{"id":153350,"date":"2019-11-07T16:34:23","date_gmt":"2019-11-07T16:34:23","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=153350"},"modified":"2019-11-07T16:34:23","modified_gmt":"2019-11-07T16:34:23","slug":"farol-ou-mais-um-barco-na-era-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/farol-ou-mais-um-barco-na-era-digital\/","title":{"rendered":"Farol ou mais um barco na era digital?"},"content":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O que pretende afirmar quando se diz que a Igreja se est\u00e1 a adaptar aos meios digitais? A <em>Web Summit<\/em> levou a pensar que a <em>&#8220;cimeira tecnol\u00f3gica \u00e9 uma aten\u00e7\u00e3o \u00e0s periferias e uma oportunidade para a Igreja Cat\u00f3lica\u201d<\/em> como li num recente <a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/web-summit-cimeira-tecnologica-e-uma-atencao-as-periferias-e-uma-oportunidade-para-a-igreja-catolica\/\">artigo<\/a>; da Ag\u00eancia Ecclesia, mas o que isso significa parece que merece uma reflex\u00e3o mais profunda.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/WebSummit2019.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-153351 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/WebSummit2019.jpg\" alt=\"\" width=\"840\" height=\"420\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/WebSummit2019.jpg 840w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/WebSummit2019-400x200.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/WebSummit2019-768x384.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/WebSummit2019-480x240.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 840px) 100vw, 840px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Nesse artigo, e bem, o P. Miguel Neto refere que a gera\u00e7\u00e3o nova que cresce na era digital \u00e9 <em>\u00abuma gera\u00e7\u00e3o espacial e temporalmente diferente: \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tem tempo a perder, tudo \u00e9 instant\u00e2neo e o projeto de hoje pode n\u00e3o ser o de amanh\u00e3.\u00bb<\/em> Apesar de realista, esta \u00e9 uma imagem da Gera\u00e7\u00e3o Z que soa perigosa porque tudo o que \u00e9 levado a s\u00e9rio <em>leva tempo<\/em>, n\u00e3o produz qualquer gratifica\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea, o que implica viver intensamente o momento presente, o hoje, preparando-se para acolher o amanh\u00e3.<\/p>\n<p>Por outro lado, existe a impress\u00e3o de que <em>\u00aba gera\u00e7\u00e3o dos migrantes digitais tentam ainda adaptar o seu pensamento a este ambiente\u00bb<\/em> e isto \u00e9 essencial para ajudar na forma\u00e7\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es, mas o que me parece \u00e9 que se interpreta <em>adaptar<\/em> como entrar no mundo digital <em>ao modo das novas gera\u00e7\u00f5es<\/em>, o que me suscita algumas d\u00favidas.<\/p>\n<p>No mesmo artigo \u00e9 feita a observa\u00e7\u00e3o negativa de que a forma\u00e7\u00e3o dada pelos catequistas com faixa et\u00e1ria elevada orienta-se ainda pelo papel e tem dificuldade em transitar para o digital. Mas eu pergunto: devia?<\/p>\n<p>Soube de um acampamento de \u00eddole espiritual organizado para crian\u00e7as onde todo o material &#8211; dito &#8211; digital estava preparado, mas um imprevisto tornou-o in\u00fatil: falhou a electricidade. Os animadores tiveram de desenhar, contar hist\u00f3rias com as crian\u00e7as ao seu redor, e re-inventar tudo o que haviam preparado digitalmente em formato papel. Os ecos que ouvi foi de como as crian\u00e7as nunca estiveram t\u00e3o atentas como naqueles dias, e t\u00e3o fascinadas ao ouvir uma hist\u00f3ria contada, como alguma vez tiveram a ver um filme projectado, ou slideshow, com o mesmo conte\u00fado.<\/p>\n<p>O problema da adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 era digital n\u00e3o est\u00e1 no formato, mas no conte\u00fado. O tempo vivido a correr, atr\u00e1s de gratifica\u00e7\u00f5es instant\u00e2neas leva \u00e0 <em>exaust\u00e3o espiritual<\/em>, de tal modo que pode induzir a uma certa dorm\u00eancia intelectual e sistem\u00e1tico desinteresse. As pessoas queixam-se de estarem cansadas, stressadas, sem tempo e n\u00e3o sabem bem por que raz\u00e3o.<\/p>\n<p>Michael Hyatt, especialista da produtividade e lideran\u00e7a em \u00e2mbito digital, refere-se ao <a href=\"https:\/\/michaelhyatt.com\/podcast-overlooked-productivity-solution\/?transcript\">papel<\/a>; como uma tecnologia de ponta, controversa e com efeito disruptivo sobre toda uma economia, de tal modo que alterou, permanentemente, o modo como fazemos as coisas. Os benef\u00edcios de usar o papel incluem:<\/p>\n<ol>\n<li>colocar-nos num ambiente com menos distrac\u00e7\u00f5es;<\/li>\n<li>ajuda-nos a pensar com mais cuidado;<\/li>\n<li>refor\u00e7a o nosso compromisso com os prop\u00f3sitos que estabelecemos;<\/li>\n<li>ajudar a memorizar;<\/li>\n<li>e produz uma incr\u00edvel experi\u00eancia de satisfa\u00e7\u00e3o, pois, escrever com a m\u00e3o \u00e9 inerentemente humanizante. Basta pensar no valor de uma carta que algu\u00e9m nos escreveu com a sua pr\u00f3pria letra.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Logo, a quest\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 em usar papel.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, o fasc\u00ednio pela tecnologia levou-nos a afogarmo-nos em aparelhos digitais, com todas as notifica\u00e7\u00f5es, distrac\u00e7\u00f5es e designs que nos mant\u00eam colados ao ecr\u00e3, cabisbaixos.<\/p>\n<p>Penso que o desafio que a Igreja tem pela frente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 era digital n\u00e3o \u00e9 o de se adaptar, mas de aprender a prop\u00f4r uma alternativa. Pois, h\u00e1 um outro movimento que emerge e vai contra a corrente, a que chamo de <em>Movimento C<\/em>.<\/p>\n<p>O <em>Movimento C<\/em> caracteriza-se pelo minimalismo digital, quietude contemplativa, desacelerar, ou mesmo parar para saborear, aten\u00e7\u00e3o e consci\u00eancia plenas, vivendo intensamente o tempo kairol\u00f3gico, ou seja, o tempo certo e momento oportuno. <strong><em>C<\/em><\/strong> porque o resultado \u00e9 a <strong>c<\/strong>omunh\u00e3o maior entre as pessoas, a <strong>c<\/strong>onectividade inter-geracional, e um <strong>c<\/strong>ontra-corrente que equilibra os fasc\u00ednios do momento com as li\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria. N\u00e3o nega a tecnologia, mas usa-a para amplificar o que tem valor na nossa vida.<\/p>\n<p>Se a Igreja fizer o mesmo que todos os outros, e embarcar com toda a for\u00e7a nas redes sociais ou presen\u00e7a na internet, \u00e9 mais um barco no mar que navega pela era digital, cujo raio de ac\u00e7\u00e3o \u00e9 limitado e entra em competi\u00e7\u00e3o com outros barcos que oferecem outras experi\u00eancias. Mas se optar por ser um farol, ilumina qualquer barco que navegue pelo mar e oferece um porto seguro, onde se pode parar para re-encontrar o sentido e significado profundos da vida humana.<\/p>\n<p>As pessoas vivem na Era da Experimenta\u00e7\u00e3o e a experi\u00eancia espiritual de encontro com Deus n\u00e3o \u00e9 uma entre muitas, mas pode ser aquela experi\u00eancia \u00fanica que transforma a nossa vida porque nos pede uma abertura de mente, cora\u00e7\u00e3o e m\u00e3os, muita criatividade e uma boa dose de risco.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":92442,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-153350","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/153350","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=153350"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/153350\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92442"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=153350"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=153350"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=153350"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}