{"id":15513,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/ordem-hospitaleira-aposta-em-timor\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"ordem-hospitaleira-aposta-em-timor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ordem-hospitaleira-aposta-em-timor\/","title":{"rendered":"Ordem Hospitaleira aposta em Timor"},"content":{"rendered":"<p>A Ordem Hospitaleira dos Irm\u00e3os de S. Jo\u00e3o de Deus est\u00e1 a formar volunt\u00e1rios leigos para integrarem a miss\u00e3o que est\u00e1 a ser desenvolvida em Timor-Leste desde Mar\u00e7o de 2004. Neste momento, a Ordem Hospitaleira est\u00e1 a formar duas jovens, uma enfermeira e uma auxiliar de ac\u00e7\u00e3o educativa.  As duas volunt\u00e1rias est\u00e3o a aprender o t\u00e9tum, uma das l\u00ednguas oficiais do pa\u00eds (a par da portuguesa), devendo integrar a miss\u00e3o dentro de um ano.  A not\u00edcia foi avan\u00e7ada ontem, em Barcelos, pelo provincial da Ordem Hospitaleira de S. Jo\u00e3o de Deus, irm\u00e3o Jos\u00e9 Paulo Sim\u00f5es Pereira, \u00e0 margem da festa promovida pelas casas de sa\u00fade de S. Jos\u00e9 e de S. Jo\u00e3o de Deus, dois centros assistenciais do Instituto S. Jo\u00e3o de Deus. O espect\u00e1culo, realizado no F\u00f3rum S. Bento Menni, contou com a participa\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios artistas mais ou menos conhecidos do p\u00fablico como Alexandre Correia, Gonzo, Jos\u00e9 Malhoa ou o duo Nelo e Cristiana. Segundo adiantou o provincial, a receita da bilheteira destina-se a pagar as despesas relacionadas com as viagens e com o alojamento dos volunt\u00e1rios. Na iniciativa marcaram presen\u00e7a a embaixadora de Timor- -Leste em Portugal, o ministro da Educa\u00e7\u00e3o de Timor e o director geral do Ensino Superior.  A miss\u00e3o da Ordem Hospitaleira em Timor est\u00e1 centrada em Laclubar, um sub-distrito do distrito de Manatuto. A localidade tem cerca de 13 mil habitantes e possui v\u00e1rias aldeias distribu\u00eddas pela montanha. Em Laclubar, situada no centro geogr\u00e1fico do territ\u00f3rio, est\u00e3o a trabalhar dois irm\u00e3os, um portugu\u00eas e um brasileiro \u2013 um psic\u00f3logo e o outro assistente social \u2013, que t\u00eam vindo a identificar os problemas e a fazer o levantamento das necessidades da popula\u00e7\u00e3o.  A partir do diagn\u00f3stico tra\u00e7ado, a Ordem Hospitaleira pretende desenvolver um projecto na \u00e1rea da preven\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria da sa\u00fade, concretamente da sa\u00fade mental. Desde que chegaram ao territ\u00f3rio, os irm\u00e3os da Ordem Hospitaleira t\u00eam \u00abactuado ao ritmo timorense\u00bb.  \u00abEm Timor, as coisas s\u00e3o mais lentas, da\u00ed construirmos um projecto a partir das necessidades locais, apostando no contacto directo com o povo\u00bb, notou o irm\u00e3o Jos\u00e9 Paulo. O provincial acrescentou que os irm\u00e3os est\u00e3o a desenvolver um importante trabalho de liga\u00e7\u00e3o entre as popula\u00e7\u00f5es nas aldeias e nas montanhas com os servi\u00e7os de sa\u00fade.  \u00abOutra das vertentes da miss\u00e3o em curso passa pela educa\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade e aqui os irm\u00e3os t\u00eam tido um papel importante\u00bb, disse.   <b>Ajuda na sa\u00fade e ac\u00e7\u00e3o social<\/b> O irm\u00e3o Jos\u00e9 Paulo explicou que a miss\u00e3o da Ordem Hospitaleira em Timor partiu do pedido da Igreja timorense, concretamente de D. Bas\u00edlio do Nascimento, na altura bispo de Baucau e D\u00edli. \u00abO bispo incentivou-nos para ir para Timor e dar um contributo na \u00e1rea da sa\u00fade e da ac\u00e7\u00e3o social\u00bb, frisou, adiantando que Timor \u00e9 um pa\u00eds novo que precisa da ajuda de muitas institui\u00e7\u00f5es e pa\u00edses para poder progredir.  Apesar de ter come\u00e7ado oficialmente a 8 de Mar\u00e7o de 2004, dia de S. Jo\u00e3o de Deus, a miss\u00e3o teve como ponto de partida uma visita explorat\u00f3ria realizada em Novembro de 2002, meses depois de Timor ter reconquistado a sua independ\u00eancia.  O provincial da Prov\u00edncia Portuguesa da Ordem Hospitaleira de S. Jo\u00e3o de Deus lembrou que os anos de ocupa\u00e7\u00e3o indon\u00e9sia deixaram muitas marcas e traumas. \u00abExistem muitos problemas familiares, de consumo de \u00e1lcool, muito sofrimento e por isso h\u00e1 todo um trabalho que tem de ser feito no contacto directo com as popula\u00e7\u00f5es\u00bb, explicou o irm\u00e3o Jos\u00e9 Paulo. Para iniciar o trabalho, os irm\u00e3os tiveram um tempo de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3pria cultura timorense.  \u00ab\u00c9 um povo cat\u00f3lico mas com uma forte viv\u00eancia animista que \u00e9, no fundo, a religi\u00e3o nativa do povo. Nesse sentido, tem de haver algum cuidado nesta rela\u00e7\u00e3o\u00bb, disse. O irm\u00e3o Jos\u00e9 Paulo falou ainda em problemas de comunica\u00e7\u00e3o. Apesar das l\u00ednguas oficiais serem o portugu\u00eas e o t\u00e9tum, em Timor existem 31 grupos \u00e9tnico-lingu\u00edsticos diferentes.  <b>\u00abAc\u00e7\u00e3o da Ordem Hospitaleira est\u00e1 a ser determinante\u00bb<\/b> Na festa preparada pelos dois centros assistenciais do Instituto S. Jo\u00e3o de Deus, propriedade da Ordem Hospitaleira, instalados no concelho de Barcelos, marcaram presen\u00e7a a embaixadora de Timor-Leste em Portugal, o ministro da Educa\u00e7\u00e3o e o director-geral do ensino superior de Timor. Para a embaixadora Pascoela Barreto, a ajuda dos irm\u00e3os da Ordem Hospitaleira de S. Jo\u00e3o de Deus \u00e9 muito importante para Timor, um pa\u00eds que ganhou a independ\u00eancia pol\u00edtica mas que apresenta car\u00eancias em todas as \u00e1reas.  \u00abTimor tem ainda muitos problemas, foram quase 25 anos de luta que marcaram muito as pessoas, algumas ficaram com traumas\u00bb, notou.  Em declara\u00e7\u00f5es ao Di\u00e1rio do Minho, Pascoela Barreto salientou que a ac\u00e7\u00e3o da Ordem Hospitaleira de S. Jo\u00e3o de Deus em Timor est\u00e1 a ser determinante, concretamente na \u00e1rea da sa\u00fade mental. \u00abOs irm\u00e3os que est\u00e3o em Timor, em colabora\u00e7\u00e3o com o Governo local, est\u00e3o a fazer um bom trabalho apesar de todas as dificuldades e das poucas condi\u00e7\u00f5es que n\u00f3s podemos oferecer\u00bb, acrescentou.  A embaixadora n\u00e3o quis comentar o pedido feito pelo bispo de D\u00edli, D. Alberto Ricardo, ao secret\u00e1rio-geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a cria\u00e7\u00e3o de um Tribunal Internacional que julgue as atrocidades cometidas em Timor-Leste, durante a ocupa\u00e7\u00e3o indon\u00e9sia.  Ainda assim, Pascoela Barreto sublinhou que \u00e9 preciso olhar em frente e construir o futuro para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es. \u00abN\u00e3o esquecemos a nossa hist\u00f3ria, que foi dram\u00e1tica. Timor-Leste luta com tantos problemas e dificuldades, mas \u00e9 preciso construir o futuro\u00bb, disse. Pascoela Barreto lembrou que a Comiss\u00e3o de Acolhimento, Verdade e Reconcilia\u00e7\u00e3o tem feito um trabalho de recolha e ouvido \u00abas pessoas que pretendem desabafar e fazer chegar \u00e0s mais altas entidades todo o sofrimento por que passaram\u00bb.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Ordem Hospitaleira dos Irm\u00e3os de S. Jo\u00e3o de Deus est\u00e1 a formar volunt\u00e1rios leigos para integrarem a miss\u00e3o que est\u00e1 a ser desenvolvida em Timor-Leste desde Mar\u00e7o de 2004. Neste momento, a Ordem Hospitaleira est\u00e1 a formar duas jovens, uma enfermeira e uma auxiliar de ac\u00e7\u00e3o educativa. 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