ao servi\u00e7o da mobilidade humana, a todos envio, como penhor de afecto, uma especial B\u00ean\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica.   Benedictus PP. XVI Vaticano, 18 de Outubro de 2005.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial do Migrante e Refugiado 2006<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,203,206,237,238,258,291],"class_list":["post-15546","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-europa","tag-familia","tag-joao-paulo-ii","tag-joao-xxiii","tag-migracoes","tag-refugiados"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15546","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15546"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15546\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15546"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15546"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15546"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}