{"id":15385,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/o-menino-jesus-e-preciso-no-nosso-natal\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"o-menino-jesus-e-preciso-no-nosso-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-menino-jesus-e-preciso-no-nosso-natal\/","title":{"rendered":"O Menino Jesus \u00e9 preciso no nosso Natal?!"},"content":{"rendered":"<p>Conv\u00e9m, antes de mais, dar uma pequena explica\u00e7\u00e3o acerca da maneira como est\u00e1 formulado o t\u00edtulo que encabe\u00e7a estas linhas. N\u00e3o se trata de uma gralha, mas de uma op\u00e7\u00e3o. O que quero partilhar convosco fundamenta-se numa certeza que n\u00e3o impede, no entanto, a exist\u00eancia de algumas d\u00favidas. Confuso? Talvez n\u00e3o! Parto de uma certeza fundamentada na minha f\u00e9 e que marca a minha experi\u00eancia de vida: celebrar o Natal \u00e9 celebrar o nascimento de Jesus Cristo, fazendo presente de uma maneira muito especial tudo o que esta realidade significa. \u00c9 por isso que esta celebra\u00e7\u00e3o tem v\u00e1rias dimens\u00f5es e aspectos que n\u00e3o podem ser ignorados. A dimens\u00e3o de f\u00e9, a dimens\u00e3o familiar, bem como a de uma maior aten\u00e7\u00e3o e sensibilidade aos outros querem ser tradu\u00e7\u00e3o de um acontecimento que ultrapassa tudo aquilo que o ser humano poderia imaginar. Deus faz-se realmente presente, assume a condi\u00e7\u00e3o humana, olha-me nos olhos e constr\u00f3i a hist\u00f3ria comigo. Tal realidade n\u00e3o pode ficar reduzida a um tempo passado do qual apenas fa\u00e7o mem\u00f3ria, mas, pelo contr\u00e1rio, tem de ser uma certeza a impulsionar e interpelar toda a exist\u00eancia. E \u00e9 para n\u00e3o esquecer esta presen\u00e7a constante e interpela-dora de Deus que todos os anos \u2018paramos\u2019, para a reflectir, a aprofundar e a tornar mais vis\u00edvel. At\u00e9 aqui tenho certezas, a partir daqui surgem-me algumas d\u00favidas. N\u00e3o ser\u00e1 leg\u00edtimo que nas nossas sociedades muitos celebrem este tempo dando import\u00e2ncia a outros aspectos que n\u00e3o estejam centrados no nascimento de Jesus Cristo? O dar e receber presentes, o encontrar-se com os outros de uma maneira mais pr\u00f3xima n\u00e3o ser\u00e1 positivo e leg\u00edtimo, sem ter que ter obrigatoriamente uma refer\u00eancia ao acontecimento de Jesus Cristo? Ser\u00e1 que devo \u2018condenar\u2019, ou considerar menor qualquer tipo de celebra\u00e7\u00e3o ou gesto que n\u00e3o tenha uma clara tradu\u00e7\u00e3o crist\u00e3?  Sinceramente penso que n\u00e3o, pois em muitos desses gestos e maneiras de celebrar podemos encontrar verdade e profundidade. Por isso, parece-me leg\u00edtimo e verdadeiro celebrar este tempo sem dele fazer uma expl\u00edcita celebra\u00e7\u00e3o da f\u00e9 crist\u00e3. Mas se encontro legitimidade e verdade nesta posi\u00e7\u00e3o, o mesmo j\u00e1 n\u00e3o posso dizer de certas atitudes que aqui e ali, cada vez mais, se v\u00e3o fazendo sentir. Refiro-me a um pensamento que, baseando-se na leg\u00edtima separa\u00e7\u00e3o Igreja estado, a quer traduzir numa ileg\u00edtima separa\u00e7\u00e3o entre f\u00e9 e vida p\u00fablica e social. Para este pensamento a presen\u00e7a de s\u00edmbolos religiosos referentes ao Natal n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel nem desej\u00e1vel nos espa\u00e7os p\u00fablicos, pois eles podem ferir a susceptibilidade daqueles que n\u00e3o s\u00e3o crist\u00e3os. O cada vez maior peso de figuras como \u2018pai natal\u2019, como os \u2018bonecos de neve\u2019 ou como a afirma\u00e7\u00e3o \u2018boas festas\u2019 podem tamb\u00e9m ser lidas nesta linha. Queiramos ou n\u00e3o, sejamos ou n\u00e3o crentes, na base do Natal, est\u00e1 o acontecimento do nascimento de Jesus Cristo. E se \u00e9 verdade que a celebra\u00e7\u00e3o da f\u00e9 desta realidade n\u00e3o pode ser imposta a ningu\u00e9m, \u00e9 igualmente verdade que ela n\u00e3o pode ser \u2018apagada\u2019 ou \u2018silenciada\u2019, sob a pretens\u00e3o de defender uma sociedade que \u00e9 pluralista do ponto de vista religioso. O silenciamento dessa realidade seria ali\u00e1s um grav\u00edssimo atentado contra essa mesma pluralidade. Assim, querer celebrar o Natal excluindo dele toda a refer\u00eancia expl\u00edcita a Jesus Cristo , ou pelo menos, tentando fazer que ela n\u00e3o seja mais vis\u00edvel que outras, parece-me de todo inaceit\u00e1vel. Neste tempo, sou capaz de encontrar seriedade, verdade e profundidade em muitos gestos, acontecimentos, palavras e atitudes de pessoas que n\u00e3o se dizem crist\u00e3s, ou mesmo crentes. Elas n\u00e3o precisam de celebrar o nascimento de Jesus Cristo para que esses seus gestos e atitudes sejam sinceros, positivos e precisos. Da\u00ed o ponto de interroga\u00e7\u00e3o no t\u00edtulo destas linhas. Mas essa interroga\u00e7\u00e3o em nada significa qualquer d\u00favida acerca da identidade do Natal. At\u00e9 mesmo para essas pessoas a presen\u00e7a do Menino Jesus \u00e9 uma realidade. Elas n\u00e3o o celebram, podem mesmo n\u00e3o acreditar nele, mas isso n\u00e3o implica que ele n\u00e3o seja a raz\u00e3o de ser do natal.  A certeza, que a f\u00e9 proclama, de que Deus se fez menino para por n\u00f3s se deixar acarinhar, abra\u00e7ar e beijar e deste modo podermos sentir o pr\u00f3prio carinho, abra\u00e7o e beijo de Deus, \u00e9 o fundamento da celebra\u00e7\u00e3o do Natal. E da\u00ed o ponto de exclama\u00e7\u00e3o. Fundamentados nesta exclama\u00e7\u00e3o, os crist\u00e3os celebram o Natal proclamando a certeza e a necessidade da presen\u00e7a desse Menino na constru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria humana.   Juan Francisco Ambrosio Faculdade de Teologia da UCP <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conv\u00e9m, antes de mais, dar uma pequena explica\u00e7\u00e3o acerca da maneira como est\u00e1 formulado o t\u00edtulo que encabe\u00e7a estas linhas. N\u00e3o se trata de uma gralha, mas de uma op\u00e7\u00e3o. O que quero partilhar convosco fundamenta-se numa certeza que n\u00e3o impede, no entanto, a exist\u00eancia de algumas d\u00favidas. Confuso? Talvez n\u00e3o! 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