{"id":15536,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-consoada\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-consoada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-consoada\/","title":{"rendered":"A Consoada"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 arriscado alinhar o nosso pensamento apenas pelas emo\u00e7\u00f5es mais fortes e recentes. Ou por uma ideia que paira no ar, sem hist\u00f3ria nem consist\u00eancia, vagamente conhecida como \u2018opini\u00e3o p\u00fablica\u2019. H\u00e1, de facto, uma camada superficial, esp\u00e9cie de magma gelatinoso onde assenta muito do \u201cparece e diz-se\u201d sem qualquer an\u00e1lise ou comprova\u00e7\u00e3o s\u00f3lida. N\u00e3o direi que o contr\u00e1rio \u2013 essa esp\u00e9cie de imobilidade esf\u00edngica, indiferente a tudo o que mexe \u2013 \u00e9 que sedimenta a verdade. Mas \u00e9 no discernimento desta dualidade desconcertante que encontramos o sentido da vida. Um exemplo: corre, com alguma ligeireza, a ideia de que a fam\u00edlia \u2018acabou\u2019, e agora se assiste a um agregado de pessoas, esp\u00e9cie de restos das roturas de casamentos, divis\u00e3o jur\u00eddica dos filhos, escombros de conflitos e desamores mal resolvidos. Assim se lan\u00e7a na atmosfera, com alguns interesses de permeio, a ideia de que os paradoxos e patologias devem ser suporte de base \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o da sociedade. E da fam\u00edlia.  Interessa distinguir a exposi\u00e7\u00e3o das situa\u00e7\u00f5es em flamejante espect\u00e1culo, da realidade que padece de acidentes e convuls\u00f5es, mas se perpetua no inalter\u00e1vel da natureza humana. E aqui se reconhece que a fam\u00edlia \u00e9 o la\u00e7o mais forte e profundo da vida social, elo de proximidade entre as pessoas, em liga\u00e7\u00e3o com a terra, a cultura, a hist\u00f3ria, oportunidade de partilhar ideias e afectos. Um livro ora aparecido, \u2018Fam\u00edlia em Portugal\u2019,  da soci\u00f3loga  Karin Wall ( que se tem dedicado, desde  os anos oitenta a este tema quer no Norte do pa\u00eds quer na emigra\u00e7\u00e3o) oferece-nos dados preciosos de an\u00e1lise da fam\u00edlia em Portugal. Sem pretender doutrinar sobre o \u00f3ptimo, o bom e o mau, faculta-nos, em 700 p\u00e1ginas, com n\u00fameros e quadros, elementos de reflex\u00e3o sobre a import\u00e2ncia da institui\u00e7\u00e3o familiar (para diversos tipos de pessoas), o significado do casamento religioso e civil, dos filhos, dos lugares tradicionais e novos, da mulher no trabalho e na casa, e de variad\u00edssimas novas ambi\u00eancias que nos relan\u00e7am quest\u00f5es antigas e modernas da fam\u00edlia. Sem pretender extrair uma conclus\u00e3o \u00fanica, infere-se uma import\u00e2ncia decisiva da fam\u00edlia como institui\u00e7\u00e3o, como elo de refer\u00eancia fundamental na vida dos indiv\u00edduos e das comunidades. O Natal, tamb\u00e9m neste aspecto constitui um momento desconcertante de coser, como desiderato ou utopia, todas as roturas de fam\u00edlias, casais e filhos, num reencontro que um acidente n\u00e3o permite que seja permanente e profundo. A Consoada ainda que ceia fugaz, ainda mant\u00e9m, para quem n\u00e3o encontra outro significado religioso, a nostalgia duma fam\u00edlia que todos gostar\u00edamos de ter na lareira significante do fundamental do nosso afecto. A isso n\u00e3o \u00e9 indiferente a figura de Jesus, no Pres\u00e9pio. <i>Ant\u00f3nio Rego<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 arriscado alinhar o nosso pensamento apenas pelas emo\u00e7\u00f5es mais fortes e recentes. Ou por uma ideia que paira no ar, sem hist\u00f3ria nem consist\u00eancia, vagamente conhecida como \u2018opini\u00e3o p\u00fablica\u2019. H\u00e1, de facto, uma camada superficial, esp\u00e9cie de magma gelatinoso onde assenta muito do \u201cparece e diz-se\u201d sem qualquer an\u00e1lise ou comprova\u00e7\u00e3o s\u00f3lida. 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