{"id":15475,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/ucp-tem-de-repensar-o-seu-papel\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"ucp-tem-de-repensar-o-seu-papel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ucp-tem-de-repensar-o-seu-papel\/","title":{"rendered":"UCP tem de repensar o seu papel"},"content":{"rendered":"<p>D. Jos\u00e9 Policarpo apela \u00e0 reflex\u00e3o em momento de exig\u00eancia <!--more--> O Cardeal-Patriarca de Lisboa presidiu ontem \u00e0 inaugura\u00e7\u00e3o oficial e b\u00ean\u00e7\u00e3o do Campus Cam\u00f5es, do Centro Regional de Braga da Universidade Cat\u00f3lica, onde deixou um apelo \u00ab\u00e0 reflex\u00e3o interna\u00bb sobre o papel da universidade no futuro, apontando \u201ca excel\u00eancia\u201d como o mais importante crit\u00e9rio orientador da sua ac\u00e7\u00e3o, independentemente do debate entre o ensino p\u00fablico e privado.  Falando no encerramento da sess\u00e3o solene, D. Jos\u00e9 da Cruz Policarpo afirmou que actualmente \u00abn\u00e3o \u00e9 surpresa para ningu\u00e9m que a Universidade Cat\u00f3lica atravessa um momento de exig\u00eancia e reflex\u00e3o\u00bb, pelo que tem de \u00abrepensar o seu papel num mundo que evoluiu e na sua fun\u00e7\u00e3o na sociedade e no ensino universit\u00e1rio\u00bb. O Magno Chanceler da Cat\u00f3lica referiu que grande parte da sua vida esteve ligada a esta institui\u00e7\u00e3o, da qual foi um dos pioneiros a \u201cplantar a \u00e1rvore\u201d, professor e depois reitor, raz\u00e3o pela qual esta esteve sempre \u00abno centro das suas preocupa\u00e7\u00f5es \u00bb. O Cardeal-Patriarca entende, contudo, que mais importante que a discuss\u00e3o entre ensino p\u00fablico e privado \u00e9 a qualidade da forma\u00e7\u00e3o. \u00abTemos andado muito preocupados com a diferen\u00e7a de tratamento entre o p\u00fablico e o privado\u00bb, afirmou D. Jos\u00e9 Policarpo, frisando que \u00abse as universidades querem olhar para o futuro com solidez t\u00eam que ter como novo crit\u00e9rio a excel\u00eancia\u00bb.  \u00abH\u00e1 universidades excelentes, assim-assim e med\u00edocres e n\u00f3s queremos e temos estar entre as excelentes\u00bb, real\u00e7ou. D. Jos\u00e9 Policarpo salientou ainda que \u00aba excel\u00eancia n\u00e3o se afirma pela quantidade\u00bb, mas passa por dois crit\u00e9rios essenciais: \u00abadaptar a universidade \u00e0s exig\u00eancias de uma cultura e identidade nacional, sem transigir em \u201cpragmatismos de efic\u00e1cia\u201d; e perceber que \u00e1reas e cursos s\u00e3o necess\u00e1rios ao seu desenvolvimento e \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o da sua miss\u00e3o\u00bb.  O Patriarca de Lisboa mostrou- se convicto de que os respons\u00e1veis da Cat\u00f3lica de Braga v\u00e3o aceitar e responder positivamente aos desafios do futuro, e deixou o apelo: \u00abolhemos para o horizonte do mundo e perguntemo-nos que universidade queremos construir \u00bb. Neste sentido, a institui\u00e7\u00e3o iniciou ontem \u00e0 noite, em Braga, uma reuni\u00e3o de reflex\u00e3o estrat\u00e9gica para toda a universidade, por forma a definir o rumo a tomar face aos novos desafios do ensino superior. <i>\u201cLaborat\u00f3rio Cultural\u201d<\/i> Antes do Patriarca de Lisboa, D. Jorge Ortiga procedeu \u00e0 b\u00ean\u00e7\u00e3o das instala\u00e7\u00f5es do Campus universit\u00e1rio e, enquanto patrono do Centro Regional de Braga da Cat\u00f3lica, formulou o desejo de que a inaugura\u00e7\u00e3o deste novo espa\u00e7o seja \u00absin\u00f3nimo da consist\u00eancia\u00bb do Centro Regional, para \u00abultrapassado o per\u00edodo de \u201cinstala\u00e7\u00e3o\u201d permanecer com estabilidade como reconhecimento pelo caminho percorrido\u00bb.  Por outro lado, o Arcebispo desejou que este tempo novo para a Cat\u00f3lica em Braga permita fazer do Centro Regional promotor de \u201cLaborat\u00f3rios Culturais\u201d, como lhes chamou Jo\u00e3o Paulo II, no sentido de fomentar \u00abum di\u00e1logo construtivo entre a teologia, filosofia, ci\u00eancias do homem e ci\u00eancias da natureza, acolhendo a norma moral como exig\u00eancia intr\u00ednseca da verdade e condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para chegar \u00e0 mesma\u00bb.  Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o do Campus Cam\u00f5es, D. Jos\u00e9 Policarpo manifestou tamb\u00e9m \u00abgrande alegria \u00bb e felicitou os respons\u00e1veis pela obra realizada\u2013 que, agora, completou a segunda fase de recupera\u00e7\u00e3o ao fim de quatro anos de trabalhos \u2013, considerando que esta tem \u00abuma qualidade e beleza fora do comum  O Cardeal-Patriarca lembrou tamb\u00e9m o papel desempenhado pelo falecido ministro das Finan\u00e7as Sousa Franco, no regresso do espa\u00e7o do campus para patrim\u00f3nio da igreja. \u00abN\u00e3o \u00e9 todos os dias que vemos regressar \u00e0 igreja uma propriedade que lhe fora retirada violentamente\u00bb, assinalou o magno chanceler da universidade, sendo que o agradecimento ao ex-ministro foi secundado por todos os respons\u00e1veis, que intervieram na sess\u00e3o.  <b>Reitor lamenta duplica\u00e7\u00e3o de cursos em Braga<\/b> O Reitor da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa defendeu, por seu turno, a import\u00e2ncia da \u00abideia de complementaridade\u00bb entre as tr\u00eas faculdades do Centro Regional \u2013 Ci\u00eancias Sociais, Filosofia e Teologia \u2013 e destas com as outras universidades, notando que foi esta matriz que presidiu ao nascimento da Cat\u00f3lica em Braga.  Falando na cerim\u00f3nia de inaugura\u00e7\u00e3o do Campus Cam\u00f5es conclu\u00eddo ao fim de \u00abquatro anos de obras sem qualquer apoio directo do Governo\u00bb \u2013 e cujo valor global da interven\u00e7\u00e3o ronda os cinco milh\u00f5es de euros, Manuel Braga da Cruz lamentou, por isso, a \u00abduplica\u00e7\u00e3o de cursos\u00bb, que nada acrescentam \u00e0 oferta formativa da cidade. O respons\u00e1vel m\u00e1ximo da institui\u00e7\u00e3o defendeu que o novo Campus \u2013 onde est\u00e3o instalados os Servi\u00e7os Centrais do Centro Regional e a faculdade de Ci\u00eancias Sociais \u2013, \u00abserve para acrescentar e n\u00e3o para diminuir as demais faculdades, numa l\u00f3gica de funcionamento complementar, cuja ideia se estendia \u00e0s outras universidades\u00bb, ou seja, \u00e0 Universidade do Minho, embora sem a referir.  Braga da Cruz frisou que, desde o aparecimento da Cat\u00f3lica em Braga, \u00abo objectivo era colmatar lacunas, mais do que duplicar ofertas existentes\u00bb, pelo que aproveitou para reafirmar o desejo de que no futuro \u00abvolte a prevalecer a ideia de complementaridade e n\u00e3o se reincida em ofertas j\u00e1 existentes\u00bb, como se verificou com a abertura dos cursos de Filosofia na Universidade do Minho e de Comunica\u00e7\u00e3o na Cat\u00f3lica. O reitor disse, contudo, \u00abn\u00e3o lamentar a concorr\u00eancia \u00bb, mas defende a aposta naquilo que sirva para \u00abenriquecer e inovar a oferta existente\u00bb, apontando tamb\u00e9m \u00aba import\u00e2ncia da qualidade\u00bb, no sentido de atrair estudantes de todas as proveni\u00eancias \u2013 tal como j\u00e1 est\u00e1 a acontecer com os alunos de Cabo Verde, que j\u00e1 est\u00e3o a estudar na Cat\u00f3lica de Braga \u2013 e de concretizar o sonho de \u00abfazer de Braga um p\u00f3lo de cidad\u00e3os conhecedores do mundo\u00bb.   <i>Sem apoio do Estado<\/i> Na sua interven\u00e7\u00e3o, Manuel Braga da Cruz agradeceu a todos os benfeitores, que permitiram a conclus\u00e3o daquela Campus universit\u00e1rio, cujo processo transitou do ex-reitor Isidro Alves, tendo-se iniciado em 2000, quando o espa\u00e7o retornou \u00e0 posse da igreja, merc\u00ea da interven\u00e7\u00e3o do ex-ministro das Finan\u00e7as, Sousa Franco, a que se seguiram quatro anos de obras \u00absem apoio estatal\u00bb.  O Reitor notou que Braga \u00e9 \u00abuma cidade de clara matriz Cat\u00f3lica\u00bb e felicitou de modo especial o director do Centro Regional, Jos\u00e9 da Silva Lima, pelo \u00abesfor\u00e7o extraordin\u00e1rio\u00bb que colocou na constru\u00e7\u00e3o das instala\u00e7\u00f5es. \u00abSoube vencer as contrariedades, ultrapassar as promessas n\u00e3o cumpridas e mobilizar apoios de toda a sociedade, para que a obra fosse poss\u00edvel\u00bb, real\u00e7ou.  \u00abA cidade bem pode consider\u00e1-lo um cidad\u00e3o benem\u00e9rito, pois a universidade e a igreja muito lhe reconhecem tudo quanto fez com o seu trabalho\u00bb, disse Braga da Cruz, dirigindo-se ao director do Centro Regional, que abriu a sess\u00e3o solene com uma extensa lista de agradecimentos aos que colaboraram nas obras de recupera\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de Sousa Franco e Isidro Alves, Jos\u00e9 da silva Lima lembrou a mem\u00f3ria de Bacelar Oliveira, que presidiu \u00e0 universidade durante duas d\u00e9cadas, e de Humberto Vieira, o arquitecto que planeou inicialmente o Campus. Agradeceu tamb\u00e9m ao edil Mesquita Machado, que \u00ababriu caminhos para este Campus desde o in\u00edcio\u00bb, ao arcebispo primaz, que orientou, ofereceu e incentivou \u00e0 d\u00e1diva, o que \u00abpossibilitou que os mais diversos organismos da arquidiocese tenham oferecido cerca de um milh\u00e3o de Euros\u00bb  O director do Centro Regional expressou ainda a sua gratid\u00e3o ao c\u00f3nego Eduardo Melo, que gra\u00e7as ao seu trabalho e indica\u00e7\u00f5es conseguiu angariar cerca de 500 mil Euros, e \u00e0s empresas Am\u00e2ndio Carvalho e Casais, que doaram cerca de 100 mil Euros.  <i>Mecenato \u201crecupera\u201d Miradouro<\/i> Jos\u00e9 da Silva Lima referiu ainda que das entidades p\u00fablicas s\u00f3 foi poss\u00edvel receber cerca de 50 mil Euros, para a recupera\u00e7\u00e3o do miradouro do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, que \u00ab\u00e9 agora um espa\u00e7o tur\u00edstico aberto \u00e0 cidade de Braga, servindo o seu interior de sala de reflex\u00e3o e de capela para a academia e a universidade\u00bb.  A renova\u00e7\u00e3o deste monumento contou tamb\u00e9m com a importante colabora\u00e7\u00e3o dos empreiteiros Casais, que ao abrigo da lei do Mecenato, ter\u00e3o contribu\u00eddo com \u00abcerca 75 por cento do valor da obra\u00bb, conforme referiu o respons\u00e1vel da empresa.  O respons\u00e1vel da Cat\u00f3lica em Braga explicou que a constru\u00e7\u00e3o global do campus, onde foram recuperados cinco edif\u00edcios e constru\u00eddos dois de raiz, custou cerca de cinco milh\u00f5es de euros, dos quais est\u00e3o pagos 4,3 milh\u00f5es, tendo sido constru\u00edda pelas firmas S\u00e1 Machado e Filhos e Empreiteiros Casais.  A Cat\u00f3lica disp\u00f5e, agora, de estruturas adequadas para cerca de 1500 alunos, tendo este ano 1300 inscritos. A sess\u00e3o solene, contou ainda com interven\u00e7\u00f5es dos directores das tr\u00eas faculdades, Pio Alves de Sousa (Teologia), Alfredo Dinis (Filosofia) e Oliveira Ramos (Ci\u00eancias Sociais), que apresentaram os relat\u00f3rios resumidos e os desafios de cada faculdade.  <B>Not\u00edcias relacionadas<\/B> <a href=\"noticia.asp?noticiaid=26474\">\u2022 Universidade Cat\u00f3lica em Braga prepara-se para o futuro<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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