{"id":154492,"date":"2019-11-19T14:59:51","date_gmt":"2019-11-19T14:59:51","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=154492"},"modified":"2019-11-19T16:15:51","modified_gmt":"2019-11-19T16:15:51","slug":"a-cruz-escondida-77","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-77\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>Santos Tai Gatluk: um catequista refugiado em Bidibidi, no Uganda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/catequista_uganda.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-154498\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/catequista_uganda.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/catequista_uganda.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/catequista_uganda-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/catequista_uganda-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/catequista_uganda-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/catequista_uganda-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/catequista_uganda-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/catequista_uganda-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/h3>\n<h3>Uma vida em fuga<\/h3>\n<p>\u201cConhe\u00e7o a guerra desde a barriga da minha m\u00e3e.\u201d Tem 33 anos mas parece muito mais velho. Parece mesmo n\u00e3o ter idade. Vive num campo de refugiados no Uganda mas nasceu no Sud\u00e3o do Sul. Pertence \u00e0 chamada \u201cgera\u00e7\u00e3o perdida\u201d. Nunca soube o que \u00e9 viver em paz. Por isso teve de abandonar tudo e partir. Ali, no campo de Bidibidi, h\u00e1 milhares de pessoas como Santos Gatluk.<\/p>\n<p>O campo de refugiados de Bidibidi, no Uganda, parece n\u00e3o ter fim. Fica situado perto da fronteira com o Sud\u00e3o do Sul. Calcula-se que em Bidibidi haver\u00e1 cerca de 300 mil pessoas oriundas deste pa\u00eds. S\u00e3o pessoas em fuga. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil falar dos horrores da guerra mas ali, no campo de Bidibidi, torna-se mesmo doloroso. O Sud\u00e3o do Sul \u00e9 o mais jovem pa\u00eds do mundo. Ganhou a independ\u00eancia em 2011 e praticamente desde ent\u00e3o tem vivido em guerra. J\u00e1 morreram mais de 400 mil pessoas e milh\u00f5es foram for\u00e7adas a fugir, perdendo tudo o que tinham. Santos Gatluk \u00e9 uma dessas pessoas. Fugiu da guerra para fugir da morte. A sua hist\u00f3ria confunde-se com a do seu pa\u00eds. \u00c9 tr\u00e1gica. Nasceu em 1986, numa fam\u00edlia crist\u00e3 de agricultores e pastores. Quase todos j\u00e1 morreram. Gatluk j\u00e1 esteve v\u00e1rias vezes no meio de combates, apanhado no fogo cruzado, entre grupos de mil\u00edcias, for\u00e7as do ex\u00e9rcito, bandos armados. Santos Gatluk aprendeu a sobreviver. \u201cConhe\u00e7o a guerra desde a barriga da minha m\u00e3e\u201d, disse a uma equipa da Funda\u00e7\u00e3o AIS que o visitou no campo de refugiados onde vive desde 2016. \u201cChamam-nos a \u2018gera\u00e7\u00e3o perdida\u2019; somos pessoas sem perspectivas para o futuro. Perdemos as fam\u00edlias, as propriedades\u2026 as nossas vidas foram destru\u00eddas.\u201d O campo de Bidibidi \u00e9 imenso. Ali est\u00e3o milhares de pessoas que, como Santos Gatluk, tiveram de fugir para salvar a pr\u00f3pria vida. O Campo de refugiados acolhe gente de todo o lado. Crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos, animistas, pessoas generosas e bandidos. Sobreviver num campo de refugiados em \u00c1frica \u00e9 dif\u00edcil. Em Bidibidi \u00e9 muito dif\u00edcil. \u201cTemos de defender a comida que a ONU nos d\u00e1\u201d, explica Tai Gatluk. \u201cLiteralmente, temos de lutar para conseguir lenha para podermos cozinhar para sobreviver.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>A miss\u00e3o de Santos<\/h3>\n<p>Apesar de tudo, Santos Tai Gatluk pretende continuar em Bidibidi. <a href=\"https:\/\/youtu.be\/vI0Vj1UcZCo\">Tem uma miss\u00e3o<\/a>. Ele \u00e9 um dos rostos da Funda\u00e7\u00e3o AIS neste campo de refugiados. Tornou-se catequista. \u201cSe n\u00e3o tivesse sido a Igreja, eu j\u00e1 tinha deixado Bidibidi. Mas, gra\u00e7as ao trabalho da Funda\u00e7\u00e3o AIS, fiquei.\u201d Santos Gatluk leva a sua miss\u00e3o muito a s\u00e9rio. \u00c9 um catequista orgulho do seu trabalho. \u201cTemos que ser bem formados para podermos evangelizar, para podermos oferecer aos nossos companheiros refugiados uma raz\u00e3o para viver\u201d, explica. \u201cPor causa da falta de sacerdotes e religiosas damos catequese e distribu\u00edmos a Eucaristia.\u201d Fazem tudo isso e procuram ter sempre um sorriso nos l\u00e1bios. Desde que \u00e9 catequista que Santos Gatluk pensa mais no futuro do que fala do passado. Mas os tempos de guerra est\u00e3o sempre presentes, como se fossem um fantasma que teima em n\u00e3o partir. A guerra na regi\u00e3o arrastou milhares de rapazes e raparigas para o flagelo da viol\u00eancia. S\u00e3o as crian\u00e7as-soldado. Roubadas \u00e0 fam\u00edlia e aos amigos, perderam tudo, a inoc\u00eancia, a inf\u00e2ncia, a alegria. Muitas destas crian\u00e7as que andaram aos tiros, que foram violentadas, est\u00e3o ali. For\u00e7adas a entrar nas mil\u00edcias, foram treinadas para matar. Agora, elas s\u00e3o tamb\u00e9m uma raz\u00e3o para a presen\u00e7a de Santos Tai Gatluk no campo de refugiados de Bidibidi. \u201cN\u00e3o basta dar-lhes comida e abrigo. Temos de reintegr\u00e1-las numa vida normal. Mas isso s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel se trouxermos Jesus para as suas vidas.\u201d Santos Gatluk \u00e9 um exemplo apenas do trabalho extraordin\u00e1rio de tantas pessoas em tantos lugares do mundo gra\u00e7as \u00e0 ajuda dos benfeitores da Funda\u00e7\u00e3o AIS. Pessoas que se oferecem aos outros.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt<\/em><\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_89045\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vI0Vj1UcZCo?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santos Tai Gatluk: um catequista refugiado em Bidibidi, no 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