{"id":15338,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/o-evangelho-do-discipulo\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"o-evangelho-do-discipulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-evangelho-do-discipulo\/","title":{"rendered":"O evangelho do disc\u00edpulo"},"content":{"rendered":"<p>2005\/2006 \u2013 Ano do evangelista S. Marcos <!--more--> S. Marcos escreveu o seu evangelho para que os leitores, principalmente os pag\u00e3os, se entusiasmassem por Jesus Cristo. Marcos usa pela primeira vez a palavra \u00abevangelho\u00bb com o significado de \u00abboa nova\u00bb para levar os seus destinat\u00e1rios, tanto os do seu tempo como os actuais, a se tornarem disc\u00edpulos e p\u00f4r-se a caminho seguindo o seu Mestre e Senhor.    1. Descobrir a identidade de Jesus \u00e9 um caminho longo e o disc\u00edpulo, para reconhecer em Jesus de Nazar\u00e9 o Messias, o Filho de Deus, precisa de segui-lO sempre at\u00e9 no caminho da Cruz.  \u00abQuem \u00e9 este\u2026 e v\u00f3s quem dizeis que eu sou?\u00bb (Mc. 4, 41; 8, 29). Estas interroga\u00e7\u00f5es atravessam todo o evangelho de Marcos tanto na boca dos disc\u00edpulos como nos advers\u00e1rios do Mestre. Esta pergunta tem por finalidade levar o leitor a dar uma resposta pessoal, a fazer um acto de f\u00e9. No come\u00e7o do Evangelho Jo\u00e3o Baptista mostra aquele que \u00e9 \u00abmais forte do que ele\u00bb e convida o povo a preparar-lhe o caminho. Jesus juntou-se aos pecadores no rio Jord\u00e3o e vem pedir o baptismo. Deus Pai proclama-O seu \u00abFilho predilecto\u00bb. Desta forma, desde o princ\u00edpio do evangelho o disc\u00edpulo est\u00e1 consciente que Jesus \u00e9 o Filho de Deus e que o Esp\u00edrito Santo desceu sobre Ele.  Como pode o leitor compreender que o Filho de Deus se aliste entre o n\u00famero dos pecadores necessitados do baptismo de penit\u00eancia? Parece uma contradi\u00e7\u00e3o, o Santo, o Filho de Deus carece de baptismo, ele que vem baptizar no Esp\u00edrito Santo? Com estas interroga\u00e7\u00f5es o leitor deve continuar a aprofundar o conhecimento daquele Mestre que convida a seguir ap\u00f3s Ele.  Por ocasi\u00e3o da tempestade no Lago da Galileia, amainada por Jesus, os disc\u00edpulos interrogam-se uns aos outros: \u00abquem \u00e9 este a quem o vento e o mar obedecem?\u00bb (Mc. 4, 41).  S\u00f3 os dem\u00f3nios parecem conhecer a identidade de Jesus (cf. Lc. 1, 24), mas o Mestre pro\u00edbe-os de falar, para que a sua obra, associada \u00e0s curas e exorcismos, continue segundo o plano de Deus.  O momento central para conhecer Jesus, aconteceu na cidade de Cesareia de Filipo, junto do actual Golan: \u00abQue dizem os homens que eu sou\u2026 e v\u00f3s que dizeis que eu sou?\u00bb (Lc, 8, 27).  Pedro, inspirado pelo Esp\u00edrito Santo faz uma profiss\u00e3o de f\u00e9 e responde: \u00abTu \u00e9s o Cristo\u00bb. O Mestre \u00e9 o Messias esperado pelas gera\u00e7\u00f5es que se sucederam desde Abra\u00e3o at\u00e9 a aurora dos novos tempos.  A revela\u00e7\u00e3o mais profunda da identidade de Jesus \u00e9 dada por um pag\u00e3o junto da cruz: \u00abVerdadeiramente este homem era o filho de Deus\u00bb. N\u00e3o \u00e9 um disc\u00edpulo, mas um estrangeiro, origin\u00e1rio do imp\u00e9rio romano, que define da forma mais completa e mais bela quem \u00e9 este Jesus que em todo o evangelho aparece e se esconde.  S\u00f3 \u00e0 luz da paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel descobrir quem \u00e9 Jesus, o Filho de Deus, nascido da Virgem Maria.  O Jesus de S\u00e3o Marcos \u00e9 um peregrino sempre a caminho em direc\u00e7\u00e3o a Jerusal\u00e9m, dirigindo-se determinado para um momento dram\u00e1tico de sofrimento e morte.   Participar no seu destino  2 &#8211; Todos aqueles homens e mulheres que desde o Jord\u00e3o se tornaram disc\u00edpulos e O seguem, participam no mesmo destino de sofrimento, incompreens\u00f5es e luta: \u00abSe algu\u00e9m quer vir ap\u00f3s mim, renegue a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me\u00bb (Lc. 8, 34).  A doutrina de Jesus mostra o poder de Deus, a autoridade t\u00e3o diferente da dos outros doutores da Lei.  A palavra do Mestre suscita a admira\u00e7\u00e3o e louvor, cura doen\u00e7as, expulsa o dem\u00f3nio, atrai multid\u00f5es, e ao mesmo tempo, Marcos mostra a oposi\u00e7\u00e3o crescente dos diversos grupos de advers\u00e1rios, at\u00e9 \u00e0 decis\u00e3o \u00faltima de o sacrificar.  A incompreens\u00e3o atinge os seus familiares, os habitantes de Nazar\u00e9 e at\u00e9 dos disc\u00edpulos quando chega o momento final da sua morte.  A sua autoridade passa pelo servi\u00e7o humilde, a sua gl\u00f3ria de Filho de Deus esconde-se na debilidade da natureza humana.  O Messias esperado \u00e9 um servo que no sofrimento cumpre na obedi\u00eancia a vontade do Pai, e salva o mundo. Extremo paradoxo para o disc\u00edpulo que segue Jesus e tem de percorrer o mesmo caminho.  Per crucem ad lucem. N\u00e3o se chega \u00e0 luz sem passar pela cruz!   Jo\u00e3o, o que baptiza  3 &#8211; O tempo de Natal que se aproxima, o mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o que nos deleita com a narra\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia de Mateus e Lucas, culmina no Mist\u00e9rio da Reden\u00e7\u00e3o.  Natal e P\u00e1scoa fazem parte do mesmo plano de salva\u00e7\u00e3o, s\u00e3o duas faces da mesma medalha.  Marcos, o primeiro evangelista a escrever, n\u00e3o come\u00e7a com o nascimento de Jesus, mas com o mensageiro Jo\u00e3o Baptista a pregar um baptismo de convers\u00e3o, a anunciar factos novos e decisivos que dizem respeito ao plano de Deus sobre a liberta\u00e7\u00e3o do homem.  Um deserto, um caminho, uma voz.  O deserto indica uma experi\u00eancia religiosa muito intensa, nova e decisiva que Jo\u00e3o come\u00e7ou a percorrer como o antigo Israel de Deus atrav\u00e9s da montanha do Sinai.  O caminho a preparar \u00e9 uma orienta\u00e7\u00e3o nova e total, mudan\u00e7a de mentalidade interior que conduz ao arrependimento e perd\u00e3o dos pecados.  A voz \u00e9 o apelo \u00e0 convers\u00e3o porque come\u00e7a um novo \u00caxodo, uma nova liberta\u00e7\u00e3o dada por Jesus.  Jo\u00e3o Baptista come\u00e7ou no deserto o caminho do seu discipulado, s\u00f3 em Jesus ele encontrou sentido para o mist\u00e9rio do seu nascimento e da sua vida.  Ele \u00e9 mais do que profeta, Jo\u00e3o encarna todo o Antigo Testamento na espera do ju\u00edzo de Deus e na liberta\u00e7\u00e3o do pecado. Jo\u00e3o \u00e9 uma porta que abre para a novidade absoluta do evangelho. O seu baptismo prepara o baptismo de Jesus no fogo e Esp\u00edrito Santo. Daqui nasce o apelo vigoroso \u00e0 convers\u00e3o, ao Deus que j\u00e1 est\u00e1 presente em Jesus Cristo.  Marcos tra\u00e7a desde o in\u00edcio o seguimento de Jesus (Mc. 1, 16-21) que foi sentido vivamente pelos ap\u00f3stolos e primitiva comunidade crist\u00e3.  Marcos aproxima-nos de Isa\u00edas quando este fala do \u00abMenino que nos foi dado e nasceu para n\u00f3s\u00bb.  Jesus Cristo n\u00e3o est\u00e1 fora da nossa terra, da nossa vida e da nossa hist\u00f3ria. Deus est\u00e1 aqui na pessoa de Jesus, Ele nada tira ao homem, a sua pessoa \u00e9 a nossa vida presente e futura.  Jo\u00e3o, a voz, indica a estrada, a mudan\u00e7a total e cont\u00ednua, em direc\u00e7\u00e3o ao futuro e a tudo o que de novo Deus faz nascer, no cora\u00e7\u00e3o dos homens.  A \u00abvoz\u00bb \u00e9 um grito de alegria porque o homem prisioneiro foi libertado. Deus est\u00e1 connosco. Eis o Natal!   Funchal, 11 de Dezembro de 2005   <i>\u2020 Teodoro de Faria, Bispo do Funchal<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>2005\/2006 \u2013 Ano do evangelista S. Marcos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[186,267,275],"class_list":["post-15338","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-funchal","tag-natal","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15338","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15338"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15338\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15338"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15338"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15338"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}