{"id":15502,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/natal-das-familias-e-para-as-familias\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"natal-das-familias-e-para-as-familias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/natal-das-familias-e-para-as-familias\/","title":{"rendered":"Natal das Fam\u00edlias e para as Fam\u00edlias"},"content":{"rendered":"<p>Mensagem de Natal do Arcebispo Primaz de Braga <!--more--> Desde os anos sessenta do s\u00e9culo passado at\u00e9 aos nossos dias, a fam\u00edlia tem sido objecto de profundas transforma\u00e7\u00f5es. Entre outros sinais, aumentam os div\u00f3rcios, diminui a fecundidade situando-nos muito abaixo da necessidade da renova\u00e7\u00e3o natural da popula\u00e7\u00e3o (1,5 quando seria necess\u00e1rio 2,1), a dimens\u00e3o m\u00e9dia dos agregados familiares \u00e9 menor, a solid\u00e3o expande-se assustadoramente. Por outro lado, a realidade s\u00f3cio-econ\u00f3mica denuncia contrastes, uma vez que \u00e9 em Portugal que vivem as maiores desigualdades sociais entre os que usufruem altos rendimentos e os pobres (20% das fam\u00edlias vivem com 80% do PIB e as restantes 80% vivem com 20% do mesmo). Neste cen\u00e1rio de desigualdades verificamos entre outras realidades: &#8211; Condi\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-econ\u00f3micas que n\u00e3o permitem uma habita\u00e7\u00e3o condigna, a educa\u00e7\u00e3o dos filhos (com o insucesso escolar ligado a um futuro profissional hipotecado), a alimenta\u00e7\u00e3o e o acesso aos bens de sa\u00fade;  &#8211; Empregos com sal\u00e1rios insuficientes, precariedade laboral e desemprego a crescer a um ritmo alarmante; &#8211; Problemas de pobreza e de exclus\u00e3o social, que empurram crian\u00e7as e adolescentes para o trabalho infantil.  Da\u00ed que, perante esta an\u00e1lise sum\u00e1ria de car\u00e1cter pessimista, e um individualismo reinante, convido todos os homens de boa vontade a aceitarem e promoverem a urg\u00eancia duma revaloriza\u00e7\u00e3o intensa da fam\u00edlia. Em primeiro lugar, na vertente meramente natural onde, independentemente das formas e das mudan\u00e7as profundas de que tem sido alvo, ela continua a ser considerada por toda a parte \u201co elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito \u00e0 protec\u00e7\u00e3o da Sociedade e do Estado\u201d (Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos do Homem, art. 16, 1998). Simultaneamente, numa perspectiva crist\u00e3, nascida do sacramento do matrim\u00f3nio como \u201cimagem e participa\u00e7\u00e3o da alian\u00e7a de amor de Cristo e da Igreja\u201d (G. S. 48) \u00e9 \u201cIgreja dom\u00e9stica\u201d (L. G. 11) que \u201cproclama em alta voz as virtudes presentes do reino de Deus e as esperan\u00e7as da vida bem-aventurada\u201d. Dum modo particular e pessoal, dirijo-me \u00e0 comunidade diocesana pedindo-lhe um redobrado esp\u00edrito de servi\u00e7o \u00e0 causa da fam\u00edlia para que, \u00e0 luz da fam\u00edlia de Nazar\u00e9, muitos se empenhem na sua transforma\u00e7\u00e3o naquilo que ela \u00e9. . Sa\u00fado os lares crist\u00e3os onde o amor \u00fanico e indissol\u00favel circula proporcionando aos filhos o ambiente adequado para um desenvolvimento harm\u00f3nico de todas as capacidades; . Gostaria de entrar nos lares onde qualquer tipo de amargura atormenta e impede a felicidade desejada, para pedir-lhes que enveredem pelos caminhos dum amor generoso que n\u00e3o s\u00f3 ser\u00e1 lenitivo nas dores mas rem\u00e9dio salvador de todas as perplexidades; . Sofro com a realidade do desemprego a atingir n\u00edveis inadmiss\u00edveis na nossa regi\u00e3o, quero estar onde j\u00e1 falta o p\u00e3o, o emprego, o di\u00e1logo, a conc\u00f3rdia e solicito \u00e0s autoridades novas formas de interven\u00e7\u00e3o, confiando naqueles e naquelas que podem criar lugares de trabalho; . Penetro, atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o, nos mundos da solid\u00e3o e do desespero e recordo as crian\u00e7as e os idosos a quem falta o m\u00ednimo da ternura familiar; . N\u00e3o posso esquecer a vida que n\u00e3o chega a ver a luz do mundo e ouso sonhar na responsabilidade de todos para que a defendam com encanto na certeza, entre outros aspectos, dum rejuvenescimento do nosso pa\u00eds; . N\u00e3o me identifico com qualquer tipo de viol\u00eancia dom\u00e9stica e coloco-me do lado dos mais fracos para que o esp\u00edrito de conc\u00f3rdia reine entre todos; . Olho para os marginalizados e exclu\u00eddos que n\u00e3o conseguem saborear o calor dum recanto familiar e bato \u00e0 sua porta para que acreditem que \u00e9 poss\u00edvel uma vida melhor.  O Natal nunca acontecer\u00e1 sem uma fam\u00edlia. O nascimento de Cristo experimentou a aus\u00eancia de tudo o que seria minimamente exig\u00edvel. N\u00e3o lhe faltou o amor e a ternura de Maria e Jos\u00e9 que n\u00e3o se detiveram nas dificuldades. Pensando Neles e na for\u00e7a que nasce de Bel\u00e9m, acredito que o futuro da humanidade passa pela fam\u00edlia e sei que este Natal refor\u00e7ar\u00e1 os la\u00e7os dos casais, reunificar\u00e1 os cora\u00e7\u00f5es divididos, dar\u00e1 alento aos sozinhos, criar\u00e1 a vontade duma sociedade-fam\u00edlia onde na mesa da dignidade humana todos s\u00e3o servidos na igualdade e fraternidade. Bom Natal para todas as fam\u00edlias e, particularmente, para aqueles e aquelas que n\u00e3o experimentam o seu calor e afecto.  <i>+ Jorge Ferreira da Costa Ortiga, Arcebispo Primaz<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem de Natal do Arcebispo Primaz de Braga<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[154,172,193,206,267],"class_list":["post-15502","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-crianca","tag-diocese-de-braga","tag-educacao","tag-familia","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15502","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15502"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15502\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15502"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15502"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15502"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}