{"id":15389,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/quando-as-palavras-nao-passam\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"quando-as-palavras-nao-passam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/quando-as-palavras-nao-passam\/","title":{"rendered":"Quando as palavras n\u00e3o passam"},"content":{"rendered":"<p>Fic\u00e1mos enternecidos, e com raz\u00e3o, com o infind\u00e1vel n\u00famero de depoimentos acerca do Padre Manuel Antunes. Vieram, na sua maior parte, do mundo da cultura e de gente insuspeita, ou melhor, muito suspeita, por n\u00e3o morrer de amores por coisas eclesiais e sobretudo eclesi\u00e1sticas. Tamb\u00e9m n\u00e3o se pode dizer que fosse pelos muitos livros escritos, pois a maior parte dos textos do Padre Manuel Antunes nem se sabia que dele eram, pois se esconderam na sombra de cento e vinte cinco pseud\u00f3nimos. Onde estaria, pergunta-se, esse fasc\u00ednio? Recordo muito bem vedetas de televis\u00e3o e alguns colegas de comunica\u00e7\u00e3o social retinta-mente laicos no sentido mais azedo do termo (dispenso-me, na circunst\u00e2ncia, de dissertar sobre o laicismo) de tudo consentirem e elogiarem ao Padre Manuel Antunes. E o que sempre me ocorreu foi que, desse homem que ningu\u00e9m conhece como Doutor ou Professor, brotava uma sabedoria transparente e humana que era muito mais que uma sapi\u00eancia acad\u00e9mica. Por isso as suas aulas embeveciam os aplicados e os c\u00e1bulas, os que sa\u00edam da Faculdade com lauda e os que nunca tiveram nota que se visse ou brilho que oferecesse um curr\u00edculo mediano. Ou ainda os que eram crentes ou os agn\u00f3sticos e ateus, os cat\u00f3licos e os fi\u00e9is de outros credos. E d\u00e1 impress\u00e3o que, se se dissesse apenas Professor Antunes ou Manuel, ningu\u00e9m sabia quem ele era. A palavra Padre entrava naquele conjunto de coisas sobre a hist\u00f3ria, a vida a mundivid\u00eancia, o humanismo, e tudo o que \u00e9 poss\u00edvel ensinar numa Faculdade de letras que n\u00e3o vem em comp\u00eandios, n\u00e3o se prende a uma escola \u00fanica, nem se repete na sebenta de ano para ano. O Padre Manuel Antunes tinha a magia de ligar os fios da hist\u00f3ria com a delicadeza e saber dum cirurgi\u00e3o que conjuga os quase invis\u00edveis capilares com todo o corpo humano sem deixar nada solto mas o todo irrigado pela intelig\u00eancia, bondade, saber, e consci\u00eancia profunda que todo o ser humano \u00e9 portador duma parte irrepet\u00edvel da hist\u00f3ria do mundo. A evoca\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria do Padre Manuel Antunes \u00e9, de si, um facto complexo, plural, questionante sobre as certezas antecipadas que se exibem sobre teorias e pessoas. \u00c9 muito importante continuar a perguntar por que n\u00e3o passaram as suas palavras, a maior parte das quais, apenas ditas. E que o vento n\u00e3o levou. Ant\u00f3nio Rego<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fic\u00e1mos enternecidos, e com raz\u00e3o, com o infind\u00e1vel n\u00famero de depoimentos acerca do Padre Manuel Antunes. Vieram, na sua maior parte, do mundo da cultura e de gente insuspeita, ou melhor, muito suspeita, por n\u00e3o morrer de amores por coisas eclesiais e sobretudo eclesi\u00e1sticas. 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