{"id":15470,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/religiao-tem-lugar-na-republica-laica\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"religiao-tem-lugar-na-republica-laica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/religiao-tem-lugar-na-republica-laica\/","title":{"rendered":"Religi\u00e3o tem lugar na Rep\u00fablica  laica"},"content":{"rendered":"<p>Semin\u00e1rio debru\u00e7ou-se sobre a rela\u00e7\u00e3o do Estado com as religi\u00f5es <!--more--> \u201cA laiciza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma problem\u00e1tica importante nas sociedades de hegemonia cat\u00f3lica, e Portugal \u00e9 de hegemonia cat\u00f3lica\u201d, defendeu hoje Ant\u00f3nio Matos Ferreira, do Centro de Estudos em Hist\u00f3ria Religiosa da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa (UCP), no decorrer de um Semin\u00e1rio subordinado ao tema \u00abRep\u00fablica e Religi\u00f5es: imagens da conviv\u00eancia inter-confessional no 1\u00ba s\u00e9culo da Rep\u00fablica Portuguesa\u00bb. Recorde-se que a quest\u00e3o da laicidade do Estado, e da rela\u00e7\u00e3o deste com a Igreja, tem sido nos \u00faltimos dias motivo de debate, suscitado pela presen\u00e7a de crucifixos nas escolas portuguesas.  Assim, numa an\u00e1lise retrospectiva e hist\u00f3rica, Matos Ferreira salientou a evolu\u00e7\u00e3o do Estado moderno de \u201cconfessional para uma seculariza\u00e7\u00e3o\u201d sublinhando ainda que \u201co problema da liberdade religiosa \u00e9 o problema da legitimidade reconhecida da apostasia e do ate\u00edsmo\u201d. Neste percurso hist\u00f3rico a instaura\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica e o desejo de \u201cuma vida nova para a Na\u00e7\u00e3o traduziu-se em decis\u00f5es administrativas e legislativas que pretendiam destituir a Igreja Cat\u00f3lica Romana como aferidora da simb\u00f3lica identit\u00e1ria da Na\u00e7\u00e3o \u2013 disse &#8211;  e, simultaneamente, valorizar o Estado como a inst\u00e2ncia determinante da vincula\u00e7\u00e3o social\u201d, referiu o docente da UCP. Em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA, Ant\u00f3nio Matos Ferreira lembrou que \u201co religioso tem grandes tradi\u00e7\u00f5es que marcam uma sociedade, e \u00e9 uma realidade que est\u00e1 em muta\u00e7\u00e3o, o que traz conflitos no interior das sociedades e tamb\u00e9m um questionamento das pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es religiosas com essas sociedades e um questionamento interno\u201d, salientou. Segundo este historiador, na hist\u00f3ria da rela\u00e7\u00e3o do Estado com a Igreja, com a Rep\u00fablica \u201ca principal e mais marcante altera\u00e7\u00e3o foi a lei da separa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o propriamente o regalismo. E a ideia de que o Estado deveria tutelar a Igreja, na 1\u00aa Rep\u00fablica, o confronto entre a Igreja Cat\u00f3lica e a Rep\u00fablica levou a que se tivesse no fundo aceite como um patrim\u00f3nio que h\u00e1 uma destrin\u00e7a entre o Estado e a Igreja Cat\u00f3lica ou seja,  h\u00e1 destrin\u00e7a entre o plano pol\u00edtico e o religioso. Ao mesmo tempo \u2013 continuou &#8211;  tamb\u00e9m se considera a ideia de que n\u00e3o compete ao estado tutelar o religioso\u201d, explicou. A realiza\u00e7\u00e3o deste Semin\u00e1rio, organizado pelo Museu da Rep\u00fablica, visava sobretudo \u201cfazer uma abordagem hist\u00f3rica e c\u00edvica\u201d, disse \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA, Paulo Mendes Pinto, do Centro de Estudos em Ci\u00eancias da Religi\u00f5es da Universidade Lus\u00f3fona e coordenador deste evento, procurando falar da rela\u00e7\u00e3o existente entre a Rep\u00fablica e as Religi\u00f5es, e \u201cfazendo um percurso que come\u00e7a antes de 1910 at\u00e9 a actualidade\u201d, destacou. \u201cO interesse da organiza\u00e7\u00e3o em lan\u00e7ar esta quest\u00e3o \u2013 continuou  ainda &#8211;  \u00e9 um interesse hist\u00f3rico mas tamb\u00e9m c\u00edvico, de construir a pr\u00f3pria Rep\u00fablica numa dimens\u00e3o que actualmente \u00e9 bastante necess\u00e1ria. Porque muitas tem sido as pol\u00e9micas em torno de quest\u00f5es religiosas, no seu relacionamento com o Estado ou com algumas das suas institui\u00e7\u00f5es\u201d, acrescentou. Por isso, continua, \u201ca conviv\u00eancia neste espa\u00e7o publico que \u00e9 a Rep\u00fablica tem que existir. Surgiram utopias que nos diziam que as religi\u00f5es iam acabar, ou n\u00e3o mas, a verdade \u00e9 que elas n\u00e3o acabaram e est\u00e3o a\u00ed,  e mais do que isso todos os membros das religi\u00f5es s\u00e3o cidad\u00e3os, e tem espa\u00e7o nesta coisa publica. A Rep\u00fablica tamb\u00e9m \u00e9 para eles\u201d, afirmou. Entre v\u00e1rios representantes de confiss\u00f5es religiosas, na assist\u00eancia estava presente o Arcebispo Teodoro, da Igreja Ortodoxa de Portugal, que \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA manifestou tamb\u00e9m a sua preocupa\u00e7\u00e3o com as quest\u00f5es, hoje t\u00e3o badaladas, da laicidade. \u201cA laicidade corresponde a uma evolu\u00e7\u00e3o da humanidade num sentido oposto aquele que \u00e9 o cristianismo\u201d disse. \u201cVerifica-se que a humanidade vai avan\u00e7ando, sobretudo a n\u00edvel da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental no sentido da laciza\u00e7\u00e3o e da dessacraliza\u00e7\u00e3o\u201d.  A rela\u00e7\u00e3o do Estado com a Igreja teve, na hist\u00f3ria do \u00faltimo S\u00e9culo, uma evolu\u00e7\u00e3o que se traduziu numa fase de anti-clericalismo, com uma grande ruptura, onde foi implementada a Lei do Div\u00f3rcio, a obrigatoriedade do registo civil, a aboli\u00e7\u00e3o dos dias santificados, e a data mais marcante, o 20 de Abril de 1911, com a Lei da Separa\u00e7\u00e3o e o fim do confessionalismo do Estado. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Semin\u00e1rio debru\u00e7ou-se sobre a rela\u00e7\u00e3o do Estado com as religi\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[285,321],"class_list":["post-15470","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-patrimonio","tag-ucp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15470","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15470"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15470\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15470"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15470"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15470"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}