{"id":15386,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/que-resposta-aos-sem-abrigo\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"que-resposta-aos-sem-abrigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/que-resposta-aos-sem-abrigo\/","title":{"rendered":"Que resposta aos sem-abrigo?"},"content":{"rendered":"<p>Ao passar pelas ruas das nossas cidades deparamo-nos com pessoas de todas as idades pedindo esmola, ou vendendo revistas ou pura e simplesmente encostados nas bermas das estradas e deitados no ch\u00e3o enrolados nos seus trapos, (\u00fanicos haveres) ou sobre velhos cart\u00f5es defendendo-se do frio. Todos sabemos os seus nomes: chamamos-lhes \u201cos sem abrigo\u201d e pare-ce que ficamos com a consci\u00eancia mais ou menos tranquila porque de antem\u00e3o fazemos um julgamento:\u201d\u00e9 um pobre, coitado, de que j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 nada a fazer\u201d. Mas quem teve a alegria de con-tactar alguma vez com estes homens e mulheres, \u00e9 testemunha de que por detr\u00e1s de uma apar\u00eancia desajeitada existem hist\u00f3rias de vidas muito complexas. Nesta altura do Natal parecem ser foco de muitas aten\u00e7\u00f5es e considera\u00e7\u00f5es por parte de muita gente crente ou n\u00e3o crente que quer partilhar com eles a sua solidariedade. Mas eu penso que eles n\u00e3o se compadecem com um simples gesto natal\u00edcio de solidariedade ainda que seja um luxuoso jantar de Natal. H\u00e1 muito mais que podemos e devemos fazer. N\u00e3o me perguntem, nem me julguem se o fa\u00e7o ou n\u00e3o, porque bem sei que se trata de uma popula\u00e7\u00e3o muito especial que por isso mesmo necessita tamb\u00e9m de um trato especial com t\u00e9cnicos, profissionais e volunt\u00e1rios com uma voca\u00e7\u00e3o especial para este trabalho concreto. Antes de mais \u00e9 preciso um respeito profundo pela sua liberdade e pelo seu modo de vida, que ultrapassa os nossos normais par\u00e2metros sabendo que quanto mais os coagimos ou obrigamos a qualquer norma ou regra de vida, mais eles resistem e fogem. Por isso um dia eu sonhei e muito desejaria que o meu sonho se realizasse: Constituir equipas multidis-ciplinares compostas por m\u00e9dicos de cl\u00ednica geral, enfermeiros, psiquiatras, psic\u00f3logos, assistentes sociais, educadores sociais, animadores culturais, ajudantes de ac\u00e7\u00e3o directa em v\u00e1rios equipamentos espalhados pelos centros das grandes cidades (porque \u00e9 ali que eles vivem), abrir-lhes as portas, oferecendo-lhes o que desejarem, sem a nada obrigar. Ao mesmo tempo que se lhes oferece os cuidados b\u00e1sicos, estas equipas t\u00eam oportunidade de observar atentamente os problemas de cada um e individualmente ir tentando a poss\u00edvel e lenta recupera\u00e7\u00e3o. A experi\u00eancia n\u00e3o \u00e9 in\u00e9dita. Em Portugal as v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es que se dedicam a esta popula\u00e7\u00e3o, penso que n\u00e3o t\u00eam tido possibilidades t\u00e9cnicas e financeiras suficientes para atingir o grau de promo\u00e7\u00e3o desej\u00e1vel, sem querer fazer aqui qualquer tipo de ju\u00edzo de valor porque \u00e9 sobejamente conhecida a grande dedica\u00e7\u00e3o destes t\u00e9cnicos e volunt\u00e1rios. Mas, n\u00e3o obstante o imenso esfor\u00e7o neste campo, os casos continuam a aumentar cada vez mais, interpelando a capacidade da nossa solidariedade. Se, no entanto, n\u00e3o for poss\u00edvel atingir o \u00f3ptimo, que cada comunidade fa\u00e7a tudo o que estiver ao seu alcance para apoiar quem n\u00e3o tem abrigo porque n\u00e3o tem quem os compreenda e partilhe um pouco de carinho e amor.  Pe. Francisco Crespo,  Presidente da CNIS <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao passar pelas ruas das nossas cidades deparamo-nos com pessoas de todas as idades pedindo esmola, ou vendendo revistas ou pura e simplesmente encostados nas bermas das estradas e deitados no ch\u00e3o enrolados nos seus trapos, (\u00fanicos haveres) ou sobre velhos cart\u00f5es defendendo-se do frio. 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