{"id":15297,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/os-ministerios-laicais-sao-novidade-do-concilio-vaticano-ii\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"os-ministerios-laicais-sao-novidade-do-concilio-vaticano-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/os-ministerios-laicais-sao-novidade-do-concilio-vaticano-ii\/","title":{"rendered":"Os minist\u00e9rios laicais s\u00e3o novidade do Conc\u00edlio Vaticano II"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Manuel Pelino, bispo de Santar\u00e9m na vig\u00edlia da Solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o <!--more--> 1. Ao instituir estes ac\u00f3litos confiamos-lhes o minist\u00e9rio eclesial de servir o altar, de auxiliar os sacerdotes e os di\u00e1conos no servi\u00e7o da liturgia, de modo a dar, a esta ac\u00e7\u00e3o sagrada por excel\u00eancia, dignidade e beleza e tornar a liturgia uma verdadeira express\u00e3o do mist\u00e9rio de Cristo e da genu\u00edna natureza da Igreja, em que os elementos vis\u00edveis significam e nos p\u00f5em em contacto com os dons invis\u00edveis da reden\u00e7\u00e3o. De facto, a liturgia, como diz a introdu\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o \u201cSacrosantum Concilium\u201d, edifica os que est\u00e3o dentro da Igreja em templo santo e ao mesmo tempo mostra a Igreja aos que est\u00e3o fora (Cf SC1). Ou seja: robustece a f\u00e9 dos crentes e orienta para a evangeliza\u00e7\u00e3o dos n\u00e3o crentes. \u00c9 o centro da vida crist\u00e3, que confere unidade, sentido e for\u00e7a \u00e0 exist\u00eancia e \u00e0 actividade apost\u00f3lica dos fi\u00e9is. \u00c9 um minist\u00e9rio laical, pr\u00f3prio do sacerd\u00f3cio comum dos fi\u00e9is. Tem uma matriz baptismal: \u00c9, portanto, pr\u00f3prio do Baptismo vivido de forma consciente plena e empenhada Na sua proximidade f\u00edsica do altar e da celebra\u00e7\u00e3o dos mist\u00e9rios, os ac\u00f3litos representam a chamamento de todo o povo de Deus a ser um povo sacerdotal. Manifestam deste modo como todo o povo de Deus \u00e9 chamado a uma participa\u00e7\u00e3o activa e respons\u00e1vel da liturgia. \u201c A celebra\u00e7\u00e3o da liturgia \u00e9 uma ac\u00e7\u00e3o sagrada n\u00e3o s\u00f3 do clero mas de toda a assembleia. \u00c9 portanto natural que as tarefas que n\u00e3o s\u00e3o exclusivas dos ministros sagrados sejam desempenhadas pelos fi\u00e9is leigos. Torna-se assim espont\u00e2nea a passagem de um efectivo envolvimento dos fi\u00e9is leigos na ac\u00e7\u00e3o lit\u00fargica para o an\u00fancio da Palavra de Deus e para a cura pastoral\u201d (ChFL 23).  Os ac\u00f3litos s\u00e3o, portanto, representantes do povo de Deus em geral. Os fi\u00e9is rev\u00eaem-se nos ac\u00f3litos. S\u00e3o membros da fam\u00edlia paroquial, s\u00e3o familiares de muitos dos membros da assembleia celebrante. Ali t\u00e3o pr\u00f3ximos do Senhor, revestidos da veste branca da santidade e da dignidade baptismal, s\u00e3o chamados a ser um exemplo da atitude contemplativa feita de respeito e de devo\u00e7\u00e3o com que todos devemos viver a celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia e dos Sacramentos. Aproximam, de certa maneira, toda assembleia do altar e da santidade do Senhor. Ocupando um lugar de relevo no espa\u00e7o sagrado do presbit\u00e9rio manifestam a dignidade e a santidade de todos os fi\u00e9is.  Mostram tamb\u00e9m como a Igreja \u00e9 um corpo com muitos membros em que cada um tem tarefas pr\u00f3prias. Uma Igreja estruturada nas suas ordens e minist\u00e9rios, em que cada um deve fazer s\u00f3 o que lhe compete e atribuir a outros as tarefas que lhes pertencem, sem absorver ou monopolizar as fun\u00e7\u00f5es. Assim s\u00e3o incentivo e express\u00e3o de uma participa\u00e7\u00e3o plena consciente e activa de todos os fi\u00e9is, segundo o desejo da Igreja manifestado no Conc\u00edlio. (Cf S C 28). \u201c Na reforma e incremento da sagrada liturgia deve prestar-se a maior aten\u00e7\u00e3o a esta participa\u00e7\u00e3o activa e plena de todo o povo, porque ela \u00e9 a fonte primeira e necess\u00e1ria onde os fi\u00e9is h\u00e3o-de beber o esp\u00edrito genuinamente crist\u00e3o. Esta a raz\u00e3o que deve levar os pastores de almas a procurarem-na com o m\u00e1ximo empenho, atrav\u00e9s da devida educa\u00e7\u00e3o\u201d (SC 28). 2. Os minist\u00e9rios laicais s\u00e3o novidade do Conc\u00edlio Vaticano II. At\u00e9 a\u00ed estes minist\u00e9rios eram considerados ordens menores para os candidatos ao sacerd\u00f3cio. A consci\u00eancia laical n\u00e3o estava devidamente esclarecida. O Conc\u00edlio despertou o sentido de Igreja em todos os fi\u00e9is e chamou para uma participa\u00e7\u00e3o mais activa e mais respons\u00e1vel na sua vida e miss\u00e3o. Iniciou um processo que est\u00e1 ainda em curso. Passados quarenta anos notamos alguns passos mas temos tamb\u00e9m consci\u00eancia do longo caminho que temos para andar. Hoje temos motivo especial para recordar e retomar a renova\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II. De facto, a 7 de Dezembro dava-se a \u00faltima sess\u00e3o deste grande evento eclesial, o Conc\u00edlio da Igreja sobre a Igreja no seu mist\u00e9rio, na sua natureza, na sua estrutura, na sua miss\u00e3o. \u00c9 na liturgia que encontramos a manifesta\u00e7\u00e3o principal do mist\u00e9rio da Igreja.  O centro da liturgia \u00e9 o mist\u00e9rio de Cristo. Na liturgia toda a Igreja escuta a Palavra de Cristo, encontra-se com Ele, penetra mais profundamente no seu mist\u00e9rio, alimenta a chama da f\u00e9 e o fogo do amor que a levam a cantar os louvores de Deus, como se exprimia o Papa Paulo VI na \u00faltima sess\u00e3o do Conc\u00edlio a 7 de Dezembro.  A liturgia foi uma das primeiras e principais \u00e1reas em que se notou a renova\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio. Adoptando uma perspectiva teol\u00f3gica, e n\u00e3o rubricista como at\u00e9 essa altura, o Conc\u00edlio entendeu a liturgia como express\u00e3o do mist\u00e9rio de Cristo. Nesse sentido, os ritos n\u00e3o s\u00e3o simples cerim\u00f3nias, n\u00e3o s\u00e3o apenas elementos decorativos como em cerim\u00f3nias civis. S\u00e3o sinais vis\u00edveis que realizam a santifica\u00e7\u00e3o invis\u00edvel dos homens. Prolongam a obra salvadora que Jesus realizou com os seus gestos vis\u00edveis. Est\u00e3o radicados na encarna\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo, em que o mist\u00e9rio de Deus se torna presente atrav\u00e9s da carne humana. Por isso, se recomenda aos participantes, e de modo especial aos ac\u00f3litos, a concentra\u00e7\u00e3o, a compostura, a devo\u00e7\u00e3o, o sil\u00eancio, como express\u00e3o do respeito e da venera\u00e7\u00e3o com que nos devemos aproximar da presen\u00e7a de Deus. O Conc\u00edlio apresenta, por outro lado, a liturgia relacionada com a vida. A celebra\u00e7\u00e3o reenvia \u00e0 vida. Prepara para a miss\u00e3o no mundo. Nos minist\u00e9rios institu\u00eddos deve ser ainda mais vis\u00edvel a rela\u00e7\u00e3o com a vida. De facto, estes minist\u00e9rios s\u00e3o uma tarefa dos leigos cujo papel espec\u00edfico \u00e9 cuidar das realidades do mundo e orient\u00e1-las segundo o Evangelho. A liturgia n\u00e3o separa da vida mas santifica e orienta a vida humana para Deus. Convida a fazer da exist\u00eancia quotidiana uma oferta agrad\u00e1vel ao Senhor. Envia ao mundo com uma f\u00e9 mais viva e uma esperan\u00e7a mais irradiante. Deste modo, a participa\u00e7\u00e3o activa na liturgia, exemplificada pelos ac\u00f3litos, deve encaminhar para uma participa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m mais activa na outras \u00e1reas da miss\u00e3o da Igreja: no an\u00fancio do Evangelho e no testemunho de Deus no mundo, atrav\u00e9s do esp\u00edrito de servi\u00e7o e de solidariedade com que devemos realizar as nossas tarefas. 3. Maria \u00e9 apresentada no Evangelho desta solenidade, como exemplo de servi\u00e7o a Deus e aos homens. \u201cEis a serva do Senhor\u201d. Tamb\u00e9m os que recebem um minist\u00e9rio se disp\u00f5em a servir Deus e os homens, onde e como Deus pede atrav\u00e9s da Igreja. A renova\u00e7\u00e3o lit\u00fargica \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o que, na Diocese, nos preocupa como prioridade pastoral. Assim procuramos dar cumprimento ao Conc\u00edlio. Para estes candidatos ao minist\u00e9rio ordenado, o exerc\u00edcio do acolitado \u00e9 uma experi\u00eancia que os tornar\u00e1 formadores do povo de Deus. As celebra\u00e7\u00f5es sem ac\u00f3litos t\u00eam menos vida e menos beleza. A tarefa dos pastores \u00e9 rodear-se de colaboradores, designadamente da fun\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, preparar e educar a participa\u00e7\u00e3o activa de todo o povo de Deus. Escolher colaboradores respons\u00e1veis, form\u00e1-los para o exerc\u00edcio das suas tarefas \u00e9 o caminho para renovar a Igreja no esp\u00edrito do Conc\u00edlio. Os ac\u00f3litos contribuem para a beleza da liturgia na medida em que promovem a participa\u00e7\u00e3o com dignidade, interioridade e sentido est\u00e9tico. Importa desempenhar bem, com qualidade, com sentido, com beleza, os ritos como visibilidade do mist\u00e9rio da encarna\u00e7\u00e3o. Tende pois presente a recomenda\u00e7\u00e3o do Ritual: \u201cEsfor\u00e7a-te por apreender o sentido \u00edntimo e espiritual daquilo que realizas e oferece-te todos os dias a Deus como v\u00edtima espiritual que lhe \u00e9 agrad\u00e1vel\u201d.  D. Manuel Pelino, Bispo de Santar\u00e9m S\u00e9 de Santar\u00e9m<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. 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