{"id":15402,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/accao-social-nao-e-monopolio-de-ninguem\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"accao-social-nao-e-monopolio-de-ninguem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/accao-social-nao-e-monopolio-de-ninguem\/","title":{"rendered":"Ac\u00e7\u00e3o social n\u00e3o \u00e9 monop\u00f3lio de ningu\u00e9m"},"content":{"rendered":"<p>A ac\u00e7\u00e3o social n\u00e3o \u00e9 monop\u00f3lio de ningu\u00e9m nem pode ser politizada; no momento em que se transformar em bandeira pol\u00edtica, acaba a ac\u00e7\u00e3o social.&#8221; Este foi um alerta da Irm\u00e3 Maria Isabel Monteiro, directora da Casa Nossa Senhora do Ros\u00e1rio, da Figueira da Foz, em conversa com o Solidariedade. E logo adianta que &#8220;n\u00e3o podemos admitir que as popula\u00e7\u00f5es sejam exploradas nas campanhas eleitorais.  Conhecedora profunda da problem\u00e1tica social, sector a que se dedica h\u00e1 muito no \u00e2mbito da comunidade das Irm\u00e3s Doroteias, a que pertence, a Irm\u00e3 Maria Isabel Monteiro viu j\u00e1 reconhecido o valor da sua capacidade de interven\u00e7\u00e3o social pelo Presidente da Rep\u00fablica, Jorge Sampaio, que lhe atribuiu uma comenda da Ordem de M\u00e9rito, em 2004, no Dia Internacional da Mulher.  Maria Isabel Monteiro referiu, em resposta \u00e0 quest\u00e3o que o SOLIDARIEDADE lhe p\u00f4s, sobre os objectivos das IPSS (Institui\u00e7\u00f5es Particulares de Solidariedade Social), que todas t\u00eam de ser a &#8220;consci\u00eancia social das popula\u00e7\u00f5es&#8221;, criando desenvolvimento, fomentando a igualdade de oportunidades, estando sempre ao servi\u00e7o dos mais pobres. No seu caso concreto, e porque a institui\u00e7\u00e3o que dirige &#8211; Casa Nossa Senhora do Ros\u00e1rio &#8211; \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, n\u00e3o pode menosprezar a ac\u00e7\u00e3o evangelizadora.  No entanto, adianta, o facto de ser uma institui\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, n\u00e3o significa que pretenda ser um &#8220;gueto&#8221;, porque n\u00e3o fecha a porta seja a quem for. &#8220;Somos uma comunidade integradora: temos os mais pobres e temos os que t\u00eam posses, possibilitando a conviv\u00eancia entre todos, o que \u00e9 uma urg\u00eancia, hoje mais do que nunca&#8221;, salientou.  Sublinhou que as pessoas &#8220;t\u00eam de sentir que todas s\u00e3o importantes na constru\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria comunidade&#8221;, devendo as IPSS estar atentas ao contexto social em que se integram, apresentando-se com uma abertura muito grande, face \u00e0s exig\u00eancias dos tempos que correm. &#8220;Hoje, perante a multiplicidade de situa\u00e7\u00f5es de necessidade, e sobretudo \u00e0 grande heterogeneidade das sociedades, n\u00f3s temos de estar abertos a todos, trabalhando com todos, porque a pobreza \u00e9 um conceito muito lato, muito abrangente&#8221;, disse.  A directora da Casa Nossa Senhora do Ros\u00e1rio frisa que a pobreza n\u00e3o se limita s\u00f3 \u00e0 falta de recursos financeiros e econ\u00f3micos, mas passa tamb\u00e9m pela incapacidade das pessoas se realizarem pessoal e socialmente, pela n\u00e3o consci\u00eancia do seu pr\u00f3prio valor e pela falta de auto-estima de outras tantas. Nestes casos, as institui\u00e7\u00f5es t\u00eam de lhes dar &#8220;ferramentas para desenvolverem as suas capacidades profissionais e pessoais&#8221;, garantiu.  Depois de reconhecer que muitas vezes os trabalhadores &#8220;s\u00e3o v\u00edtimas do pr\u00f3prio sistema&#8221;, quando n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que se debruce sobre eles e os ajude a descobrir &#8220;a consci\u00eancia de que s\u00e3o pessoas&#8221;, a Irm\u00e3 Isabel Monteiro afirma que todo o trabalho social tem de apostar na humaniza\u00e7\u00e3o da sociedade, trabalhando em rede. Nessa linha, frisou a prem\u00eancia da implementa\u00e7\u00e3o de parcerias, fundamentalmente para &#8220;rentabilizar recursos f\u00edsicos e financeiros, a bem da comunidade. Isto \u00e9 um desafio, mas tamb\u00e9m um grande obst\u00e1culo, porque poucos o querem fazer&#8221;.  Como cat\u00f3lica e consagrada, lembrou que o espiritual n\u00e3o pode estar &#8220;desencarnado da vida&#8221;, e que o Evangelho tem de ser vivido &#8220;a par das pessoas&#8221;. &#8220;Antes de sermos evangelizadores, temos que nos deixar evangelizar, tendo consci\u00eancia da pobreza que temos; \u00e0s vezes at\u00e9 somos \u2019evangelizados\u2019 por n\u00e3o crentes, pessoas que t\u00eam uma grande consci\u00eancia colectiva e social, o que nos faz rever a nossa posi\u00e7\u00e3o e a coer\u00eancia entre o que anunciamos e o que vivemos&#8221;, acrescentou.  Salientou que &#8220;a evangeliza\u00e7\u00e3o passa pela educa\u00e7\u00e3o&#8221;, levando a pessoa a sentir que \u00e9 amada por Deus e que tem de crescer em maturidade e em integridade. &#8220;O que mais nos interessa \u00e9 que as pessoas tenham um sentido para a vida e que encontrem esse sentido em projectos de vida&#8221;, disse.  Sobre as obriga\u00e7\u00f5es das autarquias neste sector, Maria Isabel Monteiro afirmou que &#8220;a obriga\u00e7\u00e3o \u00e9 de todos e que todos t\u00eam de criar uma consci\u00eancia social interventiva e activa&#8221;. Contudo, garantiu que falta definir qual \u00e9 o papel concreto das autarquias, das institui\u00e7\u00f5es, das associa\u00e7\u00f5es e das organiza\u00e7\u00f5es, para todos trabalharem em conjunto e de m\u00e3os dadas. Para j\u00e1, recordou que h\u00e1 um instrumento muito proveitoso, que \u00e9 a Rede Social, que poderia contribuir, em muito, para a resolu\u00e7\u00e3o de bastantes problemas.  Denunciou, entretanto, que esse desej\u00e1vel e fundamental instrumento de trabalho tem sido pervertido, &#8220;quando nem todos s\u00e3o chamados a colaborar, quando h\u00e1 os que se recusam a colaborar, quando h\u00e1 patamares de interven\u00e7\u00e3o e de colabora\u00e7\u00e3o diferenciados entre as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas e quando a Rede Social apenas \u00e9 chamada para formalizar procedimentos, em vez de debater os problemas e encontrar solu\u00e7\u00f5es&#8221;. Urge, ent\u00e3o, apostar &#8220;na mudan\u00e7a de mentalidades e na cultura da partilha dos saberes e do conhecimento&#8221;. Assim, &#8220;todos ser\u00edamos mais beneficiados; mas estamos ainda muito longe dessa consci\u00eancia, quer as institui\u00e7\u00f5es, quer os poderes local e central&#8221;, enfatizou.  <i>Fernando Martins &#8211; \u00abSolidariedade on-line\u00bb<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ac\u00e7\u00e3o social n\u00e3o \u00e9 monop\u00f3lio de ningu\u00e9m nem pode ser politizada; no momento em que se transformar em bandeira pol\u00edtica, acaba a ac\u00e7\u00e3o social.&#8221; Este foi um alerta da Irm\u00e3 Maria Isabel Monteiro, directora da Casa Nossa Senhora do Ros\u00e1rio, da Figueira da Foz, em conversa com o Solidariedade. 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