{"id":153621,"date":"2019-11-11T11:58:52","date_gmt":"2019-11-11T11:58:52","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=153621"},"modified":"2019-11-11T11:58:52","modified_gmt":"2019-11-11T11:58:52","slug":"uma-resposta-inesperada-ao-stress","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/uma-resposta-inesperada-ao-stress\/","title":{"rendered":"Uma resposta inesperada ao stress"},"content":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A falta de tempo permanece como um desafio di\u00e1rio. Apesar de ser um resultado de estarmos fora do tempo, um tempo cronol\u00f3gico por n\u00f3s inventado e que <a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-segredo-da-falta-de-tempo\/\">n\u00e3o existe<\/a>, o seu efeito sente-se e acaba por causar <em>stress<\/em>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_153623\" aria-describedby=\"caption-attachment-153623\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lily-banse-iNsKPCS-Z5g-unsplash.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-153623\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lily-banse-iNsKPCS-Z5g-unsplash.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lily-banse-iNsKPCS-Z5g-unsplash.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lily-banse-iNsKPCS-Z5g-unsplash-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lily-banse-iNsKPCS-Z5g-unsplash-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lily-banse-iNsKPCS-Z5g-unsplash-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lily-banse-iNsKPCS-Z5g-unsplash-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lily-banse-iNsKPCS-Z5g-unsplash-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lily-banse-iNsKPCS-Z5g-unsplash-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-153623\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Lily Banse em Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>Pais deixam de ter tempo para os seus filhos; esposos sem tempo para dedicar ao amor entre si; \u00edndices de produtividade que competem com a vida familiar e podem levar-nos \u00e0 ansiedade e ao p\u00e2nico; atrasos devido ao tr\u00e2nsito; filas intermin\u00e1veis para ser atendido; tudo o que se pede hoje \u00e9 para amanh\u00e3 (ou ontem).<\/p>\n<p>Sem f\u00f4lego.<\/p>\n<p>\u00c9 o que muitas vezes sentimos e vemos nos outros. &#8211; <em>&#8220;N\u00e3o tenho sequer tempo para me co\u00e7ar.\u201d<\/em> &#8211; Quem sabe se talvez n\u00e3o seja preciso <em>co\u00e7armo-nos<\/em> para entrarmos no tempo certo, em vez de corrermos, sistematicamente, atr\u00e1s do tempo errado. Por\u00e9m, o resultado \u00e9 o <em>stress<\/em> e h\u00e1 quem invista recursos financeiros para o resolver.<\/p>\n<p>Quantas pessoas n\u00e3o pagam aulas de ioga com o intuito de reduzir o <em>stress<\/em>. Ou, por vezes, voltam-se para f\u00e1rmacos na esperan\u00e7a de que esses contrabalancem o <em>stress<\/em> que adv\u00e9m do esfor\u00e7o para ser-se mais produtivo. Cruzei-me, recentemente, com uma solu\u00e7\u00e3o inesperada e gratuita:<\/p>\n<p><strong>Contemplar.<\/strong><\/p>\n<p>A contempla\u00e7\u00e3o pode tornar-se um modo moderno de enfrentar o <em>stress<\/em>. \u00c9 um tipo particular de medita\u00e7\u00e3o milenar praticado pelos monges que pode assumir um importante lugar no quotidiano. Mas talvez seja relevante entender a raz\u00e3o f\u00edsica do <em>stress<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Origem<\/h3>\n<p>H\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre o <em>stress<\/em> e o aumento da press\u00e3o sangu\u00ednea. Independemente do estado psicol\u00f3gico de cada um, h\u00e1 uma reac\u00e7\u00e3o f\u00edsica do nosso corpo ao <em>stress<\/em>. A press\u00e3o sangu\u00ednea aumenta com a maior exposi\u00e7\u00e3o a ambientes acelerados, sempre em mudan\u00e7a, e incertos, como acontece nos ambientes urbanos onde vivem cada vez mais pessoas.<\/p>\n<p>A forma de responder a este aumento \u00e9 evidente: relaxar.<\/p>\n<p>Herbert Benson, um m\u00e9dico americano conta no seu livro <em>\u201dThe Relaxation Response\u201d<\/em> experi\u00eancias feitas a pessoas que meditam, observando como, durante a medita\u00e7\u00e3o, houve uma diminui\u00e7\u00e3o do consumo de oxig\u00e9nio e, consequentemente, o metabolismo das pessoas tamb\u00e9m diminuiu para n\u00edveis t\u00edpicos de um estado de repouso, semelhante ao que acontece quando dormimos. Por outro lado, meditar diminui ainda o lactato sangu\u00edneo associado \u00e0 anxiedade.<\/p>\n<p>Diz o Dr. Benson que <em>\u00abatrav\u00e9s do controlo de actos mentais volunt\u00e1rios, podemos alterar mecanismos \u201cinvolunt\u00e1rios\u201d no corpo, ou mecanismos do sistema nervoso\u00bb<\/em>, pelo que <em>meditar<\/em> \u00e9 um desses actos mentais volunt\u00e1rios que vale a pena redescobrir a partir da sabedoria milenar humana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Meditar contemplando<\/h3>\n<p>No s\u00e9culo XIV, um monge an\u00f3nimo escreve<\/p>\n<blockquote><p>\u201dE se pensas que o trabalho \u00e9 grande, ent\u00e3o, podes procurar desenvolver modos especiais, truques, t\u00e9cnicas privadas e dispositivos espirituais por meio dos quais se pode p\u00f4r de lado outros pensamentos. E ser\u00e1 melhor aprender de Deus estes m\u00e9todos atrav\u00e9s da tua experi\u00eancia do que por qualquer outro homem nesta vida.\u201d (The Cloud of Unknowing, An\u00f3nimo)<\/p><\/blockquote>\n<p>A <strong>contempla\u00e7\u00e3o<\/strong> seria o resultado de uma experi\u00eancia concreta que procurava re-centrar todo o nosso ser na busca de uma uni\u00e3o mais profunda com Deus. De acordo com Santo Agostinho, preparar os momentos de contempla\u00e7\u00e3o passava muito pela <em>recolec\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p>Recolectar \u00e9 o exerc\u00edcio de abstrac\u00e7\u00e3o de recolher e juntar diversos pensamentos (mem\u00f3rias) e concentrar a mente. O objectivo consiste em desligar a mente de pensamentos exteriores (aquilo que os outros nos pedem, o que temos para fazer, as preocupa\u00e7\u00f5es), de modo a produzir uma certa <em>solitude mental.<\/em><\/p>\n<p>Assim, existem <em>quatro<\/em> elementos b\u00e1sicos:<\/p>\n<ol>\n<li>um ambiente sossegado;<\/li>\n<li>uma palavra ou som repetido;<\/li>\n<li>uma atitude passiva;<\/li>\n<li>e uma posi\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Quantas Igrejas vazias n\u00e3o se podem tornar no ambiente mais sossegado que temos \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o? Basta entrar.<\/p>\n<p>Como palavra, quantas vezes n\u00e3o repetimos \u201cJesus\u201d em plena Adora\u00e7\u00e3o ao Sant\u00edssimo, ou a palavra \u201cAmor\u201d? Repetir para n\u00f3s a mesma palavra limpa a mente de todos os pensamentos exteriores que geram em n\u00f3s <em>stress.<\/em><\/p>\n<p>A atitude passiva implica um esvaziar de todos os pensamentos e distrac\u00e7\u00f5es (meter o <em>smartphone<\/em> em modo de avi\u00e3o, ou em modo de n\u00e3o incomodar), e acaba por ser o factor essencial que d\u00e1 in\u00edcio ao relaxamento que baixa a press\u00e3o sangu\u00ednea e, com essa, o <em>stress.<\/em><\/p>\n<p>Por fim, a posi\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel permite-nos estar o tempo que quisermos na experi\u00eancia de medita\u00e7\u00e3o contemplativa.<\/p>\n<p>Cada acto de contempla\u00e7\u00e3o \u00e9 um acto de amor a Deus porque cria no interior de n\u00f3s mesmos o espa\u00e7o para que Deus possa falar-nos, inspirar-nos, serenizar-nos e levar-nos a experimentar &#8211; ainda que por um breve tempo &#8211; um momento inesquec\u00edvel de paz que pode influenciar o resto do dia.<\/p>\n<p>O desafio de usar a contempla\u00e7\u00e3o como medita\u00e7\u00e3o que reduz o <em>stress<\/em> n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil quando n\u00e3o existe um lugar sossegado ou posi\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel nos momentos em que sentimos mais <em>stress<\/em>.<\/p>\n<p>No <em>Terceiro Alfabeto Espiritual<\/em>, o livro do frade franciscano espanhol Francisco de Osuna que influenciou Santa Teresa de \u00c1vila, referem-se dois exerc\u00edcios que nos podem ajudar a encontrar momentos contemplativos nos momentos mais dif\u00edceis e lugares mais inesperados.<\/p>\n<p>O primeiro exerc\u00edcio \u00e9 <em>olhar<\/em>. Simplesmente. \u00c9 um exerc\u00edcio de recolec\u00e7\u00e3o. Semelhante ao que fazemos durante uma Adora\u00e7\u00e3o, mas que podemos fazer no meio de uma multid\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p>\u201dN\u00e3o vos digo para baixar, simplesmente, os vossos olhos, mas mantenham-nos fixos no ch\u00e3o, como homens que s\u00e3o a\u00e9reos e como se estivessem noutro lugar, permanecendo im\u00f3veis, e envoltos em pensamento. Algumas pessoas acham mais f\u00e1cil recolectar se mantiverem os olhos fechados, mas de modo a evitar algum reparo dos outros, \u00e9 melhor que na companhia de outras pessoas mantenham o olhar fixo no ch\u00e3o, num lugar onde haja pouco para ver, de modo a n\u00e3o estimular a nossa imagina\u00e7\u00e3o. Assim, mesmo no meio de uma multid\u00e3o, podemos estar profundamente em recolec\u00e7\u00e3o se mantivermos o nosso olhar flectido e fixo num s\u00f3 lugar. Quanto mais pequeno e escuro for esse lugar, mais limitada a nossa vista estar\u00e1 e menos o cora\u00e7\u00e3o se distrair\u00e1.\u201d (Francisco de Osuna)<\/p><\/blockquote>\n<p>O segundo exerc\u00edcio \u00e9 repetir a palavra <em>\u201dn\u00e3o\u201d<\/em> de cada vez que tivermos pensamentos distractivos. Dizer \u201cn\u00e3o\u201d acaba por ser um modo de manter a atitude passiva que leva \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O resultado final de encontrarmos formas inesperadas de meditar contemplativamente \u00e9 agir sobre o corpo, reduzindo o <em>stress<\/em>; agir sobre a mente, libertando-a para criar; e agir sobre o esp\u00edrito, porque rezar n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de ver Deus, mas de <em>estar com Deus<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":92442,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-153621","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/153621","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=153621"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/153621\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92442"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=153621"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=153621"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=153621"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}