{"id":153324,"date":"2019-11-08T07:00:29","date_gmt":"2019-11-08T07:00:29","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=153324"},"modified":"2019-11-08T19:12:35","modified_gmt":"2019-11-08T19:12:35","slug":"bartolomeu-dos-martires-o-arcebispo-santo-do-seculo-xvi-que-continua-a-inspirar-a-igreja-ate-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/bartolomeu-dos-martires-o-arcebispo-santo-do-seculo-xvi-que-continua-a-inspirar-a-igreja-ate-hoje\/","title":{"rendered":"Bartolomeu dos M\u00e1rtires, o arcebispo santo do s\u00e9culo XVI que continua a inspirar a Igreja at\u00e9 hoje"},"content":{"rendered":"<p><!--more-->Portugal tem um novo Santo \u2013 Bartolomeu dos M\u00e1rtires vai ser canonizado no pr\u00f3ximo domingo e este \u00e9 o mote para a conversa com o arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (ECCLESIA)<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_153326\" aria-describedby=\"caption-attachment-153326\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/IMG_2969.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-153326 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/IMG_2969.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/IMG_2969.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/IMG_2969-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/IMG_2969-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/IMG_2969-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/IMG_2969-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/IMG_2969-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/IMG_2969-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/IMG_2969-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-153326\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/LFS<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Frei Bartolomeu dos M\u00e1rtires, da Ordem dos Frades Pregadores, nasceu em Lisboa (1514) e morreu em Viana do Castelo (1590), onde se encontra sepultado. Beatificado em 2001, destacou-se como arcebispo de Braga, diocese que vai acolher esta cerim\u00f3nia de canoniza\u00e7\u00e3o. \u00c9 um momento importante para a Igreja em Portugal e para a arquidiocese, em particular?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida, na medida em que esta canoniza\u00e7\u00e3o, diria, \u00e9 como que um est\u00edmulo n\u00e3o apenas para os crist\u00e3os, mas sobretudo para eles, que se sentem verdadeiramente interpelados por aquilo que foi a sua vida. Uma vida do s\u00e9culo XVI, mas uma vida que est\u00e1 repleta de atualidade.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que me parece t\u00e3o importante esta canoniza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 como um recordar o passado, por aquilo que aconteceu na vida de S\u00e3o Bartolomeu dos M\u00e1rtires, mas essencialmente por aquilo que ele foi, que ele realizou, e que hoje continua repleto de uma atualidade muit\u00edssimo grande. A Igreja acolhe este momento com uma import\u00e2ncia \u00fanica, porque \u00e9 uma interpela\u00e7\u00e3o para o seu agir, nas circunst\u00e2ncias concretas em que nos encontramos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esta \u00e9 uma canoniza\u00e7\u00e3o especial, porque a Santa S\u00e9 dispensou o milagre que seria habitualmente exigido ap\u00f3s a beatifica\u00e7\u00e3o. Falamos de um momento esperado em todos os territ\u00f3rios onde o novo santo foi arcebispo, como \u00e9 que foi o processo de conversa\u00e7\u00f5es com o Vaticano? Foi dif\u00edcil desbloquear o processo, digamos assim, e chegar a este resultado da canoniza\u00e7\u00e3o equipolente?<\/em><\/p>\n<p>Eu penso que n\u00e3o se pode falar propriamente de desbloquear, foi qualquer coisa de muito normal, diria. Frei Bartolomeu dos M\u00e1rtires viveu no s\u00e9culo XVI, passaram-se j\u00e1 muitos anos, mas o que \u00e9 certo que a sua vida, durante este tempo, foi sempre reconhecida como a de algu\u00e9m que foi santo. Ali\u00e1s, quando morreu, em Viana do Castelo a popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 o reconhecia como tal, era o \u201carcebispo santo\u201d, que viveu e morreu ali.<\/p>\n<p>Houve talvez alguma inc\u00faria, mas n\u00e3o quero fazer ju\u00edzo nenhum em rela\u00e7\u00e3o ao passado, faltou preocupa\u00e7\u00e3o em desencadear todo o processo de canoniza\u00e7\u00e3o, que aconteceu um pouco mais tarde, gra\u00e7as ao trabalho, em particular, de um padre dominicano, o padre Rolo, no sentido de recuperar a sua pessoa e a sua obra. A partir da\u00ed aconteceu a beatifica\u00e7\u00e3o; depois seria necess\u00e1rio tamb\u00e9m um milagre para a canoniza\u00e7\u00e3o, o ser declarado como santo.<\/p>\n<p>Pensei que poderia ser interessante n\u00e3o adiar mais, fazermos a nossa parte, no sentido de propor ao Papa Francisco que concedesse a gra\u00e7a da dispensa do milagre, uma vez que a Igreja o considera como santo j\u00e1 h\u00e1 muito tempo. Foi isso que aconteceu, foi uma exposi\u00e7\u00e3o muito normal, num encontro privado que tive com o Papa Francisco, onde lhe entreguei este pedido. O Papa, porventura, j\u00e1 conhecia um pouco a personalidade e a obra de Bartolomeu dos M\u00e1rtires.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos esque\u00e7amos que ele \u00e9 muito conhecido por parte da Igreja, inclusivamente o Papa Paulo VI ofereceu a todos os bispos do Conc\u00edlio Vaticano II, no final, quase como se fosse uma prenda, o livro \u2018O est\u00edmulo dos Pastores\u2019, o que fez com que fosse conhecido pelo mundo inteiro. A sua vida era conhecida, a sua obra era conhecida, o Papa chegou a esta conclus\u00e3o e foi algo natural.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bartolomeu dos M\u00e1rtires foi uma das vozes de refer\u00eancia no Conc\u00edlio de Trento (1543 \u2013 1563), num momento decisivo na hist\u00f3ria da Igreja Cat\u00f3lica, por causa da reforma protestante. Destacou-se tamb\u00e9m pela sua miss\u00e3o pastoral \u00e0 frente das comunidades do Minho e de Tr\u00e1s-os-Montes. \u00c9 f\u00e1cil falar deste Santo \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es, como uma refer\u00eancia, um modelo?<\/em><\/p>\n<p>Penso que \u00e9 f\u00e1cil falar dele \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es, como a todas as pessoas. Ele foi uma grande personalidade do Conc\u00edlio de Trento, pela \u00e2nsia de reforma da Igreja, integrando-se naquilo que na \u00e9poca come\u00e7ou a chamar-se reforma cat\u00f3lica. Estava em curso a reforma protestante e alguns historiadores come\u00e7aram tamb\u00e9m a referir a contra-reforma.<\/p>\n<p>Frei Bartolomeu dos M\u00e1rtires integrou-se nesta \u00e2nsia que a Igreja Cat\u00f3lica tinha tamb\u00e9m de se reformar, por isso participa no Conc\u00edlio de Trento com v\u00e1rias propostas para a renova\u00e7\u00e3o da mesma Igreja. Aquilo que ele leva, no entanto, j\u00e1 o tinha concretizado aqui. A sua vida \u00e9 a de algu\u00e9m que vai ao encontro das pessoas, que peregrina por toda a diocese \u2013 \u00e9 bom que recordemos que a Arquidiocese de Braga, naquela altura, integrava Viana do Castelo, Vila Real e parte de Bragan\u00e7a -, em toda a sua extens\u00e3o, no contacto com as pessoas. Isto faz com que, efetivamente, ele seja uma refer\u00eancia.<\/p>\n<p>Depois, o cuidado que ele teve com os pobres, com os mais necessitados. H\u00e1 tantos momentos da sua vida na rela\u00e7\u00e3o com os mais abandonados, com os mais marginalizados. \u00c9 muito f\u00e1cil encontrarmos elementos que possam, na verdade, ser um est\u00edmulo para os crist\u00e3os, adultos e jovens, para caminhar de uma maneira nova, mais comprometida na Igreja e na sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A aten\u00e7\u00e3o aos pobres continua a ser uma miss\u00e3o da Igreja. Como \u00e9 que o novo santo pode inspirar as mudan\u00e7as que a atualidade exige? <\/em><\/p>\n<p>Eu vejo muitos aspetos, mas destaco o cuidado que ele teve, por exemplo, na forma\u00e7\u00e3o das pessoas. Foi um homem apaixonado pela forma\u00e7\u00e3o, tendo fundado o Col\u00e9gio de S\u00e3o Pedro e S\u00e3o Paulo, que entregou aos Jesu\u00edtas, nascidos h\u00e1 relativamente pouco tempo, no sentido de promover a forma\u00e7\u00e3o, a cultura e, consequentemente, o desenvolvimento da sociedade. Portanto, n\u00e3o \u00e9 apenas um col\u00e9gio pelo col\u00e9gio, mas para suscitar pessoas para a sociedade, para um compromisso concreto. Ele suscita depois a cria\u00e7\u00e3o dos nossos semin\u00e1rios, como orienta\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio de Trento.<\/p>\n<p>Depois existia o cuidado com a forma\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m, quando passava pelas diversas comunidades, tinha essa grande preocupa\u00e7\u00e3o. Hoje a ideia de forma\u00e7\u00e3o permanente, de atualiza\u00e7\u00e3o constante, \u00e9 outra realidade de extrema import\u00e2ncia que a Igreja n\u00e3o pode, de maneira alguma, desconsiderar. Antes pelo contr\u00e1rio. Neste aspeto, tamb\u00e9m, S\u00e3o Bartolomeu dos M\u00e1rtires \u00e9 um est\u00edmulo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Era j\u00e1 arcebispo de Braga quando Frei Bartolomeu dos M\u00e1rtires foi beatificado, em 2001. \u00c9 importante para si estar ainda \u00e0 frente da arquidiocese no momento desta canoniza\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida, como \u00e9 natural quando nos dedicamos a uma causa e quando acreditamos nela. Penso que a Igreja, hoje, necessita tamb\u00e9m de uma renova\u00e7\u00e3o e, ali\u00e1s, o Papa Francisco fala permanentemente disto, do que classifica como renova\u00e7\u00e3o inadi\u00e1vel.<\/p>\n<p>Esta renova\u00e7\u00e3o da Igreja, pensam alguns, passa pelas estruturas. Poder\u00e1 acontecer. Passa por mudar de h\u00e1bitos, de rotinas. Mas, pessoalmente, estou convencido de que a grande renova\u00e7\u00e3o da Igreja vem de dentro, de dentro para fora, da santidade para os compromissos concretos que a vida, depois, proporciona.<\/p>\n<p>Portanto, eu que acredito firmemente nisto \u2013 que a renova\u00e7\u00e3o da Igreja passa por uma transforma\u00e7\u00e3o interior, por uma maior fidelidade ao Evangelho, por um maior compromisso com o pr\u00f3prio Jesus Cristo -, certamente tenho de ficar contente com uma canoniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Efetivamente, \u00e9 um Santo. \u00c9 a Igreja que reconhece, porque como dizia atr\u00e1s, a santidade de Bartolomeu dos M\u00e1rtires j\u00e1 era reconhecida pelo povo h\u00e1 muitos s\u00e9culos. Fico muito contente pelo facto de a Igreja poder ter mais algu\u00e9m a dizer: \u201cAssim como eu fiz, fazei v\u00f3s tamb\u00e9m. A santidade foi poss\u00edvel para mim, tamb\u00e9m ser\u00e1 poss\u00edvel para v\u00f3s, bispos, sacerdotes, leigos\u201d. Isto de pautarmos a nossa vida pela mediocridade, pela superficialidade, n\u00e3o conduz a nada. N\u00e3o podemos viver s\u00f3 de h\u00e1bitos, de rotinas, temos de ter um esp\u00edrito muito grande, uma alma, que n\u00f3s d\u00e1 alento e coragem para mostrar que Cristo est\u00e1 em n\u00f3s e que, por nosso interm\u00e9dio, est\u00e1 a agir na sociedade. \u00c9 um momento grande de alegria, para mim, essencialmente por isto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_153325\" aria-describedby=\"caption-attachment-153325\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/IMG_2968.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-153325 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/IMG_2968-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/IMG_2968-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/IMG_2968-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/IMG_2968-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/IMG_2968-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/IMG_2968-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/IMG_2968-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/IMG_2968-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/IMG_2968.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-153325\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/LFS<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>J\u00e1 celebrou as bodas de ouro como sacerdote, \u00e9 bispo h\u00e1 mais de 30 anos, arcebispo de Braga h\u00e1 20, e quando completou os 75 anos de idade apresentou a sua ren\u00fancia ao Papa. J\u00e1 tem alguma indica\u00e7\u00e3o sobre quando ser\u00e1 substitu\u00eddo?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, nem me preocupo. Fiz aquilo que deveria fazer, que s\u00e3o as orienta\u00e7\u00f5es can\u00f3nicas, quando completei 75 anos, agora n\u00e3o me preocupo muito com isso. Procuro ir vivendo a vida, n\u00e3o fugir \u00e0s responsabilidades, tendo o mesmo encanto, se \u00e9 poss\u00edvel, e a mesma dedica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 orienta\u00e7\u00e3o nenhuma. Confio e espero, e quando e como Deus quiser, c\u00e1 estarei para encetar um novo per\u00edodo na minha vida.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>Para os seus 20 anos como arcebispo o jornalista Ricardo Perna trabalhou consigo no livro &#8216;D. Jorge Ortiga &#8211; Semeador de alegria e da unidade&#8217;. \u00c9 assim que gostaria de ser recordado, como um semeador da alegria e da unidade?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. Desde o princ\u00edpio pautei a minha vida, particularmente episcopal, por este testemunho da unidade. Acredito que \u00e9 poss\u00edvel a Igreja dar um contributo muito grande para a unidade, em primeiro lugar dela pr\u00f3pria, da Igreja, mas depois tamb\u00e9m da sociedade. Mas \u00e9 preciso constru\u00ed-la, \u00e9 preciso trabalhar, de facto, a unidade. Penso que tenho vivido para a unidade, e que um dos frutos da unidade \u00e9 precisamente a alegria. Quando entre n\u00f3s n\u00e3o h\u00e1 divis\u00f5es, quando nos sentimos amados e quando amamos, sentimos e experimentamos a alegria, e a alegria torna-se o testemunho da nossa vida. N\u00e3o posso ser juiz em causa pr\u00f3pria, mas penso que tenho procurado orientar a minha vida para construir a unidade, e consequentemente para viver na alegria no encontro com as pessoas, com as situa\u00e7\u00f5es e com os problemas. Que existem, mas eu acredito sempre que as coisas se modificam e que aquilo que importa \u00e9 que manifestemos muita serenidade, confian\u00e7a e tamb\u00e9m muita alegria perante aquilo que a vida nos proporciona.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Qual foi o momento mais feliz para si enquanto arcebispo, e qual foi o mais triste?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil, n\u00e3o sei dizer. Procuro encarar a vida tal e qual ela \u00e9, nas situa\u00e7\u00f5es boas e m\u00e1s, n\u00e3o gosto de fazer grande diferen\u00e7a, portanto n\u00e3o lhe posso dizer qual foi o momento mais triste. Procuro abra\u00e7ar as diversas situa\u00e7\u00f5es, sei que s\u00e3o desafios, que s\u00e3o problemas, mas abra\u00e7am-se com f\u00e9 e com esperan\u00e7a e tudo se ultrapassa, e o que hoje parece um muro intranspon\u00edvel, amanh\u00e3 deixa de o ser.<\/p>\n<p>Em termos de alegria, e dentro daquilo de que h\u00e1 momentos fal\u00e1vamos: a beatifica\u00e7\u00e3o de Alexandrina de Balasar, e a beatifica\u00e7\u00e3o e agora canoniza\u00e7\u00e3o de frei Bartolomeu dos M\u00e1rtires deram-me, de facto, grande alegria na minha vida de arcebispo de Braga.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>Na Diocese de Braga h\u00e1 uma din\u00e2mica implementada de di\u00e1logo com a sociedade, de que s\u00e3o exemplo as confer\u00eancias &#8216;Nova \u00c1gora&#8217;, uma iniciativa dinamizada neste seu tempo como arcebispo. Gostaria que prosseguisse este di\u00e1logo entre a sociedade civil e a Igreja Cat\u00f3lica?<\/em><\/p>\n<p>Creio que \u00e9 imprescind\u00edvel. Hoje a Igreja n\u00e3o pode, de maneira nenhuma, fechar-se dentro dela. O Papa convida permanentemente a Igreja a sair, a ir ao encontro das situa\u00e7\u00f5es, de pobreza e outras, mas hoje a nossa sa\u00edda tem de ser essencialmente para um encontro com a cultura. A Igreja n\u00e3o \u00e9 nada sem um di\u00e1logo permanente e constante com a cultura, nas suas mais variadas manifesta\u00e7\u00f5es. Portanto, penso que isto n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o, \u00e9 como um dever e uma obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Igreja n\u00e3o \u00e9 ela pr\u00f3pria se efetivamente n\u00e3o entrar em contacto com a cultura, para amar a pr\u00f3pria cultura, porventura para evangelizar essa cultura, deixar dentro da cultura a semente do Evangelho, at\u00e9 para aprender com a cultura. Porque n\u00e3o podemos de maneira nenhuma apegarmo-nos aos nossos esquemas tradicionais de ir repetindo sempre a mesma coisa, isso j\u00e1 n\u00e3o conta, isso j\u00e1 n\u00e3o vale. A linguagem do Evangelho tem de ser uma linguagem revestida por esta nova linguagem da cultura, da t\u00e9cnica moderna, isso \u00e9 de facto imprescind\u00edvel. Portantro, creio que n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o para a Igreja, \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se v\u00e3o continuar com a experi\u00eancia da &#8216;Nova \u00c1gora&#8217; n\u00e3o sei, tamb\u00e9m n\u00e3o me preocupo com isso, foi uma iniciativa que fez o seu tempo, poder\u00e1 continuar, \u00e9 bom que continue, mas a Arquidiocese poder\u00e1 encontrar outros modos de dialogar com a cultura. N\u00e3o poder\u00e1 deixar de o fazer.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>Nestes 20 anos como arcebispo foi presidente da Confer\u00eancia Episcopal e esteve tamb\u00e9m ligado \u00e0 Pastoral Social, que \u00e9 uma \u00e1rea que acompanha com particular aten\u00e7\u00e3o. Como \u00e9 que v\u00ea o atual momento do pa\u00eds em termos econ\u00f3micos e sociais? H\u00e1 alguns indicadores positivos relativamente ao desemprego e \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de pobres em Portugal, mas as institui\u00e7\u00f5es de solidariedade social continuam a dizer que recebem muitos pedidos de ajuda de portugueses que n\u00e3o ganham o suficiente para as despesas. Que ecos \u00e9 que vai tendo?<\/em><\/p>\n<p>Evidentemente que os \u00edndices em alguns aspetos s\u00e3o positivos, mas eu costumo dizer que n\u00f3s n\u00e3o podemos viver pura e simplesmente das estat\u00edsticas, porque ainda h\u00e1 muitas situa\u00e7\u00f5es de pobreza que n\u00e3o podemos de maneira nenhuma ignorar. Olhando para o concreto, a habita\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 aquilo que deveria ser em muitas situa\u00e7\u00f5es, a situa\u00e7\u00e3o dos idosos tamb\u00e9m n\u00e3o &#8211; o dinheiro que recebem de reforma \u00e9 verdadeiramente insignificante para responder \u00e0s necessidades. A a\u00e7\u00e3o social que a Igreja vai realizando n\u00e3o \u00e9 muito conhecida, mas \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o de grande valor e import\u00e2ncia, porque efetivamente de grande necessidade. N\u00e3o s\u00e3o apenas os problemas que as institui\u00e7\u00f5es de solidariedade da Igreja enfrentam, mas a necessidade que t\u00eam de estar no meio desses problemas e de encontrar resposta. E de facto s\u00e3o muitos, por parte da juventude, por parte dos migrantes, hoje uma realidade nova.<\/p>\n<p>Que a sociedade portuguesa est\u00e1 melhor, evidentemente que ningu\u00e9m o nega, mas enquanto houver algu\u00e9m que n\u00e3o tem o indispens\u00e1vel para viver, a Igreja n\u00e3o poder\u00e1 tranquilizar-se e dizer que est\u00e1 tudo feito. E h\u00e1 sempre algu\u00e9m, particularmente no interior. \u00c9 necess\u00e1rio olhar para o interior.<\/p>\n<p>As estat\u00edsticas muitas vezes refletem aquilo que acontece nas cidades ou nas vilas e esquecem o interior, onde existem poucas pessoas, normalmente pessoas de idade, que muitas vezes est\u00e3o praticamente abandonadas, est\u00e3o sozinhas, e que se n\u00e3o for a presen\u00e7a da Igreja n\u00e3o h\u00e1 mais nenhuma presen\u00e7a, de quem olhe para elas e lhes preste aten\u00e7\u00e3o. Portanto, h\u00e1 muitas situa\u00e7\u00f5es e esta do interior \u00e9 um problema que me aparece ainda bastante grave.<\/p>\n<figure id=\"attachment_153331\" aria-describedby=\"caption-attachment-153331\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/IMG_3800.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-153331 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/IMG_3800.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/IMG_3800.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/IMG_3800-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/IMG_3800-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/IMG_3800-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/IMG_3800-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/IMG_3800-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/IMG_3800-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/IMG_3800-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-153331\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Arquidiocese de Braga\/Jo\u00e3o Pedro Quesado<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>No territ\u00f3rio da arquidiocese de Braga h\u00e1 muitas empresas e ind\u00fastrias especializadas. Portugal continua a ter um dos sal\u00e1rios m\u00ednimos mais baixos da Uni\u00e3o Europeia, de 600 euros, e esta semana os parceiros sociais come\u00e7aram a discutir a sua atualiza\u00e7\u00e3o. Como \u00e9 que v\u00ea a meta do governo para que o sal\u00e1rio m\u00ednimo atinja os 750 euros em 2023?<\/em><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o quero estar a imiscuir-me nesse assunto, a entrar em termos concretos&#8230;<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Mesmo n\u00e3o olhando especificamente para o valor, mas para a ideia e para a preocupa\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida nenhuma que aquilo que importa \u00e9 dialogar. \u00c9 fundamental o di\u00e1logo entre todas as institui\u00e7\u00f5es para chegar a uma solu\u00e7\u00e3o e a um consenso, na certeza de que o ordenado m\u00ednimo ainda \u00e9 bastante, eu direi, insuficiente para que as pessoas possam viver tranquilamente com a dignidade a que t\u00eam direito.<\/p>\n<p>O caminho para fazer com que as coisas possam evoluir e ser diferentes \u00e9 uma coisa que efetivamente n\u00e3o me diz respeito, agora, que gostaria de ver as pessoas com outra capacidade, sem d\u00favida nenhuma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Depois das elei\u00e7\u00f5es de outubro o parlamento j\u00e1 reabriu os trabalhos, e logo no primeiro dia o Bloco de Esquerda anunciou a inten\u00e7\u00e3o de apresentar um novo projeto de lei para legalizar a eutan\u00e1sia. Como \u00e9 que v\u00ea esta decis\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Por aquilo que sab\u00edamos, era esperada. Tenho esperan\u00e7a de que a sociedade portuguesa tenha consci\u00eancia dos seus valores e que seja capaz de defender a vida, como tantas vezes se vai dizendo que somos pela vida, e que a vida \u00e9 vida de todos, inclusive dos que est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o \u00e0s vezes terminal, que naturalmente precisam tamb\u00e9m de dignidade. Mas, a resposta n\u00e3o \u00e9 a eutan\u00e1sia, mas passa por tantas outras respostas sociais que deveriam ser intensificadas.<\/p>\n<p>Hoje sabemos que \u00e9 muito complicado encontrar um lugar numa unidade de cuidados continuados ou paliativos, e esta \u00e9 que devia ser a verdadeira resposta, aqui \u00e9 que se devia gastar dinheiro, n\u00e3o gastar dinheiro na morte das pessoas, mas gastar dinheiro para que haja condi\u00e7\u00f5es e as pessoas possam chegar ao fim da sua vida de uma maneira digna. Isto \u00e9 que me parece que era importante.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>Mas, concorda com a possibilidade de se fazer um referendo sobre a eutan\u00e1sia, como defendem alguns?<\/em><\/p>\n<p>Ora bem, j\u00e1 fizemos referendos, se n\u00e3o houver&#8230; Eu acho que a vida n\u00e3o \u00e9 referend\u00e1vel, isto \u00e9 um princ\u00edpio para mim e para a Igreja, n\u00e3o podemos estar a sujeitar a vida ao referendo. Se n\u00e3o houver outra hip\u00f3tese, pois com certeza que nessa altura teremos de ir para a luta, apelando naturalmente aos portugueses que tenham consci\u00eancia daquilo que foi sempre a sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E a Igreja deve envolver-se mais nessa luta, publicamente?<\/em><\/p>\n<p>Evidentemente se se trata da vida&#8230; mas, n\u00e3o numa campanha, a Igreja n\u00e3o se envolve na pol\u00edtica, agora nos valores, tudo aquilo que est\u00e1 relacionado com a pessoa humana, a Igreja \u00e9 a primeira que desde sempre &#8216;suja os seus p\u00e9s&#8217; nessa mat\u00e9ria, digamos assim. Tem de se envolver sempre e cada vez mais, n\u00e3o pode ter medo, n\u00e3o pode estar na expectativa, antes pelo contr\u00e1rio, no sentido de propor para que efetivamente esse grande valor da vida seja defendido e n\u00e3o seja ultrajado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":153326,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[626],"class_list":["post-153324","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-bartolomeu-dos-martires"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/153324","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=153324"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/153324\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/153326"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=153324"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=153324"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=153324"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}