{"id":154718,"date":"2019-11-22T07:01:59","date_gmt":"2019-11-22T07:01:59","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=154718"},"modified":"2019-11-22T09:09:14","modified_gmt":"2019-11-22T09:09:14","slug":"padre-lino-maia-pede-atualizacao-dos-acordos-de-cooperacao-acompanhe-aumento-do-salario-minimo-nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/padre-lino-maia-pede-atualizacao-dos-acordos-de-cooperacao-acompanhe-aumento-do-salario-minimo-nacional\/","title":{"rendered":"Padre Lino Maia pede que atualiza\u00e7\u00e3o dos acordos de coopera\u00e7\u00e3o acompanhe aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo nacional"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Paulo Rocha (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_154773\" aria-describedby=\"caption-attachment-154773\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-154773 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-154773\" class=\"wp-caption-text\">Ag\u00eancia Ecclesia\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Falamos na v\u00e9spera da Assembleia Geral da CNIS, este s\u00e1bado, onde vai ser apresentado o programa de a\u00e7\u00e3o para 2020. Na mensagem que escreveu para este encontro sublinha como prioridades \u201ca defesa e promo\u00e7\u00e3o do quadro de valores\u201d destas institui\u00e7\u00f5es, que devem preservar a sua identidade e afirmar o seu valor da sociedade, e diz que \u00e9 preciso \u201cter presente a sustentabilidade nos valores versus a sustentabilidade financeira&#8221;. \u00c9 esse o principal desafio para as institui\u00e7\u00f5es hoje?<\/em><\/p>\n<p>A sustentabilidade sim, \u00e9 sem d\u00favida o grande desafio, diria mesmo o grande problema.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Financeiro, mas de valores tamb\u00e9m?<\/em><\/p>\n<p>Eu diria tamb\u00e9m sustentabilidade pol\u00edtica, neste aspeto: \u00e9 que ainda pairam no ar muitas d\u00favidas sobre os direitos sociais, sobre quem deve implementar os direitos sociais, quem se deve dedicar a esta causa, se \u00e9 uma compet\u00eancia s\u00f3 do Estado, se tamb\u00e9m da sociedade e da Igreja. Por isso, a sustentabilidade pol\u00edtica tamb\u00e9m \u00e9 uma causa que ainda n\u00e3o est\u00e1 suficientemente esclarecida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>No atual contexto, em que temos um novo governo que faz depender determinadas decis\u00f5es dos acordos que vier a fazer com outros partidos, no parlamento, receia que possam estar em causa algumas parcerias e protocolos com o Estado?<\/em><\/p>\n<p>Estou convencido que vai haver algum debate, mas que vamos continuar neste caminho que \u00e9 irrevers\u00edvel.<\/p>\n<p>Foi sempre a sociedade, e concretamente a Igreja, a empenhar-se nestas causas humanas, e particularmente depois de dezembro de 1996, quando foi assinado o Pacto de Coopera\u00e7\u00e3o para a Solidariedade, que confirmou o reconhecimento de que \u00e9, de facto, a sociedade que se deve organizar para responder a estas causas, por uma quest\u00e3o de presen\u00e7a, proximidade e envolvimento, e tamb\u00e9m porque fica mais barato. Mas, para mim o mais importante \u00e9 exatamente isto: \u00e9 a presen\u00e7a, a proximidade. Quem est\u00e1 mais perto est\u00e1 em melhores condi\u00e7\u00f5es para responder, para resolver. Claro que \u00e0s vezes se p\u00f5e a quest\u00e3o se se deve inverter o caminho, mas penso que \u00e9 irrevers\u00edvel. Ali\u00e1s, do di\u00e1logo que vou tendo com os que v\u00e3o pensando, e at\u00e9 tendo alguma influ\u00eancia na decis\u00e3o, este \u00e9 um caminho irrevers\u00edvel. Porque nestas causas \u2013 repito &#8211; quem est\u00e1 mais perto \u00e9 quem est\u00e1 em melhores condi\u00e7\u00f5es. E\u00a0 n\u00f3s temos institui\u00e7\u00f5es de solidariedade desde a aldeia mais rec\u00f4ndita do distrito de Bragan\u00e7a at\u00e9 \u00e0 mais ocidental da ilha das Flores, por toda a parte h\u00e1 quem se organize, quem responda e fa\u00e7a muito, e muito bem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas, com o novo quadro pol\u00edtico-partid\u00e1rio, e o entendimento sobre quem deve levar por diante essas respostas sociais, sente que esse equil\u00edbrio \u2013 o dos valores, o financeiro e o pol\u00edtico, como acrescentou &#8211; pode ter uma nova configura\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Penso que n\u00e3o vai haver nova configura\u00e7\u00e3o. Agora, o que tem de haver \u00e9 um olhar muito atento, muito forte, \u00e0 quest\u00e3o da sustentabilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E pode estar em causa, por exemplo, responsabilizar as institui\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 Igreja cat\u00f3lica, ou de outra confiss\u00e3o religiosa, para darem este tipo de respostas sociais?<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 quem pense que a Igreja, as igrejas e as religi\u00f5es, n\u00e3o devem estar envolvidas nisto, mas isso n\u00e3o tem cabimento nenhum. No que respeita \u00e0 Igreja cat\u00f3lica, o homem \u00e9 o caminho da Igreja, onde est\u00e1 o homem, onde est\u00e3o as pessoas, a Igreja tem de estar, e se n\u00e3o est\u00e1, ent\u00e3o n\u00e3o faz sentido. E toda a gente vai reconhecendo&#8230; n\u00f3s estamos numa sociedade, queiramos ou n\u00e3o, que tem enraizada na cultura esta responsabilidade na sorte m\u00fatua, no sermos respons\u00e1veis uns pelos outros, e nisto que tamb\u00e9m penso que \u00e9 importante: o cada um fazer o que est\u00e1 ao seu alcance para que n\u00e3o falte a ningu\u00e9m aquilo que precisa. Isto \u00e9 profundamente crist\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>J\u00e1 se reuniu com a nova Ministra do Trabalho, Solidariedade e Seguran\u00e7a Social, Ana Mendes Godinho. Quais s\u00e3o as suas expectativas em termos de relacionamento futuro?<\/em><\/p>\n<p>Estou convencido de que as rela\u00e7\u00f5es ser\u00e3o boas, de aprofundamento do di\u00e1logo e de ausculta\u00e7\u00e3o permanente. Claro que \u00e9 uma nova titular, n\u00e3o vem desta \u00e1rea&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas sentiu sensibilidade para estas mat\u00e9rias?<\/em><\/p>\n<p>Muita sensibilidade e muita vontade de acertar caminhos. Estou convencido que a rela\u00e7\u00e3o vai ser f\u00e1cil, vai ser boa, mutuamente vantajosa. E digo &#8216;mutuamente&#8217; porque &#8211; e o passado tem-nos dito isso -, para o governo tamb\u00e9m \u00e9 importante ter este setor pacificado, harmonizado.<\/p>\n<p>Este setor tem sido uma base de estabilidade. Foi nos dois governos anteriores, e j\u00e1 era tradicional que assim fosse. Agora, claro que h\u00e1 uma tecla em que temos de bater fortemente: \u00e9 na quest\u00e3o da sustentabilidade financeira destas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E como \u00e9 que est\u00e1 a sa\u00fade financeira das mais de 3 mil institui\u00e7\u00f5es que integram a CNIS?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o est\u00e1 boa. Ali\u00e1s, falo n\u00e3o apenas pelas 3.039 associadas da CNIS, mas falo pelas 5.547 que existem neste pa\u00eds. Um estudo ainda recente, que vai ser atualizado no pr\u00f3ximo m\u00eas, mostra que 40% das institui\u00e7\u00f5es est\u00e3o com resultados negativos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A que \u00e9 que se deve essa situa\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 v\u00e1rias raz\u00f5es e causas. Primeiro, quando foi assinado o Pacto de Coopera\u00e7\u00e3o para a Solidariedade, em dezembro de 1996\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Com o primeiro-ministro Ant\u00f3nio Guterres.<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. Nessa altura previa-se, e estava consensualizado, que o apoio do Estado a este setor nunca desceria dos 50% dos custos institui\u00e7\u00f5es. Neste momento est\u00e1 entre 38% e 40%, desceu. Ao mesmo &#8211; e isso acentuou-se particularmente a partir de 2012\/2013, com a crise &#8211; tamb\u00e9m as comparticipa\u00e7\u00f5es dos utentes foram\u00a0 diminuindo, primeiro porque temos de privilegiar os mais carenciados, depois porque tamb\u00e9m se instalou, nalguma parte da sociedade, a ideia de que o Estado vai financiando, portanto podemo-nos demitir. Esta \u00e9, diria, uma causa importante, mas h\u00e1 outras raz\u00f5es. No final da d\u00e9cada de 90, e na primeira d\u00e9cada deste mil\u00e9nio, foram-se acentuando as exig\u00eancias em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es de solidariedade, exig\u00eancias nem sempre com cabimento: mais custos, mais modifica\u00e7\u00f5es, mais exig\u00eancias&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E a consequente fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>Que muitas vezes \u00e9 um ataque \u00e0s institui\u00e7\u00f5es. N\u00f3s defendemos a fiscaliza\u00e7\u00e3o, claramente que \u00e9 importante, \u00e9 importante a transpar\u00eancia, a clareza, \u00e9 muito importante&#8230;agora, a persegui\u00e7\u00e3o n\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Est\u00e1 a referir-se \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o por parte do Instituto da Seguran\u00e7a Social?<\/em><\/p>\n<p>Sim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 excesso de zelo?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 zelotismo, \u00e0s vezes parece mesmo persegui\u00e7\u00e3o. Eu penso que o zelo \u00e9 importante, mas o zelotismo \u00e9 exagerado, sem cabimento. E depois sucessivamente mais exig\u00eancias para isto, mais este documento para aquilo, mais uma presen\u00e7a inoportuna de fiscais. Isto torna \u00e0s vezes muito dif\u00edcil gerir uma institui\u00e7\u00e3o, e tem tido efeitos perniciosos, porque os dirigentes, que s\u00e3o muitos e muito bons, come\u00e7am a demitir-se\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas, n\u00e3o tem de haver exig\u00eancia quando se fala nas contas e no funcionamento das institui\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>Claro, \u00e9 importante a m\u00e1xima clareza, a m\u00e1xima transpar\u00eancia. Eu pe\u00e7o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es &#8211; ali\u00e1s est\u00e1 previsto no decreto lei publicado em 2014 &#8211; que as contas das IPSS sejam publicadas. \u00c9 importante que sejam publicadas, n\u00e3o temos nada a temer, pelo contr\u00e1rio. At\u00e9 porque, se n\u00e3o publicarmos as contas, pode instalar-se a ideia de que isto \u00e9 um \u2018forrobod\u00f3\u2019, de que n\u00e3o falta nada. Publicando as contas toda a gente v\u00ea que, de facto, estamos mal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em janeiro de 2018 esteve no parlamento e pediu que fosse criada uma autoridade independente que fiscalizasse este setor. Esse pedido, na pr\u00e1tica, ainda n\u00e3o teve resposta?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, e penso que vai continuar em banho-maria, na gaveta&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>At\u00e9 surgir um caso que possa escandalizar a opini\u00e3o p\u00fablica?<\/em><\/p>\n<p>Claro. \u00c0s vezes h\u00e1 uma ou outra situa\u00e7\u00e3o menos boa, ou m\u00e1. Mas, s\u00e3o casos meramente pontuais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Houve o caso da &#8216;Rar\u00edssimas&#8217;, e um caso chega para manchar as restantes institui\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p>O caso da &#8216;Rar\u00edssimas&#8217; foi mal tratado. Pode ter havido excesso da parte de uma dirigente, mas \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o nobil\u00edssima, que faz muito e muito bem, muito importante. Por isso, \u00e0s vezes o tratar-se t\u00e3o mal uma situa\u00e7\u00e3o leva as pessoas a demitirem-se, e n\u00f3s estamos com dificuldades&#8230;<\/p>\n<p>H\u00e1 duas dificuldades neste momento, para al\u00e9m da financeira, nas institui\u00e7\u00f5es: arranjarmos dirigentes, porque de facto, pede-se-lhes muito. Est\u00e3o sempre no fio da navalha e n\u00e3o se lhes reconhece a dedica\u00e7\u00e3o. E em algumas zonas estamos com dificuldade em recrutar trabalhadores. Nestas institui\u00e7\u00f5es, que pugnam pelos direitos sociais das pessoas, que fazem muito e muito bem, n\u00e3o temos meios para pagar convenientemente.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>Os sal\u00e1rios s\u00e3o muito baixos na maioria das institui\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>Tiro o \u00abmuito\u00bb, mas s\u00e3o baixos. Quando h\u00e1 um aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo, que somos a favor do aumento, e agora vai para 635 euros, isso significa que mais de 60% dos trabalhadores est\u00e3o j\u00e1 atingidos pelo sal\u00e1rio m\u00ednimo. Alguns aumentam automaticamente e outros est\u00e3o afetados pelo aumento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Que repercuss\u00f5es ter\u00e3o isso na sustentabilidade financeira das IPSS? Nomeadamente este aumento, decidido por estes dias?<\/em><\/p>\n<p>Os custos com o trabalho representam em m\u00e9dia 60% dos custos das institui\u00e7\u00f5es. T\u00eam um impacto muito grande. Tem um impacto grande o aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo porque s\u00e3o muitos trabalhadores que aumentam. N\u00e3o aumenta tanto quanto deveriam, mas aumentam, e o rendimento das institui\u00e7\u00f5es \u00e9 igual. Enquanto a economia em geral, se aumenta o sal\u00e1rio, aumenta o pre\u00e7o do material que se comercializa, n\u00f3s aqui n\u00e3o. As receitas s\u00e3o ex\u00edguas para os custos.<\/p>\n<p>Claro que no di\u00e1logo com o governo vou exigir que haja uma compensa\u00e7\u00e3o para que a atualiza\u00e7\u00e3o dos acordos de coopera\u00e7\u00e3o acompanhe a atualiza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Rever as tabelas?<\/em><\/p>\n<p>Sim, rever as tabelas.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>No que tem de pagar, o Estado paga a tempo e horas ou \u00e9 devedor?<\/em><\/p>\n<p>Nos acordos normais, paga a tempo e horas. H\u00e1 atrasos quando h\u00e1 programas pontuais e especiais, e quando s\u00e3o programas que t\u00eam fundos comunit\u00e1rios, h\u00e1 um atraso muito grande.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>Falemos das \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o das IPSS, as priorit\u00e1rias, do programa que apresentar\u00e1 este s\u00e1bado na assembleia geral. Quais as \u00e1reas onde as IPSS s\u00e3o indispens\u00e1veis, neste momento?<\/em><\/p>\n<p>Eu diria que s\u00e3o todas, mas sublinho quatro.<\/p>\n<p>No apoio a idosos, \u00e9 muito importante. A maior parte do apoio que se presta \u00e9 feita pelas IPS. Um estudo feito mostra que 73,8% do apoio que se presta de apoio aos idosos em lares, centros de dia ou noite, apoio domicili\u00e1rio, \u00e9 prestado por estas institui\u00e7\u00f5es. E tamb\u00e9m a inf\u00e2ncia. Com creches, \u00e9 grande o apoio, n\u00e3o tanto pr\u00e9-escolar, ATL\u2019s, \u00e9 muito grande o apoio.<\/p>\n<p>Para a promo\u00e7\u00e3o, que \u00e9 muito importante, da natalidade, as IPSS s\u00e3o chamadas a dar um contributo grande, na medida em que podem aumentar as respostas sociais, se apoiadas nesse sentido, nomeadamente com creches e isso tem impacto no aumento da natalidade.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>O apoio a idosos e crian\u00e7as s\u00e3o os apoios que as fam\u00edlias mais precisam. <\/em><\/p>\n<p>Claramente. Mas depois temos de olhar para a coes\u00e3o territorial e social. N\u00f3s sabemos que o nosso interior est\u00e1 deprimido, desertificado e, em muitas comunidades interiores o \u00fanico apoio que existe, at\u00e9 a \u00fanica atividade econ\u00f3mica, \u00e9 a prestada e exercida por uma IPSS. Uma pessoa vai pelo pa\u00eds e s\u00f3 encontra uma carrinha de uma IPSS que vai prestar apoio domicili\u00e1rio ou buscar idosos, ou acompanhar a alguma atividade.<\/p>\n<p>Ai \u00e9 importante e qualquer programa que tenha como objetivo a coes\u00e3o territorial tem de ter como parceiros fundamentais as IPS.<\/p>\n<p>Depois h\u00e1 outras \u00e1reas que temos de enfrentar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A da sa\u00fade, por exemplo? Cuidados continuados, cuidados paliativos.<\/em><\/p>\n<p>Sim, sem d\u00favida, e mais do que isso, que s\u00e3o importantes. Em muitas das nossas institui\u00e7\u00f5es, sobretudo com idosos, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o apoio social que se presta, mas tamb\u00e9m de sa\u00fade. \u00c9 importante que aqui haja uma comunh\u00e3o entre os v\u00e1rios minist\u00e9rios, o ideal \u00e9 que tiv\u00e9ssemos um minist\u00e9rio de assuntos sociais onde estivesse contemplada a sa\u00fade, a a\u00e7\u00e3o social e a educa\u00e7\u00e3o, porque as IPS podem e j\u00e1 prestam apoio na sa\u00fade muito importante, particularmente aos idosos, n\u00e3o s\u00f3 mas tamb\u00e9m a pessoas com defici\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas prop\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o de um novo minist\u00e9rio a pensar especificamente no setor social? Que inclu\u00edsse a sa\u00fade, a educa\u00e7\u00e3o\u2026<\/em><\/p>\n<p>E a a\u00e7\u00e3o social, a solidariedade social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>J\u00e1 alguma vez fez essa proposta?<\/em><\/p>\n<p>Tenho feito e agora j\u00e1 est\u00e1 a ser, ali\u00e1s via no programa de alguns partidos, assumida por alguns partidos como um objetivo. No atual governo n\u00e3o entrou. Mas \u00e9 importante porque a resposta s\u00e3o pluridisciplinares, n\u00e3o s\u00e3o estanques. E notamos, \u00e9 uma dificuldade de harmonia entre os v\u00e1rios minist\u00e9rios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>De negocia\u00e7\u00e3o com tr\u00eas patr\u00f5es\u2026 agilizava as coisas?<\/em><\/p>\n<p>Muito. \u00c9 um caminho a percorrer. As respostas n\u00e3o s\u00e3o apenas de sa\u00fade, de educa\u00e7\u00e3o, de a\u00e7\u00e3o social. S\u00e3o respostas para as pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>De que forma, neste \u00e2mbito das IPSS, se olha o desafio da ecologia, da convers\u00e3o energ\u00e9tica e quotidiano das institui\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 a quarta \u00e1rea que temos de prestar aten\u00e7\u00e3o. Como pequeno exemplo: as IPS s\u00e3o grandes consumidoras de energia, a v\u00e1rios n\u00edveis, porque muito do trabalho que se faz \u00e9 dentro de quatro paredes e s\u00e3o grandes consumidoras. Podiam ser tamb\u00e9m produtoras de energia. \u00c9 importante que haja um programa de apoio porque n\u00e3o t\u00eam capacidade de investir nesta \u00e1rea.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 obrigat\u00f3rio falarmos dos dados econ\u00f3micos do pa\u00eds. Deixam-no descansado os dados mais recentes sobre a descida do desemprego e os que indicam que o risco de pobreza tamb\u00e9m diminuiu para 17,3% da popula\u00e7\u00e3o, sendo o mais baixo de 2003? Como \u00e9 que l\u00ea os n\u00fameros?<\/em><\/p>\n<p>Numa primeira leitura os n\u00fameros satisfazem, numa segunda leitura deixam-nos interroga\u00e7\u00f5es. Notamos que h\u00e1 um fosso maior, uma desigualdade crescente. Parece-me que os pobres n\u00e3o est\u00e3o melhores do que estavam h\u00e1 uns anos. Vemos que a pobreza ainda afeta muita gente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E o combate \u00e0 pobreza est\u00e1 melhor?<\/em><\/p>\n<p>Em teoria estaria melhor. Penso que se fala bastante do combate \u00e0 pobreza e pratica-se pouco. \u00c9 importante que haja, de facto, uma aposta, uma estrat\u00e9gia de combate \u00e0 pobreza. Tamb\u00e9m aqui o combate \u00e9 pluridisciplinar.<\/p>\n<p>\u00c9 importante que haja uma vontade s\u00e9ria de erradicar da pobreza 18% da popula\u00e7\u00e3o. 17.3% \u00e9 muita gente. Eram os objetivos do mil\u00e9nio. Enquanto houver um pobre n\u00e3o podemos dormir descansados. \u00c9 importante combater a pobreza, particularmente no nosso interior, nas periferias das cidades, o aumento do emprego que \u00e9 bom n\u00e3o se nota aqui, a diminui\u00e7\u00e3o da pobreza n\u00e3o se nota.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Nas cidades h\u00e1 realidade a que prestar aten\u00e7\u00e3o. Um dos rostos vis\u00edveis de pobreza s\u00e3o as pessoas em situa\u00e7\u00e3o de sem-abrigo. Temos falado muito delas nos \u00faltimos tempos. Acha poss\u00edvel tirar as pessoas sem-abrigo das ruas at\u00e9 2023, como quer o Presidente da Rep\u00fablica?<\/em><\/p>\n<p>Fico particularmente feliz e contente com esta batalha assumida pelo Presidente da Rep\u00fablica. Quando ele estabelece um ponto de chegada obriga a fazer alguma coisa.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>\u00c9 o timing da legislatura\u2026<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 e espero que se consiga. Mas n\u00e3o basta dar uma casa as pessoas sem-abrigo. Para erradicar das ruas as pessoas sem-abrigo temos de criar equipas pluridisciplinares. Muitas pessoas est\u00e3o assim por op\u00e7\u00e3o, com hist\u00f3rico pessoal dif\u00edcil. \u00c9 preciso ajud\u00e1-las, ajud\u00e1-las mesmo. Defender a dignidade das pessoas n\u00e3o basta vir com a teoria. Ajud\u00e1-las a ultrapassar situa\u00e7\u00f5es e encontrar um projeto de vida com dignidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 uma \u00e1rea onde as IPS atuam por todo o pa\u00eds.<\/em><\/p>\n<p>Por todo o pa\u00eds e algumas muit\u00edssimo bem. Em Lisboa temos casos que deviam ser bem apresentados. N\u00e3o apenas na capital, mas em Lisboa noto bastante for\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Paulo Rocha (Ecclesia)<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":154771,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[314],"class_list":["post-154718","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/154718","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=154718"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/154718\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/154771"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=154718"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=154718"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=154718"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}