{"id":155160,"date":"2019-11-25T10:45:52","date_gmt":"2019-11-25T10:45:52","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=155160"},"modified":"2019-11-25T10:45:52","modified_gmt":"2019-11-25T10:45:52","slug":"15-segundos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/15-segundos\/","title":{"rendered":"15 segundos"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>H\u00e1 dias a minha filha mais nova partilhou que ficou admirada com uma das suas melhores amigas. Ultimamente, quando procurava conversar com ela, essa n\u00e3o parava de interagir com o <em>smartphone.<\/em> Foi uma experi\u00eancia simples de <em>\u201destar a falar para o boneco,\u201d<\/em> mas ser\u00e1 que se est\u00e1 a tornar num h\u00e1bito que atravessa todas as gera\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<figure id=\"attachment_155162\" aria-describedby=\"caption-attachment-155162\" style=\"width: 1296px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/cristina-gottardi-tMXjU4cGsNA-unsplash.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-155162 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/cristina-gottardi-tMXjU4cGsNA-unsplash.jpg\" alt=\"\" width=\"1296\" height=\"731\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/cristina-gottardi-tMXjU4cGsNA-unsplash.jpg 1296w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/cristina-gottardi-tMXjU4cGsNA-unsplash-400x226.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/cristina-gottardi-tMXjU4cGsNA-unsplash-1024x578.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/cristina-gottardi-tMXjU4cGsNA-unsplash-768x433.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/cristina-gottardi-tMXjU4cGsNA-unsplash-1080x609.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/cristina-gottardi-tMXjU4cGsNA-unsplash-1280x722.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/cristina-gottardi-tMXjU4cGsNA-unsplash-980x553.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/cristina-gottardi-tMXjU4cGsNA-unsplash-480x271.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1296px) 100vw, 1296px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-155162\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Cristina Gottardi em Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>J\u00e1 repararam como interagir com o pequeno ecr\u00e3 \u00e9 a atitude mais frequente entre pessoas que est\u00e3o num restaurante, ou \u00e0 mesa de um caf\u00e9, numa paragem de autocarro, ou estudantes enquanto aguardam pela pr\u00f3xima aula? Na pr\u00e1tica, a colega da minha filha come\u00e7a desde cedo a ceder \u00e0 distrac\u00e7\u00e3o que se torna <em>habitual<\/em> na vida das pessoas. Da\u00ed a dificuldade que muitos sentem quando querem <em>ouvir<\/em> algu\u00e9m e n\u00e3o conseguem. Pensamos que o contr\u00e1rio de ouvir \u00e9 falar, mas n\u00e3o\u2026 \u00e9 <em>esperar.<\/em><\/p>\n<blockquote><p><em>\u201dHaver\u00e1 algu\u00e9m que seja ensinado a ouvir? \u00c9 absolutamente espantoso ter como pressuposto geral que a capacidade de ouvir bem \u00e9 um dom natural que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio exercitar. \u00c9 extraordin\u00e1rio verificar que em todo o processo educativo nada seja feito para ajudar os indiv\u00edduos a aprenderem a ouvir bem.\u201d (Mortimer Adler, fil\u00f3sofo)<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Quando outros falam connosco, quantas vezes n\u00e3o repartimos a nossa aten\u00e7\u00e3o entre o que dizem e o que lhe iremos dizer a seguir? Por\u00e9m, a experi\u00eancia dita que o mais certo \u00e9 falhar em ambas as coisas. H\u00e1 um exerc\u00edcio simples que nos ajuda a aprender a ouvir verdadeiramente o outro. \u00c9 simples, mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil.<\/p>\n<p><strong>15 segundos.<\/strong><\/p>\n<p>Quando algu\u00e9m estiver a falar contigo, n\u00e3o respondas logo, mas espera 15 segundos antes de falares. N\u00e3o funciona, claro, em todas as conversas, mas naquelas mais profundas ou importantes, n\u00e3o \u00e9 apenas o sil\u00eancio que \u00e9 de ouro, mas sim <em>a pausa<\/em> que torna o momento num diamante.<\/p>\n<p>Num estudo publicado em 2000 na <em>Review of Ophthalmology<\/em>, Judith Lee observou que a maioria dos m\u00e9dicos interrompe os doentes 18 segundos depois de eles terem come\u00e7ado a falar, o que frequentemente n\u00e3o chega para que esses possam explicar o motivo que os levou \u00e0 consulta. J\u00e1 viveste uma situa\u00e7\u00e3o semelhante? N\u00e3o \u00e9 a pressa, ou os restantes doentes que est\u00e3o \u00e0 espera, s\u00e3o os pr\u00f3prios m\u00e9dicos e muitos de n\u00f3s que gradualmente temos esquecido o valor de <em>esperar.<\/em><\/p>\n<p><em>15 segundos<\/em> \u00e9 um tempo finito, mas infind\u00e1vel diante da partilha do outro para a digerir. Incomoda ter de esperar porque nos transporta at\u00e9 \u00e0 intimidade, desacelera e favorece a compreens\u00e3o em detrimento da reac\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, o caminho que a era digital nos empurrou \u00e9 o de que esperar se tornou muito desconfort\u00e1vel.<\/p>\n<p>O prop\u00f3sito de uma boa conversa \u00e9 a compreens\u00e3o profunda do pensamento e experi\u00eancia do outro e o desenvolvimento saud\u00e1vel de um relacionamento de amizade onde se partilha ou cresce em intimidade.<\/p>\n<p>O sil\u00eancio \u00e9 um ambiente \u00edntimo. Arrefece os \u00e2nimos acelerados para entrar na intimidade rec\u00edrproca com o maior respeito. Pode ser constrangedor quando desconhecemos a raz\u00e3o da espera do outro sem reac\u00e7\u00e3o, mas tudo deve ser experimentado com modera\u00e7\u00e3o. H\u00e1 conversas incompat\u00edveis com tempos de espera de 15 segundos, mas talvez 5 segundos seja o suficiente para dar espa\u00e7o ao outro para se exprimir totalmente. E ainda que sintamos o impulso a reagir, a pausa mais prolongada ajuda-nos, tamb\u00e9m, a consolidar o que queremos dizer realmente ao outro.<\/p>\n<p><em>Recuperar<\/em> as conversas nesta fase da era digital em que vivemos significa trazer, de novo, a profundidade que falta em tantas das nossas conversas. Uma falta que adv\u00e9m do excesso de informa\u00e7\u00e3o em que vivemos imersos, e que uma pausa pode fazer-nos experimentar qu\u00e3o grande \u00e9 a riqueza rec\u00edproca quando comunicamos entre n\u00f3s e \u201ccomungamo-nos\u201d uns dos outros.<\/p>\n<p>A comunh\u00e3o \u00e9 uma m\u00fatua \u00edntima iman\u00eancia que faz parte intr\u00ednseca daquilo que significa ser humano. As reac\u00e7\u00f5es s\u00e3o insuficientes para estimular uma comunh\u00e3o profunda que fa\u00e7a crescer e aprofundar os relacionamentos.<\/p>\n<p>A <em>pausa<\/em> \u00e9 uma palavra pronunciada na intimidade dirigida \u00e0 intimidade do outro. Da\u00ed que o sil\u00eancio de 5 ou 15 segundos numa conversa entre o que o outro diz e n\u00f3s dizemos possa n\u00e3o ser f\u00e1cil. \u00c9 como duas pessoas que entram num elevador e conhecem-se pouco. As circunst\u00e2ncias obrigam-lhes a partilhar um espa\u00e7o de proximidade. N\u00e3o percebem o valor, mas num mundo ruidoso como o nosso, \u00e9 um modo espont\u00e2neo de ouvir sem esperar ouvir algo. \u00c9 deixar o sil\u00eancio falar por n\u00f3s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":92442,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-155160","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/155160","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=155160"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/155160\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92442"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=155160"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=155160"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=155160"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}